Fé
A Indulgência Plenária: O Que É e as Condições
O que é a indulgência plenária e o que ela significa: a remissão de toda a pena temporal, o tesouro dos méritos de Cristo e dos santos, e as quatro condições para recebê-la — confissão, comunhão, oração pelo Papa e desapego do pecado — segundo a doutrina pré-conciliar e a Escritura de Figueiredo.

A indulgência plenária é uma das maiores graças que a Igreja põe nas mãos de seus filhos — e, talvez por ser tão grande, uma das mais mal compreendidas. Cremos, com a Igreja de sempre, que ela remite toda a pena temporal devida pelos pecados já perdoados, de modo que a alma que a recebe integralmente, se morresse no instante seguinte, iria direto ao céu. Neste guia explicamos o que é a indulgência plenária, o que ela significa na ordem da justiça e da misericórdia divinas, e, sobretudo, como recebê-la: as quatro condições que a Igreja sempre pediu, e que continuam exatamente as mesmas.
O que é a indulgência plenária
Para entender a indulgência plenária é preciso distinguir duas realidades que se confundem com facilidade: a culpa e a pena.
Quando pecamos, contraímos uma culpa — a ofensa a Deus que nos afasta dele — e, com ela, uma pena. Pela contrição sincera e pela confissão sacramental, Deus perdoa a culpa e remite a pena eterna, que é o inferno. Mas, mesmo perdoado o pecado, resta muitas vezes uma pena temporal: uma dívida de reparação, uma desordem que a alma ainda deve satisfazer — aqui na terra pela penitência, ou depois da morte no purgatório.
A própria Escritura mostra que o perdão da culpa não apaga sempre toda a pena. Davi foi perdoado de seu pecado pelo profeta Natã, e ainda assim o filho lhe morreu; o perdão foi real, e a satisfação também o foi. A indulgência é o ato pelo qual a Igreja, usando o poder que Cristo lhe confiou, salda essa dívida temporal aplicando à alma os méritos infinitos de Nosso Senhor e dos santos.
A indulgência diz-se plenária quando remite toda a pena temporal devida até aquele momento; e parcial quando remite apenas parte. A plenária é, portanto, total: não sobra nada a expiar. Por isso mesmo exige um coração inteiramente desapegado de todo pecado — e nisso está a sua dificuldade.
O significado da indulgência plenária: o tesouro da Igreja
Compreender o significado da indulgência plenária é compreender de onde a Igreja tira o que distribui. Não tira de si mesma, mas de um tesouro que administra: os méritos infinitos de Cristo crucificado e os méritos superabundantes da Santíssima Virgem e dos santos.
São Paulo o supõe quando escreve estas palavras admiráveis: "Eu, que agora me alegro nas penalidades que sofro por vós, e que cumpro na minha carne o que resta a padecer a Jesus Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja" (Colossenses 1, 24). Os santos, sofrendo unidos a Cristo, acumulam um tesouro de satisfação que transborda das suas próprias necessidades. Esse tesouro é comum a todo o Corpo Místico — é a comunhão dos santos em ato.
E a Igreja tem o poder de o abrir, porque Cristo lhe deu as chaves: "E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos céus, e tudo o que desligares sobre a terra será também desligado nos céus" (São Mateus 16, 19). A indulgência é o exercício deste poder de "desligar". Por isso ela não é venda nem superstição, mas um ato de autoridade espiritual fundado na palavra do próprio Senhor. Quem quiser o panorama completo — plenária e parcial, história e abusos — pode ler o nosso artigo sobre as indulgências.
Como receber a indulgência plenária: as quatro condições
Eis o ponto prático, e o que mais se pergunta: como receber ou como fazer para ganhar uma indulgência plenária. É preciso, antes de tudo, cumprir a obra à qual a indulgência está ligada — por exemplo, rezar o Terço em comum (em família ou na igreja), fazer a Via Sacra, adorar o Santíssimo Sacramento por meia hora, ou ler a Sagrada Escritura por meia hora. Cumprida a obra, a Igreja pede ainda quatro condições:
1. Confissão sacramental
Confissão bem feita, em estado de graça, nos dias próximos da obra — antes ou depois. Uma só confissão basta para várias indulgências plenárias seguidas. Quem precisa de ajuda prática encontra o roteiro no nosso guia de como se confessar.
2. Comunhão eucarística
A Sagrada Comunhão, recebida em estado de graça, de preferência no mesmo dia da obra. Aqui está o coração de tudo, pois o maior de todos os tesouros é a Eucaristia, o próprio Corpo e Sangue de Cristo — a mesma presença real que os milagres eucarísticos de Lanciano e Bolsena confirmaram aos olhos do mundo. Diferentemente da confissão, pede-se uma comunhão para cada indulgência plenária.
3. Oração nas intenções do Sumo Pontífice
Reza-se, ao menos, um Pai-Nosso e uma Ave-Maria pelas intenções do Santo Padre — não pela sua pessoa, mas pelo bem que ele pede à Igreja inteira: a exaltação da fé, a conversão dos pecadores, a paz entre os povos.
