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São Lourenço: quem foi o santo diácono e mártir de Roma
Quem foi São Lourenço, santo diácono e mártir de Roma: os tesouros da Igreja, a grelha, o que é certo e o que é tradição, a festa de 10 de agosto, a coleta do Missal de 1962, a oração, os patronatos e as lágrimas de São Lourenço.
São Lourenço foi um dos sete diáconos da Igreja de Roma, encarregado dos bens da Igreja e das esmolas aos pobres, martirizado em agosto de 258, quatro dias depois do papa São Sisto II, durante a perseguição de Valeriano. A tradição que os Padres recolheram diz que, intimado a entregar os tesouros da Igreja, apresentou ao prefeito os pobres que ela sustentava, e que morreu queimado lentamente sobre uma grelha. A Igreja o celebra a 10 de agosto, com uma festa de II classe precedida de vigília no calendário de 1962, e o nomeia todos os dias no Cânon da Missa.
Muitas cidades brasileiras levam o seu nome — São Lourenço em Minas, São Lourenço do Sul, São Lourenço da Mata —, herança dos colonizadores que lhe dedicavam capelas. Esta página é sobre o santo: a sua vida, o que se sabe com certeza e o que é tradição, a sua festa, a oração da Igreja e os seus patronatos.
Quem foi São Lourenço
Alban Butler resume com honestidade o que é certo: Lourenço era um dos sete diáconos que serviam a Igreja romana, cargo de grande confiança, ao qual estava ligado o cuidado dos bens da Igreja e a distribuição das esmolas aos pobres. Em 257 o imperador Valeriano publicou os seus editos contra os cristãos; no ano seguinte o papa São Sisto II foi preso e morto, e quatro dias depois o fiel Lourenço o seguiu no martírio. "É tudo o que se sabe com certeza da vida e da morte de São Lourenço", escreve Butler — e acrescenta que a piedade cristã adotou e consagrou como seus os pormenores transmitidos por Santo Ambrósio, pelo poeta Prudêncio e por outros.
Uma tradição espanhola o faz nascer em Huesca, no reino de Aragão; Roma, por sua vez, o venera desde o século IV como um dos seus maiores mártires, ao lado dos apóstolos Pedro e Paulo.
"Pai, para onde ides sem o vosso diácono?"
Segundo essas tradições, quando o papa Sisto era levado ao suplício, o seu diácono o seguia chorando e lhe dizia: "Pai, para onde ides sem o vosso diácono?" O papa respondeu: "Não te deixo, meu filho. Dentro de três dias me seguirás." Lourenço encheu-se de alegria; foi logo procurar os pobres, as viúvas e os órfãos e distribuiu entre eles todo o dinheiro que tinha nas mãos, chegando a vender os vasos sagrados para aumentar a soma.
Os tesouros da Igreja
O prefeito de Roma, informado dessas esmolas, imaginou que os cristãos escondiam grandes riquezas. Mandou chamar Lourenço e lhe disse, com ironia, que lhe constava que os sacerdotes ofereciam em cálices de ouro e que nos sacrifícios noturnos havia velas em candelabros de ouro: que entregasse esses tesouros ao imperador, pois a doutrina cristã mandava dar a César o que é de César. Lourenço respondeu sem se perturbar: "A Igreja é de fato rica, e o imperador não tem tesouro igual ao que ela possui. Mostrar-vos-ei uma parte preciosa; mas dai-me um pouco de tempo para pôr tudo em ordem e fazer o inventário." Recebeu três dias.
Durante esse tempo percorreu a cidade à procura dos pobres que a Igreja sustentava. No terceiro dia reuniu um grande número deles, pôs em fila os velhos, os cegos, os coxos, os aleijados, os leprosos, os órfãos e as viúvas, e foi convidar o prefeito a ver o tesouro da Igreja. Diante daquela multidão de misérias, o prefeito perguntou-lhe com ameaças onde estavam as riquezas prometidas. Lourenço respondeu: "Estes são os tesouros da Igreja."
