Os Sacramentos
A Crisma (Confirmação): O Sacramento do Espírito Santo
O que é a crisma, ou Confirmação: o sacramento que nos dá o Espírito Santo em plenitude com os seus sete dons, faz de nós soldados de Cristo, e tem por matéria o santo crisma e por ministro o bispo. Fundado na Escritura segundo a tradução de Figueiredo.

Depois do Batismo, que nos faz filhos de Deus, a Santa Igreja nos oferece um segundo sacramento que completa e fortalece a graça recebida na fonte batismal: a crisma, chamada também Confirmação. Se você procura entender o que é o sacramento da crisma, qual a idade da crisma, quem é o seu ministro e que graça ele nos traz, este artigo expõe o que a Igreja sempre creu, fundada na palavra dos Apóstolos e na doutrina constante dos Padres, segundo as fontes tradicionais.
O que é a crisma
A crisma é o sacramento que nos dá o Espírito Santo em plenitude, com a abundância dos seus dons, para que sejamos cristãos perfeitos e soldados de Cristo. No Batismo, recebemos a vida da graça e somos lavados do pecado original; na Confirmação, essa vida é robustecida, e o Espírito Santo desce sobre nós como desceu sobre os Apóstolos no dia de Pentecostes, não já para começar a obra, mas para a coroar.
O próprio nome o diz. "Confirmação" vem de confirmar, isto é, tornar firme, fortalecer. "Crisma" vem do santo óleo — o crisma — com que o bispo nos unge a fronte. São dois nomes de um só sacramento: um aponta para o efeito (a alma confirmada na fé), o outro para o sinal sensível (a unção do crisma).
O sacramento na Escritura: a imposição das mãos
A Confirmação não é invenção dos homens. Está nos Atos dos Apóstolos, claramente distinta do Batismo. Quando a Samaria recebeu a palavra de Deus pela pregação do diácono Filipe, os fiéis foram batizados; mas isso ainda não bastava. Eis o texto na tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo:
"Os Apóstolos, porém, que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, mandaram-lhes lá a Pedro e a João. Os quais, como chegaram, fizeram oração por êles, a fim de receberem o Espírito Santo. Porque êle ainda não tinha descido sôbre nenhum, mas sòmente tinham sido batizados em nome do Senhor Jesus. Então punham as mãos sôbre êles, e recebiam o Espírito Santo." (Atos 8, 14-17)
Observe-se bem a distinção. Os samaritanos já estavam batizados "em nome do Senhor Jesus"; e, contudo, o Espírito Santo "ainda não tinha descido sobre nenhum". Foi preciso que os Apóstolos viessem, orassem e impusessem as mãos: só então receberam o Espírito Santo. Há, portanto, dois sacramentos distintos — o Batismo, que Filipe podia administrar, e a Confirmação, reservada aos Apóstolos e aos seus sucessores, os bispos.
O texto seguinte confirma a verdade de modo solene. Simão, o mago, vendo o efeito, quis comprar esse poder com dinheiro: "E quando Simão viu que se dava o Espírito Santo por meio da imposição da mão dos Apóstolos, lhes ofereceu dinheiro" (Atos 8, 18). A cobiça de Simão é repreensível; mas o seu testemunho é precioso, pois mostra que todos viam, naquela imposição das mãos, um dom real do Espírito Santo, próprio dos Apóstolos.
A matéria, a forma e o ministro
Todo sacramento tem uma matéria — o sinal sensível — e uma forma — as palavras que o determinam.
A matéria da Confirmação é o santo crisma: óleo de oliva misturado com bálsamo e consagrado pelo bispo na Missa Crismal da Quinta-feira Santa. O óleo significa a força e a unção do Espírito; o bálsamo, com sua fragrância, o bom odor das virtudes cristãs. Com o crisma o bispo unge a fronte do confirmando, traçando sobre ela o sinal da cruz — porque o cristão fortalecido não há de envergonhar-se da fé, mas confessá-la abertamente, na fronte e diante de todos.
A forma são as palavras que o bispo pronuncia ao ungir, no rito tradicional: Signo te signo crucis, et confirmo te chrismate salutis — "Eu te assinalo com o sinal da cruz, e te confirmo com o crisma da salvação." Em seguida, dá ao crismando uma leve palmada na face, sinal antigo de que ele deve estar pronto a sofrer com paciência por amor de Cristo.
O ministro ordinário da Confirmação é o bispo, sucessor dos Apóstolos. Como foram Pedro e João que desceram à Samaria a impor as mãos, assim hoje é o bispo, e não o simples sacerdote, quem de ordinário confirma. Nisto a Igreja guarda fielmente o que viu fazer aos Apóstolos.
Os sete dons do Espírito Santo
O fruto próprio da crisma é a vinda do Espírito Santo com os seus sete dons, que o profeta Isaías já anunciava, contemplando o Messias sobre quem o Espírito repousaria em plenitude. Eis o texto em Figueiredo:
"E descansará sôbre êle o espírito do Senhor: Espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de piedade, e enchê-lo-á o espírito do temor do Senhor." (Isaías 11, 2-3)
São estes os sete dons que o crismado recebe, e que aperfeiçoam a alma para se deixar mover docilmente por Deus:
- Sabedoria — para gostar das coisas de Deus e julgar tudo à luz da eternidade.
- Entendimento — para penetrar mais fundo nas verdades da fé.
- Conselho — para discernir, em cada situação, o que agrada a Deus.
- Fortaleza — para vencer as dificuldades e os perigos no serviço de Deus.
- Ciência — para conhecer as criaturas e usá-las ordenadamente, sem nos prendermos a elas.
- Piedade — para amar a Deus como Pai e servi-lo com afeto filial.
- Temor do Senhor — para reverenciar a Deus e fugir do pecado, que só a Ele ofende.
Soldado de Cristo
Por estes dons, e pela graça que aumenta na alma, o confirmado torna-se soldado de Cristo. O Batismo nos alistou; a Confirmação nos arma. Antes éramos como recrutas; agora somos enviados ao combate da fé, com o dever de a defender e propagar.
Daí a palmada que o bispo dá: lembra ao novo soldado que a milícia cristã se faz na paciência e no sofrimento. O cristão confirmado não esconde a sua fé por respeito humano, nem a nega diante das zombarias do mundo. Ele a confessa "na fronte", abertamente, como confessaram os mártires. A graça da Confirmação imprime na alma um caráter indelével — uma marca que jamais se apaga — e por isso este sacramento, como o Batismo e a Ordem, recebe-se uma só vez.
A idade da crisma
A idade da crisma não foi fixada de modo absoluto pela tradição, mas há um princípio antigo. De ordinário, recebe-se a Confirmação a partir dos sete anos, isto é, ao chegar ao uso da razão, quando a criança já pode entender a fé que vai confessar e precisa do auxílio do Espírito para a defender.
Em caso de perigo de morte, porém, pode e deve ser confirmada uma criança ainda menor, e até o batizado adulto que nunca a recebeu deve apressar-se a recebê-la, para não se privar de tão grande graça. A Igreja deseja que nenhum de seus filhos deixe este mundo sem ter sido fortalecido pelo Espírito Santo.
Batismo, primeira comunhão e crisma: os três sacramentos da iniciação
Quando se fala em batismo, primeira comunhão e crisma, fala-se dos três sacramentos pelos quais o cristão é plenamente iniciado na vida da Igreja. Cada um tem o seu efeito próprio, e os três se completam.
- O Batismo nos faz nascer para a vida da graça, lava o pecado original e nos faz filhos de Deus e membros da Igreja. É a porta de todos os sacramentos: sem ele, nenhum outro pode ser recebido.
- A primeira comunhão (a primeira recepção da Sagrada Eucaristia) nos alimenta com o próprio Corpo e Sangue de Cristo, dando-nos o pão da vida que sustenta a alma.
- A crisma, ou Confirmação, nos dá o Espírito Santo em plenitude, robustecendo a graça batismal e fazendo de nós soldados de Cristo.
Assim, a ordem clássica do ensino tradicional é: primeiro o Batismo, recebido de ordinário ainda na infância; depois, ao chegar ao uso da razão (por volta dos sete anos), a Confissão e a primeira comunhão; e a Confirmação como coroamento, conferida pelo bispo. Tal era a sequência segundo as fontes tradicionais, e é a que melhor exprime a lógica dos sacramentos: nasce-se (Batismo), alimenta-se (Eucaristia) e fortalece-se (Crisma).
Crisma e primeira comunhão: qual a relação e qual vem primeiro
Muitos perguntam pela relação entre crisma e primeira comunhão, ou em que ordem se recebem. São dois sacramentos distintos e ambos pressupõem o Batismo.
A primeira comunhão é a primeira vez que se recebe a Sagrada Eucaristia, depois de a criança ter chegado ao uso da razão, saber distinguir o Pão eucarístico do pão comum, e ter-se confessado. A crisma é o sacramento do Espírito Santo, conferido pelo bispo.
Na prática tradicional, a primeira comunhão precede a Confirmação: a criança comunga por volta dos sete anos, e é confirmada um pouco mais tarde, quando o bispo passa pela paróquia. Não há nisto rigidez de tempo, mas há uma razão: a Eucaristia é o alimento da vida que o Batismo deu, e a crisma a fortalece para o combate. O essencial é que ambos os sacramentos sejam recebidos em estado de graça e com a devida preparação.
Crisma e primeira eucaristia
"Crisma e primeira eucaristia" e "primeira eucaristia e crisma" designam a mesma realidade que acabamos de expor: a primeira eucaristia é precisamente a primeira comunhão, isto é, a primeira recepção do Santíssimo Sacramento do altar. Quem busca por "primeira eucaristia" procura o mesmo que quem busca por "primeira comunhão". A crisma, por sua vez, é sempre a Confirmação. São, portanto, dois sacramentos diversos: um nos dá o Pão dos anjos, o outro nos dá o Espírito Santo em plenitude.
Primeira comunhão e crisma juntos
Pergunta-se às vezes se é possível receber a primeira comunhão e a crisma juntos, na mesma celebração. Pode acontecer, sobretudo quando o bispo só visita a paróquia de tempos em tempos, ou no caso de catecúmenos adultos, que recebem na mesma ocasião o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia.
Não há nisto irregularidade: cada sacramento conserva a sua matéria, a sua forma e o seu efeito próprios, ainda que conferidos na mesma cerimônia. O que importa, sempre, é que a alma esteja bem disposta — em estado de graça e devidamente instruída — para receber tão grandes dons. A reunião dos sacramentos numa só celebração é questão de conveniência e de disciplina; a graça de cada um permanece inteira.
Primeira comunhão e crisma para adultos
E os que chegaram à idade adulta sem ter sido catequizados? A primeira comunhão e a crisma para adultos seguem o mesmo princípio, com algumas notas próprias.
O adulto não batizado que pede a fé recebe, depois da devida instrução, os três sacramentos da iniciação — Batismo, Confirmação e primeira comunhão — de ordinário numa mesma celebração, como faziam os antigos catecúmenos na Vigília Pascal. Já o adulto que foi batizado em criança mas nunca se confirmou nem comungou deve, depois de boa preparação e de uma confissão bem feita, receber a primeira comunhão e apresentar-se à crisma quando o bispo conferir o sacramento.
A Igreja insiste em que nenhum adulto deixe de receber a Confirmação por negligência. Como dissemos, é tão grande a graça do Espírito Santo que o batizado adulto que nunca a recebeu deve apressar-se a recebê-la, para não se privar dela. A idade nunca é obstáculo: o Espírito Santo quer fortalecer todo cristão, criança ou adulto.
Dinâmica sobre a Quaresma para a crisma
Quem cateequiza crismandos procura por vezes uma dinâmica sobre a Quaresma para a crisma, isto é, uma atividade de preparação que ligue o tempo quaresmal ao sacramento que vão receber. A ligação é profunda e merece ser explicada antes de qualquer "dinâmica".
A Quaresma é o tempo dos quarenta dias de oração, jejum e penitência, à imitação do Senhor no deserto, em preparação para a Páscoa. Era também, na Igreja antiga, o tempo em que os catecúmenos se preparavam para receber os sacramentos da iniciação na noite santa da Vigília Pascal. Por isso, propor a Quaresma como caminho de preparação para a crisma é recuperar a sua intenção mais antiga.
Em vez de dinâmicas vazias, propomos um caminho concreto e sólido para os crismandos durante a Quaresma:
- Oração diária — começar e terminar cada dia com as orações da manhã e da noite, e nunca omitir o sinal da cruz.
- Penitência — escolher uma renúncia concreta para os quarenta dias, em espírito de combate contra os sete pecados capitais.
- Exame de consciência — preparar uma boa confissão à luz dos dez mandamentos, para chegar à crisma em estado de graça.
- Doutrina — meditar a cada semana um dos sete dons do Espírito Santo que se vai receber, e professar o Credo.
Assim a Quaresma deixa de ser uma simples atividade de catequese e torna-se o que sempre foi: o tempo em que a alma se purifica e se dispõe para receber o Espírito Santo.
Como nos preparar
Quem se prepara para a crisma, ou quem deseja reavivar a graça já recebida, deve antes de tudo viver em estado de graça, recebendo bem o sacramento da Confissão, e nutrir a alma com a oração. Recomendamos rezar com fé as orações da manhã, professar diariamente a fé com o Credo, e jamais omitir o sinal da cruz, que é o sinal mesmo do cristão confirmado.
Convém ainda conhecer a doutrina: meditar os dez mandamentos e guardar-se dos sete pecados capitais, pois o soldado de Cristo vence primeiro em si mesmo. O Espírito Santo, recebido na crisma, é também o nosso fortalecedor na hora extrema, quando recebemos a unção dos enfermos. E quem quiser ver o que a Bíblia fala sobre a vinda do Espírito encontrará nela a confirmação de toda esta doutrina.
Perguntas Frequentes
O que é a crisma?
A crisma, ou Confirmação, é o sacramento que nos dá o Espírito Santo em plenitude, com os seus sete dons, para nos fortalecer na fé e fazer de nós soldados de Cristo. Tem por matéria o santo crisma, com que o bispo unge a fronte do crismando, e completa a graça recebida no Batismo.
Qual a diferença entre Batismo e crisma?
O Batismo nos faz filhos de Deus e nos lava do pecado original; a crisma fortalece a vida da graça e nos dá o Espírito Santo para defender e confessar a fé. Os Atos dos Apóstolos os distinguem com clareza: os samaritanos já estavam batizados, e só receberam o Espírito Santo quando os Apóstolos lhes impuseram as mãos (Atos 8, 14-17).
Qual a idade da crisma?
De ordinário, recebe-se a partir dos sete anos, ao chegar ao uso da razão. Em perigo de morte, pode ser confirmada uma criança menor; e o adulto que nunca a recebeu deve apressar-se a recebê-la, para não se privar da graça do sacramento.
Quem é o ministro da crisma?
O ministro ordinário é o bispo, sucessor dos Apóstolos. Como foram Pedro e João que desceram à Samaria a impor as mãos para dar o Espírito Santo, assim hoje é o bispo quem de ordinário confirma.
Quais são os sete dons do Espírito Santo?
Sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor do Senhor. São os dons que o profeta Isaías anunciou (Isaías 11, 2-3) e que o crismado recebe para se deixar conduzir docilmente por Deus.
A crisma pode ser recebida mais de uma vez?
Não. Como o Batismo e a Ordem, a Confirmação imprime na alma um caráter indelével, uma marca que jamais se apaga. Por isso recebe-se uma só vez na vida.
Crisma e primeira comunhão: qual vem primeiro?
Na prática tradicional, a primeira comunhão precede a crisma. A criança comunga por volta dos sete anos, depois de bem instruída e confessada, e é confirmada um pouco mais tarde, quando o bispo visita a paróquia. São dois sacramentos distintos: a Eucaristia alimenta a vida da graça, e a crisma a fortalece para o combate da fé.
Qual a diferença entre primeira eucaristia e crisma?
A primeira eucaristia é a mesma coisa que a primeira comunhão: a primeira recepção do Corpo e do Sangue de Cristo no Santíssimo Sacramento. A crisma, ou Confirmação, é o sacramento que nos dá o Espírito Santo em plenitude. Um nos dá o Pão dos anjos; o outro, o dom do Espírito.
Pode-se receber a primeira comunhão e a crisma juntos?
Sim, pode acontecer na mesma celebração, sobretudo quando o bispo visita a paróquia de tempos em tempos, ou no caso dos catecúmenos adultos, que recebem juntos Batismo, Confirmação e Eucaristia. Cada sacramento conserva o seu efeito próprio, desde que a alma esteja em estado de graça e bem disposta.
Como é a primeira comunhão e a crisma para adultos?
O adulto não batizado recebe, depois da devida instrução, os três sacramentos da iniciação numa só celebração. O adulto que foi batizado em criança, mas nunca comungou nem se confirmou, deve preparar-se bem, fazer uma boa confissão, receber a primeira comunhão e apresentar-se à crisma quando o bispo conferir o sacramento. A idade nunca é obstáculo à graça do Espírito Santo.
Qual a ordem de batismo, primeira comunhão e crisma?
São os três sacramentos da iniciação cristã. A ordem clássica do ensino tradicional é: Batismo (de ordinário na infância), depois a Confissão e a primeira comunhão (por volta dos sete anos) e, por fim, a Confirmação, conferida pelo bispo como coroamento. Nasce-se pelo Batismo, alimenta-se pela Eucaristia e fortalece-se pela Crisma.
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Fontes. Sagrada Escritura, Atos dos Apóstolos 8, 14-19, e Isaías 11, 1-3, na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo; Concílio de Trento, sessão VII, cânones sobre o sacramento da Confirmação; Pontificale Romanum, ordem da Confirmação; catecismos tradicionais.