Santos
Santo Antônio Maria Claret: quem foi, história e frases
Quem foi Santo Antônio Maria Claret: o tecelão catalão que se fez missionário, fundou os Claretianos, foi arcebispo de Santiago de Cuba, confessor da rainha Isabel II e padre do Concílio Vaticano I; a graça eucarística, as suas frases, o dia 23 de outubro no calendário de 1962 e a oração da sua Missa.
Santo Antônio Maria Claret (1807-1870) foi um sacerdote catalão, filho de tecelões, que se tornou um dos maiores missionários populares do século XIX: fundou os Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, os Claretianos, foi arcebispo de Santiago de Cuba, confessor da rainha Isabel II da Espanha e padre do Concílio Vaticano I. Morreu exilado na França em 1870 e foi canonizado em 1950. No calendário de 1962, a sua festa é a 23 de outubro, de 3ª classe.
Esta página conta a sua história a partir das vidas tradicionais e da sua própria Autobiografia, reúne as suas frases mais conhecidas, explica a graça eucarística que ele relata e dá a oração da sua Missa.
Quem foi Santo Antônio Maria Claret
O tecelão de Sallent
Apesar do nome solene com que às vezes é apresentado, Antonio María Claret y Clará era de origem humilde. Nasceu em 1807 em Sallent, na Catalunha, no norte da Espanha, e exerceu o ofício do pai, tecelão de panos; nas horas livres aprendeu latim e tipografia. Aos vinte e dois anos entrou no seminário de Vic, onde foi ordenado sacerdote em 1835.
A vocação missionária
Durante algum tempo pensou em fazer-se cartuxo, mas a saúde não o permitia. Foi então a Roma e entrou no noviciado da Companhia de Jesus, com o desejo de consagrar a vida às missões estrangeiras. A saúde, porém, falhou de novo, e o Padre Geral dos jesuítas o aconselhou a voltar para a Espanha e evangelizar os seus compatriotas. Claret obedeceu e, durante cerca de dez anos, percorreu a Catalunha pregando missões e retiros. Trabalhou com Joaquina de Vedruna na fundação das Carmelitas da Caridade.
O fundador dos Claretianos
O seu zelo atraiu outros sacerdotes para a mesma obra, e em 1849, em Vic, fundou a congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, conhecidos pelo seu nome como Claretianos, que se espalharam pela Espanha, pelas Américas e pelo mundo. O próprio Claret escreveu como queria cada um deles:
"Um filho do Imaculado Coração de Maria é um homem que arde em caridade e abrasa por onde passa; que deseja eficazmente e procura por todos os meios inflamar o mundo no fogo do divino amor. Nada o detém. Alegra-se nas privações. Enfrenta os trabalhos. Abraça os sacrifícios. Compraz-se nas calúnias e se alegra nos tormentos. Seu único pensamento é seguir e imitar a Jesus Cristo, no trabalho, no sofrimento, procurando sempre e unicamente a maior glória de Deus e da salvação das almas" (Autobiografia, n. 494).
Arcebispo de Santiago de Cuba
Poucas semanas depois da fundação, em agosto de 1849, Claret recebeu a nomeação de arcebispo de Santiago de Cuba. Conta na Autobiografia que a notícia o consternou e que primeiro recusou, por se julgar indigno. Acabou por aceitar, e a tarefa foi de dificuldade excepcional: as suas reformas encontraram forte resistência de inimigos da religião e dos bons costumes, e houve vários atentados contra a sua vida.
O mais grave aconteceu em Holguín, a 1º de fevereiro de 1856: à saída da igreja, um homem o feriu gravemente. Segundo Butler, o agressor estava furioso por ter perdido a companheira, que o arcebispo reconduzira a uma vida honesta. Condenado à morte, o criminoso escapou da pena capital pela intercessão do próprio Claret. Em 1855, em Santiago, Claret fundou também, com a Madre Maria Antônia París, as Religiosas de Maria Imaculada: são essas as "novas famílias de clérigos e de virgens" de que fala a oração da sua festa.
Confessor da rainha e apóstolo da imprensa
Em 1857, Claret voltou à Espanha como confessor da rainha Isabel II e renunciou ao arcebispado de Cuba. Ficava na corte apenas o tempo que o ofício exigia e dedicava o resto às missões e à difusão de bons livros, sobretudo em catalão. Fundou em Barcelona a Livraria Religiosa, que fez imenso bem à vida católica do país. Diz-se que pregou dez mil sermões e publicou duzentos livros e opúsculos para a instrução do clero e do povo. Como reitor do Escorial, criou ali um laboratório de ciências, um museu de história natural e escolas de música e de línguas.
Deus recompensou a sua união contínua com Ele com graças extraordinárias: êxtases, o dom de profecia e curas milagrosas, que Butler menciona.
A graça eucarística: a adoração contínua
A devoção de Claret ao Santíssimo Sacramento culminou numa graça que ele mesmo descreve na Autobiografia. Em agosto de 1861, rezando na igreja do Rosário, na Granja:
"o Senhor concedeu-me a grande graça da conservação das espécies sacramentais e de ter sempre, dia e noite, o Santíssimo Sacramento no peito. Por isso, eu devo estar sempre muito recolhido e devoto interiormente" (Autobiografia, n. 694).
É um testemunho pessoal do santo, que a Igreja não definiu, mas que explica por que tantos o tomam como modelo de adoração ao Santíssimo: a sua vida inteira tornou-se uma visita a Jesus Sacramentado. Quem deseja crescer nesse amor encontra o essencial no que a Igreja ensina sobre a Eucaristia e sobre o santo sacrifício da Missa.
