Orações
O Pai-Nosso: A Oração que Jesus Nos Ensinou
O Pai-Nosso completo em português e em latim (Pater Noster), a única oração que o próprio Nosso Senhor compôs. As sete petições explicadas segundo o Catecismo de São Pio X, o texto de Mateus na tradução do Pe. Figueiredo e a forma católica, sem a doxologia protestante.

De todas as orações que sobem dos lábios dos cristãos, há uma que não foi composta por nenhum santo, por nenhum doutor, por nenhuma alma piedosa: o Pai-Nosso saiu da boca do próprio Filho de Deus. Quando os discípulos lhe pediram Senhor, ensina-nos a orar (Lucas xi, 1), Nosso Senhor não lhes deu um tratado, mas esta breve fórmula em que, segundo a palavra de Tertuliano, está contido todo o Evangelho. Por isso a chamamos a oração do Senhor — Oratio Dominica — e a rezamos diariamente, na Missa, no terço e no recolhimento de cada dia. Neste guia apresentamos o Pai-Nosso completo em português e em latim, e explicamos cada uma das sete petições segundo o Catecismo de São Pio X.
O texto do Pai-Nosso
Eis a oração do Pai-Nosso na sua forma tradicional, em latim e em português, tal como a Igreja sempre a rezou:
Pater noster, qui es in cælis,
sanctificétur nomen tuum.
Advéniat regnum tuum.
Fiat volúntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum quotidiánum da nobis hódie,
et dimítte nobis débita nostra,
sicut et nos dimíttimus debitóribus nostris.
Et ne nos indúcas in tentatiónem,
sed líbera nos a malo. Amen.Pai-Nosso, que estais nos céus,
santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal. Amém.
O Evangelho de São Mateus nos transmite as próprias palavras de Cristo. Na tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, lemos:
Assim pois é que vós haveis de orar: Padre nosso que estais nos Céus: Santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso reino. Seja feita a vossa vontade, assim na terra, como no céu. O pão nosso, necessário à nossa subsistência, nos dai hoje. E perdoai as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixeis cair em tentação. Mas livrai-nos do mal, amém. (Mateus vi, 9-13)
A invocação: "Pai-Nosso, que estais nos céus"
Antes de qualquer pedido, Jesus nos ensina a chamar Deus de Pai. Esta única palavra resume toda a confiança cristã: não nos aproximamos de um juiz distante, mas de um Pai que nos ama. Dizemos nosso — e não meu — porque somos irmãos uns dos outros, membros de uma só família, e devemos orar uns pelos outros. E acrescentamos que estais nos céus, não para encerrar Deus num lugar, mas para erguer o nosso coração ao alto e lembrar a pátria a que somos chamados.
As sete petições explicadas
O Catecismo de São Pio X ensina que o Pai-Nosso contém sete petições: as três primeiras voltadas para a glória de Deus, as quatro últimas para as nossas necessidades. Esta é a ordem da reta caridade — primeiro Deus, depois nós.
1. Santificado seja o vosso nome. Pedimos que Deus seja conhecido, amado, honrado e servido por todos os homens, e em primeiro lugar por nós mesmos. Não é que o nome de Deus possa crescer em santidade — ele é santo por si — mas que seja santificado em nós e na boca de toda criatura.
2. Venha a nós o vosso reino. Pedimos que Deus reine sobre as nossas almas pela sua graça nesta vida, que reine na Igreja por toda a terra, e que enfim nos receba no reino da glória eterna. É o pedido de que Cristo seja Rei dos corações antes de o ser dos povos.
3. Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. Pedimos a graça de cumprir em tudo a vontade de Deus, na terra, com a mesma prontidão e amor com que a cumprem os bem-aventurados no céu. Aqui aprendemos a entregar a Deus as nossas próprias preferências, dizendo com Cristo no Horto: não se faça a minha vontade, mas a vossa.
4. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Pedimos a Deus o que nos é necessário para o corpo — o alimento, o vestuário, o sustento honesto — e sobretudo o pão da alma: a graça e a Sagrada Eucaristia, verdadeiro pão de cada dia. Dizemos hoje para aprender a confiar na Providência um dia de cada vez, sem ansiedade pelo amanhã.
5. Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Chamamos dívidas aos nossos pecados, porque por eles nos tornamos devedores diante da justiça de Deus. E nesta única petição pomos uma condição a nós mesmos: só pedimos perdão assim como perdoamos. Quem guarda rancor contra o próximo reza a sua própria condenação. É a palavra mais exigente de toda a oração.
6. E não nos deixeis cair em tentação. Não pedimos para nunca sermos tentados — a tentação é inevitável e até proveitosa quando vencida — mas que Deus não permita que sejamos vencidos por ela, e nos dê a graça e a força para resistir.
7. Mas livrai-nos do mal. Pedimos enfim que Deus nos livre de todos os males do corpo e da alma, passados, presentes e futuros, e principalmente do maior de todos os males, que é o pecado, e do autor de todo o mal, o demônio. O Amém que sela a oração é como dizer: assim seja, assim o esperamos.
A forma católica: sem a doxologia protestante
Muitos hoje, sobretudo por influência das traduções protestantes e do uso litúrgico moderno, acrescentam ao fim do Pai-Nosso as palavras porque vosso é o reino, o poder e a glória para sempre. Convém saber que esta doxologia não faz parte da oração tal como Cristo a ensinou no Evangelho. O texto da Vulgata, fixado por São Jerônimo e sempre rezado pela Igreja Latina, termina em livrai-nos do mal. A doxologia foi um acréscimo litúrgico antigo do Oriente, recolhido depois pelos protestantes a partir do século XVI.
Na tradição católica romana, o Pai-Nosso termina em sed líbera nos a malo — e na Santa Missa o sacerdote prolonga este pedido com a bela oração que chamamos o embolismo, antes da fração do pão. Por isso, quando rezamos o Pai-Nosso completo na sua forma católica, não acrescentamos a doxologia: encerramos com o Amém, fiéis ao texto que recebemos do próprio Senhor.
Como e quando rezar o Pai-Nosso
O Pai-Nosso é a primeira oração que a criança aprende e a última que sobe dos lábios do moribundo. Reza-se de manhã e à noite, junto com a Ave-Maria e o sinal da cruz; reza-se em cada dezena do terço; reza-se na Santa Missa por toda a assembleia; e reza-se em todas as novenas e devoções da Igreja. Está unido a tudo o que há de mais sagrado na vida cristã, e muitas vezes se une a outras súplicas antigas, como a Alma de Cristo (Anima Christi), rezada sobretudo após a comunhão e na hora da morte.
São Tomás de Aquino chamava-lhe a mais perfeita das orações, porque nela pedimos, e na devida ordem, tudo quanto podemos legitimamente desejar. Quem aprende a rezá-la com atenção, pesando cada palavra, encontra nela uma escola inteira de vida espiritual. Não a digamos, pois, à pressa e por costume, mas devagar, como filhos que falam ao Pai.
Oração da manhã baseada no Pai-Nosso
Muitos fiéis gostam de começar o dia rezando o Pai-Nosso e, em seguida, de o desdobrar numa breve oração da manhã que aplica as suas petições ao dia que começa. Não se trata de uma nova fórmula a substituir a oração do Senhor, mas de a prolongar com o coração. Eis uma maneira simples de o fazer ao despertar:
Pai-Nosso, que estais nos céus, ao começar este dia eu vos adoro e vos consagro tudo o que vou pensar, dizer e fazer.
Santificado seja o vosso nome — que hoje eu não vos ofenda em nada.
Venha a nós o vosso reino — reinai sobre o meu coração desde esta hora.
Seja feita a vossa vontade — aceito de antemão tudo o que me enviardes hoje.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje — provede ao corpo e à alma do que precisarem.
