Orações
Oração de São Vicente de Paulo, Pai dos Pobres
A oração tradicional a São Vicente de Paulo, apóstolo da caridade, fundador dos Lazaristas e das Filhas da Caridade — com a vida deste pai dos pobres e o modo de rezá-la.

São Vicente de Paulo é o santo que a Igreja chama, com toda a justiça, de pai dos pobres. Sacerdote francês do século XVII, fundador dos Lazaristas (a Congregação da Missão) e, com Santa Luísa de Marillac, das Filhas da Caridade, ele fez da misericórdia para com os necessitados o caminho próprio da sua santidade. Damos abaixo a oração de São Vicente de Paulo na sua forma tradicional, com a vida deste apóstolo da caridade e o modo de rezá-la.
A oração de São Vicente de Paulo
Reze esta oração devagar, pedindo a intercessão do santo e, com ela, o dom de amar os pobres como ele os amou:
Ó glorioso São Vicente de Paulo,
pai e protetor dos pobres,
a quem Deus deu um coração tão grande
que parecia abraçar todas as misérias dos homens:
alcançai-nos de Deus aquela caridade ardente
que vos fez ver, no rosto de cada pobre,
a face do próprio Cristo sofredor.Vós, que serviste os enfermos, os enjeitados,
os cativos e os famintos,
ensinai-nos a não fechar o coração
diante do irmão que padece,
mas a socorrê-lo por amor de Deus,
com mãos generosas e sem alarde.Obtende-nos a graça de uma fé viva,
de uma humildade verdadeira
e de uma caridade que não busca a si mesma,
para que, servindo a Cristo nos pobres nesta vida,
mereçamos com vós contemplá-lo na glória.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Costuma-se rezar em seguida um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai, oferecendo-os pelas intenções que você confia ao santo — em especial, por uma obra de misericórdia que pretenda realizar.
"Deus é caridade": o segredo de São Vicente
Toda a vida de São Vicente cabe numa palavra de São João: "Deus é Caridade: E assim aquele que permanece na caridade, permanece em Deus e Deus nele" (I João 4, 16). Vicente não inventou uma teoria social; ele tomou o Evangelho ao pé da letra. Sabia que o Senhor havia identificado a si mesmo com cada pobre: "Porque tive fome, e destes-me de comer: Tive sêde, e destes-me de beber: Era hóspede, e recolhestes-me" (Mateus 25, 35), e que o juízo final se faria sobre isto mesmo: "quantas vezes vós fizestes isto a um dêstes meus irmãos mais pequeninos, a mim é que o fizestes" (Mateus 25, 40).
Por isso ele dizia às suas Filhas da Caridade que, se precisassem deixar a oração para socorrer um doente, não estariam abandonando a Deus, mas deixando Deus por Deus. A caridade que ele praticava não era um sentimento brando: "Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade" (I João 3, 18). Era a religião na sua forma mais pura, aquela que São Tiago define: "A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai consiste nisto: Em visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições" (Tiago 1, 27).
E essa caridade brotava da fé e da oração, nunca contra elas. São Paulo já havia advertido: "E se eu distribuir todos os meus bens em o sustento dos pobres... se todavia não tiver caridade, nada disto me aproveita" (I Coríntios 13, 3). Vicente servia os pobres porque amava primeiro a Deus — eis a ordem que distingue a caridade de São Vicente de Paulo de qualquer mero ativismo filantrópico.
Quem foi São Vicente de Paulo
Vicente nasceu por volta de 1581 em Pouy, na Gasconha, no sudoeste da França, numa família camponesa pobre. Foi pastor de porcos na infância. Ordenado sacerdote ainda jovem, em 1600, buscou no começo uma carreira tranquila e benefícios eclesiásticos. Deus o levou por outro caminho.
Segundo a tradição, foi capturado por corsários e vendido como escravo em Túnis, no norte da África, vivendo cativo durante cerca de dois anos antes de fugir e regressar à França. A experiência da miséria humana marcou-o para sempre. De volta, foi pároco e capelão; e numa confissão geral feita por um camponês moribundo descobriu a tremenda ignorância religiosa do povo do campo. Dali nasceu a sua vocação: evangelizar os pobres e formar bons sacerdotes.
