Santos
Santos Católicos: Quem São e Por Que os Veneramos
Quem são os santos católicos, por que pedimos a sua intercessão sem os adorar, o que ensina a Comunhão dos Santos, e os links para as orações de São José, São Miguel, Santa Rita, Santo Expedito e tantos outros.

Os santos católicos são os homens e as mulheres que viveram a graça de Deus até o fim e que agora reinam com Ele no Céu — almas cuja santidade a Igreja reconhece com certeza e nos propõe para venerar e invocar. Nós não os honramos como deuses, mas como amigos de Deus: pedimos que rezem por nós, como pediríamos a um irmão mais próximo do trono. Esta página é a porta de entrada para toda a corte celeste — o que é um santo, por que os católicos pedem a intercessão dos santos sem nunca os adorar, o que ensina a Comunhão dos Santos, e onde encontrar a oração própria de cada padroeiro.
O que é um santo
Um santo, no sentido estrito em que a Igreja canoniza, é uma pessoa que morreu, cuja alma está no Céu, e que a Igreja — depois de longo exame da vida, das virtudes e dos milagres — declara estar ali com certeza pública. A canonização é o ato solene pelo qual o Sumo Pontífice inscreve um nome no calendário dos santos e permite a sua veneração em toda a Igreja. Ela não faz o santo: reconhece-o. Deus santifica; a Igreja discerne e proclama.
Por trás disso está uma verdade mais antiga e mais ampla, o nono artigo do Credo: a Comunhão dos Santos. A Igreja é, nas palavras do Catecismo Romano, como uma só família, governada por um único Pai, na qual todos os bens espirituais são comuns. Os membros deste único Corpo — os fiéis sobre a terra, as almas no purgatório e os bem-aventurados no Céu — partilham uma só vida de graça, de modo que os méritos e as orações dos santos pertencem, na caridade, a todos. É por isso que podemos pedir aos santos que rezem por nós: eles não são os mortos distantes, mas membros vivos do mesmo Corpo, mais próximos da Cabeça do que nós.

Por que rezar aos santos — e por que isto não é adoração
Aqui está a objeção que tantos irmãos protestantes nos fazem: "Por que rezar aos santos, se há um só Mediador, Jesus Cristo? Isso não é adoração indevida?" A resposta da Igreja é clara, e ela mesma a Escritura a funda.
Primeiro, a distinção que tudo decide. A adoração — em latim latria — é devida unicamente a Deus. O próprio Cristo o disse, citando a Lei:
Vai-te, satanás: Porque escrito está: Ao Senhor teu Deus adorarás, e a Ele só servirás. (Dominum Deum tuum adorabis, et illi soli servies.) — Mateus 4, 10
Aos santos não damos adoração, mas veneração — dulia —, a honra que se deve aos amigos de Deus; e à Santíssima Virgem uma honra mais alta — hyperdulia — por ser a Mãe de Deus. Rezar a um santo nunca é tomá-lo por Deus: é pedir a um amigo do Céu que leve a nossa súplica ao trono onde toda a graça é dada.
Segundo, a intercessão não nega o único Mediador — vive dela. Quando São Paulo pede que rezem por ele, ou quando pedimos a um amigo na terra que reze por nós, ninguém pensa que estamos substituindo Cristo. Ora, se a oração dos justos vivos vale, quanto mais a dos justos já glorificados:
Confessai pois os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes salvos: Porque a oração do justo, sendo fervorosa, pode muito. — Tiago 5, 16
E a própria Escritura mostra os santos do Céu apresentando a Deus as nossas orações:
Os quatro animais e os vinte e quatro anciãos se prostraram diante do Cordeiro, tendo cada um suas cítaras e suas redomas de ouro cheias de perfumes, que são as orações dos santos. — Apocalipse 5, 8
Os bem-aventurados não estão mudos nem ociosos diante de Deus: levam diante d'Ele, como perfume, as orações da Igreja peregrina. Pedir a sua intercessão é, portanto, juntar a nossa voz à deles — e toda intercessão deles passa, como a nossa, pelo único Mediador. A Igreja reúne essa corte inteira numa só súplica, a Ladainha de Todos os Santos, em que pedimos, verso após verso, rogai por nós.