O exílio, o Concílio e a morte
As condições políticas da Espanha e a atitude do governo da rainha para com a Santa Sé tornaram a posição de Claret muito difícil. Na revolução de 1868, partiu para o exílio com a rainha. Foi então a Roma, onde tomou parte no Concílio Vaticano I e trabalhou pela definição da infalibilidade pontifícia. Uma tentativa de o reconduzir à Espanha fracassou; doente, refugiou-se na França e morreu no mosteiro cisterciense de Fontfroide, perto de Narbonne, a 24 de outubro de 1870. Foi canonizado em 1950, pelo papa Pio XII.
Frases de Santo Antônio Maria Claret
Além da definição do missionário citada acima, a Autobiografia guarda esta oração de Claret ao Coração de Maria, escrita ao contar a fundação dos seus missionários:
Ó meu Deus, bendito sejais, pois vos dignastes escolher vossos humildes servos para se tornarem Filhos do Imaculado Coração de vossa santíssima Mãe!
Ó Mãe, mil vezes bendita! Infinitos louvores vos sejam dados pelas finezas de vosso Imaculado Coração e por nos terdes adotado como vossos filhos! Fazei, minha Mãe, que correspondamos a tanta bondade. Que sejamos cada dia mais humildes, mais fervorosos e mais zelosos pela salvação das almas.
A graça eucarística que recebeu é como a realização literal da palavra de São Paulo: "Glorificai pois, e trazei a Deus no vosso corpo" (I Coríntios 6, 20). Toda a sua espiritualidade está no Coração de Maria e na Eucaristia; quem quiser rezar no mesmo espírito pode fazer a novena ao Imaculado Coração de Maria ou a consagração a Nossa Senhora.
Dia de Santo Antônio Maria Claret: 23 de outubro
No calendário de 1962, a festa de Santo Antônio Maria Claret, bispo e confessor, é a 23 de outubro, de 3ª classe, com paramentos brancos: a Missa Sacerdotes tui do Comum dos confessores pontífices, com coleta própria. O dia da sua morte, 24 de outubro, era então ocupado pela festa de São Rafael Arcanjo. A reforma de 1969, que levou São Rafael para 29 de setembro, passou Santo Antônio Maria Claret para o dia 24 de outubro, como memória facultativa; muitas paróquias e casas claretianas o celebram nesse dia.
A oração de Santo Antônio Maria Claret no Missal de 1962
Esta é a coleta da Missa de Santo Antônio Maria Claret, em latim e em português:
Deus, qui beátum Antónium Maríam Confessórem tuum atque Pontíficem, apostólicis virtútibus sublimásti, et per eum novas in Ecclésia clericórum ac vírginum famílias collegísti: concéde, quǽsumus; ut, eius dirigéntibus mónitis ac suffragántibus méritis, animárum salútem quǽrere iúgiter studeámus. Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum. Amen.
Ó Deus, que elevastes com virtudes apostólicas o bem-aventurado Antônio Maria, vosso Confessor e Pontífice, e por ele reunistes na Igreja novas famílias de clérigos e de virgens: concedei-nos, vos pedimos, que, guiados pelos seus conselhos e ajudados pelos seus merecimentos, procuremos sem cessar a salvação das almas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que, sendo Deus, vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
A coleta resume o santo numa palavra: a salvação das almas. É o que ele pediu para cada um dos seus filhos espirituais, e o que pede a todos os que o invocam. Canonizado em 1950, ele está entre os santos católicos mais recentes do calendário de 1962.
Perguntas Frequentes
Quem foi Santo Antônio Maria Claret?
Um sacerdote catalão (1807-1870), filho de tecelões, missionário popular, fundador dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos), arcebispo de Santiago de Cuba, confessor da rainha Isabel II e padre do Concílio Vaticano I. Foi canonizado em 1950.
Qual é o dia de Santo Antônio Maria Claret?
No calendário de 1962, 23 de outubro, festa de 3ª classe. Desde a reforma de 1969, o calendário novo o celebra a 24 de outubro, dia da sua morte.
Santo Antônio Maria Claret foi bispo?
Sim. Foi nomeado arcebispo de Santiago de Cuba em 1849 e governou a diocese até voltar à Espanha em 1857, e depois renunciou à sé. Por isso a liturgia o honra como "bispo e confessor".
De que Santo Antônio Maria Claret é padroeiro?
É o pai e patrono das congregações que fundou ou ajudou a fundar e o padroeiro das paróquias e comunidades que levam o seu nome. Pela obra da Livraria Religiosa e dos seus duzentos escritos, é também lembrado como modelo do apostolado da boa imprensa.
O que foi a graça eucarística de Santo Antônio Maria Claret?
Segundo a sua Autobiografia (n. 694), em agosto de 1861, na igreja do Rosário da Granja, recebeu a graça de conservar em si as espécies sacramentais, tendo o Santíssimo Sacramento no peito dia e noite. É um testemunho pessoal do santo.
Onde está enterrado Santo Antônio Maria Claret?
Morreu no mosteiro cisterciense de Fontfroide, perto de Narbonne, na França, a 24 de outubro de 1870, e ali foi sepultado; em 1897 os seus restos foram levados para Vic, na Catalunha, onde fundara a sua congregação.
O app Iter Fidei traz o Missal e o Breviário de 1962, os santos de cada dia e as orações da tradição, em latim e português, com áudio. Participe do acesso antecipado aqui.
Fontes. Alban Butler, Vidas dos Santos, 23 de outubro; Santo Antônio Maria Claret, Autobiografia (n. 492-495, 694); Missal Romano de 1962 (23 de outubro, Santo Antônio Maria Claret, bispo e confessor); Sagrada Escritura, tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (I Coríntios 6, 20).