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São Boaventura: quem foi, o Doutor Seráfico e oração
Quem foi São Boaventura, frade franciscano, ministro-geral da Ordem, cardeal-bispo de Albano e Doutor Seráfico: a vida segundo o Breviário e Butler, a amizade com São Tomás de Aquino, os livros (o Itinerário, a Árvore da Vida), as frases, o dia 14 de julho no calendário de 1962 e a oração do Missal.
São Boaventura (1221-1274) é um frade franciscano italiano, discípulo e sucessor de São Francisco de Assis à frente da sua Ordem, teólogo da Universidade de Paris, cardeal-bispo de Albano e Doutor da Igreja, chamado o Doutor Seráfico pelo ardor de amor a Deus que enche os seus escritos. Amigo de São Tomás de Aquino, morreu durante o segundo Concílio de Lyon, em julho de 1274. No calendário de 1962, a sua festa é a 14 de julho, festa de 3ª classe.
Contamos aqui quem foi São Boaventura segundo o Breviário Romano e as Vidas dos Santos de Butler, por que é chamado Doutor Seráfico, quais são os seus livros mais importantes, algumas das suas frases, de que é padroeiro e qual é a oração que a Igreja reza no seu dia.
Quem foi São Boaventura
Infância em Bagnoregio
Boaventura nasceu em Bagnoregio, perto de Viterbo, na Itália central, filho de João de Fidanza e de Maria Ritella. Butler dá o ano de 1221, coerente com o Breviário, que lhe atribui cinquenta e três anos ao morrer; alguns autores propõem uma data um pouco anterior, por volta de 1217. O seu nome de batismo era João.
O Breviário Romano conta que, ainda menino, foi atingido por uma doença mortal; a mãe fez voto de o consagrar à Ordem de São Francisco se ele se curasse, e o menino ficou são pelas orações do bem-aventurado Francisco. Por isso, já adolescente, quis abraçar o instituto dos Frades Menores.
O estudante e o mestre de Paris
Entrou na Ordem e foi estudar na Universidade de Paris sob o franciscano inglês Alexandre de Hales, chamado "o Doutor Irrefragável". Ali ensinou a teologia e a Sagrada Escritura de 1248 a 1257. A sua grande obra de professor é o Comentário às Sentenças de Pedro Lombardo, que percorre toda a teologia escolástica; o papa Sisto IV disse dela que o Espírito Santo parecia ter falado pela sua boca.
O seu mestre dizia dele que "parecia não ter pecado em Adão", tão grande era a sua inocência. Butler nota a alegria constante do seu rosto, fruto da paz interior, e cita esta palavra sua: "A alegria espiritual é o maior sinal da graça divina que habita numa alma".
Foram anos de luta: os professores seculares da Universidade, conduzidos por Guilherme de Saint-Amour, atacavam os frades mendicantes e queriam excluí-los das escolas. Boaventura respondeu com um tratado sobre a pobreza de Cristo; o papa Alexandre IV mandou queimar o livro do adversário e restabeleceu os frades. Em 1257, São Boaventura e São Tomás de Aquino receberam juntos o grau de doutores em teologia.
A comunhão recebida de um anjo
As atas da sua canonização, citadas por Butler, contam que a humildade o fazia às vezes abster-se da comunhão, por se julgar indigno. Um dia, durante a Missa, enquanto meditava na Paixão de Cristo, um anjo trouxe-lhe uma parcela da Hóstia consagrada tirada das mãos do sacerdote. Desde então comungou sem escrúpulo e com grande alegria. Butler refere também uma oração que ele compôs para a ação de graças depois da Missa, a Transfige, dulcissime Domine Jesu, que a Igreja recomenda a todos os fiéis nesse momento.
Ministro-geral dos Franciscanos
Em 1257, ainda não tinha trinta e seis anos, foi eleito ministro-geral dos Frades Menores. A Ordem estava dividida entre os que queriam uma severidade inflexível e os que pediam mitigações da Regra. Boaventura exigiu uma observância disciplinada, reformou os relaxados sem dar razão aos excessos dos chamados "espirituais", e no capítulo de Narbona, em 1260, deu à Ordem constituições que marcaram por muito tempo a vida franciscana. Governou-a cerca de dezessete anos, e foi chamado com justiça o segundo fundador da Ordem.
A pedido dos frades, escreveu a vida de São Francisco, a chamada Legenda Maior. O Breviário conta que São Tomás de Aquino, encontrando-o ocupado nessa obra, se retirou dizendo: "Deixemos um santo trabalhar por um santo". Quem ama o Pobre de Assis encontra a sua devoção na novena de São Francisco de Assis.
