Orações
Oração a São Brás contra os males da garganta
A oração popular a São Brás e a coleta do Missal, bispo e mártir, padroeiro da garganta. Conheça a vida do santo, o texto em português e latim, e o rito da bênção das gargantas com as velas no dia 3 de fevereiro.

Quando você reza a oração de São Brás, você se coloca sob a intercessão de um bispo e mártir dos primeiros séculos da Igreja, que, segundo a tradição, curou um menino que estava prestes a morrer sufocado por uma espinha de peixe presa na garganta. Por causa desse prodígio, a Igreja invoca São Brás como padroeiro contra os males da garganta. Mas é preciso entender bem: São Brás não cura pela própria força, nem por qualquer poder oculto. Ele roga por nós a Deus, que é o único Senhor da saúde e da vida. Toda a nossa súplica sobe a Ele, por meio do santo.
Quem foi São Brás
São Brás foi bispo de Sebaste, na Armênia, e padeceu o martírio provavelmente por volta do ano 316; Butler observa que o seu culto não tem testemunho anterior ao século VIII e que a sua vida é conhecida por Atas lendárias. Segundo essas Atas, retirou-se para uma gruta no monte, onde vivia em oração e penitência, e onde até os animais selvagens vinham buscar o seu auxílio. Preso por causa da fé, foi torturado com pentes de ferro — instrumento que os cardadores de lã usavam — e por fim decapitado, permanecendo firme na confissão de Cristo até o fim.
O episódio mais célebre das Atas deu origem ao seu patrocínio: uma mãe, em desespero, levou-lhe o filho que se asfixiava com uma espinha de peixe atravessada na garganta. São Brás rezou sobre o menino, e a criança foi salva. Daí nasceu a confiança, atravessada por tantos séculos, de invocá-lo nas doenças da garganta — e, por extensão, em toda enfermidade. Ele é contado entre os Catorze Santos Auxiliadores, grupo de mártires que a piedade cristã reúne como poderosos intercessores nas necessidades.
O seu dia é 3 de fevereiro (no calendário de 1962, uma comemoração), no dia seguinte à festa da Purificação de Nossa Senhora (2 de fevereiro), quando se faz a tradicional bênção das velas. Não é coincidência: são justamente as velas benzidas nessa festa que entram no rito da bênção das gargantas.
A oração a São Brás
Nota de honestidade. A súplica abaixo e as orações breves desta página são devoção popular ou composições modernas, sem texto litúrgico nem aprovação própria; a oração da Igreja é a coleta da comemoração de São Brás no Missal de 1962, que damos logo depois.
Eis a oração com que tantas famílias se voltaram para São Brás, pedindo que ele interceda pela saúde do corpo e da alma. Repare que tudo, do começo ao fim, é remetido a Deus:
Glorioso São Brás, que confortastes os fiéis com a vossa palavra e os curastes pelo poder de Deus, e que, com tanta caridade, libertastes da morte o menino sufocado pela espinha de peixe: alcançai-nos do Senhor a graça de sermos preservados de todos os males da garganta e de toda enfermidade do corpo e da alma.
Vós que sofrestes o martírio firme na fé, obtende-nos a força de permanecer fiéis a Cristo no meio das provações, e de oferecer os nossos males em união com os Seus sofrimentos. Intercedei por nós, agora e na hora da nossa morte, para que, livres de todo perigo, possamos louvar a Deus pela eternidade. São Brás, bispo e mártir, rogai por nós. Amém.
A esta súplica junte-se a coleta litúrgica da comemoração, que pede a Deus diretamente. Em latim, tal como está no Missal de 1962:
Deus, qui nos beáti Blásii Mártyris tui atque Pontíficis ánnua solemnitáte lætíficas: concéde propítius; ut, cujus natalítia cólimus, de ejúsdem étiam protectióne gaudeámus. Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum. Amen.
Em português:
Ó Deus, que nos alegrais com a solenidade anual do bem-aventurado Brás, vosso Mártir e Pontífice, concedei-nos propício que, celebrando o seu nascimento para o Céu, gozemos também da sua proteção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que, sendo Deus, vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
O rito da bênção das gargantas
A devoção a São Brás ganhou uma expressão litúrgica própria, muito amada pelo povo: a bênção das gargantas. No seu dia (ou na véspera), o sacerdote toma duas velas benzidas — aquelas da festa da Purificação —, une-as em forma de cruz e as aproxima da garganta do fiel ajoelhado, pronunciando a fórmula tradicional:
Por intercessão de São Brás, bispo e mártir, livre-te Deus do mal da garganta e de todo outro mal. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
A vela, aqui, não tem nada de mágico. É um sacramental — um sinal sensível pelo qual a Igreja, com a sua oração, pede a Deus a saúde e a proteção. A força não está na vela, mas na intercessão dos santos e, sobretudo, na bondade de Deus, que se serve dos sinais para alcançar os corações. É a mesma lógica da água benta, das medalhas e das bênçãos: tudo aponta para o alto.
