Orações
Orações de Santo Agostinho
As orações autênticas de Santo Agostinho — o célebre 'Tarde te amei' das Confissões, em português e latim, e o que o Doutor da Igreja de fato escreveu sobre a morte. E por que o poema 'A morte não é nada' não é dele.

A mais bela oração de santo agostinho não foi escrita para ser uma fórmula a recitar, e sim como um grito de amor a Deus no meio de um livro: o célebre "Tarde te amei" das Confissões. Damos abaixo esse texto inteiro, em português e no latim original, junto com o que o santo Doutor da Igreja realmente ensinou sobre a morte — e a verdade sobre um poema famoso, "A morte não é nada", que circula com o nome dele mas que ele jamais escreveu. Bebamos da fonte, e não da cópia.
"Tarde te amei" — a oração das Confissões
Por volta do ano 397, já bispo de Hipona, Agostinho escreveu as Confissões: não uma autobiografia comum, mas uma longa oração dirigida a Deus, em que confessa ao mesmo tempo os seus pecados e a misericórdia que o resgatou. No Livro X, ao contemplar a beleza de Deus que tantos anos buscara fora de si mesmo, irrompe nele este lamento de amor — uma das páginas mais altas da literatura cristã de todos os tempos:
Sero te amavi, pulchritudo tam antiqua et tam nova, sero te amavi!
Et ecce intus eras et ego foris, et ibi te quaerebam,
et in ista formosa quae fecisti deformis inruebam.
Mecum eras, et tecum non eram.
Ea me tenebant longe a te, quae si in te non essent, non essent.
Vocasti et clamasti et rupisti surditatem meam;
coruscasti, splenduisti et fugasti caecitatem meam;
fragrasti, et duxi spiritum et anhelo tibi;
gustavi et esurio et sitio;
tetigisti me, et exarsi in pacem tuam.Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei!
Eis que estavas dentro de mim, e eu fora, e fora te procurava;
e disforme me lançava sobre estas coisas formosas que fizeste.
Estavas comigo, e eu não estava contigo.
Retinham-me longe de ti as criaturas que não existiriam se não existissem em ti.
Chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez.
Brilhaste, resplandeceste e afugentaste a minha cegueira.
Exalaste perfume: respirei-o, e suspiro por ti.
Provei-te: tenho fome e sede de ti.
Tocaste-me: e abrasei-me na tua paz.
Repare na estrutura desta oração. Os cinco verbos finais — chamaste, brilhaste, exalaste, provei, tocaste — percorrem os cinco sentidos do corpo, como se Agostinho dissesse: Deus me alcançou por inteiro, ouvido, vista, olfato, paladar, tato; nada de mim ficou de fora do seu amor. E note a confissão que abre tudo: "estavas dentro de mim, e eu fora." O homem corre o mundo atrás da felicidade, e Aquele que a dá habitava o seu próprio coração. Esta é a oração de quem descobriu, tarde, que Deus nunca esteve longe.
É uma oração para rezar devagar, frase por frase, de preferência diante do Santíssimo ou num exame de consciência. Não peça nada ao recitá-la: deixe que ela diga, por você, o pesar de ter amado tarde e a alegria de enfim amar.
O que Santo Agostinho escreveu sobre a morte
Aqui é preciso uma palavra de verdade, porque ela liberta. Circula muito, em santinhos e nas redes, uma oração de santo agostinho sobre a morte que começa assim: "A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado..." É um texto comovente — mas não é de Santo Agostinho. Trata-se de um trecho de um sermão chamado The King of Terrors, pregado em Londres, na catedral de São Paulo, por Henry Scott Holland em 1910 — quinze séculos depois de Agostinho. Não há nenhuma obra do santo de onde ele provenha.
E há mais: o que esse poema afirma é, no fundo, contrário ao que o bispo de Hipona ensinou. "A morte não é nada" minimiza a morte, como se ela fosse uma simples mudança de quarto. Agostinho, ao contrário, tomava a morte muito a sério — como o salário do pecado, como a porta tremenda do juízo, e ao mesmo tempo como a passagem para a verdadeira Vida em Deus. Para ele a morte é algo, e algo grave; e justamente por isso clamamos a misericórdia de Deus diante dela.
