Bíblia
O Que a Bíblia Fala Sobre os Grandes Temas da Vida
O que a Bíblia fala sobre o amor, a morte, o perdão e o medo — lida como a Igreja sempre a leu, não em versículos soltos. Um guia com os textos da Escritura na tradução de Figueiredo, para que você encontre na Palavra a resposta segura para as grandes perguntas da vida.

Você quer saber o que a Bíblia fala sobre as grandes perguntas da vida: o amor, a morte, o perdão, o medo. A Escritura tem resposta para todas elas. Mas há um modo certo e um modo errado de procurar. Quem abre a Bíblia ao acaso, colhe um versículo solto e o entende por conta própria, corre o risco de ouvir a si mesmo em vez de ouvir a Deus. A Palavra foi confiada à Igreja, e é com a Igreja que se lê. Reunimos aqui o que a Sagrada Escritura, na tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, fala sobre os temas que mais pesam no coração humano.
A Bíblia se lê com a Igreja, não versículo solto
Antes de perguntar o que diz a Bíblia sobre este ou aquele assunto, é preciso saber como ela quer ser lida. O próprio texto sagrado nos adverte:
"Entendendo primeiro isto, que nenhuma profecia da Escritura se faz por interpretação própria." (II Pedro i, 20)
A Escritura não é matéria de opinião particular. Nasceu no seio da Igreja, foi transmitida pela Igreja e só na Igreja se entende inteira. Quando o diácono Filipe encontra o eunuco etíope lendo o profeta Isaías, pergunta-lhe se entende o que lê, e a resposta é desarmante:
"E como o poderei eu entender, se não houver alguém que mo explique?" (Atos viii, 31)
Eis a imagem de toda leitura cristã. A Palavra precisa de quem a explique, e esse intérprete é a Igreja, com sua Tradição, seus Padres e seu Magistério. Os versículos que damos a seguir não se leem como sentenças isoladas, mas dentro da fé que sempre os entendeu assim.

O que a Bíblia fala sobre o amor
Pergunta-se muito o que a Bíblia fala sobre o amor, e a resposta é mais alta do que o sentimento de que o mundo fala. O amor, na linguagem sagrada, chama-se caridade: é Deus mesmo derramado na alma. São João o diz sem rodeios:
"Deus é caridade: E assim aquele que permanece na caridade, permanece em Deus e Deus nele." (I João iv, 16)
Esse amor não é primeiro um afeto nosso, mas um dom recebido. Sua medida foi dada na Cruz:
"Porque assim amou Deus ao mundo, que lhe deu seu Filho unigênito: Para que todo o que crê nele não pereça, mas tenha a vida eterna." (João iii, 16)
E quando Nosso Senhor resume toda a Lei — os 10 mandamentos que Deus deu a Moisés —, faz do amor o mandamento primeiro e segundo:
"Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração... Este é o primeiro mandamento. E o segundo semelhante ao primeiro é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." (Marcos xii, 30-31)
Esse amor tem por contrário a inveja, a primeira raiz do pecado: foi por inveja que Caim matou Abel, e a Igreja a conta entre os 7 pecados capitais. São Paulo, no célebre hino aos Coríntios, descreve esse amor não pelo que sente, mas pelo que faz:
"A caridade é paciente, é benigna, a caridade não é invejosa... Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre." (I Coríntios xiii, 4 e 7)
Por isso o maior amor está no dom de si: "Ninguém tem maior amor do que este, de dar um a própria vida por seus amigos" (João xv, 13). Para aprofundar como a Escritura sustenta a alma, veja os versículos de fé.
