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São Vicente de Paulo: quem foi, história, dia e oração
Quem foi São Vicente de Paulo (ou de Paula), o pai dos pobres: o pastorzinho da Gasconha, o cativeiro em Túnis, a Congregação da Missão, as Filhas da Caridade com Santa Luísa de Marillac, os enjeitados, as frases, a imagem, o dia 19 de julho no calendário de 1962 e a oração do Missal.
São Vicente de Paulo (também escrito São Vicente de Paula) é o sacerdote francês do século XVII que a Igreja chama de pai dos pobres: fundador da Congregação da Missão, cujos padres o povo chamou de Lazaristas, e, com Santa Luísa de Marillac, das Filhas da Caridade, apóstolo dos galés, dos camponeses e das crianças abandonadas. Morreu em Paris a 27 de setembro de 1660 e foi canonizado por Clemente XII em 1737. No calendário de 1962, a sua festa é a 19 de julho, festa de 3ª classe.
Contamos aqui quem foi São Vicente de Paulo, a história da sua vida segundo o Breviário Romano, as obras que fundou, as suas frases mais conhecidas, como é representado, qual é o seu dia e qual é a oração da Igreja em sua honra.
Quem foi São Vicente de Paulo
Onde nasceu São Vicente de Paulo
Vicente nasceu em Pouy, aldeia perto de Dax, nas Landas, na Gasconha, sudoeste da França, numa família de camponeses pobres. A data é discutida: os estudos modernos dão 24 de abril de 1581; o Breviário Romano, que segue os primeiros biógrafos, lhe dá oitenta e cinco anos ao morrer, o que levaria a 1576. A aldeia natal se chama hoje Saint-Vincent-de-Paul, em sua honra.
Menino, guardou o rebanho do pai. O Breviário nota que já então mostrava uma caridade extraordinária para com os pobres. Os pais, percebendo a vivacidade da sua inteligência, o tiraram do pastoreio para os estudos: as letras humanas em Dax, a teologia em Toulouse e em Saragoça. Foi ordenado sacerdote em 1600, muito jovem, e recebeu, diz o Breviário, a láurea em teologia.
O cativeiro em Túnis
Segundo o relato das suas próprias cartas, retomado pelo Breviário, Vicente foi capturado por volta de 1605 por piratas numa travessia por mar, levado para a África e vendido como escravo em Túnis. Serviu vários senhores; ao último, um cristão renegado, reconduziu-o à fé, e com ele fugiu em 1607, "com a ajuda da Mãe de Deus", diz o Breviário. Os historiadores modernos discutem alguns pormenores desse relato; mas a Igreja o leu durante séculos na sua festa.
Pároco, preceptor e a descoberta da sua vocação
De volta à França, depois de uma viagem a Roma, Vicente foi pároco de Clichy, perto de Paris, e viveu vários anos como capelão e preceptor na casa dos Gondi, uma das grandes famílias do reino. Foi nas terras dos Gondi, na Picardia, que a confissão geral de um camponês moribundo lhe revelou a ignorância religiosa do povo do campo, que mal conhecia o necessário para se salvar; a 25 de janeiro de 1617, pregou na igreja de Folleville o sermão do qual nasceram as missões que, oito anos depois, dariam origem à Congregação da Missão.
No mesmo ano de 1617, feito pároco de Châtillon-les-Dombes, fundou ali a primeira Confraria da Caridade, para socorrer de modo organizado os pobres doentes da paróquia. Daí em diante, a sua vida foi uma só coisa: evangelizar os pobres e servi-los.
As obras de São Vicente de Paulo
Capelão real das galés
Nomeado pelo rei capelão-mor das galés de França, Vicente desceu às prisões dos forçados, homens acorrentados aos remos, e o Breviário diz que se empenhou com zelo admirável pela salvação dos oficiais e dos remadores. Pregou-lhes missões, obteve-lhes cuidados e levou-lhes os sacramentos.
A Congregação da Missão: os Lazaristas
A 17 de abril de 1625, com o apoio da família Gondi, fundou a Congregação da Missão, sociedade de padres seculares ligados por um voto perpétuo, confirmado pela Santa Sé, a evangelizar sobretudo os pobres do campo, segundo a palavra que Nosso Senhor aplicou a si mesmo: "O Espírito do Senhor repousou sôbre mim, pelo que êle me consagrou com a sua unção, e enviou-me a pregar o Evangelho aos pobres" (São Lucas 4, 18). Instalada no priorado de São Lázaro, em Paris, a congregação recebeu do povo o nome de Lazaristas; em muitos países, inclusive no Brasil, os seus padres são chamados Vicentinos.
À obra das missões juntou a reforma do clero: retiros para os que iam receber as ordens sagradas, conferências regulares entre sacerdotes, seminários maiores. Enviou missionários não só pelas províncias da França, mas à Itália, à Polônia, à Escócia, à Irlanda e às terras dos bárbaros, como enumera o Breviário.