Os grandes padroeiros, por necessidade
Um santo padroeiro é um protetor celeste ligado a uma pessoa, lugar, ofício ou necessidade — escolhido pela sua vida, pela sua morte ou por uma longa tradição de orações atendidas. Acima de todos está São José, Patrono da Igreja universal e da boa morte, cuja Ladainha e terço a piedade transmitiu.
Quando uma causa parece perdida, os fiéis recorrem a São Judas Tadeu, o apóstolo das causas desesperadas, com a sua novena; e para as causas urgentes, a Santo Expedito. Para as coisas perdidas — chaves, papéis, e até a própria fé — gerações chamam por Santo Antônio, cuja novena precede a sua festa e cujo antigo responsório de Santo Antônio (Si quæris miracula) se reza para reaver o que se perdeu. Os casos impossíveis e os casamentos feridos são o domínio de Santa Rita, invocada também na sua novena.
Contra o mal e na proteção do lar, a Igreja abençoa com a medalha de São Bento e a sua oração, também rezada na forma completa e ao longo da sua novena; conheça também quem foi São Bento, pai do monaquismo ocidental, a sua Regra e a origem da medalha. Os enfermos da vista têm em Santa Luzia a sua advogada; e a doçura do amor de Deus brilha em Santa Teresinha, na novena que tantos rezam. A São José, além da sua oração, do terço e da Ladainha já citados, a piedade dedica também a sua novena e a célebre oração das causas impossíveis, legada por sete séculos de confiança. Cada um destes nós tratamos por inteiro — a vida, o patrocínio e a oração própria — na sua própria página.
Mártires, médicos e protetores de cada estado de vida
A corte celeste é vasta, e a tradição confiou a cada necessidade um advogado. Entre os grandes mártires, São Jorge cavaleiro vence o dragão e fortalece os que combatem; São Sebastião, trespassado de flechas, protege contra a peste e os males do corpo; e São Roque, peregrino, é invocado contra as epidemias. A cada um deles a piedade dedica a sua novena — a novena de São Jorge, a novena de São Sebastião e a novena de São Roque. Santa Bárbara guarda contra a morte súbita e as tempestades, e Santa Edwiges é a advogada dos endividados e dos que nada têm. O diácono São Lourenço, queimado sobre uma grelha em 258, mostrou ao prefeito de Roma que os pobres são o tesouro da Igreja.
Para a saúde do corpo e da alma, os santos médicos Cosme e Damião curaram sem cobrar nada, em testemunho do Evangelho. Contra os males da garganta a Igreja invoca São Brás, bispo e mártir, na bênção das gargantas; aos doentes graves e às chagas do corpo acode São Lázaro; os enfermos de câncer e de moléstias incuráveis têm em São Peregrino o seu padroeiro; e do Oriente nos vem São Charbel, o monge maronita cujos prodígios de cura continuam a ser narrados. A pureza e a defesa dos pequenos resplandecem em Santa Filomena, a virgem e mártir tão querida do Santo Cura d'Ars.
A conversão e o amor tardio têm em Santo Agostinho o seu mestre — e ao seu lado a perseverança de uma mãe em lágrimas, Santa Mônica, advogada das esposas e das mães que rezam pela conversão dos seus. A paz, a pobreza e o amor a toda a criação resplandecem em São Francisco de Assis; a Sagrada Escritura e o estudo sagrado têm em São Jerônimo, tradutor da Vulgata, o seu doutor; e a caridade para com os pobres arde em São Vicente de Paulo, pai dos abandonados.
A missão entre os povos brilha em São Patrício, apóstolo da Irlanda, e por toda a Igreja é honrado São Pedro, o príncipe dos Apóstolos, a quem Cristo confiou as chaves. Os viajantes e motoristas se encomendam a São Cristóvão, que carregou o Menino através do rio. O povo recorre ainda a São Longuinho pelas causas pequenas e pelas coisas perdidas, e a São Cipriano pela libertação de todo o mal. Cada um destes amigos de Deus tem a sua história e a sua oração própria na respectiva página.
Os arcanjos e o anjo da guarda
Entre os espíritos celestes a Igreja venera três arcanjos pelo nome. São Miguel — Quis ut Deus, "Quem como Deus" — é o príncipe da milícia celeste que precipitou o dragão, defensor da Igreja contra as potestades das trevas. A sua oração de combate é breve e poderosa:

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate; sede o nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.