O que a Bíblia fala sobre a morte
Diante da morte, o coração procura saber o que diz a Bíblia. A resposta cristã não nega a dor, mas a vence pela esperança da ressurreição. A palavra decisiva é de Cristo, junto ao túmulo de Lázaro:

"Eu sou a ressurreição e a vida: O que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente." (João xi, 25-26)
Para os justos, a morte não é destruição, mas passagem para as mãos de Deus:
"Mas as almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o tormento da morte." (Sabedoria iii, 1)
E o termo de toda a história, na visão do Apocalipse, é o fim do luto:
"E Deus lhes enxugará todas as lágrimas de seus olhos, e não haverá mais morte, nem haverá mais choro, nem mais gritos, nem mais dor." (Apocalipse xxi, 4)
Por isso rezamos pelos nossos mortos e os confiamos à misericórdia divina, certos de que a sepultura não tem a última palavra. O Salmo 23, que canta o Senhor como pastor que conduz "ainda no meio da sombra da morte", é a oração tradicional da alma diante desse mistério. E porque muitos justos ainda se purificam antes de ver a Deus, a Igreja ensina a orar por eles: entenda o que é o purgatório e por que nossas preces alcançam os falecidos.
O que a Bíblia fala sobre o perdão
Nenhum tema é tão repetido na Escritura quanto o perdão, e por isso muitos buscam o que a Bíblia fala sobre ele. A medida que Deus usa conosco é a que devemos usar com o próximo:
"Porque se vós perdoardes aos homens as ofensas que tendes deles: Também vosso Pai celestial vos perdoará os vossos pecados." (Mateus vi, 14)
Quando Pedro pergunta quantas vezes deve perdoar, supondo que sete fosse generoso, Cristo amplia sem limite:
"Não te digo que até sete vezes, mas que até setenta vezes sete vezes." (Mateus xviii, 22)
E o próprio Senhor sela essa doutrina com o exemplo supremo, perdoando da Cruz os que o crucificavam:
"Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." (Lucas xxiii, 34)

O perdão que recebemos de Deus pede de nós conversão. O grande salmo penitencial, o Miserere, é o clamor de quem se reconhece pecador: "Tem piedade de mim, ó Deus, segundo a tua grande misericórdia" (Salmo 50, 3). Reze-o no Salmo 51 e leve seus pecados à Confissão, onde esse perdão se torna realidade na alma. A própria Escritura nos legou modelos de súplica penitente: a oração de Daniel (Dn 9), em que o profeta confessa o pecado do seu povo, é uma das mais belas orações de contrição do Antigo Testamento.
O que a Bíblia fala sobre o medo
A frase "não temas" repete-se centenas de vezes na Escritura. Quem pergunta o que a Bíblia fala sobre o medo recebe, antes de tudo, a presença de Deus como remédio. Isaías o anuncia:
"Não temas porque eu sou contigo: Não te desencaminhes, porque eu sou o teu Deus: Eu te confortei, e auxiliei." (Isaías xli, 10)
Nosso Senhor deixa aos seus uma paz que o mundo não pode dar nem tirar:
"A paz vos deixo, a minha paz vos dou... Não se turbe o vosso coração, nem fique sobressaltado." (João xiv, 27)
Contra a ansiedade do amanhã, o Evangelho ensina o abandono à Providência: "não andeis inquietos pelo dia de amanhã" (Mateus vi, 34), e São Pedro acrescenta o porquê: "remetendo para ele todas as vossas inquietações, porque ele tem cuidado de vós" (I Pedro v, 7). O cristão não é poltrão, porque "Deus não nos deu um espírito de pusilanimidade: Mas de fortaleza, e de caridade, e de temperança" (II Timóteo i, 7). Para a alma oprimida, os salmos de proteção e os salmos de cura são armas antigas e provadas, e os versículos de proteção e os versículos de cura reúnem as palavras da Escritura para os dias de aflição.