O que Agostinho de fato deixou sobre a morte está nas Confissões, quando reza por sua mãe, Santa Mônica, recém-falecida — e nos ensina o que fazer pelos nossos mortos: rezar por eles, em vez de fingir que nada aconteceu.
Eu não chorava por ela, mas por mim chorava... E agora, Senhor, eu te confesso por escrito. Leia quem quiser, e interprete como quiser; e se achar pecado eu ter chorado minha mãe por uma pequena parte de uma hora, não zombe de mim, mas, se tem grande caridade, chore ele mesmo, diante de ti, pelos meus pecados.
E, logo a seguir, a oração que é o verdadeiro testamento agostiniano diante da morte — o pedido de sufrágio pelos que partiram:
Inspira, ó Senhor meu Deus, inspira aos teus servos, meus irmãos, que com piedosa afeição se lembrem, no altar, de Mônica, tua serva, e de Patrício, outrora seu esposo... para que o que ela me pediu no seu último adeus lhe seja concedido, por muitos, mais largamente, através das minhas confissões do que através das minhas orações.
Está aí a diferença que muda tudo. O poema moderno diz: não chore, não fiz senão passar para a sala ao lado. Agostinho diz: chora os teus pecados, e reza pelos teus mortos no altar. A primeira é uma consolação que dispensa Deus; a segunda é a fé da Igreja, que crê na Comunhão dos Santos e no poder dos sufrágios pelas almas — como na novena das almas. Por isso, quando perder alguém, em vez de copiar "a morte não é nada", mande rezar uma Missa por essa alma. É o que Mônica pediu, e o que Agostinho fez.
Quem foi Santo Agostinho
Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste, no norte da África romana (atual Argélia), em 354. Filho de pai pagão, Patrício, e de uma mãe cristã e santa, Mônica, foi um jovem brilhantíssimo e dissoluto: estudou retórica, viveu anos com uma concubina, teve um filho fora do matrimônio, Adeodato, e aderiu ao erro dos maniqueus. Sua mãe chorou e rezou por ele durante quase trinta anos.
Professor de retórica em Cartago, Roma e Milão, foi ali que tudo mudou. Ouvindo a pregação de Santo Ambrósio e lendo São Paulo, num jardim, sob uma figueira, ouviu uma voz de criança que repetia: "Toma e lê, toma e lê" (Tolle, lege). Abriu as Epístolas, leu, e a graça venceu. Foi batizado por Ambrósio na Páscoa de 387. Mônica, vendo enfim o filho cristão, morreu pouco depois em Óstia, em paz.
Ordenado sacerdote e logo bispo de Hipona em 395, Agostinho governou sua diocese por trinta e cinco anos, pregando, escrevendo e combatendo as heresias do seu tempo — maniqueus, donatistas e pelagianos. Deixou uma obra imensa: as Confissões, A Cidade de Deus, tratados sobre a Trindade, a graça, os Salmos. Morreu em 28 de agosto de 430, enquanto os vândalos sitiavam sua cidade, rezando os salmos penitenciais escritos nas paredes do seu quarto. É um dos quatro grandes Doutores da Igreja do Ocidente, entre os grandes santos católicos, e seu pensamento moldou toda a teologia cristã que veio depois. A Igreja o celebra em 28 de agosto, e a Santa Mônica na véspera, 27 de agosto.
De que Santo Agostinho é padroeiro
Por ter sido teólogo e mestre, a Igreja o invoca como padroeiro dos teólogos, dos impressores e tipógrafos, e dos cervejeiros — esta última invocação ligada aos excessos de sua juventude, dos quais a graça o libertou. Mais profundamente, por causa de sua longa conversão arrancada às lágrimas de Santa Mônica, é socorro seguro dos que vivem na desordem e dos pais que rezam por filhos afastados. A Ordem que segue sua Regra — os Agostinianos — o tem por pai e mestre. Quem o toma por padroeiro pede sobretudo uma coisa: a graça de uma conversão sincera, custe o que custar.
