Orações
Oração de São Sebastião: Mártir de Cristo, Padroeiro do Rio
A oração popular a São Sebastião e a coleta do Missal, mártir romano invocado contra as pestes, que a tradição apresenta como soldado. Conheça a vida do padroeiro do Rio de Janeiro e como rezar com fé.

Quando você reza a oração de São Sebastião, você se coloca sob a proteção de um soldado romano que preferiu ser crivado de flechas a renegar Jesus Cristo. Não é um amuleto contra o azar nem uma figura de força bruta: São Sebastião é um mártir do século III, hoje no Céu, invocado há mais de mil anos como protetor contra as pestes, as epidemias e a guerra. É a ele, intercessor diante de Deus, que dirigimos a nossa súplica — e é ele que dá o nome à cidade do Rio de Janeiro.
A oração a São Sebastião
Nota de honestidade. A súplica abaixo é devoção popular, sem texto litúrgico nem aprovação própria; a oração oficial da Igreja é a coleta da festa dos Santos Fabião e Sebastião no Missal de 1962 (20 de janeiro), que damos logo depois.
Eis o texto popular, rezado há gerações nas igrejas e nos lares brasileiros, sobretudo nos tempos de doença e de medo. Repare que cada pedido passa por Cristo: São Sebastião não cura sozinho, ele roga ao Senhor por quem deu a própria vida.
Glorioso mártir São Sebastião, soldado de Cristo e exemplo de cristão, hoje pedimos a vossa intercessão junto ao trono do Senhor Jesus, nosso Salvador, por Quem destes a vida.
Glorioso mártir São Sebastião, protegei a nós e aos nossos contra o contágio da peste, as epidemias, as doenças e a fome; defendei nossos rebanhos e nossas plantações, que são dons de Deus para o nosso bem e para o bem de todos; livrai-nos da guerra e defendei-nos do pecado, que é o maior de todos os males.
São Sebastião, rogai por nós, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.
Reze em seguida 1 Pai-Nosso e 1 Ave-Maria. Esse fecho não é detalhe: é o que ancora a oração na fé da Igreja e impede que ela vire simpatia ou superstição.
Na liturgia, a Igreja invoca o santo na Ladainha de Todos os Santos, junto com o papa São Fabião: Sancti Fabiane et Sebastiane, orate pro nobis ("São Fabião e São Sebastião, rogai por nós"). E na festa de 20 de janeiro reza esta coleta:
Infirmitátem nostram réspice, omnípotens Deus: et, quia pondus própriæ actiónis gravat, beatórum Mártyrum tuórum Fabiáni et Sebastiáni intercéssio gloriósa nos prótegat. Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum. Amen.
Ó Deus onipotente, olhai para a nossa fraqueza, e, visto que estamos oprimidos sob o peso das nossas próprias ações, fazei que sejamos protegidos pela gloriosa intercessão dos vossos bem-aventurados Mártires Fabião e Sebastião. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que, sendo Deus, vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
A novena de São Sebastião
Quando o pedido é grande — uma doença na família, uma graça importante, a festa de 20 de janeiro que se aproxima — a tradição católica nos ensina a perseverar na oração por nove dias seguidos. É a novena de São Sebastião, costume antigo que prepara a alma e firma a confiança. Não há nada de mágico no número nove: ele recorda os nove dias em que os Apóstolos e a Virgem Maria perseveraram em oração entre a Ascensão e Pentecostes, à espera do Espírito Santo.
Para rezar a novena, escolha um horário fixo e, em cada um dos nove dias, faça assim:
- Comece com o sinal da cruz e um ato de contrição.
- Reze a oração popular a São Sebastião (o texto acima).
- Apresente em silêncio a graça que pede, sempre acrescentando "se for da vontade de Deus".
- Feche com 1 Pai-Nosso, 1 Ave-Maria e 1 Glória ao Pai.