As Filhas da Caridade, com Santa Luísa de Marillac
A 29 de novembro de 1633, com Santa Luísa de Marillac, Vicente deu início à Companhia das Filhas da Caridade, moças do povo que serviam os pobres doentes. Foi uma novidade na Igreja: não eram monjas de clausura, mas servas enviadas às casas, aos hospitais e às ruas. Vicente lhes deu uma regra que ficou célebre: teriam "por mosteiro as casas dos enfermos, por cela um quarto de aluguel, por capela a igreja paroquial, por claustro as ruas da cidade". Foi a uma Filha da Caridade, Santa Catarina Labouré, que Nossa Senhora confiou em 1830, em Paris, a Medalha Milagrosa.
O pai dos enjeitados e de todos os aflitos
Vicente empreendeu também a obra dos enjeitados: os recém-nascidos abandonados de Paris morriam quase todos, e ele os fez recolher e criar pelas Filhas da Caridade, sustentados pelas Damas da Caridade, senhoras da nobreza que reunira. O Breviário enumera, numa lista impressionante, os que ele socorreu: os cristãos cativos sob o jugo dos turcos, as crianças abandonadas, os jovens transviados, as moças em perigo, as religiosas dispersas, as mulheres caídas, os condenados às galés, os peregrinos doentes, os artesãos inválidos, os loucos e inúmeros mendigos. Socorreu largamente a Lorena, a Champanha e a Picardia, devastadas pela peste, pela fome e pela guerra.
É a prática inteira das obras de misericórdia, corporais e espirituais, levada a uma escala que a França nunca vira.
Conselheiro da rainha
Assistiu o rei Luís XIII na hora da morte, e a rainha Ana de Áustria, mãe de Luís XIV, chamou-o ao Conselho de Consciência. Ali, diz o Breviário, trabalhou para que só os mais dignos fossem postos à frente das igrejas e dos mosteiros, para que cessassem as discórdias civis e os duelos e para que todos prestassem a devida obediência às decisões da Sé Apostólica. Durante cerca de quarenta anos foi também, por escolha de São Francisco de Sales, o superior das religiosas da Visitação em Paris; o santo bispo de Genebra dizia não conhecer sacerdote mais digno do que Vicente.
Como foi a morte de São Vicente de Paulo
Gasto pelas penitências, pelos trabalhos e pela velhice, Vicente adormeceu placidamente no Senhor a 27 de setembro de 1660, em Paris, na casa de São Lázaro, sede da Congregação da Missão. No meio de tantos negócios, diz o Breviário, permanecera sempre unido a Deus, afável com todos, simples, reto e humilde, fugindo das honras, das riquezas e dos prazeres; ouviram-no dizer que nada lhe agradava senão em Cristo Jesus, a quem procurava imitar em tudo.
Foi beatificado por Bento XIII a 13 de agosto de 1729 e canonizado por Clemente XII a 16 de junho de 1737. Em 1885, Leão XIII, a pedido de muitos bispos, declarou-o padroeiro especial de todas as associações de caridade do mundo católico que dele procedem de algum modo. As suas relíquias repousam em Paris, na capela dos Lazaristas, na rue de Sèvres.
Entre essas associações, a mais conhecida no Brasil é a Sociedade de São Vicente de Paulo, as Conferências Vicentinas, fundada por leigos em Paris em 1833 por iniciativa de Frederico Ozanam: é por ela, e pelas obras das Filhas da Caridade, que tantas paróquias, asilos, lares e hospitais do país levam o nome do santo.
Frases de São Vicente de Paulo
As frases de São Vicente de Paulo vêm das suas cartas e das conferências que fazia aos Lazaristas e às Filhas da Caridade. Duas resumem a sua vida e são atestadas com segurança:
- A regra que deu às Filhas da Caridade: "Por mosteiro, as casas dos enfermos; por cela, um quarto de aluguel; por capela, a igreja paroquial; por claustro, as ruas da cidade."
- A confidência que o Breviário guardou: nada lhe agradava senão em Cristo Jesus, a quem procurava imitar em tudo.
Ambas dizem a mesma coisa: no pobre se serve o próprio Cristo, segundo a palavra do Juízo: "quantas vezes vós fizestes isto a um dêstes meus irmãos mais pequeninos, a mim é que o fizestes" (São Mateus 25, 40).
A imagem de São Vicente de Paulo
A imagem de São Vicente de Paulo costuma mostrá-lo como um sacerdote idoso, de batina e sobrepeliz ou de capa simples, rosto magro e bondoso, segundo os retratos do seu tempo. O atributo mais frequente é uma criança enjeitada nos braços, ou várias aos seus pés, lembrança da obra dos enjeitados. Muitas vezes segura também um crucifixo, e aparece rodeado de Filhas da Caridade, reconhecíveis pela antiga touca branca de abas largas, ou de pobres e doentes.