Sancte Míchaël Archángele, defénde nos in proélio; contra nequítiam et insídias diáboli esto præsídium. Ímperet illi Deus, súpplices deprecámur: tuque, prínceps milítiæ cæléstis, sátanam aliósque spíritus malígnos, qui ad perditiónem animárum pervagántur in mundo, divína virtúte in inférnum detrúde. Amen.
A esta oração se ligam a sua novena e o seu terço, e a sua história e a sua festa de 29 de setembro estão na página de São Miguel Arcanjo. Ao seu lado a Igreja invoca os outros dois arcanjos pelo nome: São Gabriel, o mensageiro que anunciou a Encarnação à Virgem, e São Rafael, "medicina de Deus", guia dos viajantes e dos noivos e advogado dos enfermos no Livro de Tobias. Com os arcanjos está o anjo da guarda de cada homem, posto por Deus para nos guardar em todos os nossos caminhos — e à noite as crianças lhe confiam o sono com a oração do anjo da guarda para dormir.
Nossa Senhora, Rainha de todos os santos
Entre os santos, a Santíssima Virgem Maria ocupa o primeiro lugar, Rainha dos santos e dos anjos. Na sua misericórdia, veio ao encontro dos seus filhos em aparições aprovadas: em Nossa Senhora de Fátima pediu penitência, o terço e a devoção ao seu Imaculado Coração; em Lourdes declarou-se a Imaculada Conceição; e a Nossa Senhora Aparecida o Brasil entregou o seu padroado. A ela nos consagramos e dirigimos a sua Ladainha.
A própria terra brasileira deu santos à Igreja e abraçou outros como seus. São José de Anchieta, apóstolo do Brasil (canonizado em 2014), catequizou os povos e plantou a fé no berço da nação; e São Benedito, o humilde frade, é venerado com grande amor pelo povo como protetor dos pobres e dos lares; e Santa Paulina, primeira santa canonizada do Brasil (em 2002), gastou a vida no cuidado dos doentes e dos órfãos; e Santa Dulce dos Pobres (canonizada em 2019), o "anjo bom da Bahia", fez do serviço aos enfermos e aos mais pobres a sua vida inteira. Cada um, no seu lugar, mostra que a santidade floresce em toda língua e em toda gente; Anchieta, Paulina e Dulce foram canonizados depois de 1962 e não figuram no calendário que seguimos.
Nomes de santos católicos e seus significados
Muitos pais buscam um nome de santo para o filho, e muitos fiéis querem saber o significado daquele que já trazem: dar a uma criança o nome de um santo é, na tradição, confiá-la a um padroeiro do Céu que rezará por ela toda a vida. A maioria desses nomes vem do hebraico, do grego e do latim, e o seu sentido é por si mesmo uma pequena catequese.
Entre os nomes de santos masculinos mais queridos: Miguel (do hebraico Mi-ka-El, "Quem como Deus?", o grito do arcanjo contra o orgulho), Gabriel ("força de Deus"), Rafael ("Deus cura"), José ("Deus acrescentará"), João ("Deus é gracioso"), Pedro ("pedra", o nome que Cristo deu a Simão), Francisco ("o francês, o livre"), Antônio ("inestimável"), Bento (Benedictus, "abençoado") e Sebastião ("venerável").
Entre os nomes femininos: Maria (ligado a "senhora" e "amada de Deus"), Ana ("graça", a mãe de Nossa Senhora), Teresa ("a que colhe"), Rita (de Margarita, "pérola"), Luzia ("luz"), Clara ("brilhante"), Cecília (padroeira dos músicos), Inês (Agnes, "pura, cordeira") e Mônica ("conselheira"). Escolher um destes não é só seguir um costume: é dar à criança um amigo no Céu cujo nome ela invocará e cuja festa celebrará.
Imagens e fotos de santos católicos: o que significam os símbolos
Quem procura imagens de santos católicos e seus nomes logo nota que cada santo é representado com objetos fixos — os seus atributos. Eles não são enfeite: são uma língua antiga que permite reconhecer o santo e recordar a sua vida. A imagem sagrada, ensina a Igreja, não é adorada; ela serve para honrar o santo que representa e elevar a mente a Deus, "porque a honra prestada à imagem passa ao original" (II Concílio de Niceia, 787).

