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São Paulo da Cruz: quem foi, passionistas, frases e oração
Quem foi São Paulo da Cruz, fundador dos Passionistas: a infância diante do crucifixo, as visões de 1720, o retiro de Castellazzo, o Monte Argentário, as missões da Paixão, as monjas passionistas, as suas frases, o dia 28 de abril no calendário de 1962 e as orações da Missa.
São Paulo da Cruz (1694-1775) foi um sacerdote italiano que consagrou a vida a pregar a Paixão de Nosso Senhor e fundou para isso a Congregação dos Clérigos Descalços da Santíssima Cruz e Paixão, os Passionistas, e depois as monjas passionistas. Missionário incansável dos Estados Pontifícios e da Toscana, morreu em Roma a 18 de outubro de 1775 e foi canonizado por Pio IX em 1867. No calendário de 1962, a sua festa é a 28 de abril, de 3ª classe.
Esta página conta quem foi São Paulo da Cruz segundo a vida de Butler e as lições do Breviário Romano, reúne as suas palavras, explica a espiritualidade passionista e dá, em latim e português, as orações que a Igreja reza na sua festa.
Quem foi São Paulo da Cruz
Ovada, 1694: a infância diante do crucifixo
Paulo Francisco Danei nasceu em Ovada, na república de Gênova, em 1694, o filho mais velho de Lucas Danei, comerciante de boa família, e de uma mãe profundamente cristã. Quando o menino chorava de dor ou de contrariedade, a mãe mostrava-lhe o crucifixo e dizia-lhe algumas palavras simples sobre os sofrimentos de Nosso Senhor: assim, conta Butler, semeou na sua alma de criança a devoção à Sagrada Paixão que havia de reger toda a sua vida. O pai lia em voz alta aos filhos as vidas dos santos.
As lições do Breviário de antes de 1960 guardam dois sinais da sua infância: um esplendor maravilhoso que encheu de noite o quarto da mãe quando ele nasceu, e a proteção da Rainha do Céu, que o tirou ileso de um rio onde caíra e onde ia morrer afogado. Desde o primeiro uso da razão, diz a lição, ardia de amor por Jesus Cristo crucificado.
A conversão aos quinze anos e o exército de Veneza
Aos quinze anos, um sermão convenceu-o de que não correspondia à graça. Fez uma confissão geral e começou uma vida de grande austeridade: dormia no chão, levantava-se à meia-noite, passava horas em oração e se disciplinava. O irmão João Batista, dois anos mais novo, imitou-o em tudo. As mesmas lições antigas acrescentam que às sextas-feiras bebia vinagre misturado com fel.
Em 1714, respondendo ao apelo do Papa Clemente XI, alistou-se no exército que Veneza preparava contra os turcos, movido, diz o Breviário, pelo desejo do martírio; mas, conhecendo na oração a vontade de Deus, pediu a baixa um ano depois, para servir numa milícia mais alta. Recusou uma boa herança de um tio e um casamento honroso, e passou vários anos em Castellazzo, na Lombardia, numa oração quase contínua.
As visões de 1720 e o retiro de Castellazzo
No verão de 1720, em três visões muito vivas, Paulo viu um hábito negro com o nome de Jesus em letras brancas, encimado por uma cruz branca, bordado no peito. Na terceira, Nossa Senhora, vestida com essa túnica, disse-lhe que devia fundar uma congregação cujos membros usariam aquele hábito e chorariam continuamente a paixão e a morte do seu Filho. O bispo de Alessandria, depois de consultar vários diretores espirituais, reconheceu ali o chamado de Deus e revestiu-o do hábito negro, sem o distintivo, até à aprovação do Papa.
Paulo retirou-se então durante quarenta dias numa cela escura, úmida e triangular junto à sacristia da igreja de São Carlos, em Castellazzo, a pão e água, dormindo sobre palha. Ali escreveu, sem livros nem guia humano, a regra da futura congregação, que é ainda, diz Butler, substancialmente a dos Passionistas. Foi também nesse retiro que começou a rezar pela conversão da Inglaterra.
Roma e o Monte Argentário
Descalço, de cabeça descoberta e sem dinheiro, partiu para Roma; sem cartas de recomendação, foi mandado embora do Vaticano. Aceitou a recusa como sinal de que a sua hora não tinha chegado e, no caminho de volta, descobriu as encostas solitárias do Monte Argentário, que o mar quase separa da terra firme. Voltou para lá com João Batista e viveu numa ermida abandonada uma vida quase tão austera como a dos padres do deserto.