Dia de São Vicente de Paulo: 19 de julho ou 27 de setembro?
No calendário de 1962, o dia de São Vicente de Paulo é 19 de julho, festa de 3ª classe, com cor branca e Glória. Foi Clemente XII quem, ao canonizá-lo, fixou a sua festa nesse dia, como lê o Breviário.
A reforma do calendário de 1969 transferiu a festa para 27 de setembro, dia da sua morte. Por isso tantos calendários e paróquias celebram hoje São Vicente de Paulo a 27 de setembro, enquanto quem segue o calendário tradicional o celebra a 19 de julho.
A novena de São Vicente de Paulo que trazemos no aplicativo Iter Fidei é rezada de 11 a 19 de julho, terminando no dia da festa de 1962; sobre o modo de rezar nove dias seguidos, veja o que é uma novena.
A oração de São Vicente de Paulo no Missal de 1962
A oração que a Igreja reza no dia de São Vicente é a coleta própria da sua Missa, que resume toda a sua vida em duas obras: evangelizar os pobres e dignificar o clero.
Deus, qui, ad evangelizándum paupéribus et ecclesiástici órdinis decórem promovéndum, beátum Vincéntium apostólica virtúte roborásti: præsta, quǽsumus; ut, cujus pia mérita venerámur, virtútum quoque instruámur exémplis. Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum. Amen.
Ó Deus, que, para evangelizar os pobres e promover a dignidade da ordem eclesiástica, fortalecestes com virtude apostólica o bem-aventurado Vicente: concedei-nos, vos suplicamos, que, venerando os seus piedosos méritos, sejamos também instruídos pelos exemplos das suas virtudes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que, sendo Deus, vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
A oração a São Vicente de Paulo que pede a graça de uma caridade ardente, está com o modo de rezá-la na página da oração de São Vicente de Paulo. Outros santos da caridade têm também a sua página, como São Camilo de Lelis, padroeiro dos enfermos, e Santa Isabel da Hungria, a princesa dos pobres; e o nosso guia dos santos católicos explica por que os veneramos.
Perguntas Frequentes
Quem foi São Vicente de Paulo?
Um sacerdote francês (1581-1660), filho de camponeses da Gasconha, que fundou a Congregação da Missão (os Lazaristas ou Vicentinos) e, com Santa Luísa de Marillac, as Filhas da Caridade. Dedicou a vida a evangelizar os pobres do campo, formar bons padres e socorrer doentes, galés, cativos e crianças abandonadas. A Igreja o declarou padroeiro das associações de caridade.
Qual é o dia de São Vicente de Paulo?
No calendário de 1962, é 19 de julho, festa de 3ª classe. Desde a reforma de 1969, o calendário novo o celebra a 27 de setembro, dia da sua morte.
Onde nasceu São Vicente de Paulo?
Em Pouy, perto de Dax, nas Landas, na Gasconha, sudoeste da França. A aldeia hoje se chama Saint-Vincent-de-Paul.
São Vicente de Paulo ou São Vicente de Paula?
É o mesmo santo. Em francês o nome é Vincent de Paul; em português as duas formas se usam, e muitas instituições brasileiras adotaram "de Paula". Não se deve confundi-lo com São Vicente, diácono e mártir de Saragoça, celebrado a 22 de janeiro, nem com São Vicente Ferrer, o pregador dominicano de Valência, celebrado a 5 de abril.
Como foi a morte de São Vicente de Paulo?
Morreu serenamente, muito idoso e gasto pelos trabalhos, a 27 de setembro de 1660, na casa de São Lázaro, em Paris, sede da sua congregação.
O que são as Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo?
Uma companhia fundada em 1633 por São Vicente e Santa Luísa de Marillac: religiosas não enclausuradas, dedicadas ao serviço dos pobres doentes nas casas, nos hospitais e nas ruas. Foi a uma delas, Santa Catarina Labouré, que foi revelada a Medalha Milagrosa.
Qual a diferença entre a Congregação da Missão e a Sociedade de São Vicente de Paulo?
A Congregação da Missão (1625) é a sociedade de padres fundada pelo próprio santo. A Sociedade de São Vicente de Paulo, ou Conferências Vicentinas, é uma associação de leigos fundada em Paris em 1833, que se colocou sob o patrocínio do santo e se espalhou pelo Brasil inteiro.
O app Iter Fidei traz a novena de São Vicente de Paulo, o Missal e o Breviário de 1962 e os santos de cada dia, em latim e português, com áudio. Participe do acesso antecipado aqui.
Fontes. Missal Romano de 1962 (19 de julho, coleta); Breviário Romano, 19 de julho (lições do II noturno, na forma anterior às rubricas de 1960; no Breviário de 1962, festa de 3ª classe, uma só lição contraída); Sagrada Escritura, tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (São Lucas 4, 18; São Mateus 25, 40).