Os principais sinais a reconhecer:
- As chaves — São Pedro, a quem Cristo confiou o poder de ligar e desligar.
- A espada — São Paulo (degolado) e os santos mártires soldados.
- O lírio — a pureza: São José, Santo Antônio, São Luís Gonzaga.
- As flechas — São Sebastião, trespassado por elas.
- A balança — São Miguel, que pesa as almas, ou os santos juízes.
- O Menino Jesus ao colo — Santo Antônio e São José.
- As chagas (estigmas) — São Francisco de Assis.
- A roda dentada ou a torre — Santa Catarina de Alexandria e Santa Bárbara.
- Os olhos numa bandeja — Santa Luzia, advogada da vista.
- A auréola — comum a todos: o nimbo de luz que marca o estado de glória.
Conhecer estes atributos transforma uma simples estampa numa pequena lição: diante da imagem, sabemos a quem rezamos e por quê.
Frases de santos católicos (inclusive para jovens)
A tradição guardou as palavras dos santos como guarda as suas relíquias. Eis algumas das mais conhecidas, sóbrias e seguras, próprias também para jovens que buscam um lema de vida:
- "Tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei." — Santo Agostinho
- "Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz." — atribuída a São Francisco de Assis
- "Tudo passa; só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta." — Santa Teresa de Ávila
- "No fim, só o amor terá importância." — São João da Cruz
- "Não tenhais medo dos santos: eles querem fazer de vós o que eles mesmos são." — segundo Santo Inácio de Loyola
- "Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente estará fazendo o impossível." — atribuída a São Francisco de Assis
Estas frases valem como bússola, não como amuleto: o seu sentido é levar quem as lê à oração e à imitação da vida do santo, nunca a uma fórmula mágica.
A história dos santos católicos, em resumo
A história dos santos começa com os mártires: nos três primeiros séculos, sob a perseguição romana, ser santo era, antes de tudo, derramar o sangue por Cristo, e a Igreja celebrava o dies natalis — o dia da morte como nascimento para o Céu. Quando a perseguição cessou, surgiu uma segunda forma de heroísmo: os confessores, monges e bispos do deserto e das cidades que deram testemunho não pelo sangue, mas por uma vida inteira de virtude — Santo Antão, São Bento, Santo Agostinho.
Nos primeiros séculos era o povo, pela aclamação, que reconhecia um santo. Aos poucos a Igreja reservou esse juízo à Sé Apostólica para garantir a verdade, e a partir do século X firmou-se o processo de canonização, com exame da vida, das virtudes heroicas e dos milagres. Assim, das catacumbas até hoje, a história dos santos é a história de uma só graça, vivida em mil formas: o martírio, o claustro, a missão, a caridade, a maternidade santa. Cada nome desta página é um capítulo dessa história.
Lista de santos católicos por necessidade
Para quem busca uma lista de santos organizada, aqui estão os principais advogados reunidos pela causa que a tradição lhes confiou — cada nome leva à sua oração própria:
- Causas desesperadas — São Judas Tadeu
- Causas urgentes — Santo Expedito
- Coisas perdidas — Santo Antônio, São Longuinho
- Casamentos e casos impossíveis — Santa Rita
- Doenças graves e câncer — São Peregrino, São Lázaro
- Vista e olhos — Santa Luzia
- Garganta — São Brás
- Proteção do lar e contra o mal — medalha de São Bento, São Miguel
- Viajantes e motoristas — São Cristóvão
- Conversão dos filhos — Santa Mônica
- Pobres e endividados — Santa Edwiges, São Benedito
- Boa morte e a Igreja inteira — São José
O calendário dos santos e o Dia de Todos os Santos
O calendário dos santos — o Santoral — distribui ao longo do ano as festas dos bem-aventurados, fixando para cada dia a memória de um ou mais santos, em geral no aniversário da sua morte. É por ele que cada um celebra o "dia do seu santo". O ano litúrgico tradicional ordena essas festas em graus (festas duplas, semidobles, simples) e reúne os santos que não têm dia próprio no Comum dos Santos.
O ponto alto é o Dia de Todos os Santos, em 1º de novembro: nele a Igreja honra de uma só vez toda a multidão dos bem-aventurados, sobretudo os que não têm festa no calendário — os mártires sem nome, os fiéis ocultos. No dia seguinte, 2 de novembro, vem a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (Finados), em que rezamos pelas almas do purgatório. Os dois dias se completam: um celebra os que já chegaram, o outro socorre os que ainda se purificam — toda a Comunhão dos Santos num só fôlego.
Os santos mês a mês, no calendário de 1962
Para quem quer conhecer a vida inteira de um santo, e não só a sua oração, reunimos aqui as nossas páginas de santos, na ordem das suas festas no calendário de 1962:
Janeiro
- 17 de janeiro — Santo Antão, abade, pai dos monges, eremita do deserto do Egito cuja vida escreveu Santo Atanásio.
- 21 de janeiro — Santa Inês, virgem e mártir romana aos treze anos, nomeada todos os dias no Cânon da Missa.
- 24 de janeiro — São Timóteo, bispo de Éfeso e mártir, o discípulo amado a quem São Paulo escreveu duas cartas.
- 25 de janeiro — Conversão de São Paulo, a festa do dia em que Saulo, no caminho de Damasco, se tornou o Apóstolo das gentes.
- 26 de janeiro — São Policarpo, bispo de Esmirna e mártir, discípulo de São João e mestre de Santo Irineu.
- 27 de janeiro — São João Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla e doutor, a "Boca de Ouro", morto no caminho do exílio.
Fevereiro
- 1º de fevereiro — Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir, devorado pelas feras em Roma depois de escrever as suas sete cartas.
- 9 de fevereiro — São Cirilo de Alexandria, patriarca e doutor, que defendeu em Éfeso a Virgem Maria Mãe de Deus.
- 22 de fevereiro — Cátedra de São Pedro, a festa do primado confiado por Cristo a São Pedro e aos seus sucessores, os Papas.
- 23 de fevereiro — São Pedro Damião, cardeal-bispo de Óstia e doutor, o monge de Fonte Avellana que combateu a simonia.
- 24 de fevereiro — São Matias Apóstolo, escolhido por sorte para o lugar de Judas entre os Doze (25 de fevereiro nos anos bissextos).
Março
- 8 de março — São João de Deus, o português de Montemor-o-Novo que fundou em Granada a Ordem dos Irmãos Hospitaleiros, padroeiro dos hospitais e dos enfermos.
- 17 de março — São Patrício, bispo, o apóstolo da Irlanda, para onde voltou como missionário depois de lá ter sido escravo.
- 18 de março — São Cirilo de Jerusalém, bispo e doutor, autor das Catequeses aos que iam ser batizados.
- 19 de março — São José, esposo da Virgem Maria e padroeiro da Igreja universal, festa de 1ª classe; a 1º de maio celebra-se também São José Operário.
- 21 de março — São Bento, abade, pai dos monges do Ocidente e autor da Regra.
- 24 de março — São Gabriel Arcanjo, a "Fortaleza de Deus", o anjo da Anunciação, celebrado na véspera dessa festa.
- 27 de março — São João Damasceno, monge de São Sabas e doutor, defensor das santas imagens contra os iconoclastas.
Abril
- 2 de abril — São Francisco de Paula, o eremita da Calábria que fundou a Ordem dos Mínimos, morto em Tours numa Sexta-feira Santa.
- 4 de abril — Santo Isidoro de Sevilha, bispo e doutor, autor das Etimologias, a enciclopédia de toda a Idade Média.
- 5 de abril — São Vicente Ferrer, o dominicano de Valência que percorreu a Europa pregando a penitência e o Juízo.
- 11 de abril — São Leão Magno, papa e doutor, que defendeu a fé na Encarnação em Calcedônia e deteve Átila.
- 14 de abril — São Justino Mártir, filósofo e apologista decapitado em Roma por volta de 165, autor de uma das mais antigas descrições da Missa.
- 23 de abril — São Jorge, mártir de Lida, que no calendário de 1962 é apenas uma comemoração; o dragão pertence à lenda.
- 25 de abril — São Marcos Evangelista, discípulo de São Pedro e mártir de Alexandria, cujo símbolo é o leão.
- 27 de abril — São Pedro Canísio, jesuíta e doutor, o "segundo apóstolo da Alemanha", autor dos catecismos.
- 28 de abril — São Paulo da Cruz, sacerdote, fundador dos Passionistas para pregar a Paixão de Nosso Senhor.
- 29 de abril — São Pedro de Verona, ou São Pedro Mártir, frade dominicano assassinado por hereges entre Como e Milão em 1252.
- 30 de abril — Santa Catarina de Sena, virgem, terceira dominicana, que convenceu o papa Gregório XI a voltar de Avinhão para Roma.
Maio
- 2 de maio — Santo Atanásio, bispo de Alexandria e doutor, que defendeu a divindade de Cristo contra os arianos.
- 26 de maio — São Filipe Neri, sacerdote, apóstolo de Roma e fundador do Oratório.
Junho
- 5 de junho — São Bonifácio, bispo e mártir, apóstolo da Alemanha.
- 24 de junho — São João Batista, o Precursor, cujo nascimento a Igreja celebra com festa própria.
Julho
- 3 de julho — Santo Irineu, bispo de Lyon e mártir, discípulo de São Policarpo e autor de Contra as Heresias.
- 14 de julho — São Boaventura, bispo e doutor, o Doutor Seráfico, ministro geral dos franciscanos.
- 18 de julho — São Camilo de Lelis, sacerdote, fundador dos servos dos enfermos.
- 19 de julho — São Vicente de Paulo, sacerdote, fundador dos Lazaristas e das Filhas da Caridade, padroeiro das obras de caridade.
- 29 de julho — Santa Marta, virgem, a irmã de Lázaro que hospedava o Senhor em Betânia.
Agosto
- 8 de agosto — São João Maria Vianney, o Cura d'Ars, padroeiro dos párocos.
- 10 de agosto — São Lourenço, diácono e mártir de Roma, queimado sobre uma grelha.
- 30 de agosto — Santa Rosa de Lima, virgem, terciária dominicana e primeira santa das Américas.
Setembro
- 29 de setembro — São Miguel Arcanjo, príncipe da milícia celeste, na festa da Dedicação de São Miguel.
Outubro
- 16 de outubro — Santa Edwiges, viúva, a duquesa da Silésia que serviu os pobres e os presos por dívidas.
- 18 de outubro — São Lucas Evangelista, o médico amado de São Paulo, autor do terceiro Evangelho e dos Atos.
- 23 de outubro — Santo Antônio Maria Claret, bispo, missionário catalão e fundador dos Claretianos.
Novembro
- 14 de novembro — São Josafá, bispo e mártir, arcebispo de Polotsk morto em 1623 pela unidade com Roma.
- 19 de novembro — Santa Isabel da Hungria, viúva, a princesa que serviu os pobres.
- 25 de novembro — Santa Catarina de Alexandria, virgem e mártir, padroeira dos estudantes e dos filósofos.
- 30 de novembro — Santo André Apóstolo, irmão de São Pedro, crucificado numa cruz em forma de X.
Dezembro
- 2 de dezembro — Santa Bibiana, virgem e mártir romana, venerada na sua igreja do Esquilino.
- 4 de dezembro — São Pedro Crisólogo, bispo de Ravena e doutor, a "palavra de ouro" dos sermões.
- 4 de dezembro — Santa Bárbara, virgem e mártir, comemorada nesse dia e invocada contra a morte súbita.
- 7 de dezembro — Santo Ambrósio, bispo de Milão e doutor, que batizou Santo Agostinho.
- 21 de dezembro — São Tomé Apóstolo, o Dídimo do "Senhor meu, e Deus meu" — não confundir com São Tomás de Aquino.
Santos fora do calendário universal de 1962
- 2 de abril — Santa Maria Egipcíaca, a grande penitente do deserto, lembrada no Martirológio Romano; não figura no calendário universal de 1962.
- 15 de maio — Santa Dimpna, virgem e mártir, honrada no Martirológio e em calendários locais, padroeira dos doentes mentais.
- Santa Gema Galgani, virgem, a mística de Lucca, canonizada em 1940 e celebrada nos calendários próprios.
- 14 de agosto — São Maximiliano Kolbe, sacerdote e mártir de Auschwitz, canonizado em 1982.
