Orações
Glória ao Pai (Glória Patri): A Doxologia
O texto da pequena doxologia — o Glória ao Pai — em português e no latim original (Gloria Patri), com o seu significado trinitário e o seu uso tradicional no fim de cada salmo e em cada dezena do terço.

O Glória ao Pai é, talvez, a oração que mais vezes brota dos nossos lábios sem que nos demos conta. Não pedimos nada nela; não imploramos socorro nem confessamos culpa. Apenas louvamos. Em três linhas breves, a Igreja proclama a Santíssima Trindade e confessa que a glória de Deus não teve princípio nem terá fim. Por isso a chamamos a pequena doxologia — de doxa, "glória", e logos, "palavra": a palavra da glória. Ela sela cada salmo do Ofício Divino, fecha cada dezena do terço e coroa tantas outras orações. Reunimos aqui o seu texto em português e no latim original, com o seu significado e o seu uso tradicional, para que esta oração Glória ao Pai nunca seja para nós uma fórmula automática, mas o ato de adoração que ela realmente é.
O texto da oração
O Glória ao Pai é uma só frase, dividida em duas partes: a primeira proclama a Trindade; a segunda confessa a eternidade da sua glória, do princípio do mundo até a vida sem fim.
Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.
E no latim da Igreja, tal como o rezamos no Breviário e no terço:
Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto.
Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen.
Vale guardar de cor as duas frases latinas, porque elas pertencem ao patrimônio comum de toda a Igreja: em Roma ou no sertão, no século IV ou hoje, o cristão que diz Glória Patri reza com as mesmas palavras de incontáveis gerações de santos.
O significado: louvor à Trindade
A primeira metade da doxologia — Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo — é uma profissão de fé condensada. Nomeando as três Pessoas e atribuindo a cada uma a mesma glória, confessamos que são um só Deus em três Pessoas iguais e eternas. É o eco da fórmula que o próprio Nosso Senhor nos deixou ao enviar os Apóstolos: "Ide pois e ensinai todas as gentes: batizando-as em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28,19, na Bíblia do Padre Antônio Pereira de Figueiredo).
A repetição do "e" — ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo — não é descuido de estilo. Ela distingue cuidadosamente as três Pessoas, sem confundi-las e sem dividir a substância única. Foi precisamente para defender essa igualdade contra a heresia ariana, que negava a divindade do Filho, que a Igreja antiga fixou a doxologia nesta forma. Cada vez que a rezamos, portanto, professamos a fé de Niceia: o Filho é "Deus de Deus", consubstancial ao Pai.
A segunda metade — Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos — afirma que esta glória trinitária é eterna. Deus não começou a ser glorioso quando o mundo passou a louvá-lo; Ele o é desde toda a eternidade, na vida íntima das três Pessoas. Nós apenas nos unimos, no tempo, a um louvor que não tem princípio nem fim. As Escrituras transbordam dessa linguagem: "A Deus que só é sábio... seja tributada honra e glória por todos os séculos dos séculos. Amém" (Rm 16,27). A doxologia faz nossa essa aclamação dos Apóstolos.
De onde vem a pequena doxologia
A primeira parte do Glória Patri é antiquíssima e nasce diretamente da fórmula batismal do Evangelho. Já nos primeiros séculos os cristãos selavam os salmos e os hinos com um louvor trinitário. A segunda parte — Sicut erat in princípio — firmou-se sobretudo no Ocidente durante as controvérsias trinitárias, justamente para sublinhar que a glória do Filho "era no princípio", isto é, que Ele é eterno como o Pai. Distingue-se assim da grande doxologia, que é o Glória in excelsis Deo cantado na Missa: aquela é um hino extenso; esta, a fórmula breve de três linhas. Por ser pequena e perfeita, a Igreja a multiplicou por toda a sua oração.
O uso tradicional: o selo de cada salmo
O lugar mais antigo e próprio do Glória ao Pai é o fim de cada salmo. Quem reza o Ofício Divino — o Breviário, ou o Ofício de Nossa Senhora — conclui cada salmo e cada cântico com a doxologia. O motivo é belíssimo: os salmos foram compostos antes da vinda de Cristo, e a Igreja, ao cantá-los, os "batiza", coroando a oração do antigo Israel com a confissão explícita da Trindade revelada por Jesus. Cada salmo termina, assim, voltado para o mistério de Deus Uno e Trino.