Em 1617 começou a organizar as primeiras Confrarias da Caridade, grupos de senhoras que socorriam os doentes nas paróquias. Em 1625 fundou a Congregação da Missão, cujos padres ficaram conhecidos como Lazaristas (do priorado de São Lázaro, em Paris) ou Vicentinos. E em 1633, com Santa Luísa de Marillac, fundou as Filhas da Caridade — religiosas que, contra todo o costume da época, saíam dos conventos para servir nos hospitais, nas ruas e nos campos de batalha. "Tendes por mosteiro as casas dos enfermos", dizia-lhes Vicente; "por capela, a igreja paroquial; por claustro, as ruas da cidade."
Acolheu crianças enjeitadas, resgatou galés e cativos, socorreu províncias devastadas pela guerra e pela fome e formou o clero. Conselheiro de reis e rainhas, jamais perdeu o coração do pastor de porcos da Gasconha. Morreu em Paris, em 27 de setembro de 1660, com quase oitenta anos. Foi beatificado em 1729 e canonizado em 1737 pelo papa Clemente XII. Em 1885, o papa Leão XIII proclamou-o patrono de todas as obras de caridade da Igreja. A Igreja celebra sua festa em 27 de setembro. Conheça também a vida de outros santos católicos da tradição.
Frases de São Vicente de Paulo
São Vicente deixou nas suas cartas e conferências às Filhas da Caridade e aos Lazaristas algumas das frases mais incisivas da espiritualidade da caridade. Não são máximas para enfeitar paredes, mas palavras que ele primeiro viveu. Reunimos aqui algumas das mais conhecidas, fiéis ao seu ensino:
"Tendes por mosteiro as casas dos enfermos; por cela, um quarto de aluguel; por capela, a igreja paroquial; por claustro, as ruas da cidade." (às Filhas da Caridade)
"Se, na hora da oração, for preciso ir socorrer um pobre doente, ide tranquilas: deixareis Deus por Deus."
"Amemos a Deus, irmãos meus, amemos a Deus; mas seja com a força dos braços, seja com o suor do rosto."
"Os pobres são nossos senhores e nossos mestres."
A última resume tudo: para Vicente, servir o pobre não era condescendência, mas reverência ao próprio Cristo nele escondido — "a mim é que o fizestes" (Mateus 25, 40). Uma frase só vale, dizia ele, quando se converte em obra.
A imagem de São Vicente de Paulo
A imagem de São Vicente de Paulo mostra-o quase sempre como um sacerdote idoso, de batina simples e gola larga, rosto magro e bondoso, à maneira dos retratos do seu tempo. Os atributos que o identificam na arte católica são claros: traz uma criança enjeitada nos braços ou crianças aos pés — lembrança das obras pelos meninos abandonados de Paris; muitas vezes segura um crucifixo que aponta a fonte de toda a sua caridade. Pode aparecer rodeado de Filhas da Caridade, reconhecíveis pela antiga touca branca de abas largas (a cornette), ou de pobres e enfermos a quem socorre.
Diante de uma imagem ou estampa do santo, não se reza à figura, mas a Deus, pedindo a intercessão daquele que ela representa. A imagem serve de lembrança e estímulo: olhar o pai dos pobres com a criança nos braços é recordar a quem devemos, nós também, abrir o coração.
Como e quando rezar a São Vicente de Paulo
Reze esta oração quando quiser interceder pelos pobres — pelos famintos, pelos doentes, pelos abandonados, pelos encarcerados — ou quando você mesmo estiver chamado a praticar uma obra de misericórdia e precisar de um coração mais largo para fazê-la. São Vicente é o padroeiro certo para isso.
É devoção antiga rezar-lhe nos nove dias que antecedem sua festa, de 18 a 26 de setembro, à maneira de uma novena, pedindo a graça de servir a Cristo nos mais pequeninos. As Conferências Vicentinas de São Vicente de Paulo — fundadas no século XIX pelo beato Frederico Ozanam, inspiradas no santo — espalharam pelo mundo inteiro essa caridade discreta, feita de visita a visita, de casa em casa.
E não se esqueça: a melhor oração a São Vicente é a que termina numa obra. Visite um doente, dê de comer a quem tem fome, console quem chora. A oração vocal abre o coração; a esmola e o serviço o confirmam. Como ensina São João, "O que tiver riquezas dêste mundo, e vir a seu irmão ter necessidade, e lhe fechar as suas entranhas: Como está nele a caridade de Deus?" (I João 3, 17).