Perdoai-nos as nossas dívidas — e dai-me a graça de perdoar de coração a quem me ofender hoje.
Não nos deixeis cair em tentação e livrai-nos do mal — guardai-me, com a minha Mãe do Céu e o meu Anjo da Guarda, até a noite. Amém.
Quem deseja fazer disto um exercício constante pode rezar esta oração da manhã baseada no Pai-Nosso durante 40 dias seguidos, à maneira de uma quarentena espiritual: o próprio número evoca os quarenta dias de Nosso Senhor no deserto e o tempo da Quaresma. Não há nisso nada de mágico nem de garantido — é simplesmente a perseverança que a oração cristã sempre recomendou (Lucas xviii, 1). Veja também as nossas orações da manhã completas.
Oração do Pai-Nosso para dormir e para a noite
Assim como abrimos o dia com o Pai-Nosso, é antiquíssimo costume cristão fechá-lo do mesmo modo. Antes de dormir, fazemos o exame da consciência, pedimos perdão dos pecados do dia e nos entregamos a Deus para a noite — pois o sono é imagem da morte, e quem adormece nos braços do Pai nada tem a temer. Eis uma oração da noite baseada no Pai-Nosso, para rezar ao deitar:
Pai-Nosso, que estais nos céus, ao terminar este dia eu vos agradeço o bem que me destes e vos peço perdão do mal que cometi.
Seja feita a vossa vontade nesta noite como durante o dia.
Perdoai-nos as nossas dívidas, como eu perdoo a todos antes de dormir.
Não nos deixeis cair em tentação e livrai-nos do mal — afastai de mim o inimigo e dai-me um sono tranquilo sob a vossa guarda. Em vossas mãos entrego o meu espírito. Amém.
Esta oração serve bem para acalmar a alma agitada e ajudar a adormecer em paz: não por qualquer efeito automático, mas porque entregar as inquietações nas mãos do Pai aquieta verdadeiramente o coração, como ensina São Pedro: lançai sobre Ele todo o vosso cuidado, porque Ele tem cuidado de vós (I Pedro v, 7).
Pai-Nosso, Ave-Maria, Credo e Salve-Rainha: as orações fundamentais juntas
É frequente quererem rezar o Pai-Nosso, a Ave-Maria, o Credo e a Salve-Rainha em sequência, porque são as quatro orações que todo católico deve saber de cor. Juntam-se naturalmente: o Credo professa a fé, o Pai-Nosso e a Ave-Maria pedem, e a Salve-Rainha confia-nos à Mãe de Deus. Eis a ordem tradicional, com os textos:
Credo (Símbolo dos Apóstolos) — Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor...
Pai-Nosso — Pai-Nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome... (texto completo acima).
Ave-Maria — Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.
Salve-Rainha — Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas...
Esta mesma combinação — Pai-Nosso, Ave-Maria e Salve-Rainha, ou ainda Pai-Nosso, Ave-Maria e o Anjo da Guarda — é a base das orações da manhã e da noite e o esqueleto do terço. Quem quiser acrescentar a oração ao Anjo da Guarda reza, ao fim: Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém.
A oração de Santa Brígida: 7 Pai-Nossos e 7 Ave-Marias
Entre as devoções aprovadas pela piedade tradicional está a oração de Santa Brígida, que consiste em rezar 7 Pai-Nossos e 7 Ave-Marias por dia, durante um ano, em honra das Cinco Chagas e do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor, meditando a sua Paixão. Os sete Pai-Nossos lembram as sete derramações de sangue do Salvador e as sete palavras na cruz; os sete Ave-Marias, as dores de Nossa Senhora.
Convém uma palavra de prudência. As célebres "quinze orações" atribuídas a Santa Brígida circulam com promessas que a Igreja examinou: por decreto do Santo Ofício de 1954, tais promessas extraordinárias não devem ser tidas por autênticas nem divulgadas, ainda que a recitação das orações em si seja louvável e indulgenciada. Rezamos, pois, os sete Pai-Nossos e as sete Ave-Marias de Santa Brígida pela devoção que nutrem à Paixão de Cristo, e não na expectativa de qualquer recompensa garantida — pois nenhuma oração obriga a Deus.