Se você não puder receber a bênção das mãos de um sacerdote, isso não impede a sua devoção. Reze a oração em casa, com fé e confiança, unindo o pedido pela saúde do corpo ao pedido, ainda mais importante, pela saúde da alma.
Como rezar a São Brás
A oração a São Brás não tem regra rígida. A piedade cristã, porém, gosta de método, e você pode rezar assim:
- Comece com o Sinal da Cruz, colocando-se na presença de Deus.
- Reze um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai, oferecendo-os pela intercessão do santo.
- Apresente o seu pedido — pela garganta, pela voz, pela saúde, ou pela necessidade que carrega no coração.
- Reze a oração popular acima e termine com a coleta da Igreja.
Como em toda devoção aos santos, lembre-se sempre: é a Deus que pedimos, e os santos rogam conosco e por nós. Como diz o Senhor pela boca do salmista, "Invoca-me no dia da tribulação; livrar-te-ei, e tu me glorificarás" (Salmo 49, 15, na tradução de Figueiredo). É essa confiança, e não nenhuma fórmula, que move o coração de Deus.
Oração de São Brás para curar a garganta
Esta é a invocação mais procurada, e com razão: foi um mal da garganta que deu a São Brás o seu patrocínio. Quem sofre de dores, inflamações ou aflições da garganta pode voltar-se ao santo com esta súplica simples:
Glorioso São Brás, que pela vossa intercessão salvastes da morte o menino sufocado, olhai por mim, que sofro deste mal da garganta. Alcançai-me de Deus, se for da sua santa vontade, a cura e o alívio; e, se Ele permitir que o mal continue, dai-me a paciência de o oferecer em união com a Paixão de Cristo. São Brás, bispo e mártir, rogai por nós. Amém.
Convém recordar que a oração não dispensa o médico nem o remédio. Deus é o Senhor da saúde, e Ele se serve também dos meios naturais que pôs ao nosso alcance. Pedir a São Brás a cura da garganta e procurar o tratamento devido não se opõem: ambos são atos de confiança na Providência.
Oração de São Brás para tosse e para os pulmões
A mesma confiança que se dirige aos males da garganta estende-se, naturalmente, à tosse e às enfermidades do peito, que tantas vezes andam juntas. A tradição não fixou uma fórmula separada, mas a oração ao santo cabe perfeitamente nessa necessidade:
São Brás, médico das almas e protetor contra os males do corpo, vós que curastes pela força de Deus, intercedei por mim que sofro desta tosse e deste aperto no peito. Pedi ao Senhor que me devolva a saúde e o fôlego, para que eu possa louvá-lo com a voz que Ele me deu. Amém.
Oração de São Brás para engasgo e para desengasgar
O milagre fundador de São Brás foi precisamente um engasgo: a espinha de peixe atravessada na garganta de um menino. Por isso o santo é invocado de modo particular contra o sufocamento e o engasgo. Em situação de perigo real, porém, é preciso ter clareza: socorra primeiro. Aplique as manobras de desobstrução, chame ajuda, busque o atendimento de emergência. A oração não substitui o socorro imediato que se deve a quem se engasga — pelo contrário, é o próprio amor ao próximo, que a fé manda, que exige agir.
Passado o perigo, ou pedindo proteção contra ele, reze com confiança:
São Brás, que livrastes da morte o menino sufocado pela espinha de peixe, guardai a minha família e a mim de todo engasgo e sufocamento. E se algum perigo nos ameaçar, dai-nos a presença de espírito para socorrer e a graça de Deus para salvar. Amém.
Novena de São Brás
Muitos buscam a novena de São Brás — às vezes anunciada como "oração muito poderosa". Diremos uma palavra sobre isso. A novena é uma prática antiga e boa: nove dias de oração seguidos, em geral nos nove dias que antecedem a festa do santo (de 25 de janeiro a 2 de fevereiro, para que o nono dia caia na véspera da festa, 3 de fevereiro). O número nove evoca os nove dias em que os Apóstolos e Nossa Senhora perseveraram em oração entre a Ascensão e Pentecostes.
O que torna uma novena "poderosa" não é nenhuma fórmula secreta, nem o número de repetições, nem correntes de mensagens. É a perseverança humilde e confiante na oração, que o próprio Senhor nos ensinou: "Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis" (São Mateus 7, 7). Desconfie de qualquer promessa que garanta resultado infalível por rezar tal texto tantas vezes: isso já não é fé cristã, mas superstição. Reze antes assim, cada dia da novena:
São Brás, bispo e mártir, durante estes nove dias me ponho sob a vossa proteção. Apresentai a Deus a minha súplica (faça aqui o seu pedido). Alcançai-me, se for para o bem da minha alma, a graça que vos peço, e em tudo a conformidade com a vontade de Deus. Rogai por mim, agora e na hora da minha morte. Amém.
A cada dia, una a esta oração um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai, terminando com a coleta da Igreja transcrita acima.