Para acompanhar esta devoção, veja também a nossa oração de São Francisco de Assis, o pobre de Assis, a oração de Santo Antônio e a oração de São José. E porque toda a vida de São Vicente foi um hino à caridade, vale rezar também a oração da Caritas, súplica que pede a Deus o dom de amar como Ele ama; reúna todas elas nas nossas orações católicas.
Perguntas Frequentes
Quem foi São Vicente de Paulo?
Foi um sacerdote francês (c. 1581-1660), nascido camponês pobre na Gasconha, que se tornou o grande apóstolo da caridade do século XVII. Fundou a Congregação da Missão (os Lazaristas) e, com Santa Luísa de Marillac, as Filhas da Caridade, dedicando a vida a evangelizar e socorrer os pobres, doentes, cativos e crianças abandonadas.
Qual é o dia de São Vicente de Paulo?
A Igreja celebra sua festa em 27 de setembro, dia em que ele morreu, em Paris, no ano de 1660. Foi canonizado em 1737 pelo papa Clemente XII e proclamado patrono de todas as obras de caridade pelo papa Leão XIII em 1885.
O que são os Lazaristas e as Filhas da Caridade?
Os Lazaristas (ou Vicentinos) são os padres da Congregação da Missão, fundada por São Vicente em 1625 para evangelizar o povo do campo e formar o clero; o nome vem do priorado de São Lázaro, em Paris. As Filhas da Caridade, fundadas em 1633 com Santa Luísa de Marillac, são religiosas que servem os pobres e enfermos fora dos claustros, nas casas, hospitais e ruas.
Por que São Vicente de Paulo é chamado de "pai dos pobres"?
Porque dedicou inteiramente sua vida a servir os necessitados — famintos, doentes, enjeitados, cativos, vítimas de guerra — vendo em cada um o rosto do próprio Cristo, segundo o Evangelho: "quantas vezes vós fizestes isto a um dêstes meus irmãos mais pequeninos, a mim é que o fizestes" (Mateus 25, 40). Por isso a Igreja o constituiu patrono universal das obras de caridade.
O que são as Conferências Vicentinas de São Vicente de Paulo?
São associações de leigos que praticam a caridade discreta, visitando e socorrendo famílias pobres, inspiradas em São Vicente. Foram fundadas em 1833 pelo beato Frederico Ozanam, em Paris, e hoje existem no mundo inteiro, incluindo o Brasil. Não confundir com a Congregação da Missão (os padres lazaristas), embora ambas se inspirem no mesmo santo.
Como devo rezar a São Vicente de Paulo?
Reze a oração a ele dirigida pedindo sua intercessão pelos pobres e a graça de praticar a caridade; acrescente um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai. Mas lembre-se de que a oração a São Vicente pede para ser confirmada por uma obra concreta de misericórdia: "não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade" (I João 3, 18).
Quais são as frases mais conhecidas de São Vicente de Paulo?
Algumas das mais célebres são: "Os pobres são nossos senhores e nossos mestres"; "deixareis Deus por Deus" (dito às Filhas da Caridade quando precisassem interromper a oração para socorrer um doente); e "amemos a Deus... seja com a força dos braços, seja com o suor do rosto". Todas exprimem a mesma convicção: a caridade só é verdadeira quando se faz obra.
Como São Vicente de Paulo é representado nas imagens?
Costuma ser representado como um sacerdote idoso de batina simples, segurando uma criança enjeitada nos braços ou um crucifixo, por vezes rodeado de Filhas da Caridade (com a antiga touca branca) e de pobres. A imagem não é objeto de culto: ela apenas recorda o santo a quem pedimos intercessão diante de Deus.
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Fontes. Escritura: Bíblia Sagrada, tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo (Vulgata) — Mateus 25, 35.40; I Coríntios 13, 3; I João 3, 17-18; I João 4, 16; Tiago 1, 27. Vida de São Vicente de Paulo: cartas e conferências do próprio santo aos Lazaristas e às Filhas da Caridade; biografia de Louis Abelly, La Vie du Vénérable Serviteur de Dieu Vincent de Paul (1664); atos de canonização (Clemente XII, 1737) e breve de Leão XIII (1885) que o constitui patrono das obras de caridade.