O chapéu de cardeal pendurado na árvore
Em 1265 o papa Clemente IV o nomeou arcebispo de York, na Inglaterra; ele conseguiu recusar. Mas em 1273 o papa Gregório X o criou cardeal-bispo de Albano, perto de Roma, com ordem de aceitar sem pretexto algum. Conta-se que os legados que lhe levavam o chapéu cardinalício o encontraram num convento da Ordem, no Mugello, perto de Florença, lavando a louça; pediu-lhes que pendurassem o chapéu no galho de uma árvore, porque não podia pegá-lo com as mãos engorduradas, e só o recebeu depois de terminar o serviço. Butler apresenta o episódio como um "diz-se".
Como morreu São Boaventura
Gregório X encarregou-o de preparar o segundo Concílio de Lyon, convocado para a reunião dos gregos com Roma. São Tomás de Aquino morreu a caminho; Boaventura foi a grande figura da assembleia. Conferenciou com os delegados gregos, e a união foi proclamada; na festa de São Pedro e São Paulo, o papa cantou a Missa com a epístola, o Evangelho e o Credo em latim e em grego, e Boaventura pregou.
No meio desse triunfo, na noite de 14 para 15 de julho de 1274, o Doutor Seráfico morreu em Lyon, aos cinquenta e três anos, diz o Breviário, para grande dor de todos; o concílio inteiro, com o papa presente, celebrou-lhe as exéquias. O dominicano Pedro de Tarentaise, depois papa Inocêncio V, fez o seu elogio: "Ninguém jamais viu Boaventura sem lhe ter grande estima e afeição".
Foi canonizado pelo papa Sisto IV em 1482 e declarado Doutor da Igreja em 1588 pelo papa Sisto V, que lhe deu o título de Doutor Seráfico.
Por que São Boaventura é chamado Doutor Seráfico
Os serafins são os anjos mais próximos de Deus, os que ardem de amor. A Ordem de São Francisco era chamada "seráfica", porque o santo de Assis recebeu os estigmas na visão de um serafim. Mas Butler observa que, mesmo que não fosse franciscano, Boaventura mereceria esse título pelas virtudes angélicas com que adornou a sua ciência. O Breviário diz o essencial: escreveu muito, unindo a mais alta erudição ao ardor da piedade, de modo que ensinando, move o leitor. É a diferença com o seu amigo São Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, a quem dedicamos a novena de São Tomás de Aquino: Tomás ilumina sobretudo a inteligência; Boaventura quer, por ela, inflamar o coração.
O papel da filosofia segundo São Boaventura
Para Boaventura, conhecer não é um fim em si mesmo. Butler nota que ele referia todos os estudos à honra de Deus e à própria santificação, e se guardava de deixar a aplicação degenerar em curiosidade vã. A filosofia e as ciências são degraus: as criaturas são vestígios de Deus, a alma é a sua imagem, e toda a inteligência deve subir, pela graça e pela oração, até Ele. É o caminho do Itinerário, o seu livro mais célebre.
Os livros de São Boaventura
Entre as muitas obras de São Boaventura, as mais conhecidas são:
- Comentário às Sentenças de Pedro Lombardo, a sua grande suma de teologia.
- Breviloquium, resumo conciso de toda a sua doutrina.
- Itinerarium mentis in Deum (Itinerário da mente para Deus), a subida da alma a Deus pelas criaturas, pela alma e pela contemplação.
- Lignum vitae (A Árvore da Vida), uma série de meditações sobre a vida de Cristo.
- Legenda Maior, a vida de São Francisco.
- De triplici via (O Tríplice Caminho), Soliloquium e De perfectione vitae ad sorores, escrito para a bem-aventurada Isabel, irmã de São Luís, e as suas clarissas de Longchamp.
Gerson, chanceler da Universidade de Paris, escreveu que entre todos os doutores católicos Boaventura lhe parecia o melhor para iluminar a inteligência e ao mesmo tempo aquecer o coração, e que nada superava o Breviloquium e o Itinerarium. E o beneditino Tritêmio: "Quem quiser ser ao mesmo tempo douto e devoto, leia as obras de Boaventura".
O Breviário acrescenta que ele meditava sem cessar a Paixão de Cristo e era consagrado inteiramente à Virgem Mãe de Deus, e que se esforçava por acender essa piedade nos outros pela palavra, pelo exemplo e pelos escritos.
Frases de São Boaventura
Algumas frases de São Boaventura transmitidas por Butler:
- "A alegria espiritual é o maior sinal da graça divina que habita numa alma."
- "A perfeição de um religioso é fazer as coisas comuns de modo perfeito. Uma fidelidade constante nas pequenas coisas é uma grande e heroica virtude."
- Sobre um frade humilde que o deteve à beira do caminho: "Sou ao mesmo tempo prelado e servo, e aquele pobre irmão é ao mesmo tempo meu irmão e meu senhor."