Oração de Santo Agostinho contra a inveja
A inveja é um dos pecados capitais, e Agostinho a combateu pregando que o invejoso se devora a si mesmo enquanto o outro nada perde. Não há uma fórmula litúrgica do santo com este título; o que a tradição recolhe das suas obras é o pedido de um coração que se alegre com o bem alheio. Reze assim, com palavras inspiradas no seu espírito:
Senhor, tira de mim o olho mau que entristece com o bem do meu irmão. Dá-me um coração largo, que se alegre com a tua glória onde quer que ela brilhe, e que não cobice nem o lugar, nem os dons, nem a honra de ninguém. Cura em mim a raiz da inveja, que é o amor de mim mesmo, e ensina-me a amar a ti acima de tudo, e ao próximo por amor de ti. Amém.
O remédio agostiniano para a inveja é sempre o mesmo: voltar o coração inquieto para Deus, único bem que não diminui quando partilhado.
Oração de Santo Agostinho para momentos de aflição
Nas horas de angústia, a melhor oração agostiniana é o verso que abre as Confissões, porque nomeia a causa de toda inquietação e o seu único repouso. Repita-o devagar quando o peito apertar:
Fizeste-nos para ti, Senhor, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti.
(Fecisti nos ad te, et inquietum est cor nostrum, donec requiescat in te.)
E acrescente este pedido, tirado do mesmo espírito das Confissões, para a alma atribulada:
Em ti, Senhor, lanço todo o meu cuidado, e viverei. Tu és o meu refúgio na tribulação; sara as minhas chagas, ilumina as minhas trevas, e não me deixes longe de ti, único bem em quem o meu coração descansa. Amém.
A lógica é sempre a mesma de Agostinho: a aflição é sinal de que o coração ainda não repousou onde deve. Não fuja dela com distrações — leve-a a Deus.
Oração ao Espírito Santo de Santo Agostinho
Esta breve invocação ao Espírito Santo, há séculos atribuída a Santo Agostinho, é uma das orações de respiração mais belas da tradição — quatro verbos que pedem ao Espírito que ele mesmo faça em nós o que nós não conseguimos:
Respira em mim, Espírito Santo, para que eu pense o que é santo.
Move-me, Espírito Santo, para que eu faça o que é santo.
Atrai-me, Espírito Santo, para que eu ame o que é santo.
Fortalece-me, Espírito Santo, para que eu guarde o que é santo.
Guarda-me, Espírito Santo, para que eu nunca perca o que é santo. Amém.
Em latim, o início é célebre: Spira in me, Sancte Spiritus, ut sancta cogitem. Reze-a de manhã, antes de qualquer trabalho, entregando ao Espírito o dia inteiro.
Oração de consagração e consagração a Nossa Senhora
Consagrar-se é entregar-se inteiro a Deus, no espírito do "Tarde te amei". Para uma consagração pessoal, use a jaculatória das Confissões como ato de doação: "Tarde te amei... a ti me dou, todo, para sempre."
Quanto à consagração a Nossa Senhora, é preciso uma palavra de verdade histórica: as fórmulas marianas de consagração que mais se difundiram — sobretudo a de São Luís Maria Grignion de Montfort — são posteriores a Agostinho em mais de mil anos, e não devem ser atribuídas a ele. O que vem genuinamente de Agostinho é a sua altíssima doutrina sobre Maria, Mãe de Deus e modelo da Igreja, que crê primeiro com o coração antes de conceber no ventre. Quem deseja consagrar-se a Nossa Senhora pode unir o espírito agostiniano de doação total a uma fórmula tradicional aprovada, como o Sub tuum praesidium ou a consagração montfortiana — sem as confundir com um texto do bispo de Hipona.
Novena de Santo Agostinho
A novena de Santo Agostinho reza-se nos nove dias que antecedem a sua festa, de 19 a 27 de agosto, culminando no dia 28. Pede-se por sua intercessão a graça de uma verdadeira conversão e a perseverança na fé. Não há uma fórmula única e oficial: cada dia pode unir a leitura de um trecho das Confissões, a jaculatória "Tarde te amei" e um pedido próprio, encerrando com esta oração:
Ó glorioso Santo Agostinho, que depois de tantos erros encontraste a Deus e nele descansaste, alcança-nos a graça de buscá-lo de todo o coração e de o amar sem demora. Tu que disseste "tarde te amei", roga por nós, para que não amemos tarde, mas hoje, Aquele que é a beleza tão antiga e tão nova. Amém.