Pai-Nosso para crianças e para imprimir
Por ser a primeira oração que se ensina, convém que a criança aprenda o Pai-Nosso devagar, uma petição de cada vez, e que entenda o sentido de cada pedido — sobretudo o de perdoar, que é o mais difícil para todos. Aos pequeninos basta primeiro o texto e o sinal da cruz; a explicação das sete petições vem depois, à medida que crescem.
Para a catequese em família, é útil ter o texto do Pai-Nosso para imprimir. Você pode copiar a versão completa em português e em latim que se encontra no início deste guia e imprimi-la, ou guardá-la em PDF para o caderno de orações da criança. No aplicativo Iter Fidei o texto está sempre à mão, com o áudio em latim e em português para acompanhar a pronúncia.
"Salmo do Pai-Nosso": uma confusão a esclarecer
Aparece com frequência a busca por um suposto "salmo do Pai-Nosso" ou pela associação do Pai-Nosso ao Salmo 91. Convém esclarecer, com caridade e verdade: o Pai-Nosso não é um salmo. Os salmos são os 150 cânticos inspirados do Antigo Testamento, atribuídos sobretudo ao rei Davi; o Pai-Nosso é a oração que Cristo compôs no Novo Testamento, registrada por São Mateus e São Lucas. São coisas distintas, ambas santas, mas que não se confundem.
O Salmo 91 (Qui habitat — "Aquele que habita ao abrigo do Altíssimo") é a oração de confiança e proteção por excelência, e a Igreja reza-o todas as noites em Completas. É excelente uni-lo ao Pai-Nosso na oração da noite. Mas não existe um "salmo que seja o Pai-Nosso", nem se deve rezar nenhum salmo como amuleto ou fórmula de poder: a oração cristã é diálogo confiante com o Pai, nunca técnica para forçar resultados.
O Pai-Nosso "em aramaico"
Ouve-se às vezes falar de um Pai-Nosso "original em aramaico", às vezes ligado a versões musicadas ou esotéricas. É certo que Nosso Senhor falava aramaico no dia a dia e que muito provavelmente ensinou esta oração nessa língua. Porém, o texto que o Espírito Santo nos conservou nas Escrituras é o grego dos Evangelhos, do qual a Igreja fez a tradução latina da Vulgata — e é essa a forma autêntica que rezamos. As reconstruções modernas "do aramaico", sobretudo as de inspiração esotérica que reinterpretam as palavras com sentidos místicos estranhos, não têm autoridade alguma e devem ser evitadas. O Pai-Nosso que a Igreja recebeu e transmitiu é o suficiente e o seguro.
Perguntas Frequentes
O Pai-Nosso foi mesmo composto por Jesus?
Sim. O Pai-Nosso é a única oração que o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou com as suas palavras, em resposta ao pedido dos discípulos. Por isso a Igreja a chama oração do Senhor (Oratio Dominica). Encontra-se em São Mateus (vi, 9-13) e, em forma mais breve, em São Lucas (xi, 2-4).
Por que os católicos não rezam "porque vosso é o reino, o poder e a glória"?
Porque essa doxologia não faz parte do texto que Cristo ensinou no Evangelho. A Vulgata e a tradição católica latina terminam o Pai-Nosso em livrai-nos do mal. Amém. A doxologia é um acréscimo litúrgico antigo do Oriente, depois adotado pelos protestantes, e não pertence à forma católica da oração.
Quantas petições tem o Pai-Nosso?
O Pai-Nosso tem sete petições, segundo o Catecismo de São Pio X. As três primeiras dizem respeito à glória de Deus (o seu nome, o seu reino, a sua vontade) e as quatro seguintes às nossas necessidades (o pão, o perdão, a vitória sobre a tentação e a libertação do mal).
O que significa "o pão nosso de cada dia"?
Significa tudo o que nos é necessário para viver, tanto para o corpo — o alimento e o sustento honesto — como sobretudo para a alma: a graça de Deus e a Sagrada Eucaristia, o verdadeiro pão dos filhos. Pedimo-lo para hoje, para aprendermos a confiar na Providência divina um dia de cada vez.
Qual é o texto do Pai-Nosso em latim?
A versão latina, o Pater Noster, começa assim: Pater noster, qui es in cælis, sanctificétur nomen tuum. Advéniat regnum tuum... e termina em sed líbera nos a malo. Amen. É o texto da Vulgata, rezado na Santa Missa tradicional e em toda a Igreja Latina.
O Pai-Nosso pode ser rezado por quem ainda não é católico?
Sim. Por ser a oração que Cristo ensinou a todos os que querem chamar Deus de Pai, o Pai-Nosso é o melhor começo para quem se aproxima da fé. Rezá-lo com sinceridade dispõe a alma a receber a graça e a entrar na família dos filhos de Deus.
Como rezar a oração de Santa Brígida dos 7 Pai-Nossos?
Reza-se 7 Pai-Nossos e 7 Ave-Marias por dia, em honra das Cinco Chagas e do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor, meditando a sua Paixão. A recitação é devota e indulgenciada, mas as "promessas" extraordinárias que circulam ligadas às quinze orações de Santa Brígida foram declaradas não autênticas pelo Santo Ofício em 1954. Rezamos por amor à Paixão de Cristo, não na expectativa de recompensa garantida.
Existe um Pai-Nosso em aramaico?
Nosso Senhor falava aramaico e provavelmente ensinou a oração nessa língua, mas o texto que as Escrituras nos conservaram é o grego dos Evangelhos, do qual veio a tradução latina da Vulgata. É essa a forma autêntica que a Igreja reza. As reconstruções modernas "do aramaico", sobretudo as de inspiração esotérica, não têm autoridade e devem ser evitadas.
O Pai-Nosso é um salmo? E o Salmo 91 tem relação com ele?
Não, o Pai-Nosso não é um salmo. Os salmos são os 150 cânticos do Antigo Testamento; o Pai-Nosso é a oração que Cristo compôs no Novo Testamento. O Salmo 91 (Qui habitat) é uma bela oração de proteção que combina bem com o Pai-Nosso na oração da noite, mas nenhum salmo deve ser rezado como amuleto ou fórmula de poder.
Posso rezar o Pai-Nosso para acalmar a ansiedade e dormir em paz?
Sim. Entregar as inquietações nas mãos do Pai aquieta verdadeiramente o coração, como ensina São Pedro: lançai sobre Ele todo o vosso cuidado (I Pedro v, 7). O efeito não é mágico nem automático: nasce da confiança filial e do abandono à Providência. Rezar o Pai-Nosso devagar ao deitar é um excelente modo de fechar o dia em paz.
Quais são as quatro orações fundamentais que todo católico deve saber?
São o Credo, o Pai-Nosso, a Ave-Maria e a Salve-Rainha. O Credo professa a fé, o Pai-Nosso e a Ave-Maria pedem a Deus e a Nossa Senhora, e a Salve-Rainha confia-nos à Mãe de misericórdia. Rezadas em sequência, formam a base das orações da manhã e da noite e o esqueleto do terço.
O aplicativo Iter Fidei traz as orações fundamentais, os salmos e as novenas, em latim e português, com áudio. Baixe aqui.
Fontes. Evangelho de São Mateus vi, 9-13 (tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo, sobre a Vulgata); Evangelho de São Lucas xi, 1-4; Catecismo da Doutrina Cristã de São Pio X (sobre a oração do Senhor e as sete petições); São Tomás de Aquino, Summa Theologiae II-II, q. 83; Tertuliano, De Oratione.