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São Maximiliano Kolbe: mártir da caridade
Quem foi São Maximiliano Maria Kolbe (1894-1941), o frade franciscano que deu a vida por outro homem em Auschwitz: sua vida, sua devoção à Imaculada, a oração ao santo e a data de sua festa.

Quem foi são maximiliano kolbe? Foi um frade franciscano polonês — Raimundo Kolbe, em religião Maximiliano Maria (1894–1941) — que entregou a própria vida no lugar de um pai de família condenado à morte no campo de extermínio de Auschwitz. Apaixonado pela Imaculada Conceição desde menino, fundou um movimento mariano, levou o Evangelho até o Japão e morreu como mártir da caridade num bunker da fome. Aqui contamos a sua vida, explicamos a sua devoção à Virgem, damos a oração de são maximiliano kolbe para você rezar e indicamos a data de sua festa. É um santo dos nossos dias que cumpriu à letra a palavra do Senhor: "Ninguém tem maior amor do que êste, de dar a própria vida por seus amigos."
Quem foi São Maximiliano Maria Kolbe
Raimundo Kolbe nasceu em 8 de janeiro de 1894, em Zduńska Wola, na Polônia então ocupada pelo Império Russo, numa família de tecelões pobres e profundamente católicos. Era um menino vivo e travesso. Conta-se que, repreendido pela mãe, foi rezar diante de uma imagem de Nossa Senhora e Lhe perguntou o que seria dele. A Virgem, segundo o seu relato, apresentou-lhe duas coroas, uma branca e uma vermelha — a pureza e o martírio — e perguntou-lhe qual escolhia. Ele respondeu que aceitava as duas. A vida inteira daquele menino caberia nessa resposta.
Entrou para os Frades Menores Conventuais, a ordem fundada por São Francisco de Assis, e tomou o nome de Maximiliano, ao qual juntou depois o de Maria, tão grande era o seu amor à Mãe de Deus. Estudou em Roma, doutorou-se em filosofia e teologia, e foi ordenado sacerdote em 1918, no exato ano em que a Europa saía dilacerada da Primeira Guerra. Já então a tuberculose lhe corroía os pulmões — viveria toda a vida com a saúde frágil, com um só pulmão são, sem que isso jamais detivesse o seu zelo.
A Milícia da Imaculada
Ainda estudante em Roma, em 1917, escandalizado com as blasfêmias que via nas ruas contra a Igreja e o Papa, o jovem frade reuniu seis companheiros e fundou a Milícia da Imaculada (Militia Immaculatae). A ideia era simples e audaz: oferecer-se inteiramente à Virgem Maria como instrumento Seu, para a conversão dos pecadores e dos inimigos da fé, sob o lema "conquistar o mundo inteiro para a Imaculada".
A consagração total a Nossa Senhora foi o coração de toda a sua espiritualidade. Kolbe entendia, na linha de São Luís Maria Grignion de Montfort, que entregar-se a Maria não afasta de Cristo, mas é o caminho mais curto e mais seguro para Ele. Quem quiser compreender essa entrega encontra aqui o sentido da consagração a Nossa Senhora e o da Imaculada Conceição, dogma que ele professava com ardor e que era a sua arma. Não por acaso, o santo distribuía com fervor a medalha milagrosa, a mesma que ele chamava de "a bala de prata" para tocar os corações endurecidos.
Niepokalanów e as missões
Kolbe não foi um místico recolhido: foi um construtor incansável. Para difundir a devoção à Imaculada, lançou mão da imprensa e da técnica modernas. Fundou na Polônia a revista "O Cavaleiro da Imaculada", que chegou a tiragens de quase um milhão de exemplares, e ergueu perto de Varsóvia uma verdadeira cidade-convento dedicada a Nossa Senhora: Niepokalanów, a "Cidade da Imaculada", que reuniu centenas de frades dedicados à evangelização pela palavra impressa.