Quem deseja preparar a festa começa a novena no dia 11 de janeiro, de modo que o nono dia caia em 20 de janeiro. A graça que pedimos não é arrancada de Deus pela insistência, como se Ele relutasse: a novena muda a nós, abre o nosso coração e nos dispõe a receber o que Deus, na sua bondade, quiser conceder.
Quem foi São Sebastião
São Sebastião nasceu por volta do ano 256, de família cristã originária de Narbona, na Gália, e criado em Milão. Ainda jovem, alistou-se no exército romano e subiu depressa: tornou-se oficial da guarda pretoriana do imperador Diocleciano, em Roma — uma posição de grande confiança e prestígio.
Mas Sebastião era cristão em segredo. Usava a própria posição para uma missão perigosa: visitava os cristãos presos, encorajava os que vacilavam diante do martírio, socorria as famílias e enterrava os mortos. Segundo a tradição, a sua firmeza converteu muitos, inclusive carcereiros e soldados.
Quando se descobriu que o oficial de confiança do imperador era cristão, Diocleciano sentiu-se traído. Mandou amarrá-lo a um poste e ordenou aos arqueiros que o matassem a flechadas. Sebastião foi crivado de setas e dado por morto — é assim que a arte cristã o eternizou, atado e trespassado. Mas ele sobreviveu. Recolhido e curado por Santa Irene, viúva do mártir São Castulo, recuperou-se das feridas.
Aqui está o detalhe que faz de Sebastião um mártir entre os mártires: tão logo se restabeleceu, em vez de fugir, ele voltou à presença de Diocleciano para repreendê-lo pela perseguição aos cristãos. O imperador, furioso, mandou então açoitá-lo até a morte e lançar o seu corpo na Cloaca Máxima, o esgoto de Roma, para que não fosse venerado. Era por volta do ano 288. Os cristãos recuperaram seus restos e o sepultaram nas catacumbas da Via Ápia, sobre as quais se ergueu a basílica que hoje leva o seu nome.
Por que é o protetor contra a peste
A fama de São Sebastião como protetor contra a peste vem de um episódio concreto. No ano de 680, uma terrível epidemia assolava Roma. Segundo o relato transmitido pela tradição, a peste cessou quando se ergueu um altar em honra de São Sebastião na basílica de São Pedro Acorrentado e suas relíquias foram veneradas em procissão. Daí em diante, em cada surto de peste que varreu a Europa medieval, era a São Sebastião — junto com São Roque — que os fiéis recorriam.
Não há nisso nenhuma magia. O cristão pede ao santo que rogue a Deus por nós, como pediríamos a um amigo poderoso que intercedesse. As flechas que trespassaram Sebastião eram vistas, na linguagem da época, como imagem da própria peste, que "feria" o corpo de repente — e quem venceu as flechas dos homens podia, pela graça de Deus, abrandar a "flecha" da doença.
São Sebastião e o Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro não se chama assim por acaso na sua história sagrada. A cidade foi fundada por Estácio de Sá em 1565 com o nome de São Sebastião do Rio de Janeiro, em honra do mártir e também do rei Dom Sebastião de Portugal, que então reinava. São Sebastião tornou-se o padroeiro da cidade, e a data do seu martírio, 20 de janeiro, é feriado municipal até hoje, marcado por missas e por uma grande procissão que atravessa o centro.
Vale dizer com clareza, com a mesma caridade de sempre: o verdadeiro São Sebastião é o mártir cristão, e não qualquer entidade do sincretismo. Onde se tentou associá-lo a figuras de outras religiões, perdeu-se exatamente o que o fez santo — a sua fidelidade a Cristo até o sangue. Rezar a São Sebastião é invocar esse soldado de Cristo, e somente ele.
