Orações
Ladainha do Preciosíssimo Sangue de Jesus
A Ladainha do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo — aprovada para a Igreja universal em 1960 — com o texto completo em português e em latim, as suas vinte e quatro invocações, a sua história e como rezá-la no mês de julho, dedicado ao Sangue do Redentor.

A Ladainha do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma das poucas ladainhas que a Igreja aprovou para o uso público de toda a cristandade. Não é uma composição devota de circulação restrita: foi a Sagrada Congregação dos Ritos quem, em 24 de fevereiro de 1960, sob o pontificado de João XXIII, estendeu a sua recitação à Igreja universal. São vinte e quatro invocações ao Sangue do Redentor — aquele Sangue derramado na circuncisão, no horto, na flagelação, na coroa de espinhos, na cruz e na lança —, cada uma um título, um modo de contemplar o preço que pagou a nossa salvação. Como todas as orações tradicionais católicas, ela se reza melhor sem pressa e com o coração atento. Aqui você encontra o texto completo — em português e em latim —, a sua história e como rezá-la bem.
A Ladainha do Preciosíssimo Sangue (texto completo)
Tal como a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus ou a Ladainha de Nossa Senhora, esta ladainha se reza alternadamente: quem preside enuncia a invocação, e os fiéis respondem. Aqui está o texto integral, em português e em latim.
Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison.
Cristo, tende piedade de nós. Christe, eleison.
Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison.
Cristo, ouvi-nos. Christe, audi nos.
Cristo, atendei-nos. Christe, exaudi nos.Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós. Pater de caelis, Deus, miserere nobis.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós. Fili, Redemptor mundi, Deus, miserere nobis.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós. Spiritus Sancte, Deus, miserere nobis.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós. Sancta Trinitas, unus Deus, miserere nobis.
A todas as invocações seguintes responde-se: salvai-nos (salva nos).
Sangue de Cristo, Filho único do Pai eterno, Sanguis Christi, Unigeniti Patris aeterni,
Sangue de Cristo, Verbo de Deus encarnado, Sanguis Christi, Verbi Dei incarnati,
Sangue de Cristo, da Nova e Eterna Aliança, Sanguis Christi, Novi et Aeterni Testamenti,
Sangue de Cristo, derramado no horto sobre a terra, Sanguis Christi, in agonia decurrens in terram,
Sangue de Cristo, vertido na flagelação, Sanguis Christi, in flagellatione profluens,
Sangue de Cristo, manado na coroação de espinhos, Sanguis Christi, in coronatione spinarum emanans,
Sangue de Cristo, derramado na cruz, Sanguis Christi, in Cruce effusus,
Sangue de Cristo, preço da nossa salvação, Sanguis Christi, pretium nostrae salutis,
Sangue de Cristo, sem o qual não há perdão, Sanguis Christi, sine quo non fit remissio,
Sangue de Cristo, na Eucaristia bebida e purificação das almas, Sanguis Christi, in Eucharistia potus et lavacrum animarum,
Sangue de Cristo, rio de misericórdia, Sanguis Christi, flumen misericordiae,
Sangue de Cristo, vencedor dos demônios, Sanguis Christi, victor daemonum,
Sangue de Cristo, fortaleza dos mártires, Sanguis Christi, fortitudo martyrum,
Sangue de Cristo, força dos confessores, Sanguis Christi, virtus confessorum,
Sangue de Cristo, que fazeis brotar as virgens, Sanguis Christi, virgines germinans,
Sangue de Cristo, firmeza dos que perigam, Sanguis Christi, robur periclitantium,
Sangue de Cristo, alívio dos que padecem, Sanguis Christi, levamen laborantium,
Sangue de Cristo, consolação dos que choram, Sanguis Christi, in fletu solatium,
Sangue de Cristo, esperança dos penitentes, Sanguis Christi, spes paenitentium,
Sangue de Cristo, consolação dos moribundos, Sanguis Christi, solamen morientium,
Sangue de Cristo, paz e doçura dos corações, Sanguis Christi, cordium pax et dulcedo,
Sangue de Cristo, penhor da vida eterna, Sanguis Christi, pignus vitae aeternae,
Sangue de Cristo, que livrais as almas do purgatório, Sanguis Christi, animas liberans de lacu purgatorii,
Sangue de Cristo, digníssimo de toda a honra e glória, Sanguis Christi, omni gloria et honore dignissimus,Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, parce nobis, Domine.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, exaudi nos, Domine.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis.℣. Vós nos resgatastes, Senhor, com o vosso Sangue. Redemisti nos, Domine, in sanguine tuo.