- 25 de outubro — Frei Galvão, franciscano, o primeiro santo nascido no Brasil, canonizado em 2007.
Desenhos de santos para colorir e imprimir, e a "fantasia de santo"
Na catequese e na vida das famílias, o costume de fazer as crianças desenharem, colorirem ou imprimirem a imagem de um santo é antigo e bom: a mão que pinta a auréola de São Jorge ou o lírio de Santo Antônio aprende, brincando, a vida daquele amigo de Deus. Para isso bastam as estampas tradicionais dos santos, que servem de modelo e podem ser impressas.
Daí nasce também a fantasia de santo — vestir uma criança de São Francisco com o hábito e a corda, de Santa Teresinha com as rosas, de um anjo, de Nossa Senhora. Em muitas paróquias do Brasil esse é o modo católico de viver o fim de outubro: em vez do disfarce de terror do Halloween, a festa de Todos os Santos (ou Holy Wins), na véspera de 1º de novembro, em que os pequenos se vestem do santo de quem trazem o nome ou de quem mais amam. A fantasia, aqui, não é teatro vazio: é uma forma simples e alegre de dizer à criança "olha quem tu podes ser". O essencial é que o disfarce leve ao santo, e não o substitua pela vaidade.
Os santos católicos e a umbanda: por que não se misturam
No Brasil é comum ver os nomes dos santos católicos associados a entidades da umbanda e do candomblé — São Jorge a Ogum, São Sebastião a Oxóssi, Santa Bárbara a Iansã, Cosme e Damião aos erês. Essa associação, o sincretismo, nasceu de circunstâncias históricas, mas a fé da Igreja é clara: um santo católico não é um orixá, e venerar o santo não é cultuar a entidade que lhe foi sobreposta.
A diferença é de fundo. Pedimos ao santo que interceda por nós junto ao único Deus — ele não tem poder próprio, é amigo de Deus. Os cultos afro-brasileiros, ao contrário, dirigem-se a entidades como senhoras de forças, com oferendas e pactos. O Primeiro Mandamento — "Ao Senhor teu Deus adorarás, e a Ele só servirás" (Mateus 4, 10) — exclui qualquer mistura: não se pode honrar o santo no domingo e oferecer-lhe despacho como orixá. Quem ama os santos é chamado a invocá-los na pureza da fé católica, sem sincretismo, recorrendo a Deus por meio deles e nunca a outro senhor.
Quantos santos existem
Quantos santos católicos existem? Nenhum número exato pode ser dado. Os santos canonizados — aqueles formalmente inscritos no calendário da Igreja ao longo dos séculos — contam-se aos milhares. Mas a Comunhão dos Santos é muito mais ampla do que qualquer lista: abrange as incontáveis almas no Céu cujos nomes só Deus conhece, os mártires sem registro, os fiéis ocultos. É por isso que a Igreja guarda a festa de Todos os Santos — para honrar, num só dia, toda a multidão:
Vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações e tribos, e povos e línguas, que estavam em pé diante do trono. — Apocalipse 7, 9
Os santos não são relíquias de um passado encerrado. São advogados vivos, dados por Deus para cada necessidade do corpo e da alma, e a prova de que a mesma graça que os fez santos nos é oferecida a nós. A partir deste centro, segui cada nome até a sua página — a vida, o patrocínio, a oração.
Perguntas Frequentes
Quantos santos católicos existem?
Nenhum número exato pode ser dado. Os santos formalmente canonizados e inscritos no calendário da Igreja contam-se aos milhares ao longo dos séculos. Mas a Comunhão dos Santos é muito mais ampla do que qualquer lista, pois abraça os incontáveis bem-aventurados no Céu cujos nomes só Deus conhece — a multidão "que ninguém podia contar" (Apocalipse 7, 9), honrada na festa de Todos os Santos.
Por que rezar aos santos, se há um só Mediador?
Pedir a intercessão de um santo não substitui Cristo: vive dela. Assim como pedimos a um amigo vivo que reze por nós sem por isso negar o único Mediador, pedimos aos santos do Céu que apresentem a Deus as nossas súplicas — e toda intercessão deles passa, como a nossa, por Jesus Cristo. A Escritura os mostra fazendo exatamente isso (Apocalipse 5, 8).
Rezar aos santos é adoração?