É a frase pela qual o mundo cristão o conhece. Ela não é um gesto de retórica, é a doutrina da caridade: os pobres são de Cristo, e o que se dá a eles se dá a Ele. A Missa da sua festa toma por epístola a passagem de São Paulo sobre a esmola, que cita o salmo: "Distribuiu, deu aos pobres: a sua justiça permanece por todos os séculos" (Salmo 111,9, na numeração da Vulgata), e conclui que "Deus ama ao que dá com alegria" (2 Coríntios 9,7). Quem quiser aprofundar esse ensinamento encontrará a doutrina tradicional em as obras de misericórdia.
A grelha: o martírio de São Lourenço
Furioso, o prefeito gritou-lhe que não morreria logo, como desejava, mas pouco a pouco. Mandou preparar uma grande grelha com brasas por baixo, para que o mártir fosse assado lentamente. Lourenço foi despido e atado sobre aquele leito de ferro. Os cristãos viam o seu rosto envolto numa luz bela, e o seu corpo exalava um perfume suave. "O mártir não sentia os tormentos do perseguidor, tão ardente era o seu desejo de possuir a Cristo", diz Santo Agostinho; e Santo Ambrósio observa que, enquanto o corpo ardia nas chamas materiais, o fogo do amor divino era muito mais ativo no seu peito.
Depois de ter sofrido longo tempo, voltou-se para o juiz e disse-lhe sorrindo: "Mandai virar-me; deste lado já estou bem assado." E quando o carrasco o virou: "Já está cozido, podeis comer." Por fim, tendo rezado pela conversão de Roma, para que a fé de Cristo dali se espalhasse por todo o mundo, entregou a alma a Deus.
Prudêncio atribui à sua oração a conversão de Roma: vários senadores presentes, comovidos pela sua fortaleza, fizeram-se cristãos ali mesmo, tomaram o corpo aos ombros e o sepultaram com honra na Via Tiburtina.
O que é certo e o que é tradição
Butler não esconde que historiadores sérios duvidaram dos pormenores da apresentação dos pobres e do modo da morte: o bolandista Delehaye e Franchi de' Cavalieri rejeitaram inteiramente a tradição da grelha, e alguns pensam que Lourenço, como Sisto, teria sido decapitado. Outros a defendem, e Santo Ambrósio, Santo Agostinho e os Padres antigos a tinham por certa. O que ninguém contesta é o essencial: um diácono romano, administrador dos bens dos pobres, morto pela fé em 258, sepultado na Via Tiburtina e venerado desde então com uma devoção que poucos mártires conheceram. A grelha tornou-se o seu atributo em toda a arte cristã.
O culto de São Lourenço
Sobre o seu túmulo, no cemitério de Ciríaca, no ager Veranus, Constantino construiu a primeira capela, origem da basílica de São Lourenço Fora dos Muros, uma das cinco basílicas patriarcais de Roma. A cidade lhe dedicou dezenas de igrejas e oratórios. O seu nome está no Cânon romano, na lista dos santos do Communicantes, logo depois de São Sisto, Cornélio e Cipriano, de modo que todo sacerdote que celebra a Missa tradicional o invoca todos os dias.
Na Espanha, Filipe II dedicou-lhe o mosteiro do Escorial, em ação de graças pela vitória de São Quintino, obtida no dia da sua festa em 1557.
A festa de São Lourenço: 10 de agosto
No calendário de 1962, 10 de agosto é a festa de São Lourenço, mártir, de II classe. Ela é precedida, a 9 de agosto, da vigília de São Lourenço, uma das poucas vigílias que as rubricas de 1960 conservaram; até 1955 a festa tinha ainda uma oitava. A Missa do dia começa pelo intróito Confessio et pulchritudo; a epístola é a de São Paulo sobre a esmola (2 Coríntios 9,6-10) e o Evangelho é o do grão de trigo: "Se o grão de trigo, que cai na terra, não morrer, fica ele só: mas se ele morrer, produz muito fruto" (João 12,24-25).
Para situar a festa no ciclo do ano, veja o ano litúrgico.
As lágrimas de São Lourenço
Nas noites em torno de 10 de agosto, a Terra atravessa a chuva de meteoros que os astrônomos chamam Perseidas. Os cristãos da Itália, da Espanha e de Portugal deram-lhe um nome mais belo: as lágrimas de São Lourenço, ou as faíscas da sua grelha. É um costume popular, não uma doutrina — mas lembra, a cada verão do hemisfério norte, que o martírio de um diácono iluminou o céu da Igreja.