℟. E fizestes de nós um reino para o nosso Deus. Et fecisti nos Deo nostro regnum.Oremos. Senhor onipotente e eterno, que constituístes vosso Filho único Redentor do mundo, e quisestes ser aplacado pelo seu Sangue, concedei-nos, vos pedimos, venerar de tal modo o preço da nossa salvação, e ser por ele de tal sorte defendidos dos males da vida presente sobre a terra, que gozemos do seu fruto eterno no céu. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
O Sangue que nos resgatou, nas Escrituras
A ladainha não inventa nada: ela colhe imagens diretamente da Sagrada Escritura. A invocação Sangue de Cristo, preço da nossa salvação ecoa o ensinamento do Apóstolo São Paulo, segundo a tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo:
Porque vós fostes comprados por um grande preço: glorificai pois, e trazei a Deus no vosso corpo.
(I Coríntios 6, 20)
E a invocação Sangue de Cristo, sem o qual não há perdão repousa sobre a Epístola aos Hebreus, que mostra Cristo entrando no Santuário não com sangue de animais, mas com o seu próprio:
Nem por sangue de bodes ou de bezerros, mas pelo seu próprio sangue entrou uma só vez no Santuário, havendo achado uma redenção eterna.
(Hebreus 9, 12)Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito Santo se ofereceu a si mesmo sem mácula a Deus, alimpará a nossa consciência das obras da morte para servir ao Deus vivo?
(Hebreus 9, 14)
O Apocalipse, por sua vez, fundamenta o versículo final da ladainha — Vós nos resgatastes, Senhor, com o vosso Sangue — no cântico do Cordeiro:
Porque tu foste morto, e nos remiste para Deus pelo teu sangue, de toda a Tribo, e toda a língua, e de todo o povo, e de toda a nação.
(Apocalipse 5, 9)E nos livrou dos nossos pecados no seu sangue.
(Apocalipse 1, 5)
Rezar a ladainha é, portanto, percorrer com os lábios aquilo que a Escritura já dizia do preço da nossa redenção.
A história e o mês de julho
A devoção ao Preciosíssimo Sangue é antiquíssima, mas conheceu novo impulso no século XIX, sobretudo pela pregação de São Gaspar del Bufalo (1786–1837), fundador da Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue, e pela ação da serva de Deus Maria de Mattias. Foi o beato Pio IX quem, em 1849, estendeu à Igreja universal a festa do Preciosíssimo Sangue, e a fixou no primeiro domingo de julho; mais tarde, São Pio X a transferiu para o dia 1.º de julho, do qual procede o costume de consagrar todo o mês de julho ao Sangue de Cristo.
A própria ladainha, composta a partir de invocações já em uso, foi aprovada pela Sagrada Congregação dos Ritos em 24 de fevereiro de 1960 e recomendada para a recitação pública. No mesmo ano, João XXIII publicou a carta apostólica Inde a Primis, na qual exortava à devoção ao Preciosíssimo Sangue ao lado das devoções ao Santíssimo Nome de Jesus e ao Sagrado Coração — as três, dizia, como que três aspectos de um único e mesmo amor redentor.
Como e quando rezar a Ladainha do Preciosíssimo Sangue
Não há uma só maneira "certa", mas a tradição consagrou alguns momentos privilegiados:
- Durante todo o mês de julho, o mês do Preciosíssimo Sangue, em que muitas paróquias e famílias a rezam diariamente.