Pode-se rezar uma novena semelhante a Santa Mônica e Santo Agostinho juntos — mãe e filho —, pedindo pela conversão de um ente querido afastado, como Mônica obteve a do seu filho. Para o método das novenas em geral, veja a nossa novena das almas.
Terço de Santo Agostinho: existe?
Muitos buscam um "terço de Santo Agostinho", mas é preciso esclarecer: o terço e o Rosário como os rezamos hoje difundiram-se séculos depois de Agostinho, ligados a São Domingos e à devoção mariana medieval. Não há, portanto, um terço composto pelo próprio santo. O que se encontra com esse nome são coroas devocionais montadas modernamente com frases das Confissões — legítimas como devoção, mas não obra de Agostinho. Quem quer rezar "à maneira de Agostinho" faz melhor recitando os salmos, que ele comentou em toda a sua obra e rezou até a morte, ou repetindo a jaculatória "Fizeste-nos para ti, Senhor."
"Oração para afastar encosto": uma palavra de verdade
Circula nas redes uma suposta "oração de Santo Agostinho para afastar encosto". Aqui devemos ser claros, com caridade e firmeza. A noção de "encosto" — espíritos de mortos que se "grudam" nos vivos — não pertence à fé católica, mas ao espiritismo e a sincretismos. Santo Agostinho jamais escreveu nada do gênero, e a Igreja sempre rejeitou a comunicação com os mortos e os ritos de "limpeza espiritual" próprios da superstição.
O ensino católico é outro, e mais consolador: os mortos não "encostam" nos vivos; ou estão no Céu, ou no Purgatório a ser purificados — e por estes rezamos, sobretudo na Santa Missa —, ou perdidos. Contra o mal espiritual verdadeiro, a Igreja dá armas reais: a confissão, a Eucaristia, a água benta, o sinal da cruz e orações de proteção aprovadas, como a oração de São Bento e a oração a São Miguel Arcanjo. Quem sente uma perturbação grave deve procurar um sacerdote, nunca um centro ou um "trabalho". Não combatemos superstição com mais superstição.
Como rezar com Santo Agostinho
A melhor maneira de rezar com Agostinho é fazer o que ele fez: transformar a própria vida em confissão diante de Deus — confissão de pecado e confissão de louvor. Tome o "Tarde te amei" como oração de amor, recitada sem pressa quando o coração estiver frio; tome a oração por Mônica como modelo de sufrágio pelos seus mortos.
Guarde também, de cor, esta jaculatória que resume toda a sua doutrina sobre o desejo de Deus, do início das Confissões: "Fizeste-nos para ti, Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousa em ti" (Fecisti nos ad te, et inquietum est cor nostrum, donec requiescat in te). Repita-a quando se sentir vazio: é o diagnóstico exato de toda inquietação humana, e o seu único remédio.
Veja também a nossa oração de São Francisco de Assis, a oração de São Bento e, entre os outros grandes Doutores da Igreja, a oração de São Jerônimo, tradutor da Vulgata, e o responsório de Santo Antônio, Doutor Evangélico. Leia ainda o nosso artigo o que é o purgatório, para entender melhor por que rezamos pelos nossos mortos. Para mais textos da tradição, percorra a nossa coletânea de orações católicas.
Perguntas Frequentes
Quem foi Santo Agostinho?
Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste, no norte da África romana, em 354, e tornou-se bispo de Hipona. Convertido aos 32 anos depois de uma juventude dissoluta, foi batizado por Santo Ambrósio na Páscoa de 387. Morreu em 28 de agosto de 430 e é um dos quatro grandes Doutores da Igreja do Ocidente.
Quem foi Santo Agostinho e o que ele defendia?
Foi bispo de Hipona e o maior teólogo do Ocidente cristão. Defendeu a fé católica contra três grandes heresias do seu tempo — os maniqueus, os donatistas e os pelagianos —, ensinando sobretudo a necessidade da graça de Deus para a salvação. Deixou as Confissões, A Cidade de Deus e tratados sobre a Trindade, a graça e os Salmos.
Quem foi a mãe de Santo Agostinho?
Foi Santa Mônica, mãe cristã que chorou e rezou pela conversão do filho durante quase trinta anos, até vê-lo batizado. Morreu pouco depois, em Óstia, em paz. A Igreja a celebra em 27 de agosto, véspera da festa de seu filho.
Qual é a oração mais famosa de Santo Agostinho?
É o "Tarde te amei" (em latim, Sero te amavi), do Livro X das Confissões, escrito por volta do ano 397. Não é uma fórmula litúrgica, mas um grito de amor a Deus: "Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova... estavas dentro de mim, e eu fora."
A oração "A morte não é nada" é de Santo Agostinho?
Não. O texto "A morte não é nada, eu somente passei para o outro lado..." é um trecho de um sermão pregado por Henry Scott Holland em Londres, em 1910 — mais de mil e quinhentos anos depois de Agostinho. Não existe em nenhuma obra do santo, e o seu conteúdo é até contrário ao que ele ensinou sobre a morte.
O que Santo Agostinho ensinou sobre a morte?
Que a morte é grave — consequência do pecado e porta do juízo —, mas, para quem morre na graça, passagem para a Vida eterna em Deus. Diante da morte dos nossos, ele não manda fingir que nada aconteceu: manda rezar por eles, sobretudo na Santa Missa, como ele fez por sua mãe, Santa Mônica.
Quando é a festa de Santo Agostinho?
A Igreja celebra Santo Agostinho em 28 de agosto, dia de sua morte em Hipona, no ano de 430. Na véspera, 27 de agosto, celebra-se sua mãe, Santa Mônica, cujas lágrimas e orações alcançaram a conversão do filho.
De que Santo Agostinho é padroeiro?
É invocado como padroeiro dos teólogos, dos impressores e tipógrafos e dos cervejeiros, e como socorro dos que vivem na desordem e dos pais que rezam por filhos afastados — por causa de sua própria conversão, obtida pelas lágrimas de Santa Mônica. É também o pai e mestre da Ordem dos Agostinianos, que segue sua Regra.
Como se reza a novena de Santo Agostinho?
Reza-se nos nove dias antes da festa, de 19 a 27 de agosto, culminando no dia 28. Não há fórmula oficial única: cada dia une um trecho das Confissões, a jaculatória "Tarde te amei" e o pedido da graça de uma conversão sincera. Pode-se rezar a Santa Mônica e Santo Agostinho juntos, pela conversão de um ente querido.
Existe um terço de Santo Agostinho?
Não composto por ele. O terço e o Rosário difundiram-se séculos depois do santo. O que se vê com esse nome são coroas devocionais montadas modernamente com frases das Confissões — legítimas como devoção, mas não obra de Agostinho. Para rezar "à sua maneira", recite os salmos ou a jaculatória "Fizeste-nos para ti, Senhor."
A oração "para afastar encosto" atribuída a Santo Agostinho é católica?
Não. A ideia de "encosto" pertence ao espiritismo, não à fé católica, e Agostinho jamais escreveu nada do gênero. Contra o mal espiritual a Igreja dá armas reais — a confissão, a Eucaristia, a água benta, o sinal da cruz e orações aprovadas como a de São Miguel Arcanjo. Numa perturbação grave, procure um sacerdote, nunca um "trabalho" ou centro.
Qual é a oração de Santo Agostinho ao Espírito Santo?
É a invocação que começa "Respira em mim, Espírito Santo, para que eu pense o que é santo" (em latim, Spira in me, Sancte Spiritus), atribuída ao santo há séculos. Pede ao Espírito que ele mesmo nos faça pensar, fazer, amar e guardar o que é santo.
O aplicativo Iter Fidei traz a Bíblia de Figueiredo, os salmos, as orações e novenas, em latim e português, com áudio. Baixe aqui.
Fontes. Santo Agostinho, Confissões — Livro X, cap. 27 (Sero te amavi, "Tarde te amei"); Livro IX (morte e oração por Santa Mônica); Livro I, cap. 1 (Fecisti nos ad te...). Texto latino: Sancti Augustini Confessiones (The Latin Library; ed. de referência). Tradução portuguesa cotejada com as edições brasileiras correntes das Confissões. Vida de Santo Agostinho: as próprias Confissões e Possídio, Vida de Santo Agostinho (séc. V). Sobre a falsa atribuição de "A morte não é nada": Henry Scott Holland, sermão The King of Terrors, catedral de São Paulo, Londres, 1910.