Por isso, quando rezamos um salmo isolado — o Salmo 50 "Tende piedade de mim", o Salmo 90 "Aquele que habita no abrigo do Altíssimo", ou qualquer outro —, a tradição manda fechá-lo com o Glória Patri. É o gesto que transforma a leitura de um texto sagrado em oração da Igreja.
O Glória ao Pai no terço
No terço (e no rosário), o Glória ao Pai fecha cada uma das cinco dezenas, logo após as dez Ave-Marias e antes do mistério seguinte. Muitos acrescentam, em seguida, a oração que Nossa Senhora pediu em Fátima — "Ó meu Jesus, perdoai-nos..." —, mas o Glória propriamente dito é o louvor trinitário que sela a dezena. É o respirar do terço: depois de meditar cada mistério da vida de Cristo com Maria, a alma se ergue ao louvor das três divinas Pessoas. Quem ainda está aprendendo encontra o passo a passo em como rezar o terço.
A doxologia aparece ainda no início de certas orações, no Angelus, nas novenas e em inúmeras devoções. Aprenda, ao lado dela, as outras orações católicas fundamentais — o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Credo — que com o Glória ao Pai formam o coração da oração cristã.
Uma oração para nunca dizer por hábito
Sendo tão curta e tão repetida, o Glória Patri corre o risco de ser dito de boca, sem o coração. Combatamos esse perigo. Os antigos monges, ao chegar ao Glória Patri, inclinavam profundamente a cabeça, em sinal de adoração à Trindade — costume que o fiel pode imitar, sobretudo no coro. Que cada Glória ao Pai seja um pequeno ato de adoração, a alma curvando-se diante d'Aquele que era no princípio, é agora e será por todos os séculos dos séculos.
Perguntas Frequentes
Qual é a oração do Glória ao Pai?
"Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém." Em latim: "Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto. Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen." É a pequena doxologia, um breve louvor à Santíssima Trindade.
O que significa "doxologia"?
A palavra vem do grego doxa, "glória", e logos, "palavra": é, literalmente, uma "palavra de glória", isto é, uma fórmula de louvor a Deus. A pequena doxologia é o Glória ao Pai; a grande doxologia é o Glória in excelsis Deo cantado na Santa Missa.
Por que se reza o Glória ao Pai no fim de cada salmo?
Porque os salmos foram compostos no Antigo Testamento, antes da revelação plena da Trindade. Ao concluí-los com o Glória Patri, a Igreja coroa a oração de Israel com a confissão explícita do Deus Uno e Trino revelado por Cristo. É como "batizar" cada salmo no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Onde se reza o Glória ao Pai no terço?
No fim de cada uma das cinco dezenas, depois das dez Ave-Marias e antes de anunciar o mistério seguinte. Em muitos lugares, acrescenta-se em seguida a oração de Fátima ("Ó meu Jesus, perdoai-nos..."), mas o Glória ao Pai é o louvor trinitário que propriamente sela a dezena.
Qual a diferença entre a pequena e a grande doxologia?
A pequena doxologia é o Glória ao Pai, fórmula breve de três linhas usada no fim dos salmos e nas devoções. A grande doxologia é o hino Glória in excelsis Deo ("Glória a Deus nas alturas"), bem mais extenso, cantado na Missa nos domingos e festas.
Devo me inclinar ao rezar o Glória ao Pai?
Não é obrigatório, mas é um piedoso costume antiquíssimo, sobretudo no canto coral do Ofício: ao dizer "Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo", inclina-se a cabeça em sinal de adoração à Santíssima Trindade. O fiel pode adotar esse gesto para rezar com maior reverência.
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Fontes. Bíblia Sagrada, trad. Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (Mt 28,19; Rm 16,27); Breviário Romano e Ofício Divino (uso do Glória Patri ao fim dos salmos); tradição litúrgica e devoção do Santo Rosário.