Não. A adoração (latria) é devida unicamente a Deus, "a Ele só servirás" (Mateus 4, 10). Aos santos damos apenas veneração (dulia) — a honra devida aos amigos de Deus —, e à Santíssima Virgem uma honra mais alta (hyperdulia). Rezar a um santo é pedir que ele leve a nossa oração ao trono onde toda a graça é dada.
O que é a Comunhão dos Santos?
É o nono artigo do Credo: a Igreja é como uma só família na qual todos os bens espirituais são comuns. Os fiéis na terra, as almas no purgatório e os bem-aventurados no Céu formam um só Corpo de Cristo, e os méritos e as orações dos santos pertencem, na caridade, a todos. Por isso podemos pedir a intercessão dos santos — eles são membros vivos do mesmo Corpo.
Qual a diferença entre venerar um santo e adorar a Deus?
A adoração reconhece Deus como Criador e Senhor de tudo, e a Ele só pertence. A veneração honra o santo como obra-prima da graça de Deus e amigo seu, pedindo a sua intercessão. Honrar o santo é, no fundo, glorificar Aquele que o fez santo.
Por que cada santo aparece nas imagens com objetos diferentes?
Esses objetos são os atributos do santo: uma língua antiga que permite reconhecê-lo e recordar a sua vida. As chaves indicam São Pedro; o lírio, a pureza de São José ou Santo Antônio; as flechas, São Sebastião; os olhos numa bandeja, Santa Luzia. A imagem não é adorada — serve para honrar o santo que representa e elevar a mente a Deus.
Por que dar a uma criança o nome de um santo?
Na tradição católica, dar o nome de um santo é confiar a criança a um padroeiro do Céu que rezará por ela toda a vida. A criança terá um amigo cujo nome invocará e cuja festa celebrará. Os significados costumam ser uma catequese em si: Miguel, "Quem como Deus?"; Rafael, "Deus cura"; Ana, "graça"; Luzia, "luz".
O que é o calendário dos santos e quando é o Dia de Todos os Santos?
O calendário dos santos (Santoral) fixa para cada dia do ano a memória de um ou mais santos, em geral no aniversário da sua morte — por ele se celebra o "dia do santo". O Dia de Todos os Santos é 1º de novembro, em que a Igreja honra de uma vez toda a multidão dos bem-aventurados; no dia 2 vem a Comemoração dos Fiéis Defuntos (Finados), em que rezamos pelas almas do purgatório.
A fantasia de santo para crianças é uma prática católica?
Sim, e é um belo costume. Em muitas paróquias do Brasil, na véspera de 1º de novembro, as crianças se vestem do santo de quem trazem o nome ou de quem mais amam — a "festa de Todos os Santos", alternativa cristã ao Halloween. O essencial é que a fantasia leve a criança a conhecer e imitar o santo, e não se torne mera vaidade.
Os santos católicos são os mesmos que os orixás da umbanda?
Não. Um santo católico não é um orixá. Pedimos ao santo que interceda por nós junto ao único Deus — ele não tem poder próprio, é amigo de Deus. O sincretismo que associa santos a entidades afro-brasileiras nasceu de circunstâncias históricas, mas a fé católica exclui qualquer mistura: o Primeiro Mandamento manda servir só a Deus (Mateus 4, 10). Quem ama os santos é chamado a invocá-los na pureza da fé, sem sincretismo.
O aplicativo Iter Fidei traz as orações fundamentais, os salmos e as novenas, em latim e português, com áudio. Participe do acesso antecipado aqui.
Fontes. Catecismo de São Pio X, Da Invocação dos Santos (a intercessão dos santos, os santos como advogados, São José Patrono da Igreja); Catecismo Romano (Catecismo do Concílio de Trento, 1566), Artigo IX, Da Santa Igreja Católica e da Comunhão dos Santos; II Concílio de Niceia (787), sobre a veneração das imagens sagradas ("a honra prestada à imagem passa ao original"); Calendário e Rubricas do Breviarium Romanum (1962) para a hierarquia das festas, o Comum dos Santos e a festa de Todos os Santos (1º de novembro); Sagrada Escritura, tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (Mateus 4, 10; Tiago 5, 16; Apocalipse 5, 8; 7, 9); II Macabeus 12, 46.