Ano litúrgico
O Ano Litúrgico: O Calendário da Igreja
O que é o ano litúrgico e quais são os tempos litúrgicos da Igreja: Advento, Natal, Quaresma, Tríduo Pascal, Páscoa e Tempo Comum. Um guia do calendário católico tradicional, festa por festa, com as cores e o sentido de cada tempo.

O ano litúrgico é o modo como a Igreja mede o tempo. Enquanto o mundo conta os meses pelo calendário civil, a Igreja conta os seus dias pelos mistérios de Cristo: a sua espera, o seu nascimento, a sua Paixão, a sua Ressurreição e o dom do Espírito Santo. Ao longo de um ano inteiro, a liturgia faz desfilar diante de nós toda a vida do Senhor, para que não a recordemos apenas, mas a vivamos. Neste artigo veremos o que é o ano litúrgico e quais são os tempos litúrgicos, segundo o calendário tradicional da Igreja.
O que é o ano litúrgico
O ano litúrgico é o ciclo das festas e tempos pelos quais a Igreja, no decorrer de doze meses, celebra a obra inteira da Redenção. Não começa em 1º de janeiro, como o ano civil, mas no primeiro domingo do Advento, no fim de novembro. A partir daí, semana após semana, a Igreja nos conduz por uma grande peregrinação que vai da promessa do Salvador até a sua glória, e que se reabre todos os anos como uma espiral que sempre sobe.
Cada tempo tem a sua cor litúrgica, que o sacerdote veste no altar: o roxo da penitência e da espera (Advento e Quaresma); o branco da alegria pura (Natal e Páscoa); o vermelho do sangue dos mártires e do fogo do Espírito Santo; o verde da esperança que cresce, nos longos domingos do ano; e o preto do luto, nas Missas dos fiéis defuntos. É na Missa tridentina, a Missa de sempre, que essas cores e esses tempos guardam toda a sua eloquência.
Dois grandes ciclos sustentam todo o calendário. O ciclo do Natal gira em torno do nascimento de Cristo (Advento, Natal, Epifania), e o ciclo da Páscoa gira em torno da Ressurreição (Quaresma, Tríduo, Páscoa, Pentecostes). Entre um e outro, e depois de ambos, estende-se o Tempo Comum. Vejamos cada tempo.
Quais são os tempos litúrgicos
O Advento
O Advento abre o ano da Igreja. São as quatro semanas que precedem o Natal, em que a alma se prepara para celebrar o nascimento de Cristo e, ao mesmo tempo, espera a sua vinda na glória. É um tempo de silêncio e de desejo, em que repetimos com os profetas o clamor de séculos: "Vinde, Senhor". O sacerdote veste o roxo e suspende-se o canto do Glória, como quem retém o júbilo até a noite de Belém. Saiba tudo sobre o Advento e a preparação para o Natal.
A cada domingo acende-se uma nova vela, sinal da luz que se aproxima: entenda o significado das velas da coroa do Advento.
O Natal e a Epifania
Vencida a espera, irrompe a alegria. No dia 25 de dezembro a Igreja celebra a Natividade do Senhor: o Verbo se fez carne e habitou entre nós (sobre a data e a história desse dia, veja quando Jesus nasceu). O tempo do Natal prolonga-se por semanas e tem o seu segundo grande dia na Epifania, em 6 de janeiro, quando os Reis Magos adoram o Menino e Cristo se manifesta às nações. As vestes são brancas e a Igreja canta sem cessar o Glória in excelsis Deo. É o tempo da ternura e da luz.
O Tempo Comum (depois da Epifania e depois de Pentecostes)
Entre os grandes tempos festivos estende-se o Tempo Comum, chamado na tradição "tempo depois da Epifania" e "tempo depois de Pentecostes". A cor é o verde, cor da esperança. Não há aqui uma festa que domine tudo, mas o desdobrar sereno da vida cristã: a Igreja medita o ensino e os milagres do Senhor e caminha, domingo após domingo, rumo à eternidade. É o tempo mais longo do ano.
A Quaresma e a Quarta-feira de Cinzas
Quarenta dias antes da Páscoa, a Igreja entra na Quaresma, o grande tempo de penitência. Ela começa na Quarta-feira de Cinzas, em que o sacerdote impõe a cinza sobre a fronte dos fiéis dizendo: "Lembra-te, ó homem, que és pó e ao pó hás de voltar". São quarenta dias de jejum, oração e esmola, à imitação dos quarenta dias de Cristo no deserto. As vestes são roxas e cala-se o Aleluia. Veja o sentido da Quaresma e o rito da Quarta-feira de Cinzas, bem como a prática tradicional do jejum e da abstinência e a pergunta sobre comer carne na sexta-feira. Um exercício muito querido deste tempo é a Via-Sacra, em que se acompanha o Senhor de estação em estação até o Calvário.
A Semana Santa e o Tríduo Pascal
A Quaresma culmina na Semana Santa, a mais solene de todo o ano. Ela se abre com o Domingo de Ramos, em que se celebra a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém. No seu coração está o Tríduo Pascal — a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira Santa e a Vigília Pascal —, três dias que formam uma única celebração: a passagem do Senhor da morte para a vida. Acompanhe dia a dia a Semana Santa, o ápice de todo o calendário cristão.