- No dia 1.º de julho, festa do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor.
- Nas sextas-feiras, dia da Paixão, e de modo especial na Quaresma e na Semana Santa, quando a Igreja medita o Sangue derramado na cruz.
Reze-a sem pressa. Cada invocação é um pequeno olhar lançado ao Sangue do Redentor; o ritmo lento do "salvai-nos" repetido é parte da oração, não um obstáculo a vencer. Se rezar sozinho, pode enunciar a invocação e responder você mesmo; em família ou em comunidade, alterne entre quem guia e quem responde. Como a ladainha pede expressamente pelas almas que sofrem — Sangue de Cristo, que livrais as almas do purgatório —, muitos a unem à Novena das Almas, oferecendo cada invocação em sufrágio pelos fiéis defuntos.
Perguntas Frequentes
Qual é a Ladainha do Preciosíssimo Sangue de Jesus?
É uma ladainha aprovada para o uso público de toda a Igreja em 24 de fevereiro de 1960. Compõe-se de vinte e quatro invocações ao Sangue de Cristo — do Sangue de Cristo, Filho único do Pai eterno até Sangue de Cristo, digníssimo de toda a honra e glória —, às quais se responde "salvai-nos", seguidas dos três Cordeiro de Deus, de um versículo e da oração final. Acima você encontra o texto completo em português e latim.
Quando se reza a Ladainha do Preciosíssimo Sangue?
Os momentos mais tradicionais são todo o mês de julho — dedicado ao Preciosíssimo Sangue —, o dia 1.º de julho (a sua festa) e as sextas-feiras, sobretudo na Quaresma e na Semana Santa. Mas pode ser rezada em qualquer dia, como oração pessoal ou em família.
Por que julho é o mês do Preciosíssimo Sangue?
Porque a festa do Preciosíssimo Sangue, estendida à Igreja universal pelo beato Pio IX em 1849 e fixada por São Pio X no dia 1.º de julho, deu origem ao costume de consagrar todo esse mês ao Sangue do Redentor — assim como junho se consagra ao Sagrado Coração e maio a Nossa Senhora.
Quem aprovou a Ladainha do Preciosíssimo Sangue?
Foi aprovada pela Sagrada Congregação dos Ritos em 24 de fevereiro de 1960, sob o pontificado de João XXIII, que no mesmo ano publicou a carta apostólica Inde a Primis recomendando a devoção ao Preciosíssimo Sangue. É uma das poucas ladainhas oficialmente aprovadas para o culto público da Igreja.
Qual a diferença entre a devoção ao Preciosíssimo Sangue e ao Sagrado Coração?
São duas devoções distintas, mas profundamente unidas, pois contemplam o mesmo amor redentor de Cristo: o Coração que tanto amou os homens e o Sangue que derramou para salvá-los. Do Coração trespassado na cruz brotou, segundo o Evangelho, "sangue e água" (João 19, 34). Por isso João XXIII as apresentava lado a lado. Se quiser, conheça também a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus e o ato de consagração ao Sagrado Coração.
A Ladainha do Preciosíssimo Sangue pode ser oferecida pelas almas do purgatório?
Sim. A própria ladainha invoca o Sangue de Cristo, que livrais as almas do purgatório, e nada impede oferecer a sua recitação em sufrágio pelos fiéis defuntos — prática muito recomendada pela tradição. Para essa intenção, veja também o que é o purgatório e a Novena das Almas.
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Fontes. Litaniae Pretiosissimi Sanguinis D.N.I.C., texto aprovado pela Sagrada Congregação dos Ritos (24 de fevereiro de 1960); João XXIII, carta apostólica Inde a Primis (1960); Pio IX, decreto de instituição da festa do Preciosíssimo Sangue (1849); Bíblia Sagrada, tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo (I Coríntios 6, 20; Hebreus 9, 12 e 9, 14; Apocalipse 1, 5 e 5, 9; João 19, 34).