4. Desapego de todo pecado, ainda do venial
Esta é a mais exigente das quatro. Exige-se que o coração esteja inteiramente desapegado de todo pecado, mesmo dos veniais. Se falta esse desapego perfeito, a indulgência não é plenária, mas apenas parcial — o que, longe de ser pouco, já é grande graça. Não se trata de não ter defeitos, mas de não querer nenhum pecado: de odiar até a menor ofensa a Deus.
A indulgência plenária para os mortos
Uma das mais belas práticas da Igreja é aplicar a indulgência plenária aos mortos, em sufrágio pelas almas do purgatório. Como elas já não podem merecer por si, recebem dos vivos esta caridade. Aqui a Igreja não absolve a alma — isso é juízo de Deus —, mas oferece a Ele, por modo de sufrágio, os méritos do tesouro.
O fundamento está na Escritura. Quando Judas Macabeu manda oferecer sacrifício pelos soldados mortos, o texto sagrado conclui: "É logo um santo, e saudável pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados" (II Macabeus 12, 46). É a base bíblica de toda a oração pelos mortos e do sufrágio.
A ocasião por excelência é a oitava do Dia de Finados, de 1 a 8 de novembro, em que a visita ao cemitério com oração pelos defuntos é enriquecida de indulgência plenária aplicável às almas, uma por dia. Mas a caridade não conhece calendário: toda indulgência plenária pode, sempre, ser oferecida por um defunto que amamos.
A indulgência plenária dos finados, dia a dia
Como esta é a ocasião mais procurada, convém precisar a prática segundo a disciplina tradicional. A indulgência plenária dos finados ganha-se assim:
- No próprio Dia de Finados (2 de novembro) — e, por concessão posterior, também no dia anterior, dia de Todos os Santos: quem visitar uma igreja ou oratório público e ali rezar um Pai-Nosso e o Credo ganha indulgência plenária aplicável apenas às almas do purgatório.
- De 1 a 8 de novembro: quem visitar piedosamente um cemitério e ali rezar, ainda que só mentalmente, pelos defuntos, ganha indulgência plenária aplicável às almas — uma por dia, cumpridas as condições habituais (confissão, comunhão, oração nas intenções do Papa, desapego de todo pecado).
São oito dias, portanto, em que se pode livrar do purgatório, em sufrágio, até oito almas. É um dos maiores tesouros do mês de novembro, todo ele consagrado às almas do purgatório.
Em que datas se ganha a indulgência plenária
Muitos perguntam por uma lista de datas e ocasiões. Sem pretender ser exaustivos — o elenco oficial é longo —, eis as ocasiões mais acessíveis e clássicas em que se ganha a indulgência plenária, cumpridas sempre as quatro condições:
- Diariamente, por meia hora de adoração ao Santíssimo Sacramento ou meia hora de leitura da Sagrada Escritura.
- Em comum (em família, comunidade religiosa ou na igreja), pela reza do Terço ou pelo exercício da Via Sacra.
- Sexta-feira Santa, pela adoração da Cruz na liturgia do dia.
- Quinta-feira Santa e Corpus Christi, pela recitação do Tantum ergo diante do Santíssimo exposto.
- 31 de dezembro, pelo Te Deum de ação de graças pelo ano findo; e 1 de janeiro, pelo Veni Creator a implorar a graça do ano que começa.
- Festa de Cristo Rei (veja abaixo), pelo Ato de consagração do gênero humano ao Sagrado Coração.
- 2 de agosto, indulgência da Porciúncula, nas igrejas franciscanas e paroquiais.
- Oitava de Finados (1 a 8 de novembro), aplicável aos defuntos.
- Na hora da morte, pela bênção apostólica que o sacerdote dá ao moribundo, ou, na sua falta, invocando o nome de Jesus com coração contrito.
A indulgência plenária na festa de Cristo Rei
Na festa de Cristo Rei — instituída em 1925 e celebrada, na forma tradicional, no último domingo de outubro — concede-se indulgência plenária a quem, publicamente, recitar diante do Santíssimo Sacramento exposto o Ato de consagração do gênero humano ao Sacratíssimo Coração de Jesus ("Ó Jesus dulcíssimo, Redentor do gênero humano...").
É uma das ocasiões mais belas do ano litúrgico para ganhar a indulgência, porque une a profissão pública do reinado social de Nosso Senhor à reparação devida ao seu Coração. Cumpridas as quatro condições habituais, a graça é plenária.
A indulgência plenária da Porta Santa e do Jubileu (2025)
Aqui é preciso uma palavra de honestidade doutrinal. O Jubileu — o Ano Santo em que se abre a Porta Santa das basílicas maiores de Roma — é uma instituição venerável: o primeiro foi proclamado por Bonifácio VIII em 1300, e desde então repete-se de modo ordinário a cada vinte e cinco anos. A indulgência jubilar, ganha pela peregrinação a Roma e pela passagem pela Porta Santa (ou, fora de Roma, pela visita às igrejas designadas), é uma indulgência plenária autêntica, com longa tradição na Igreja.