Para meditar cada um desses dias, veja a Quinta-feira Santa, com a Última Ceia e a instituição da Eucaristia e do sacerdócio, e o sentido do Tríduo Pascal, coração de todo o ano litúrgico.
A Páscoa e o tempo pascal
Da Cruz e do sepulcro brota enfim a luz: a Páscoa, a festa das festas. Cristo ressuscitou, vencendo a morte, e a Igreja explode em Aleluias que tinham sido calados durante toda a Quaresma. As vestes são brancas e o círio pascal arde junto ao altar. O tempo pascal dura cinquenta dias e é o mais alegre do ano. Saiba o que celebra a Páscoa, o centro de toda a nossa fé.
Pentecostes
Cinquenta dias depois da Páscoa, a Igreja celebra Pentecostes, a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos com a Virgem no Cenáculo. As vestes são vermelhas, cor do fogo. É o dia de nascimento da Igreja, que sai do Cenáculo cheia do Espírito para anunciar o Evangelho a todas as nações. Com Pentecostes encerra-se o grande ciclo pascal e reabre-se o Tempo depois de Pentecostes.
Corpus Christi e as festas do verão litúrgico
Logo após Pentecostes, a Igreja celebra a Santíssima Trindade e, na quinta-feira seguinte, Corpus Christi, a solene festa do Corpo e Sangue de Cristo na Eucaristia, com as suas procissões e o Santíssimo levado pelas ruas sob o pálio. É uma das festas mais amadas do povo católico e abre o longo tempo verde até o fim do ano.
Finados e o fim do ano litúrgico
Ao se aproximar o fim do ciclo, a Igreja volta o olhar para as realidades últimas. Em 1º de novembro celebra-se Todos os Santos e, no dia 2, Finados, a comemoração de todos os fiéis defuntos, em que oramos pelas almas do Purgatório. As Missas são de cor preta. Pouco depois, o último domingo após Pentecostes fala-nos do fim dos tempos, e o ano se fecha para reabrir-se no Advento.
Pouco antes, no último domingo de outubro, o calendário tradicional celebra a festa de Cristo Rei, instituída por Pio XI em 1925 para proclamar a realeza de Nosso Senhor sobre as almas e sobre as sociedades.
Os domingos e os dias santos de guarda
Sobre toda esta sucessão de tempos repousa um ritmo mais fundo: o domingo, dia do Senhor, em que se celebra todas as semanas a Ressurreição. Cada domingo é uma pequena Páscoa, e por isso a Igreja obriga os fiéis a ouvir Missa. A estes juntam-se os dias santos de guarda, festas tão importantes que a Igreja manda celebrá-las como aos domingos. Assim o ano litúrgico não é um simples quadro de datas, mas uma escola de santidade que, semana após semana, nos conforma a Cristo.
Perguntas Frequentes
O que é o ano litúrgico?
O ano litúrgico é o ciclo das festas e tempos pelos quais a Igreja celebra, ao longo de doze meses, toda a obra da Redenção: a espera, o nascimento, a Paixão, a Ressurreição de Cristo e o dom do Espírito Santo. Ele não começa em 1º de janeiro, mas no primeiro domingo do Advento.
Quais são os tempos litúrgicos?
Os tempos litúrgicos são: o Advento, o Natal (com a Epifania), a Quaresma, o Tríduo Pascal, a Páscoa (com Pentecostes) e o Tempo Comum, chamado na tradição "tempo depois da Epifania" e "tempo depois de Pentecostes".
Quando começa o ano litúrgico?
O ano litúrgico começa no primeiro domingo do Advento, que cai no domingo mais próximo da festa de Santo André (30 de novembro), no fim de novembro. Encerra-se cerca de um ano depois, no último domingo após Pentecostes, antes de reabrir-se no Advento seguinte.
O que significam as cores litúrgicas?
Cada cor exprime o sentido de um tempo: o roxo é penitência e espera (Advento e Quaresma); o branco é alegria pura (Natal e Páscoa); o vermelho é o sangue dos mártires e o fogo do Espírito Santo (Pentecostes); o verde é a esperança (Tempo Comum); e o preto é o luto, nas Missas dos fiéis defuntos.
Por que o ano litúrgico não segue o calendário civil?
Porque a Igreja mede o tempo pelos mistérios de Cristo, e não pelo curso do sol. O seu ano gira em torno de dois centros — o Natal e a Páscoa — e foi feito para que os fiéis revivam, a cada ano, toda a vida do Senhor, do presépio à Ressurreição.
O aplicativo Iter Fidei traz o calendário litúrgico, a Bíblia de Figueiredo, as orações e a Missa de cada dia, em latim e português, com áudio. Participe do acesso antecipado aqui.
Fontes. Calendário litúrgico tradicional da Igreja Romana (Missal Romano de 1962 e tradição anterior). Bíblia Sagrada, tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo. Dom Prosper Guéranger, O Ano Litúrgico. Ritos e cores litúrgicas dos tempos do Advento, Natal, Septuagésima, Quaresma, Tríduo Pascal, Páscoa, Pentecostes e Tempo depois de Pentecostes.