Orações
Te Deum (A Vós, ó Deus, louvamos)
O texto completo do Te Deum em português e em latim, o grande hino de ação de graças da Igreja. Saiba como, quando e por que rezá-lo.

Quando o coração transborda de gratidão e nenhuma palavra parece bastar, a Igreja nos empresta as suas. O Te Deum é o maior dos hinos de ação de graças do Ocidente cristão: cantado nas grandes alegrias, na noite de fim de ano, nas consagrações de bispos e nos Te Deum solenes que selam vitórias e bênçãos. Damos-vos abaixo o texto integral, em português e no latim do qual nasceu.
Te Deum em português
Eis a tradução fiel do hino, na voz orante de toda a Igreja:
A Vós louvamos, ó Deus :
a Vós, Senhor, reconhecemos.
A Vós, Pai eterno,
toda a terra venera.
A Vós todos os Anjos,
os Céus e todas as potestades,
os Querubins e os Serafins
proclamam com voz incessante :
Santo, Santo, Santo,
é o Senhor, Deus dos exércitos.
Os céus e a terra estão cheios
da majestade da Vossa glória.
A Vós louva o glorioso coro dos Apóstolos,
o louvável número dos Profetas,
o exército alvinitente dos Mártires.
Por todo o orbe da terra,
a Santa Igreja Vos confessa :
Pai de imensa majestade ;
adorável,
verdadeiro e único Filho ;
e o Espírito Santo Paráclito.
Vós sois o Rei da glória, ó Cristo.
Vós sois o Filho eterno do Pai.
Para libertar o homem,
não desdenhastes o seio da Virgem.
Tendo vencido o aguilhão da morte,
abristes aos crentes o reino dos céus.
Estais sentado à direita de Deus,
na glória do Pai.
Cremos que haveis de vir como juiz.
Suplicamo-Vos, pois, socorrei os Vossos servos,
que remistes com o Vosso Sangue precioso.
Fazei que sejam contados entre os Vossos santos
na glória eterna.
Salvai o Vosso povo, Senhor,
e abençoai a Vossa herança.
Governai-os e exaltai-os
até a eternidade.
Todos os dias Vos bendizemos,
e louvamos o Vosso nome para sempre,
pelos séculos dos séculos.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia,
guardar-nos de todo pecado.
Tende piedade de nós, Senhor,
tende piedade de nós.
Desça sobre nós a Vossa misericórdia, Senhor,
segundo a esperança que em Vós depositamos.
Em Vós, Senhor, esperei :
não serei confundido para sempre.
Te Deum laudamus — o texto em latim
Por séculos a Igreja cantou este hino em latim, e ainda hoje o canta nas suas solenidades. Eis o Te Deum laudamus original:
Te Deum laudamus :
te Dominum confitemur.
Te aeternum Patrem,
omnis terra veneratur.
Tibi omnes Angeli,
tibi caeli et universae potestates :
Tibi Cherubim et Seraphim,
incessabili voce proclamant :
Sanctus, Sanctus, Sanctus,
Dominus Deus Sabaoth.
Pleni sunt caeli et terra
majestatis gloriae tuae.
Te gloriosus Apostolorum chorus,
Te Prophetarum laudabilis numerus,
Te Martyrum candidatus laudat exercitus.
Te per orbem terrarum
sancta confitetur Ecclesia :
Patrem immensae majestatis ;
Venerandum tuum verum,
et unicum Filium ;
Sanctum quoque Paraclitum Spiritum.
Tu Rex gloriae, Christe.
Tu Patris sempiternus es Filius.
Tu, ad liberandum suscepturus hominem,
non horruisti Virginis uterum.
Tu, devicto mortis aculeo,
aperuisti credentibus regna caelorum.
Tu ad dexteram Dei sedes,
in gloria Patris.
Judex crederis esse venturus.
Te ergo quaesumus, tuis famulis subveni,
quos pretioso sanguine redemisti.
Aeterna fac cum sanctis tuis
in gloria numerari.
Salvum fac populum tuum, Domine,
et benedic hereditati tuae.
Et rege eos, et extolle illos
usque in aeternum.