Em 1930, partiu como missionário para o Japão. Em Nagasaki, sem conhecer a língua e quase sem recursos, fundou uma segunda cidade da Imaculada e começou a publicar a revista em japonês. Por inspiração — ou intuição sobrenatural — construiu o convento na encosta de um monte, voltado para o lado oposto da cidade. Anos depois, em 1945, a bomba atômica arrasaria Nagasaki, mas o convento de Kolbe, protegido pelo monte, ficaria de pé. Doente, regressou à Polônia em 1936 e reassumiu a direção de Niepokalanów.
O sacrifício em Auschwitz
Quando a Alemanha nazista invadiu a Polônia em 1939, Niepokalanów tornou-se refúgio de milhares de fugitivos, muitos deles judeus. Kolbe não fugiu. Em fevereiro de 1941 foi preso pela Gestapo e, em maio, deportado para o campo de extermínio de Auschwitz, onde recebeu o número 16670. Mesmo ali, despojado de tudo, continuou a ser padre: confessava às escondidas, repartia a própria ração de pão, consolava os desesperados, mandava-os erguer os olhos para a Imaculada.
No fim de julho de 1941, um prisioneiro do seu bloco desapareceu. Em represália, o comandante mandou escolher dez homens para morrer de fome num bunker subterrâneo. Entre os escolhidos, um sargento polonês, Franciszek Gajowniczek, gritou em desespero: "Minha mulher, meus filhos!" Então o frade número 16670 deu um passo à frente e pediu para morrer no lugar daquele pai de família. O oficial, perplexo, consentiu.
Fechado no bunker da fome com os outros nove, Kolbe transformou aquele porão de horror num lugar de oração: rezavam o terço, cantavam hinos a Nossa Senhora. Foi o último a morrer. Como ainda vivia depois de duas semanas sem comida nem água, os carrascos o mataram com uma injeção de ácido fênico, em 14 de agosto de 1941, véspera da Assunção de Nossa Senhora. Tinha cumprido as duas coroas: a branca da pureza e a vermelha do martírio.
Nota de honestidade. São Maximiliano Maria Kolbe é um santo do século XX: nasceu em 1894, morreu em 1941 e foi canonizado pelo papa João Paulo II em 1982, portanto depois das reformas que aqui não seguimos. Apresentamo-lo com toda a transparência. O que dele veneramos — a devoção à Imaculada, a fidelidade à Igreja, o martírio da caridade em Auschwitz — pertence inteiramente à Tradição católica de sempre, e o seu testemunho é universalmente reconhecido. Sobre a realidade do destino eterno das almas que ele tanto buscou salvar, veja o inferno existe.
A oração de são maximiliano kolbe
Eis uma oração de são maximiliano kolbe, que se pode rezar pedindo a sua intercessão, sobretudo pelos pais de família, pelos presos, e pela graça de amar a Deus até o sacrifício:
Ó São Maximiliano Maria Kolbe,
cavaleiro fiel da Imaculada,
que vos entregastes inteiramente a Nossa Senhora
e por amor d'Ela destes a vida por um irmão,
alcançai-me um coração generoso,
capaz de servir e de perdoar,
e o dom de amar a Deus acima de tudo.
Vós que cantastes hinos à Virgem no bunker da fome,
ensinai-me a confiar na cruz e a esperar contra toda a esperança.
Por vossa intercessão e a da Imaculada,
dai-me a graça que humildemente vos peço (faça-se o pedido),
e a coragem de não temer os que matam o corpo
mas não podem matar a alma.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Pode-se rezar também esta breve jaculatória, tão sua: "Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós." Para outras invocações breves ao longo do dia, veja a nossa página sobre jaculatórias.
A festa de são maximiliano kolbe
A festa de são maximiliano kolbe celebra-se em 14 de agosto, dia da sua morte em Auschwitz — o dies natalis, o "nascimento para o Céu", como a Igreja sempre chamou o dia da morte dos santos. É véspera da solenidade da Assunção de Nossa Senhora, o que liga para sempre a memória do mártir à glória da Imaculada que ele tanto amou.
É costume, nesse dia, rezar pelos pais de família, pelos que estão presos ou perseguidos, e pela conversão dos pecadores. É também ocasião própria para renovar a própria consagração à Virgem. Quem quiser conhecer outros amigos de Deus encontra o nosso panorama dos santos católicos; e quem desejar preparar uma novena pode aprender primeiro o que é uma novena.
O que aprender com o mártir da caridade
O testemunho de Kolbe não cabe num discurso: cabe num gesto, o passo à frente diante do oficial nazista. Ensina-nos, antes de tudo, que o amor verdadeiro se mede pelo sacrifício. Não há caridade abstrata; há sempre um rosto concreto — o de Gajowniczek, o de cada próximo — pelo qual somos chamados a nos dar. Cumpriu-se nele a palavra do Senhor: "Ninguém tem maior amor do que êste, de dar a própria vida por seus amigos" (João 15, 13).
Ensina-nos, em segundo lugar, que a Imaculada é caminho seguro para Cristo. Toda a força de Kolbe vinha de uma entrega total a Maria; foi Ela quem o sustentou no bunker da fome. E ensina-nos, enfim, a não temer. Diante da morte ele estava livre, porque já havia perdido a vida por Cristo para encontrá-la: "O que perder a sua alma por mim, achá-la-á" (Mateus 10, 39). Por isso permanece, hoje, o santo a quem recorrer quando se quer aprender a amar sem reservas e a não recuar diante da cruz.
Perguntas Frequentes
Quem foi São Maximiliano Kolbe?
Foi um frade franciscano polonês (1894–1941), grande apóstolo da Imaculada Conceição, que fundou a Milícia da Imaculada e a cidade-convento de Niepokalanów. Preso pelos nazistas e deportado para Auschwitz, ofereceu-se para morrer no lugar de um pai de família condenado, sendo por isso chamado mártir da caridade.
Por que São Maximiliano Kolbe é chamado mártir da caridade?
Porque, em Auschwitz, em julho de 1941, deu um passo à frente e pediu para morrer no lugar de Franciszek Gajowniczek, um pai de família escolhido para perecer de fome. Cumpriu literalmente a palavra de Cristo sobre dar a vida pelos amigos, morrendo por amor a um irmão que nem sequer conhecia.
Quando é a festa de São Maximiliano Kolbe?
A sua festa celebra-se em 14 de agosto, dia da sua morte em Auschwitz, em 1941. É a véspera da Assunção de Nossa Senhora, a Imaculada a quem ele consagrou toda a vida.
Por que São Maximiliano Kolbe é santo se viveu no século XX?
Porque o seu martírio e as suas virtudes foram reconhecidos pela Igreja, que o canonizou em 1982. Embora seja um santo recente, canonizado depois das reformas que aqui não seguimos, o seu testemunho — devoção à Imaculada, fidelidade à fé e sacrifício da própria vida — pertence inteiramente à Tradição católica de sempre.
De que São Maximiliano Kolbe é padroeiro?
É invocado como padroeiro dos presos, das famílias, dos dependentes químicos e de todos os que enfrentam perseguição. Recorre-se a ele também pela conversão dos pecadores e pela graça de uma entrega total a Nossa Senhora.
Fontes. Tradição hagiográfica e atas do processo de São Maximiliano Maria Kolbe; testemunho de Franciszek Gajowniczek e dos sobreviventes de Auschwitz; escritos do próprio santo sobre a Milícia da Imaculada; Sagrada Escritura na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (João 15, 13; Mateus 10, 28.39); doutrina católica sobre o martírio e a consagração mariana.
O app Iter Fidei traz as orações, a Liturgia das Horas e o calendário, em latim e português, com áudio. Baixe aqui.