Os dois irmãos foram ordenados sacerdotes em Roma; Paulo, diz o Breviário, recebeu o sacerdócio do Papa Bento XIII, por obediência. Voltaram em 1727 ao Argentário com a permissão de receber noviços. Os primeiros companheiros desistiram, a guerra ameaçava, os benfeitores faltaram, uma epidemia rebentou nas aldeias vizinhas: Paulo e João Batista cuidaram dos doentes, assistiram os moribundos e reconciliaram os pecadores. Dessas obras nasceram as missões. Em 1737 ficou pronto o primeiro "Retiro", nome que os Passionistas dão às suas casas.
A congregação aprovada
Em 1741 o Papa Bento XIV aprovou a regra, um pouco mitigada; em 1747, com três casas, reuniu-se o primeiro capítulo geral. A congregação, diz o Breviário, foi confirmada mais de uma vez pela Sé Apostólica, com as regras que o fundador recebera de Deus na oração e com um quarto voto: o de promover a memória agradecida da Paixão do Senhor. Em 1769 o Papa Clemente XIV deu-lhe a aprovação definitiva, que a pôs no mesmo pé que as outras ordens religiosas aprovadas; o mesmo Papa confiou a Paulo a basílica romana dos Santos João e Paulo, em memória, diz Butler, da união entre ele e o irmão João Batista, morto em 1765.
As monjas passionistas
Nos últimos anos, Paulo empenhou-se na fundação das monjas passionistas, virgens consagradas que deviam meditar assiduamente o excesso de amor do divino Esposo. Depois de muitas decepções, a primeira casa abriu-se em Corneto em 1771, mas o fundador, doente, não pôde estar presente e nunca viu as suas filhas espirituais com o hábito.
A morte em Roma
Em 1771 estava tão doente que pediu a bênção papal; Clemente XIV respondeu-lhe que devia viver mais um pouco, porque ainda não podiam dispensá-lo. Viveu ainda alguns anos. Depois de deixar aos seus filhos preciosos conselhos, como herança do seu espírito, e de ter recebido os sacramentos da Igreja, morreu em Roma, no dia que tinha predito, diz o Breviário: 18 de outubro de 1775. Pio IX o beatificou e, depois de novos milagres, o canonizou em 1867.
O missionário da Paixão
São Paulo da Cruz evangelizou pessoalmente quase todas as cidades dos Estados Pontifícios e grande parte da Toscana, tomando sempre por tema a Sagrada Paixão. Quando, de crucifixo na mão e braços abertos, pregava os sofrimentos de Cristo, as suas palavras pareciam atravessar os corações mais duros; e quando se disciplinava em público pelos pecados do povo, soldados endurecidos e até bandidos choravam e se confessavam. No confessionário, depois, tratava os penitentes com ternura e dava-lhes meios práticos de perseverar.
O Breviário fala da força admirável da sua palavra quando narrava a Paixão: chorava com os ouvintes e quebrava os corações endurecidos, levando-os à penitência. Conduziu ao caminho da salvação um número quase incontável de homens, mesmo perdidos ou caídos na heresia. É a pregação de São Paulo Apóstolo, cujo nome ele trazia: "Mas nós pregamos a Cristo crucificado: Que é um escândalo de fato para os judeus, e uma estultícia para os gentios" (1 Coríntios 1, 23); e é esse o texto da Epístola da sua Missa.
Para meditar a Paixão como ele a pregava, veja a Paixão de Cristo e a Via Sacra, e a devoção às Santas Chagas de Nosso Senhor.
Os dons extraordinários
O Breviário de antes de 1960 narra os dons com que Deus o cumulou: a chama da caridade era tão forte no seu peito que a camisa sobre o coração aparecia muitas vezes como queimada; tinha frequentes êxtases, por vezes com elevação do corpo; ao celebrar a Missa não podia conter as lágrimas; recebeu o dom da profecia e das línguas, o do discernimento dos corações e o poder sobre os demônios, as doenças e os elementos. Butler acrescenta que curava doentes e apareceu em visão a pessoas distantes, e que as multidões o seguiam para lhe tocar ou arrancar um pedaço do hábito como relíquia, honra que ele detestava.
E, no entanto, apesar da veneração dos próprios Papas, ele se julgava, diz a lição, um servo inútil, o maior dos pecadores, digno de ser pisado pelos demônios.
Frases de São Paulo da Cruz
Estas palavras são transmitidas pelas fontes da sua vida, retomadas por Butler (tradução nossa):
- Sobre a Inglaterra, por cuja conversão rezou desde 1720: "Esse país está sempre diante dos meus olhos. Se a Inglaterra voltar a ser católica, imensos serão os benefícios para a Santa Igreja."
- De um oficial que assistia a uma das suas missões: "Padre, estive em grandes batalhas sem nunca tremer ao rugido do canhão; mas quando vos ouço, tremo da cabeça aos pés."
O intróito da Missa da sua festa toma as palavras da Epístola aos Gálatas: "...estou encravado com Cristo na Cruz. E vivo, por melhor dizer, não sou eu já o que vivo: Mas Cristo é que vive em mim" (Gálatas 2, 19-20). As suas cartas, publicadas em quatro volumes em 1924, e o diário do retiro de quarenta dias de 1720 são, segundo Butler, os documentos que melhor deixam ver a sua alma.
O irmão João Batista
Não se conta a história de São Paulo da Cruz sem o irmão. Desde a ordenação, foram confessores um do outro, impondo-se mutuamente penitências e repreensões. Uma única sombra passou entre eles, conta Butler: no dia em que João Batista ousou elogiar o irmão na cara. A humildade de Paulo ficou tão ferida que proibiu o irmão de se aproximar dele; só ao terceiro dia, quando João Batista veio de joelhos pedir perdão, a nuvem se dissipou, para nunca mais voltar. A morte do irmão, em 1765, foi a grande dor dos seus últimos anos.
Dia de São Paulo da Cruz: 28 de abril
No calendário de 1962, o dia de São Paulo da Cruz é 28 de abril: festa de 3ª classe, de cor branca, com Missa própria. O intróito é a palavra de São Paulo aos Gálatas citada acima; a Epístola (1 Coríntios 1, 17-25) é a da pregação da Cruz; a comunhão é de São Pedro: "Mas folgai de serdes participantes das penalidades de Cristo, para que folgueis também com júbilo na aparição da sua glória" (1 São Pedro 4, 13). Não se diz o Credo. No Breviário, por ser festa de 3ª classe, o Ofício tem um só noturno, e a vida do santo é lida numa só lição contraída; as três lições mais longas eram as de antes de 1960.
A festa cai sempre no Tempo Pascal: a Paixão é celebrada na alegria da Ressurreição. Quando 28 de abril cai num domingo ou dentro da oitava da Páscoa, dias que prevalecem, a festa não se celebra nesse ano. Na véspera, 27 de abril, o calendário celebra São Pedro Canísio.
O calendário de 1969 transferiu a sua memória para 19 de outubro, perto do dia da sua morte; o calendário de 1962, que seguimos, conserva o 28 de abril.
A oração de São Paulo da Cruz no Missal de 1962
A oração própria de São Paulo da Cruz é a coleta da sua Missa, dirigida diretamente a Nosso Senhor. Em latim e em português (tradução nossa, literal):
Dómine Jesu Christe, qui, ad mystérium Crucis prædicándum, sanctum Paulum singulári caritáte donásti, et per eum novam in Ecclésia famíliam floréscere voluísti: ipsíus nobis intercessióne concéde; ut, passiónem tuam júgiter recoléntes in terris, ejúsdem fructum cónsequi mereámur in cœlis: Qui vivis et regnas cum Deo Patre, in unitáte Spíritus Sancti, Deus, per ómnia sǽcula sæculórum. Amen.
Senhor Jesus Cristo, que, para pregar o mistério da Cruz, dotastes São Paulo de uma singular caridade e por ele quisestes fazer florescer na Igreja uma nova família, concedei-nos, por sua intercessão, que, recordando continuamente na terra a vossa Paixão, mereçamos alcançar no céu o seu fruto. Vós que viveis e reinais com Deus Pai, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.
A pós-comunhão da mesma Missa resume toda a espiritualidade passionista:
Súmpsimus, Dómine, divínum sacraméntum, imménsæ caritátis tuæ memoriále perpétuum: tríbue, quǽsumus; ut, sancti Pauli méritis et imitatióne, aquam de fóntibus tuis hauriámus in vitam ætérnam saliéntem, et tuam sacratíssimam passiónem córdibus nostris impréssam móribus et vita teneámus: Qui vivis et regnas cum Deo Patre, in unitáte Spíritus Sancti, Deus, per ómnia sǽcula sæculórum. Amen.
Recebemos, Senhor, o divino sacramento, memorial perpétuo da vossa imensa caridade: concedei-nos, Vos pedimos, que, pelos méritos e pela imitação de São Paulo, bebamos das vossas fontes a água que jorra para a vida eterna, e conservemos nos costumes e na vida a vossa santíssima Paixão impressa em nossos corações. Vós que viveis e reinais com Deus Pai, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Novena de São Paulo da Cruz
Não conhecemos uma novena de São Paulo da Cruz de texto antigo e verificado que possamos dar aqui. Quem quiser preparar a festa com perseverança pode rezar a coleta acima durante os nove dias que a antecedem, de 19 a 27 de abril; é uma sugestão de piedade, não um rito prescrito. Para unir a essa oração uma devoção antiga à Cruz, veja a oração da Santa Cruz de Jesus Cristo.
O significado de São Paulo da Cruz
A vida de São Paulo da Cruz é uma resposta à frase de São Paulo Apóstolo: "Mas nunca Deus permita que eu me glorie, senão na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo" (Gálatas 6, 14). Ele não fundou uma obra de assistência nem uma escola: fundou uma família religiosa para lembrar ao mundo, com um voto, que Deus o amou até a Cruz. A coleta pede a mesma graça para nós: recordar continuamente a Paixão na terra para lhe colher o fruto no céu. É o que a Igreja propõe a todos os fiéis na Sexta-feira Santa e, em cada Missa, no Sacrifício do Calvário renovado sobre o altar. Para conhecer outros santos católicos, veja a nossa página de conjunto.
Perguntas Frequentes
Quem foi São Paulo da Cruz?
Paulo Francisco Danei, nascido em Ovada, na república de Gênova, em 1694, sacerdote e missionário que fundou a Congregação dos Passionistas para pregar a Paixão de Cristo, e morreu em Roma a 18 de outubro de 1775.
Qual é o dia de São Paulo da Cruz?
No calendário de 1962, 28 de abril, festa de 3ª classe. O calendário de 1969 transferiu a sua memória para 19 de outubro.
O que são os Passionistas?
A Congregação dos Clérigos Descalços da Santíssima Cruz e Paixão, fundada por São Paulo da Cruz. Os seus membros fazem, além dos três votos religiosos, um quarto voto de promover a memória da Paixão do Senhor, e as suas casas chamam-se "Retiros".
Quem fundou as irmãs passionistas?
O próprio São Paulo da Cruz fundou as monjas passionistas, cuja primeira casa se abriu em Corneto em 1771, poucos anos antes da sua morte.
Por que se chama São Paulo da Cruz?
É o nome com que a Igreja o inscreve na liturgia: Paulus a Cruce, Paulo da Cruz. E resume a sua vida, toda voltada para a pregação da Cruz e da Paixão de Cristo.
São Paulo da Cruz rezava pela Inglaterra?
Sim. Desde o retiro de quarenta dias em Castellazzo, em 1720, rezou pela conversão da Inglaterra, que dizia ter sempre diante dos olhos.
Qual é a oração de São Paulo da Cruz?
A oração própria é a coleta da sua Missa, que pede a graça de recordar continuamente a Paixão de Cristo na terra para lhe colher o fruto no céu. O texto completo, em latim e português, está acima, com a pós-comunhão.
O app Iter Fidei traz o Missal e o Breviário de 1962 com a festa de São Paulo da Cruz e os santos de cada dia, em latim e português, com áudio. Participe do acesso antecipado aqui.
Fontes. Alban Butler, Vidas dos Santos, 28 de abril; Breviário Romano, lições de São Paulo da Cruz (28 de abril); Missal Romano de 1962, Missa de São Paulo da Cruz (28 de abril); Sagrada Escritura, tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1 Coríntios 1, 23; Gálatas 2, 19-20; 6, 14; 1 São Pedro 4, 13).