Terço de São Brás
Não existe um "terço de São Brás" no sentido próprio do Rosário de Nossa Senhora, com os seus mistérios. O que a piedade popular às vezes chama assim é simplesmente o costume de rezar a São Brás usando as contas do terço como contagem — por exemplo, repetindo nove vezes uma curta jaculatória, em correspondência com a novena, ou intercalando as orações ao santo entre as dezenas. Pode-se fazer assim, com proveito, esta forma simples:
(em cada conta) São Brás, bispo e mártir, rogai por nós e guardai-nos de todo mal da garganta e da alma.
O terço próprio, porém, é e continua sendo o de Nossa Senhora. Convém não confundir as devoções nem dar a uma jaculatória repetida o nome que pertence ao Santo Rosário. Os santos nos conduzem sempre a Cristo, por Maria.
E a oração divulgada por padre Reginaldo Manzotti?
Muitos chegam a São Brás por versões da oração divulgadas em programas e canais contemporâneos. Não há nada de errado em rezar a São Brás — é uma devoção legítima e antiquíssima da Igreja. O que recomendamos é discernir o texto: prefira sempre as fórmulas que remetem tudo a Deus, como a coleta litúrgica e as orações tradicionais que reproduzimos acima, e evite versões que prometam efeitos automáticos ou que tratem o santo como se ele curasse por poder próprio. A medida de toda oração verdadeira é a mesma: ela pede a Deus, por meio dos santos, e termina sempre na conformidade com a sua vontade.
Perguntas Frequentes
Quem é São Brás e do que ele é padroeiro?
São Brás foi bispo de Sebaste, na Armênia, e mártir do início do século IV. É padroeiro contra os males da garganta, por causa do milagre em que salvou um menino sufocado por uma espinha de peixe. É também invocado contra as doenças em geral e é contado entre os Catorze Santos Auxiliadores.
Quando se reza a São Brás?
O dia de São Brás é 3 de fevereiro (no calendário de 1962, uma comemoração), logo após a Purificação de Nossa Senhora (2 de fevereiro). É nesse dia que se faz a bênção das gargantas com as velas. Mas a oração pode ser rezada em qualquer época do ano, especialmente quando se sofre de algum mal da garganta ou da voz.
O que é a bênção das gargantas?
É um sacramental no qual o sacerdote aproxima duas velas benzidas, cruzadas, da garganta do fiel, pedindo a Deus, pela intercessão de São Brás, a proteção contra os males da garganta e todo outro mal. As velas costumam ser as benzidas na festa da Purificação.
São Brás faz milagres de cura?
Não por força própria. Os santos não curam por poder oculto nem por magia. São Brás roga por nós a Deus, que é o único Senhor da saúde. Os prodígios atribuídos à sua intercessão são obra de Deus, que se compraz em honrar os seus santos atendendo às nossas súplicas.
Posso rezar a São Brás em casa, sem padre?
Sim. A oração a São Brás pode ser rezada por qualquer fiel, em casa, com fé e confiança. Apenas o rito da bênção das gargantas, por ser um sacramental da Igreja, é reservado ao sacerdote. Mas nada impede que você invoque o santo na sua oração particular.
Existe uma novena de São Brás "muito poderosa"?
A novena de São Brás existe e é uma boa prática: nove dias de oração, geralmente terminando na véspera da festa (3 de fevereiro). Mas desconfie de tudo o que se anuncia como "infalível" ou "poderosíssimo" por simples repetição de palavras. O que dá força à oração é a fé humilde e a perseverança, não fórmulas mágicas. A novena verdadeira sempre termina pedindo a vontade de Deus.
Como rezar São Brás para tosse ou engasgo?
Pode-se usar a mesma oração ao santo, apresentando a necessidade concreta — a tosse, o aperto no peito, o medo do engasgo. Em caso de engasgo real, porém, socorra primeiro: aplique as manobras de desobstrução e busque atendimento de emergência. A oração acompanha o socorro, não o substitui.
Existe um terço de São Brás?
Não no sentido próprio. O terço, com os seus mistérios, é a devoção a Nossa Senhora. O que às vezes se chama "terço de São Brás" é apenas o costume de rezar jaculatórias ao santo contando pelas contas. Reze-o se quiser, mas sem confundir com o Santo Rosário.
São Brás cura a garganta de fato?
São Brás não cura por força própria nem por magia: ele roga a Deus por nós, e é Deus quem cura, quando e como julga melhor para a nossa alma. Pedir a São Brás a cura da garganta e procurar o médico não se opõem — ambos são confiança na Providência, que se serve também dos meios naturais.
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Fontes. Bíblia Sagrada, tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (Salmo 49, 15). Coleta e fórmula da bênção de São Brás conforme o Rituale Romanum e o Missal Romano de 1962 (comemoração de 3 de fevereiro). Alban Butler, Vidas dos Santos, 3 de fevereiro. Vida do santo segundo a tradição hagiográfica dos Catorze Santos Auxiliadores.