Quanto às modalidades concretas do Jubileu de 2025 ("Peregrinos da Esperança") — as igrejas designadas, as obras prescritas, as concessões particulares —, elas pertencem à disciplina promulgada pelas autoridades atuais. Nós nos atemos, como sempre, à doutrina da indulgência tal como a Igreja sempre a ensinou: o que muda de um Jubileu a outro são as ocasiões e as obras, nunca a natureza da indulgência nem as quatro condições essenciais — confissão, comunhão, oração pelas intenções do Sumo Pontífice e desapego de todo pecado. Quem desejar lucrar a indulgência jubilar deve informar-se das obras concretas junto à autoridade que a concede; o que aqui afirmamos, com certeza, é a doutrina perene que está por trás dela.
Perguntas Frequentes
O que é a indulgência plenária?
É a remissão de toda a pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa. A alma que a recebe integralmente fica quite com a justiça divina quanto ao passado: se morresse logo, iria direto ao céu, sem passar pelo purgatório.
O que significa indulgência plenária?
"Plenária" significa plena, total. Distingue-se da indulgência parcial, que remite apenas parte da pena. O significado profundo está no tesouro da Igreja: os méritos de Cristo e dos santos, que a Igreja aplica em virtude do poder das chaves recebido de Nosso Senhor (São Mateus 16, 19).
Como receber uma indulgência plenária?
Cumprindo a obra à qual ela está ligada (Terço em comum, Via Sacra, meia hora de adoração ou de leitura da Escritura, entre outras) e as quatro condições: confissão sacramental, comunhão eucarística, oração nas intenções do Papa, e desapego total de todo pecado, ainda do venial.
A indulgência plenária pode ser oferecida pelos mortos?
Sim. Pode aplicar-se a si mesmo ou, por modo de sufrágio, a uma alma do purgatório. É uma das maiores caridades para com os fiéis defuntos, fundada na palavra da Escritura: "É logo um santo, e saudável pensamento orar pelos mortos" (II Macabeus 12, 46).
Por que é tão difícil ganhar uma indulgência plenária?
A dificuldade não está nas três primeiras condições, fáceis de cumprir, mas na quarta: o desapego de todo pecado, ainda do venial. Se esse desapego não é perfeito, a graça concedida é apenas parcial. A Igreja é exigente porque a indulgência plenária supõe um coração inteiramente voltado para Deus.
Como ganhar, lucrar ou conseguir uma indulgência plenária?
São três modos de dizer a mesma coisa. "Ganhar", "lucrar" e "conseguir" a indulgência significam cumprir a obra indulgenciada (Terço em comum, Via Sacra, meia hora de adoração ou de leitura da Escritura, entre outras) e as quatro condições: confissão, comunhão, oração nas intenções do Papa e desapego de todo pecado, ainda do venial. Não há fórmula secreta nem pagamento: é um ato de fé, penitência e caridade.
Em que datas se ganha a indulgência plenária?
Há ocasiões disponíveis todos os dias (meia hora de adoração ou de leitura da Escritura) e ocasiões fixas: Sexta-feira Santa, Quinta-feira Santa, Corpus Christi, 31 de dezembro (Te Deum), 1 de janeiro (Veni Creator), festa de Cristo Rei, 2 de agosto (Porciúncula) e a oitava de Finados (1 a 8 de novembro). Veja a lista acima.
Como ganhar a indulgência plenária dos finados?
De 1 a 8 de novembro, visitando piedosamente um cemitério e rezando pelos defuntos; e nos dias de Todos os Santos e Finados, visitando uma igreja e rezando ali um Pai-Nosso e o Credo. Cumpridas as quatro condições, ganha-se uma indulgência plenária por dia, aplicável às almas do purgatório.
O que é a indulgência plenária da Porta Santa e do Jubileu?
É a indulgência ligada ao Ano Santo, ganha tradicionalmente pela peregrinação a Roma e pela passagem pela Porta Santa. A doutrina é a perene da Igreja e as quatro condições são as mesmas de sempre; as obras e ocasiões concretas de cada Jubileu — incluindo o de 2025 — pertencem à disciplina atual e devem ser verificadas junto à autoridade que as concede.
Sources/Fonti/Fuentes/Fontes/Źródła. Sagrada Bíblia, tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (Colossenses 1, 24; São Mateus 16, 19; II Macabeus 12, 46); Concílio de Trento, Decreto sobre as indulgências (Sessão XXV, 1563); Catecismo de São Pio X; Preces et Pia Opera (Enchiridion Indulgentiarum / La Raccolta), edição de 1950, para as obras e datas indulgenciadas; Pio XI, encíclica Quas primas (1925) e o Ato de consagração ao Sagrado Coração na festa de Cristo Rei.
Veja também as virtudes.
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