Oração de São Lourenço
A oração própria de São Lourenço é a coleta da sua festa no Missal de 1962. Ela pede a Deus, pela intercessão daquele que venceu o fogo do suplício, que apague em nós o fogo dos vícios.
Da nobis, quaesumus, omnipotens Deus: vitiorum nostrorum flammas exstinguere; qui beato Laurentio tribuisti tormentorum suorum incendia superare. Per Dominum nostrum Jesum Christum, Filium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum. Amen.
Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, vos suplicamos, apagar as chamas dos nossos vícios, vós que destes ao bem-aventurado Lourenço vencer os incêndios dos seus tormentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Para a devoção pessoal, pode-se rezar antes dela o versículo que a liturgia lhe aplica:
V. Distribuiu, deu aos pobres.
R. A sua justiça permanece por todos os séculos.
São Lourenço é padroeiro de quê?
Por causa do seu ofício, é padroeiro dos diáconos e dos que administram os bens da Igreja, e protetor dos pobres. Por causa do seu martírio, a devoção popular fez dele o padroeiro dos cozinheiros, dos padeiros e de todos os que trabalham com o fogo, e o invoca contra as queimaduras. É também, com São Pedro e São Paulo, um dos padroeiros de Roma, e titular de inúmeras paróquias e cidades no mundo inteiro.
Outros mártires romanos dos primeiros séculos têm a mesma fortaleza: veja a oração de São Sebastião, o soldado mártir, e a novena de Santa Cecília, a virgem que também está no Cânon. Para saber por que veneramos os santos e como a Igreja os honra, leia santos católicos.
Perguntas Frequentes
Quem foi São Lourenço?
Um dos sete diáconos da Igreja de Roma no século III, encarregado dos bens da Igreja e das esmolas aos pobres. Foi martirizado em agosto de 258, quatro dias depois do papa São Sisto II, na perseguição do imperador Valeriano.
Como morreu São Lourenço?
Segundo a tradição transmitida por Santo Ambrósio, Prudêncio e Santo Agostinho, foi queimado lentamente sobre uma grelha, e ainda gracejou com o juiz: "Mandai virar-me; deste lado já estou bem assado." Alguns historiadores pensam que foi decapitado; a morte pela fé em 258 é certa.
Qual é o dia de São Lourenço?
10 de agosto, festa de II classe no calendário de 1962, precedida da vigília a 9 de agosto.
O que significa "estes são os tesouros da Igreja"?
É a resposta de Lourenço ao prefeito que exigia as riquezas da Igreja: em vez de ouro, apresentou-lhe os pobres, os doentes, os órfãos e as viúvas que ela sustentava. Os pobres são o tesouro da Igreja porque neles se serve a Cristo.
São Lourenço é padroeiro de quê?
Dos diáconos, dos pobres, dos cozinheiros e de todos os que trabalham com o fogo; é invocado contra as queimaduras e é um dos padroeiros de Roma.
O que são as lágrimas de São Lourenço?
É o nome popular da chuva de meteoros das Perseidas, visível nas noites em torno da sua festa, a 10 de agosto. A piedade viu nelas as lágrimas do santo ou as faíscas da sua grelha.
Onde está o corpo de São Lourenço?
Em Roma, na basílica de São Lourenço Fora dos Muros, na Via Tiburtina, construída sobre o lugar onde foi sepultado em 258.
Siga a festa de São Lourenço e todo o calendário de 1962, com o Missal e o Breviário em latim e português, no aplicativo Iter Fidei. Participe do acesso antecipado aqui.
Fontes. Missal Romano (1962), Missa Confessio et pulchritudo, S. Lourenço Mártir, 10 de agosto, e vigília de 9 de agosto; Cânon romano (Communicantes); Martirológio Romano; Alban Butler, Vidas dos Santos, 10 de agosto; Santo Ambrósio, De Officiis, I, 41; Prudêncio, Peristephanon, II; Sagrada Escritura, tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (2 Coríntios 9,6-10; João 12,24-26; Salmo 111,9).