A Catedral e as igrejas de São Sebastião
A devoção ao mártir está gravada na pedra de incontáveis templos. A Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, no centro da cidade, é dedicada ao padroeiro e abriga, junto ao altar, os restos do venerável bispo dom Antônio de Mariana — sinal de que a memória dos santos e dos pastores caminha junto. Em todo o Brasil há igrejas e paróquias de São Sebastião, muitas das mais antigas do país, porque o santo acompanhou a colonização e a fé do povo desde o século XVI.
Visitar uma igreja dedicada a São Sebastião, rezar diante da sua imagem e, sobretudo, participar da Santa Missa, é o coração da devoção. A oração particular nos une ao santo; a Missa nos une ao próprio Cristo, por Quem Sebastião deu a vida. Se houver imagem do mártir — em geral o jovem soldado atado e trespassado por flechas —, podemos rezar ali, acender uma vela como sinal exterior da nossa súplica, e nunca como rito mágico ou troca de favores.
"São Sebastião santo": como a Igreja o reconhece
Muitos buscam simplesmente por "São Sebastião santo", querendo saber quem de fato é essa figura tão presente nas casas e nas cidades brasileiras. A resposta da Igreja é límpida: Sebastião é um santo mártir, isto é, um cristão que selou a sua fé com o próprio sangue. O seu culto é dos mais antigos da cristandade — já no século IV a sua sepultura na Via Ápia era lugar de peregrinação, e a Depositio Martyrum de 354 já registrava a sua festa em 20 de janeiro.
Ser santo, na fé católica, não significa ser um deus menor nem um espírito a ser apaziguado. Significa estar com Deus, no Céu, vivo em Cristo, capaz de interceder por nós. Por isso o invocamos com a fórmula de sempre: "São Sebastião, rogai por nós" — pedimos que ele reze por nós, não que nos atenda em lugar de Deus.
O que a Escritura ensina sobre o martírio
A coragem de Sebastião — voltar à corte para repreender o imperador, sabendo o que o esperava — só se entende à luz das palavras do próprio Senhor:
E não temais aos que matam o corpo, e não podem matar a alma: Temei antes porém ao que pode lançar no inferno tanto a alma como o corpo. (Mateus 10, 28)
Sebastião não temeu as flechas porque temia primeiro a Deus. E ao morrer, fez suas as palavras de São Paulo, que também enfrentou Roma:
Eu pelejei uma boa peleja, acabei a minha carreira, guardei a Fé. Pelo mais me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia. (II Timóteo 4, 7-8)
Essa é a chave de toda devoção ao santo: a verdadeira proteção que pedimos não é apenas contra a doença do corpo, mas contra "o maior de todos os males", o pecado, que mata a alma. São Sebastião venceu o combate. Pedimos que nos alcance a graça de vencer o nosso.
Como e quando rezar a São Sebastião
Você pode rezar a oração de São Sebastião a qualquer momento, mas alguns costumes ajudam a manter a devoção firme e católica:
- No dia 20 de janeiro, sua festa, dia ideal para uma novena ou uma comunhão em sua intenção, especialmente no Rio de Janeiro.
- Em tempo de doença ou epidemia, pela saúde dos enfermos, dos médicos e de toda a comunidade.
- Diante de uma imagem do santo, acendendo uma vela como sinal de oração — nunca como rito mágico.
- Sempre fechando com o Pai-Nosso e a Ave-Maria, para que a oração permaneça centrada em Deus.
Se você quer aprofundar a devoção aos santos mártires e protetores, conheça a oração de São Jorge, outro soldado de Cristo, e a oração de São Bento, tradicional contra todo mal. E para a oração de proteção por excelência, reze o Salmo 91, "aquele que habita no abrigo do Altíssimo".
Perguntas Frequentes
Qual é a verdadeira oração de São Sebastião?
A oração popular começa com "Glorioso mártir São Sebastião, soldado de Cristo" e pede proteção contra a peste, as epidemias, a fome, a guerra e o pecado. O texto completo está no início deste artigo. O essencial é rezar entendendo que toda a proteção vem de Jesus Cristo, sendo São Sebastião o intercessor que rogou por nós.