O que a Bíblia fala sobre o espiritismo, o reiki e a adivinhação
Muitos perguntam o que a Bíblia fala sobre o espiritismo, sobre invocar os mortos ou consultar médiuns. A resposta da Escritura é uma só, e é severa. Deus proíbe terminantemente toda forma de adivinhação e de comércio com os espíritos:
"Não se ache entre vós quem... consulte adivinhos, ou observe sonhos e agouros, nem haja feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte os que têm o espírito de Pitão e os adivinhos, nem quem busque dos mortos a verdade." (Deuteronômio xviii, 10-11)
O rei Saul perdeu o reino, entre outras coisas, por ter buscado a pitonisa de Endor em vez de buscar a Deus (I Reis xxviii). E São Paulo conta a magia entre as obras da carne que excluem do Reino (Gálatas v, 20). Por isso a Igreja sempre condenou o espiritismo, o reiki entendido como canalização de uma energia oculta, a leitura de cartas, a quiromancia e toda prática que pretenda dominar o invisível à margem de Deus. Não há "espíritos de luz" a consultar: ou se reza a Deus e aos seus santos, ou se abre a porta ao engano. Quem se sentir tentado por essas práticas encontre paz e defesa nos salmos de proteção e nos versículos de proteção.
O que a Bíblia fala sobre a reencarnação
Pergunta-se o que a Bíblia fala sobre a reencarnação, ideia muito difundida hoje mas estranha à fé cristã. A Escritura a exclui de raiz: cada homem vive uma só vez e uma só vez é julgado.
"Está estabelecido aos homens morrerem uma só vez, e depois disto o juízo." (Hebreus ix, 27)
Não há roda de renascimentos nem segundas chances após a morte: há a ressurreição da carne, em que cada um receberá o seu corpo glorioso ou condenado, e não outro corpo de empréstimo. A esperança cristã não é voltar a este mundo, mas ressuscitar para a vida eterna, como Cristo ressuscitou. A reencarnação contradiz, além disso, a redenção única e definitiva operada na Cruz.
O que a Bíblia fala sobre a cremação
Sobre o que a Bíblia fala sobre a cremação, convém distinguir. A Escritura não traz uma proibição expressa, mas a tradição constante de Israel e da Igreja foi sempre a do sepultamento, à imitação do enterro de Nosso Senhor:
"E tomando Jusepe o corpo, envolveu-o num lençol limpo. E pô-lo no seu sepulcro novo." (Mateus xxvii, 59-60)
A Igreja venerou desde sempre os corpos dos fiéis como templos do Espírito Santo destinados à ressurreição, e por séculos proibiu a cremação porque ela era promovida por quem negava a vida futura. Hoje ela a tolera, desde que não escolhida em desprezo da fé na ressurreição; mas a sepultura permanece o uso mais conforme à esperança cristã e à veneração dos restos mortais. Rezar pelos defuntos importa mais que o modo de os sepultar: entenda o que é o purgatório e por que nossas preces os alcançam.
O que a Bíblia fala sobre o suicídio
Diante de uma dor extrema, alguém pode perguntar o que a Bíblia fala sobre o suicídio. A Escritura ensina que a vida é dom de Deus, e só a Ele cabe dispô-la: o quinto mandamento, "Não matarás" (Êxodo xx, 13), vale também para a própria vida. Nosso corpo não nos pertence em absoluto:
"Não sois vossos. Porque fostes comprados por grande preço. Glorificai e trazei a Deus no vosso corpo." (I Coríntios vi, 19-20)
A Igreja sempre ensinou que tirar a própria vida é objetivamente um pecado grave contra a caridade de si, do próximo e de Deus. Ao mesmo tempo, ensina que a responsabilidade pode ser diminuída por angústia, doença ou medo extremos, e que devemos confiar à misericórdia de Deus, com oração e penitência, as almas dos que assim morreram. A quem é tentado pelo desespero, a Igreja oferece a esperança: nenhuma cruz é maior que a de Cristo, e nele "não temas" (Isaías xli, 10). Busque ajuda, busque o sacerdote, e ampare a alma nos salmos de cura.
O que a Bíblia fala sobre a masturbação e a pureza
Sobre o que a Bíblia fala sobre a masturbação e o uso da sexualidade, a Escritura ensina que o corpo e a fecundidade são dons santos, ordenados por Deus dentro do matrimônio. São Paulo enumera entre os que não herdarão o Reino "os impuros" e adverte:
"Fugi a fornicação... O vosso corpo é templo do Espírito Santo." (I Coríntios vi, 18-19)
A tradição católica sempre ensinou que o prazer sexual procurado fora do seu fim próprio — a união dos esposos aberta à vida — desvia um dom de Deus de sua ordem. O remédio não é o desespero, mas a vida de graça: a oração, a frequência aos sacramentos, a Confissão e o cultivo da castidade própria do estado de cada um. A pureza não é repressão, mas liberdade do coração para amar como Deus quer.
O que a Bíblia fala sobre a homossexualidade
Quem busca o que a Bíblia fala sobre a homossexualidade encontra textos claros, que a Igreja sempre leu sem rancor mas sem ambiguidade. São Paulo a conta entre os desvios da reta ordem da criação (Romanos i, 26-27), e a Lei a reprovava expressamente (Levítico xviii, 22). A doutrina católica distingue: condena os atos como contrários à lei natural e ao desígnio de Deus sobre a sexualidade, mas acolhe com caridade e respeito as pessoas, chamadas como todos à castidade e à santidade. A medida de Deus é sempre a mesma para todos: nenhum pecado é maior que a sua misericórdia, e nenhuma alma está fora do alcance da graça. O caminho proposto é o de Cristo a quem perdoa: "vai, e não peques mais" (João viii, 11).
O que a Bíblia fala sobre adorar imagens
Surge a objeção: o que a Bíblia fala sobre adorar imagens? O primeiro mandamento proíbe a idolatria, isto é, dar a uma criatura o culto devido só a Deus (Êxodo xx, 4-5). Mas o mesmo Deus que o proibiu mandou esculpir os querubins de ouro sobre a Arca (Êxodo xxv, 18) e a serpente de bronze que curava quem a olhasse (Números xxi, 8). A Igreja nunca adorou imagens: distingue a adoração (latria), devida só a Deus, da veneração (dulia), que honra os santos representados. Diante de um crucifixo ou de uma imagem da Virgem, o católico não reza ao gesso nem à madeira, mas eleva o coração a quem a imagem recorda, como quem beija a fotografia de uma pessoa amada. A imagem é livro dos que não leem e degrau para o invisível, condenado pela Igreja apenas quando se torna ídolo.
O que a Bíblia fala sobre a mentira
Quem pergunta o que a Bíblia fala sobre a mentira encontra a verdade posta como atributo de Deus e a mentira atribuída ao demônio. O oitavo mandamento ordena: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" (Êxodo xx, 16). E Nosso Senhor revela a origem da mentira:
"Ele desde o princípio foi homicida... porque é mentiroso, e pai da mentira." (João viii, 44)
Por isso o cristão é chamado à verdade no falar e no agir: "seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não" (Mateus v, 37). A fidelidade à palavra dada e a sinceridade do coração são marca dos filhos da luz.
O que a Bíblia fala sobre a inveja
A propósito de o que a Bíblia fala sobre a inveja, a Escritura a aponta como uma das primeiras raízes do mal. Foi por inveja que Caim matou Abel, e o livro da Sabedoria ensina que "pela inveja do diabo entrou a morte no mundo" (Sabedoria ii, 24). A inveja é a tristeza pelo bem alheio, oposta à caridade, que "não é invejosa" (I Coríntios xiii, 4). A Igreja a conta entre os 7 pecados capitais, e o seu remédio é a humildade e a alegria com o bem do próximo.
O que a Bíblia fala sobre jogos de azar e beber
Sobre o que a Bíblia fala sobre jogos de azar e sobre beber cerveja ou vinho, a Escritura não proíbe em si o jogo nem a bebida, mas condena o vício, a cobiça e a embriaguez. O vinho é dom de Deus que "alegra o coração do homem" (Salmo 103, 15), e Nosso Senhor o usou nas bodas de Caná e na Última Ceia. Mas São Paulo adverte: "não vos embriagueis com vinho, no qual há luxúria" (Efésios v, 18), e a Escritura censura a avareza, raiz do jogo desordenado: "a raiz de todos os males é a cobiça" (I Timóteo vi, 10). A medida é a temperança: o uso moderado e grato dos bens, sem que escravizem a alma nem arruínem o sustento da família.