Per singulos dies benedicimus te ;
Et laudamus nomen tuum in saeculum,
et in saeculum saeculi.
Dignare, Domine, die isto
sine peccato nos custodire.
Miserere nostri, Domine,
miserere nostri.
Fiat misericordia tua, Domine, super nos,
quemadmodum speravimus in te.
In te, Domine, speravi :
non confundar in aeternum.
A origem do hino
A tradição antiga atribuía a composição do Te Deum a santo Ambrósio e a santo Agostinho, que o teriam improvisado, alternando os versos, na noite do batismo de Agostinho. Por isso o hino foi por muito tempo chamado de Hino Ambrosiano. Os estudiosos hoje reconhecem nele um texto do século IV ou V, talvez de são Nicécio de Remesiana; mas o que importa é o que o povo cristão sempre soube: trata-se de um dos mais antigos e venerados louvores da Igreja, irmão do Glória na liturgia e raiz comum de toda a oração de agradecimento que sobe dos nossos lábios.
A estrutura do hino é uma escada de louvor. Começa adorando o Pai com os Anjos e o tríplice Sanctus; depois confessa a fé da Igreja na Santíssima Trindade; volta-se a Cristo Rei da glória, o Verbo encarnado e ressuscitado; e termina, mais sóbrio, com uma série de súplicas tiradas dos Salmos — Salvum fac populum tuum, Miserere nostri — em que o louvor se faz pedido de proteção e perseverança.
Quando se reza o Te Deum
O Te Deum não é uma oração de circunstância qualquer: a Igreja o reserva para a alegria. Ele coroa o Ofício de Matinas nos domingos e nas festas ao longo do ano litúrgico, exceto nos tempos de penitência. Quem reza o Ofício Divino o encontra como o ápice do louvor noturno que prepara a aurora.
Fora do coro, o Te Deum é entoado nas grandes ações de graças públicas: a consagração de um bispo, a eleição de um Papa, o jubileu de uma comunidade, o fim de uma guerra, a celebração de um benefício recebido. E há um costume querido a todo católico: cantá-lo na noite de 31 de dezembro, para dar graças pelo ano que termina. A esse uso, como veremos, a Igreja anexou uma indulgência.
No plano pessoal, nada impede que o fiel o reze diante de uma graça alcançada, de uma cura, de um nascimento, de um perigo evitado. É a resposta natural da alma que, como na oração do justo, reconhece em tudo a mão de Deus.
O canto do Te Deum: melodia, tom e cifra
O Te Deum não é apenas um texto: é um canto. Na liturgia romana, ele possui duas melodias gregorianas próprias, recolhidas no Liber Usualis. O tom solene (tonus sollemnis), mais ornado, reserva-se às grandes festas; o tom simples (tonus simplex), mais sóbrio e silábico, presta-se ao uso diário e ao canto da assembleia. Ambos são fáceis de aprender, porque a melodia se repete em fórmulas que retornam verso após verso — daí o hino poder ser entoado por um povo inteiro sem partitura.
Quem procura a cifra ou os acordes do Te Deum deve distinguir duas coisas. A melodia gregoriana autêntica não se escreve em cifra de violão, mas em neumas, sobre quatro linhas; ela é modal, não tonal, e não pede acompanhamento. As cifras que circulam pertencem, em geral, às versões cantadas em português adaptadas em séculos recentes (veja abaixo), e não ao canto litúrgico tradicional. Para rezar o hino da Igreja, basta o tom gregoriano simples, que pode ser aprendido de ouvido em poucas repetições.
Versões cantadas em português: Pe. João Carlos, Pe. Zezinho
Ao lado do hino litúrgico latino, circulam no Brasil versões cantadas em português do Te Deum, compostas por padres-músicos para o uso popular e paralitúrgico. As mais conhecidas são as do Pe. João Carlos e do Pe. Zezinho (SCJ). São canções inspiradas no texto antigo, com melodia e arranjo modernos, próprias do repertório devocional pós-conciliar (mode B): úteis para a piedade e o canto comunitário, mas distintas do Te Deum gregoriano que a Igreja canta no Ofício.