Por que São Sebastião protege contra a peste?
Porque, no ano de 680, uma epidemia em Roma cessou após a veneração de suas relíquias em procissão. Desde então, em cada surto de peste na Europa medieval, os fiéis recorriam a ele. As flechas do seu martírio eram vistas como imagem da doença, e o mártir que as venceu passou a ser invocado contra ela.
Quando é o dia de São Sebastião?
A festa de São Sebastião é celebrada em 20 de janeiro, dia tradicional do seu martírio, ocorrido por volta do ano 288 sob o imperador Diocleciano. No Rio de Janeiro, é feriado municipal, marcado por missas e procissão.
Por que São Sebastião é o padroeiro do Rio de Janeiro?
Porque a cidade foi fundada por Estácio de Sá em 1565 com o nome de São Sebastião do Rio de Janeiro, em honra do mártir e do então rei Dom Sebastião de Portugal. O santo é o padroeiro da cidade desde a sua fundação.
Posso pedir proteção a São Sebastião contra doenças?
Sim. Pedir a intercessão dos santos é prática católica antiquíssima. Pedimos a São Sebastião que rogue a Deus por nós, pela saúde do corpo e, sobretudo, da alma. O que a Igreja sempre reprovou é usar a oração como amuleto ou magia, desligada da fé em Cristo.
Como rezar a novena de São Sebastião?
Rezando, por nove dias seguidos e em horário fixo, a oração popular a São Sebastião, seguida do pedido feito em silêncio e do Pai-Nosso, da Ave-Maria e do Glória ao Pai. Para preparar a festa, começa-se em 11 de janeiro, de modo que o nono dia caia em 20 de janeiro, dia do santo. A novena não força a mão de Deus: ela dispõe o nosso coração a receber a graça que Ele queira conceder.
Como reconhecer uma imagem de São Sebastião?
Quase sempre ele é representado como um jovem soldado, atado a um poste ou a uma árvore e trespassado por flechas — a cena do seu martírio sob Diocleciano. As flechas o distinguem de outros santos militares, como São Jorge, montado a cavalo e lanceando o dragão. Diante de qualquer imagem do mártir, rezamos pedindo a sua intercessão junto a Deus.
São Sebastião santo é o mesmo da cidade de São Sebastião?
As cidades, praias e bairros chamados São Sebastião recebem o nome em honra do mesmo mártir cristão do século III. A devoção ao santo, trazida por Portugal, batizou inúmeros lugares do Brasil, a começar pela própria cidade do Rio de Janeiro. O santo é um só: o soldado de Cristo morto por flechas, hoje no Céu.
São Sebastião é uma entidade de outra religião?
Não. São Sebastião é um mártir cristão do século III, um soldado romano que morreu por Cristo. Onde o sincretismo tentou associá-lo a outras figuras, perdeu-se exatamente o que o fez santo: a sua fidelidade ao único Deus verdadeiro até a morte. Rezar a São Sebastião é invocar esse soldado de Cristo no Céu.
O aplicativo Iter Fidei traz as orações, as novenas e os santos do dia, em latim e português, com áudio. Participe do acesso antecipado aqui.
Fontes. Bíblia Sagrada, trad. Pe. António Pereira de Figueiredo (Mateus 10, 28; II Timóteo 4, 7-8) — corpus Iter Fidei; Acta Sanctorum e Martirológio Romano (festa de 20 de janeiro, martírio sob Diocleciano); Depositio Martyrum do Cronógrafo de 354 (culto antigo e festa de 20 de janeiro); tradição da cessação da peste de Roma no ano 680; história da fundação de São Sebastião do Rio de Janeiro por Estácio de Sá (1565) e Catedral Metropolitana de São Sebastião; oração e novena tradicionais brasileiras a São Sebastião contra as epidemias; jaculatória litúrgica latina "Sancte Sebastiane, ora pro nobis".