O que a Bíblia fala sobre os animais
Quem pergunta o que a Bíblia fala sobre os animais e sobre os animais de estimação encontra criaturas saídas das mãos de Deus, vistas e declaradas boas (Gênesis i, 25). O justo cuida deles: "o justo tem cuidado das vidas dos seus animais" (Provérbios xii, 10), e a Providência divina os sustenta, pois "nenhum deles está esquecido diante de Deus" (Lucas xii, 6). A Escritura não atribui aos animais alma imortal nem os iguala ao homem, feito à imagem de Deus; mas ensina que o domínio sobre eles é mordomia, não tirania, e que a bondade para com as criaturas faz parte da justiça do coração reto.
O que a Bíblia fala sobre o Natal
Sobre o que a Bíblia fala sobre o Natal, ela narra o fato que a festa celebra: o nascimento de Nosso Senhor em Belém, anunciado pelos anjos aos pastores (Lucas ii, 1-14) e adorado pelos Magos vindos do Oriente (Mateus ii). A Escritura não fixa data nem árvore nem presépio — usos que a Igreja consagrou depois —, mas dá o seu coração: "hoje vos nasceu... o Salvador, que é Cristo Senhor" (Lucas ii, 11). O Natal cristão não é o consumo nem o folclore, mas a memória do Verbo feito carne. Veja quando Jesus nasceu e quem foram os Reis Magos.
O que a Bíblia fala sobre dinossauros e o Leviatã
Por curiosidade, pergunta-se o que a Bíblia fala sobre dinossauros e sobre o Leviatã. A Escritura não usa a palavra "dinossauro", termo do século XIX, mas descreve criaturas colossais do mundo de Deus: o Beemote e o Leviatã, no livro de Jó (Jó xl-xli), monstros poderosos cuja grandeza serve para humilhar a soberba do homem e exaltar o poder do Criador. O Leviatã é, no texto sagrado, figura da força bruta indomável e, na leitura dos Padres, símbolo do poder do mal vencido por Deus. Não são objeto de fé as datações nem as fantasias modernas: a lição é teológica, "onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?" (Jó xxxviii, 4). O domínio sobre tais criaturas pertence só a Deus.
Uma oração para ler bem a Escritura
Antes de abrir a Bíblia, a Igreja nos ensina a pedir a luz do Espírito Santo, para que leiamos com ela e não por conta própria. Eis a invocação tradicional:
Veni, Sancte Spíritus, reple tuórum corda fidélium, et tui amóris in eis ignem accénde.
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.
V. Emítte Spíritum tuum, et creabúntur.
R. Et renovábis fáciem terræ.V. Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado.
R. E renovareis a face da terra.
Rezada essa oração, leia devagar, com reverência, certo de que é Deus quem fala. O que a Bíblia diz sobre o amor, a morte, o perdão e o medo deixa então de ser informação e torna-se alimento da alma.
Os personagens da Bíblia e o que eles nos ensinam
A Escritura não fala apenas em temas, mas em homens e mulheres de carne e osso, cujas histórias são lições para a alma. Conhecê-los é entender melhor o que a Bíblia diz sobre a fidelidade e a queda, a graça e o pecado.
No Antigo Testamento, desde a origem do mundo, a Palavra nos apresenta os patriarcas e os reis pelos quais Deus foi preparando a vinda do Salvador:
- Quem foi Caim e Abel — o primeiro fratricídio e a raiz da inveja.
- Quem foi o segundo filho de Adão e Eva — Abel, o justo cujo sangue clamou da terra.
- Quem foi Enoque — o patriarca que "andou com Deus" e foi arrebatado.
- Quem foi Melquisedeque — o rei-sacerdote, figura de Cristo.
- Quem foi Abraão — o pai dos crentes e o homem da fé obediente.
- Quem foi Moisés — o legislador que recebeu a Lei no Sinai.
- Quem foi o primeiro filho de Moisés — Gérson, nascido no exílio do profeta.
- Quem foi José do Egito — o vendido pelos irmãos que se tornou salvador deles.
- Quem foi o rei Davi — o rei segundo o coração de Deus e cantor dos salmos.
- Quem foi Salomão — o rei sábio cuja glória e queda são lição perene.
- Quem foi Ester na Bíblia — a rainha que salvou o seu povo.
- Quem foi Jezabel na Bíblia — o exemplo da idolatria e da soberba castigadas.
- Quem foi Jó — o justo provado no sofrimento e fiel até o fim.
- Quem foi Jonas — o profeta no ventre do peixe, figura da ressurreição.
- Quem foi Neemias — o que reconstruiu os muros de Jerusalém.
- Quem foi Lilith na Bíblia — o que a tradição e a Escritura realmente dizem.
No Novo Testamento, em torno de Nosso Senhor Jesus Cristo — para saber quem é Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, centro de toda a Escritura —, surgem as figuras do Evangelho, os que o acolheram e os que o traíram:
- Quem foi João Batista — o precursor que preparou o caminho do Senhor.
- Quem foram os Reis Magos — os que vieram do Oriente adorar o Menino, já nascido (veja quando Jesus nasceu).
- Quem foi Nicodemos na Bíblia — o doutor que veio a Jesus de noite.
- Quem foi Maria Madalena — a pecadora convertida, primeira testemunha da Ressurreição.
- Quem foi Judas Iscariotes — o apóstolo que traiu o Mestre por trinta moedas.
- Quem foi Pôncio Pilatos — o juiz que lavou as mãos e condenou o Inocente.
- Quem foi Barrabás — o réu solto no lugar de Cristo.
- Quem foi Simão Cireneu — o que ajudou Jesus a carregar a Cruz.
- Quem foi crucificado com Jesus — os dois ladrões, e o bom ladrão que alcançou o Paraíso.
- Quem escreveu os Salmos — a origem do saltério, oração da Igreja.
Para alimentar a alma com a própria Palavra, reúna também os versículos de fé e medite, no espírito da liturgia, os grandes salmos que a Igreja reza todos os dias.
O que a Bíblia ensina: doutrina e Escritura
A Palavra de Deus não é só narrativa: nela está contida a doutrina que a Igreja sempre ensinou. Quem quer ler a Bíblia com a Igreja aprofunda também os grandes ensinamentos que dela brotam:
- O que são os Evangelhos — os quatro relatos da vida de Cristo, coração da Escritura.
- Quantos livros tem a Bíblia católica — os 73 livros do cânon, e por que a Igreja os recebe.
- As Bem-aventuranças — a carta magna da vida cristã, proclamada no Sermão da Montanha.
- Os dons do Espírito Santo — os sete dons que aperfeiçoam a alma na graça.
- Os frutos do Espírito Santo — os sinais de que o Espírito habita e age em nós.
- As obras de misericórdia — as corporais e espirituais, em que a caridade se faz ato.
A Escritura ensina também a rezar bem, dando-nos o exemplo de orações concretas. Entenda o que diz a oração de um justo, à luz de Tiago 5, 16 — "a oração do justo, sendo fervorosa, pode muito" —, e como ler com a Igreja, sem as distorções do "evangelho da prosperidade", a oração de Jabes (1Cr 4, 10).
Assim a Escritura, lida com a Igreja, passa da página para a vida, e o que a Bíblia fala sobre os grandes temas torna-se norma de fé e de conduta.
Perguntas Frequentes
O que a Bíblia fala sobre a morte?
Diz que, para quem crê, a morte é passagem e não fim. Cristo afirma: "Eu sou a ressurreição e a vida" (João xi, 25), e o livro da Sabedoria declara que "as almas dos justos estão na mão de Deus" (Sabedoria iii, 1). A esperança cristã culmina na promessa de que Deus enxugará toda lágrima (Apocalipse xxi, 4). Por isso rezamos pelos nossos mortos e os confiamos à misericórdia divina.
O que a Bíblia fala sobre o casamento?
A Escritura mostra o matrimônio como instituição querida por Deus desde a criação: "serão dois numa só carne" (Gênesis ii, 24), palavra que Nosso Senhor confirma e sela: "o que Deus uniu não o separe o homem" (Mateus xix, 6). É união sagrada e indissolúvel, imagem da aliança de Cristo com a Igreja (Efésios v, 25), ordenada ao amor fiel dos esposos e à geração dos filhos.
O que a Bíblia fala sobre o divórcio e a separação?
A palavra de Cristo é firme: "o que Deus uniu não o separe o homem" (Mateus xix, 6), e quem repudia a esposa e desposa outra "comete adultério" (Marcos x, 11). O matrimônio válido é indissolúvel até a morte. A Igreja admite, por causas graves, a separação de corpos dos cônjuges — que podem viver afastados —, mas o vínculo permanece, e nenhum dos dois fica livre para casar de novo enquanto o outro vive. O divórcio civil não desfaz, diante de Deus, o que Ele uniu.
O que a Bíblia fala sobre traição?
A Escritura condena a infidelidade em todas as suas formas. Contra o adultério, é taxativo o sexto mandamento: "Não cometerás adultério" (Êxodo xx, 14), e Nosso Senhor leva a exigência até o coração: "todo aquele que vir uma mulher para a cobiçar, já no seu coração adulterou com ela" (Mateus v, 28). A traição entre amigos a Bíblia a retrata na dor de Cristo entregue por Judas com um beijo (Lucas xxii, 48) e no lamento do salmista: "o homem da minha paz... levantou contra mim o calcanhar" (Salmo 40, 10). A fidelidade à palavra dada é, ao contrário, marca do justo.
O que a Bíblia fala sobre o dízimo?
O dízimo — a oferta de uma parte dos bens a Deus — aparece já em Abraão, que deu "os dízimos de tudo" a Melquisedeque (Gênesis xiv, 20), e foi mandado na Lei (Levítico xxvii, 30). Nosso Senhor não o aboliu, mas corrigiu o legalismo que o cumpria esquecendo "o juízo, e a misericórdia, e a fé" (Mateus xxiii, 23). O cristão é chamado a sustentar o culto e os pobres com generosidade e alegria, "porque Deus ama ao que dá com alegria" (II Coríntios ix, 7) — não como cálculo nem como troca de favores com Deus, ao modo do "evangelho da prosperidade".
O que a Bíblia fala sobre tatuagem?
A Lei mosaica é explícita: "Não fareis em vós nenhuma incisão na vossa carne pelos mortos, nem fareis em vós figuras ou sinais alguns" (Levítico xix, 28), proibição ligada a ritos pagãos de idolatria e luto. A tradição cristã sempre viu o corpo como templo do Espírito Santo, "que está em vós" (I Coríntios vi, 19), pelo que deve ser tratado com reverência e não marcado por sinais de superstição ou vaidade.
O que a Bíblia fala sobre o amor verdadeiro?
A Bíblia ensina que o amor verdadeiro é a caridade, isto é, o próprio Deus comunicado à alma: "Deus é caridade" (I João iv, 16). Não se mede pelo sentimento, mas pelo dom de si, conforme o hino de São Paulo (I Coríntios xiii) e a palavra de Cristo: "Ninguém tem maior amor do que este, de dar um a própria vida por seus amigos" (João xv, 13).
Quantas vezes a Bíblia manda perdoar?
Sem limite. A Pedro, que perguntava se sete vezes bastavam, Cristo respondeu: "até setenta vezes sete vezes" (Mateus xviii, 22). E ensinou que o perdão que damos é a medida do perdão que recebemos de Deus (Mateus vi, 14).
O que a Bíblia fala sobre o medo e a ansiedade?
Repete sem cessar "não temas", porque Deus está conosco (Isaías xli, 10). Manda abandonar as inquietações nas mãos da Providência, "porque ele tem cuidado de vós" (I Pedro v, 7), e recorda que recebemos "um espírito de fortaleza" e não de pusilanimidade (II Timóteo i, 7).
O que a Bíblia fala sobre o espiritismo e o reiki?
Proíbe terminantemente toda consulta a médiuns, adivinhos e espíritos: "não haja... quem consulte os que têm o espírito de Pitão... nem quem busque dos mortos a verdade" (Deuteronômio xviii, 10-11). A Igreja condena o espiritismo e o reiki entendido como manipulação de uma energia oculta. Não há "espíritos de luz" a invocar: ou se reza a Deus e aos santos, ou se abre porta ao engano.
O que a Bíblia fala sobre reencarnação?
A exclui: "está estabelecido aos homens morrerem uma só vez, e depois disto o juízo" (Hebreus ix, 27). Não há roda de renascimentos, mas a ressurreição da carne para a vida eterna. A reencarnação é incompatível com a fé cristã e com a redenção única operada na Cruz.
O que a Bíblia fala sobre a cremação?
Não a proíbe expressamente, mas a tradição constante foi o sepultamento, à imitação do enterro de Cristo (Mateus xxvii, 59-60), por veneração do corpo destinado à ressurreição. A Igreja hoje tolera a cremação desde que não escolhida em desprezo da fé; a sepultura permanece o uso mais conforme à esperança cristã.
O que a Bíblia fala sobre o suicídio?
Que a vida é dom de Deus e só a Ele cabe dispô-la (Êxodo xx, 13; I Coríntios vi, 19-20). É objetivamente pecado grave, mas a responsabilidade pode ser diminuída por angústia ou doença, e devemos confiar tais almas à misericórdia divina. A quem é tentado, a Igreja oferece esperança e socorro: busque ajuda e o sacerdote.
O que a Bíblia fala sobre adorar imagens?
Proíbe a idolatria (Êxodo xx, 4-5), mas o mesmo Deus mandou fazer os querubins (Êxodo xxv, 18) e a serpente de bronze (Números xxi, 8). A Igreja não adora imagens: distingue a adoração devida só a Deus da veneração que honra os santos representados. Diante de um crucifixo, o católico eleva o coração a quem a imagem recorda, não reza à madeira.
Posso interpretar a Bíblia sozinho?
Não como juiz último do seu sentido. A própria Escritura adverte que "nenhuma profecia da Escritura se faz por interpretação própria" (II Pedro i, 20). A Palavra foi confiada à Igreja, e é com a Tradição, os Padres e o Magistério que se lê com segurança, como o eunuco que precisou de quem lhe explicasse (Atos viii, 31).
Por que ler a Bíblia de Figueiredo?
A tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, feita a partir da Vulgata latina, é a versão clássica e católica da Bíblia em português, em uso na tradição por mais de dois séculos. Por seguir a Vulgata e ter sido aprovada pela autoridade eclesiástica, é fonte segura para a leitura e a citação dos textos sagrados.
O aplicativo Iter Fidei traz a Bíblia de Figueiredo, as orações e as novenas, em latim e português, com áudio. Baixe aqui.
Fontes. Sagrada Escritura na tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, a partir da Vulgata latina (Gênesis i, ii, xiv; Êxodo xx, xxv; Levítico xviii, xix, xxvii; Números xxi; Deuteronômio xviii; I Reis xxviii; Jó xxxviii, xl-xli; Salmos 22, 50, 103; Provérbios xii; Sabedoria ii, iii; Isaías xli; Mateus ii, v, vi, xviii, xix, xxiii, xxvii; Marcos x, xii; Lucas ii, xii, xxiii; João iii, viii, xi, xiv, xv; Atos viii; Romanos i; I Coríntios vi, xiii; Gálatas v; Efésios v; I Timóteo vi; II Timóteo i; Hebreus ix; I Pedro v; II Pedro i; I João iv; Apocalipse xxi). Antífona e versículo Veni, Sancte Spíritus conforme o texto litúrgico tradicional latino. Doutrina moral e princípio da interpretação da Escritura com a Igreja segundo a Tradição católica e o Catecismo de São Pio X.