- Ao aceitar o governo da Ordem: "Conheço bem a minha incapacidade, mas sei também que é duro recalcitrar contra o aguilhão."
A imagem de São Boaventura
A imagem de São Boaventura o mostra de hábito franciscano com o chapéu vermelho de cardeal, muitas vezes pendurado numa árvore ou pousado ao seu lado, lembrança do episódio do Mugello. Traz um livro e uma pena, sinais do doutor, e às vezes um crucifixo, pela sua devoção à Paixão de Cristo.
São Boaventura é padroeiro de que?
São Boaventura é o padroeiro de Bagnoregio, a sua terra natal, que guarda na sua concatedral a relíquia do seu braço, a única que restou: o corpo, em Lyon, foi queimado pelos huguenotes em 1562. A família franciscana o honra como o seu segundo fundador. Fora disso, a tradição não lhe atribui um patrocínio universal, como os de outros santos: a Igreja o propõe sobretudo como mestre, o Doutor que ensina a unir a ciência à piedade.
Dia de São Boaventura: 14 de julho
No calendário de 1962, o dia de São Boaventura é 14 de julho, festa de 3ª classe, com cor branca e Glória; a Missa é a do comum dos Doutores (In medio Ecclesiae), cujo intróito canta: "e lhe abrirá a bôca no meio da Igreja, e o encherá do espírito da sabedoria, e de inteligência, e o vestirá dum hábito de glória" (Eclesiástico 15, 5).
A reforma do calendário de 1969 transferiu a sua memória para 15 de julho, dia seguinte ao da sua morte. Quem segue o calendário tradicional o celebra a 14 de julho.
A oração de São Boaventura no Missal de 1962
A oração da Igreja no dia de São Boaventura é a coleta dos Doutores, com o seu nome:
Deus, qui pópulo tuo ætérnæ salútis beátum Bonaventúram minístrum tribuísti: præsta, quǽsumus; ut, quem Doctórem vitæ habúimus in terris, intercessórem habére mereámur in cœlis. Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum. Amen.
Ó Deus, que destes ao vosso povo o bem-aventurado Boaventura como ministro da salvação eterna: concedei-nos, vos suplicamos, que mereçamos ter como intercessor nos céus aquele que tivemos na terra como doutor da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que, sendo Deus, vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Boaventura amou a Missa tridentina que celebrava e a presença real do Senhor; a sua oração de ação de graças prolonga-se naturalmente na adoração ao Santíssimo Sacramento. As orações do seu amigo estão na página das orações de São Tomás de Aquino, e o nosso guia dos santos católicos explica por que a Igreja os venera e invoca.
Perguntas Frequentes
Quem foi São Boaventura?
Um frade franciscano italiano (1221-1274), nascido em Bagnoregio, professor de teologia em Paris, ministro-geral da Ordem dos Frades Menores durante cerca de dezessete anos, cardeal-bispo de Albano e Doutor da Igreja. Morreu durante o segundo Concílio de Lyon.
Onde São Boaventura foi bispo?
Em Albano, perto de Roma: o papa Gregório X o criou cardeal-bispo de Albano em 1273. Antes, em 1265, tinha recusado o arcebispado de York.
Por que São Boaventura é chamado Doutor Seráfico?
Pelo ardor de amor a Deus dos seus escritos, comparável ao dos serafins, e por pertencer à Ordem seráfica de São Francisco. O título lhe foi dado pelo papa Sisto V, que o declarou Doutor da Igreja em 1588.
Qual é o dia de São Boaventura?
No calendário de 1962, é 14 de julho, festa de 3ª classe. Desde a reforma de 1969, o calendário novo o celebra a 15 de julho.
Quais são os livros de São Boaventura?
Os mais conhecidos são o Comentário às Sentenças, o Breviloquium, o Itinerário da mente para Deus, a Árvore da Vida (Lignum vitae), a Legenda Maior de São Francisco e os tratados espirituais O Tríplice Caminho e Solilóquio.
São Boaventura e São Tomás de Aquino eram amigos?
Sim. Receberam juntos o doutorado em Paris em 1257, e o Breviário diz que estavam unidos por grande caridade; foi São Tomás quem disse, vendo-o escrever a vida de São Francisco: "Deixemos um santo trabalhar por um santo". Morreram no mesmo ano de 1274.
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Fontes. Missal Romano de 1962 (14 de julho, coleta do comum dos Doutores); Breviário Romano, 14 de julho (lições do II noturno, na forma anterior às rubricas de 1960; no Breviário de 1962, festa de 3ª classe, uma só lição contraída); Alban Butler, Vidas dos Santos, 14 de julho; Sagrada Escritura, tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (Eclesiástico 15, 5).