A Fé
Os 7 Dons do Espírito Santo
Quais são os 7 dons do Espírito Santo — sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus — o seu significado um a um, o seu fundamento na Escritura segundo Figueiredo (Isaías 11) e a sua ligação com a Crisma e Pentecostes.

Quando o bispo nos unge a fronte com o santo crisma, o Espírito Santo desce sobre a alma com a abundância dos seus dons. Mas quais são, afinal, os dons do Espírito Santo, e o que faz cada um na vida do cristão? Neste artigo expomos quais são os 7 dons do Espírito Santo e o significado de cada um, fundados na palavra do profeta Isaías segundo a tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo e na doutrina tradicional da Igreja.
Quais são os 7 dons do Espírito Santo
Os dons do Espírito Santo são sete: a sabedoria, o entendimento, o conselho, a fortaleza, a ciência, a piedade e o temor de Deus. Não somos nós que os contamos arbitrariamente: é a Escritura mesma que os enumera. O profeta Isaías, ao anunciar o Messias que havia de brotar da raiz de Jessé, descreve o Espírito que sobre Ele repousaria. Eis o texto na tradução de Figueiredo:
"E sairá uma vara do tronco de Jessé, e uma flor brotará da sua raiz. E descansará sôbre êle o espírito do Senhor: Espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de piedade, e enchê-lo-á o espírito do temor do Senhor." (Isaías 11, 1-3)
Eis os sete. Repousaram primeiro, em plenitude, sobre Nosso Senhor Jesus Cristo, e d'Ele descem sobre os seus membros, isto é, sobre nós. São chamados dons porque são dados gratuitamente por Deus, e não conquistados por nosso esforço; são disposições permanentes que tornam a alma dócil aos toques do Espírito Santo, pronta a seguir-Lhe os impulsos como a vela se entrega ao vento.
O significado de cada dom
Sabedoria
A sabedoria é o primeiro e o mais alto dos dons. Por ela o cristão saboreia as coisas de Deus e julga de tudo à luz das verdades eternas. Não é a ciência dos sábios deste mundo, mas o gosto interior das coisas divinas, que faz com que prefiramos Deus a todas as criaturas e vejamos o mundo como Deus o vê, desprezando o que passa por amor do que permanece.
Entendimento
O entendimento nos dá penetrar mais fundo nas verdades da fé. Cremos os mistérios revelados — a Santíssima Trindade, a Encarnação, a Eucaristia —, e por este dom a alma alcança alguma luz para os apreender intimamente, não como quem os compreende plenamente, mas como quem os contempla com olhar iluminado. É o dom que abre o sentido das Escrituras e faz arder o coração à palavra de Deus.
Conselho
O conselho é a prudência sobrenatural. Nos momentos de dúvida, quando é preciso escolher entre dois caminhos, este dom move a alma a discernir o que mais agrada a Deus e mais conduz à salvação. Onde a razão hesita, o Espírito Santo aconselha. É o dom de que tanto necessitam os que governam, os que ensinam e os pais de família.
Fortaleza
A fortaleza dá à alma a coragem de cumprir o dever e de suportar as adversidades por amor de Deus, mesmo até o sacrifício da vida. É o dom dos mártires, que diante dos tormentos não recuaram; e é também o dom do cristão comum, que persevera na virtude contra o respeito humano e o cansaço de fazer o bem. Sem este dom, a vontade desfalece; com ele, torna-se firme como rocha.
Ciência
A ciência nos ensina a julgar retamente das coisas criadas na sua relação com Deus. A alma reconhece que as criaturas são bens limitados, dados para nos elevar ao Criador, e não para tomarem o lugar d'Ele. É o dom que nos guarda da idolatria do mundo e nos ensina a usar das coisas terrenas sem nos prendermos a elas.
Piedade
A piedade infunde no coração um afeto filial para com Deus, fazendo-nos tratá-Lo como Pai, com ternura, confiança e reverência. Dela nasce o gosto da oração, o amor às coisas santas e a caridade fraterna. A piedade torna suave o serviço de Deus; quem a possui reza não por obrigação fria, mas por amor.
Temor de Deus
O temor de Deus não é o medo servil do escravo, mas o temor filial do filho que receia ofender o Pai que ama. Por ele a alma se aparta do pecado, não tanto pelo castigo quanto por não querer desgostar a Deus. A Escritura o chama princípio de toda sabedoria: "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria" (Provérbios 1, 7).
Os dons do Espírito Santo na Bíblia: o versículo
Quem procura os dons do Espírito Santo na Bíblia deve ir, antes de tudo, ao profeta Isaías. O versículo que os enumera, um a um, é Isaías 11, 1-3, já citado acima: ali estão nomeados, por ordem, a sabedoria, o entendimento, o conselho, a fortaleza, a ciência, a piedade e o temor do Senhor. Este é o único lugar da Escritura em que os sete vêm reunidos numa só passagem, e por isso a Igreja sempre o tomou como o texto-fonte dos dons.
Mas a Escritura confirma cada dom também noutros lugares, e convém conhecê-los:
- Sabedoria — "Se algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente" (Tiago 1, 5).
- Entendimento — "Dá-me entendimento, e esquadrinharei a tua lei" (Salmo 118, 34).
- Conselho — "Sôbre êle repousará o espírito... de conselho e de fortaleza" (Isaías 11, 2).
- Fortaleza — "Tudo posso n'Aquele que me conforta" (Filipenses 4, 13).
- Ciência — "Os céus contam a glória de Deus" (Salmo 18, 2), porque pela ciência lemos o Criador nas criaturas.
- Piedade — "Recebestes o espírito de adoção de filhos, no qual clamamos: Abba, Pai" (Romanos 8, 15).
- Temor de Deus — "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria" (Provérbios 1, 7) e "O temor do Senhor é a glória" (Eclesiástico 1, 11).
Todos os textos são citados na tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, que é a Bíblia católica em português que seguimos.
Os 7 dons do Espírito Santo segundo o catecismo
Quem busca os 7 dons do Espírito Santo no catecismo da Igreja católica encontra-os ensinados de modo claro e antigo no Catecismo Maior de São Pio X e no Catecismo Romano (de Trento). Estes catecismos tradicionais repetem exatamente a lista de Isaías — sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus — e explicam que tais dons aperfeiçoam as virtudes, tornando a alma pronta a obedecer prontamente às inspirações do Espírito Santo. Não há, na doutrina constante da Igreja, nem mais nem menos do que sete: a fonte é sempre a mesma palavra do profeta, recebida pela Tradição.
Os dons e a Crisma
Os sete dons nos são dados primeiramente no Batismo, junto com a graça santificante; mas é na Crisma, ou Confirmação, que os recebemos em plenitude. Por isso a Igreja sempre ensinou que este sacramento nos dá o Espírito Santo com a abundância dos seus dons, para fazer de nós cristãos perfeitos e soldados de Cristo. O que no Batismo foi semente, na Confirmação se robustece.
Os dons crescem na alma à medida que crescemos na graça e na vida de oração. Quem se conserva no estado de graça torna-se cada vez mais dócil às moções do Espírito; quem cai no pecado mortal perde a graça e fica como que surdo aos seus toques. Por isso a vida sacramental e a oração assídua são o terreno em que os dons frutificam — e a ela a Igreja une ainda o tesouro das indulgências, que purificam a alma e a tornam mais dócil ao Espírito.
Os dons e Pentecostes
A festa de Pentecostes é o grande dia dos dons. Cinquenta dias depois da Páscoa, reunidos no Cenáculo, os Apóstolos receberam o Espírito Santo de modo visível. Conta-o Figueiredo:
"E quando se completavam os dias de Pentecostes, estavam todos juntos num mesmo lugar. E de repente veio do Céu um estrondo, como de vento que assoprava com ímpeto, e encheu tôda a casa onde estavam assentados. E lhes apareceram repartidas umas como línguas de fogo, que repousou sôbre cada um dêles: E foram todos cheios do Espírito Santo." (Atos 2, 1-4)
Aqueles homens medrosos saíram a pregar destemidamente a Cristo crucificado: eis a fortaleza; falaram em várias línguas e converteram milhares: eis a sabedoria e a ciência. Pentecostes é, pois, a primeira Crisma da Igreja, e cada um de nós, no dia da sua Confirmação, recebe o seu pequeno Pentecostes.
Dons e frutos do Espírito Santo
Convém não confundir os dons com os frutos do Espírito Santo. Os dons são as disposições que tornam a alma dócil ao Espírito; os frutos são os efeitos doces que dessa docilidade resultam. São Paulo enumera-os: "Mas o fruto do espírito é: A caridade, o gôzo, a paz, a paciência, a benignidade, a bondade, e a longanimidade, a mansidão, a fidelidade, a modéstia, a continência, a castidade" (Gálatas 5, 22-23). Os dons são a árvore; os frutos do Espírito Santo, o que ela produz.
Os 9 dons do Espírito Santo: por que se fala em nove?
É frequente ouvir falar dos 9 dons do Espírito Santo — ou "nove dons" —, e isto causa confusão. Esclareçamos. Os dons propriamente ditos são sete, e sempre foram, porque sete são os que Isaías enumera. Quando se ouve "nove", uma de duas coisas está em jogo:
- Confusão com os frutos. São Paulo, em Gálatas 5, 22-23, lista os frutos do Espírito Santo — e algumas traduções, ao agrupá-los, chegam a nove (caridade, gozo, paz, paciência, benignidade, bondade, longanimidade, mansidão, fidelidade...). Mas estes são frutos, não dons.
- Confusão com os carismas. Em 1 Coríntios 12, 8-10, São Paulo enumera graças extraordinárias — a palavra de sabedoria, a palavra de ciência, a fé, o dom de curar, o operar milagres, a profecia, o discernimento dos espíritos, a variedade de línguas e a interpretação das línguas. Estas nove são carismas, dados para utilidade comum da Igreja, e não os sete dons santificantes que residem em toda alma em graça.
Portanto, a quem pergunta "quais são os 9 dons do Espírito Santo" respondemos com caridade: os dons que santificam a alma são sete (Isaías 11); os "nove" que se ouvem nomear são, na verdade, ou os frutos (Gálatas 5) ou os carismas (1 Coríntios 12). A doutrina católica tradicional nunca contou nove dons.
Perguntas Frequentes
Quais são os 7 dons do Espírito Santo?
São a sabedoria, o entendimento, o conselho, a fortaleza, a ciência, a piedade e o temor de Deus. Esta enumeração vem do profeta Isaías (capítulo 11), e a Igreja a recebeu como a lista própria e completa dos dons.
Qual a diferença entre os dons e os frutos do Espírito Santo?
Os dons são sete disposições permanentes que tornam a alma dócil às moções do Espírito Santo. Os frutos, enumerados por São Paulo em Gálatas 5, são os efeitos de santidade que dessa docilidade resultam. Os dons são a causa; os frutos, o efeito visível na vida.
Quando recebemos os dons do Espírito Santo?
Recebemos os dons no Batismo, junto com a graça santificante, e em plenitude no sacramento da Crisma, ou Confirmação. Eles crescem na alma com a graça e a vida de oração, e se perdem com a graça pelo pecado mortal.
O temor de Deus é ter medo de Deus?
Não no sentido servil. O temor de Deus, como dom do Espírito Santo, é o temor filial do filho que receia ofender o Pai que ama, e não o pavor do escravo que teme apenas o castigo. É o princípio da verdadeira sabedoria e a raiz que nos aparta do pecado por amor.
Por que os dons são sete?
Porque sete são os que a Escritura enumera em Isaías 11. O número sete, na linguagem bíblica, exprime plenitude e perfeição: pelo Espírito Santo nada falta à alma para a sua vida sobrenatural.
Os dons do Espírito Santo são 7 ou 9?
Os dons do Espírito Santo são sete, enumerados pela Escritura em Isaías 11, 1-3, e assim a Igreja católica sempre os ensinou. Quando se fala em "nove", costuma-se confundir os dons com os frutos do Espírito Santo — que São Paulo lista em Gálatas 5, 22-23 — ou com os carismas (como o dom de línguas ou de profecia), que são graças diferentes. Os dons propriamente ditos são, e sempre foram, sete.
Qual o versículo dos dons do Espírito Santo na Bíblia?
O versículo é Isaías 11, 1-3, onde o profeta enumera os sete dons que repousariam sobre o Messias: "Espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de piedade... o espírito do temor do Senhor." É o único lugar da Escritura em que os sete vêm reunidos, e por isso a Igreja o toma como o texto-fonte dos dons.
Quantos são os dons do Espírito Santo?
São sete: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. O número sete exprime, na linguagem bíblica, plenitude e perfeição. Não são nove: quem fala em nove confunde os dons com os frutos (Gálatas 5) ou com os carismas (1 Coríntios 12).
Onde estão os dons do Espírito Santo no catecismo?
Estão no Catecismo Maior de São Pio X e no Catecismo Romano (de Trento), ambos tradicionais. Eles repetem a lista de Isaías e ensinam que os sete dons aperfeiçoam as virtudes, tornando a alma dócil às inspirações do Espírito Santo.
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Fontes. Bíblia Sagrada, tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo (Isaías 11, 1-3; Provérbios 1, 7; Salmos 18, 2 e 118, 34; Eclesiástico 1, 11; Atos 2, 1-4; Romanos 8, 15; 1 Coríntios 12, 8-10; Gálatas 5, 22-23; Filipenses 4, 13; Tiago 1, 5); Catecismo Maior de São Pio X; Catecismo Romano (Concílio de Trento); doutrina tradicional da Igreja.