Por respeito aos direitos autorais, não reproduzimos aqui a letra dessas composições recentes; quem as busca encontra-as nos cancioneiros e nas plataformas das respectivas comunidades. O que oferecemos nesta página é o texto integral e perene do hino — em português e em latim — do qual todas essas versões derivam, e que permanece o louvor oficial da Igreja.
Te Deum, Glória e Magnificat: três louvores
O Te Deum tem irmãos na oração da Igreja. O Glória in excelsis Deo é o hino angélico da Missa, nascido do canto de Belém. O Magnificat é o cântico de Nossa Senhora, o louvor da humildade exaltada. O Te Deum, por sua vez, é o louvor da Igreja inteira reunida — Anjos, Apóstolos, Profetas e Mártires — diante do trono de Deus. Quem ama estes três cânticos possui o coração da liturgia: adorar, magnificar e agradecer.
Perguntas Frequentes
O que significa "Te Deum laudamus"?
Significa, literalmente, A Vós, ó Deus, louvamos. São as primeiras palavras latinas do hino e deram nome a toda a oração. Na liturgia, "cantar um Te Deum" tornou-se sinônimo de oferecer uma solene ação de graças.
Quem escreveu o Te Deum?
A tradição o atribuiu a santo Ambrósio e santo Agostinho, donde o nome de Hino Ambrosiano. A crítica moderna situa o texto no século IV ou V, propondo são Nicécio de Remesiana como autor provável. Em todo caso, é um dos hinos mais antigos da cristandade, cantado ininterruptamente há mais de mil e quinhentos anos.
Há indulgência por rezar o Te Deum no fim do ano?
Sim. Segundo a tradição da Igreja, concede-se indulgência plenária a quem recita ou canta publicamente o Te Deum no último dia do ano, em ação de graças pelos benefícios recebidos, com as condições habituais (confissão, comunhão e oração nas intenções do Sumo Pontífice). Recitado em outras ocasiões, comporta indulgência parcial. Veja mais sobre as indulgências.
Quando se canta o Te Deum na liturgia?
No Ofício Divino, encerra as Matinas dos domingos e festas, salvo nos tempos penitenciais. Solenemente, é cantado nas consagrações, na eleição do Papa, em jubileus e em qualquer grande ação de graças pública, sobretudo na noite de 31 de dezembro.
Posso rezar o Te Deum sozinho, em casa?
Sim. Embora seja por excelência um hino comunitário, qualquer fiel pode rezá-lo em particular, em português ou em latim, sempre que quiser dar graças a Deus. É uma forma nobre de juntar a própria voz ao louvor perpétuo da Igreja.
Qual a melodia do Te Deum? Existe cifra?
O canto litúrgico tem duas melodias gregorianas — o tom solene, para as festas, e o tom simples, para o uso diário —, ambas registradas no Liber Usualis. Por serem modais e cantadas a uma só voz, não se escrevem em cifra de violão. As cifras encontradas na internet costumam pertencer às versões cantadas em português, e não ao Te Deum gregoriano tradicional.
O Te Deum do Pe. João Carlos e o do Pe. Zezinho são o mesmo hino?
Não exatamente. São composições recentes em português, inspiradas no texto antigo, feitas para o canto popular e devocional. O Te Deum próprio da Igreja é o hino latino milenar reproduzido nesta página; as versões dos padres-músicos brasileiros derivam dele, mas têm letra e melodia próprias e pertencem ao repertório paralitúrgico.
"Te Deum" é uma oração ou um hino?
É um hino — isto é, um louvor cantado —, mas também uma oração no sentido pleno: dirige-se a Deus em adoração, confissão da fé e súplica. Por isso fala-se indistintamente em "oração do Te Deum" e "hino Te Deum". Rezá-lo, cantado ou recitado, é sempre um ato de oração.
O app Iter Fidei traz as orações, os salmos e as devoções, em latim e português, com áudio. Participe do acesso antecipado aqui.
Sources. Texto e tradução: corpus litúrgico Iter Fidei (atom te-deum), conforme o Breviário Romano (Matinas) e o Rituale Romanum. Atribuição tradicional a santo Ambrósio e santo Agostinho; datação e autoria segundo a erudição patrística (são Nicécio de Remesiana). Citações bíblicas conforme a tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo.