A Fé
Os 7 Pecados Capitais: Quais São e o Que Significam
Os 7 pecados capitais — soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça — explicados segundo o Catecismo de São Pio X, com as virtudes opostas que os vencem e os versículos exatos da Escritura na tradução de Figueiredo.

Os 7 pecados capitais são a soberba, a avareza, a luxúria, a ira, a gula, a inveja e a preguiça. Não são sete pecados quaisquer entre tantos: são as sete raízes de onde brotam quase todos os outros — assim como os Dez Mandamentos traçam a lei que esses vícios transgridem. Por isso se chamam capitais, do latim caput, "cabeça": são a cabeça, a fonte, o princípio de uma multidão de pecados.
Apresentamos abaixo cada um deles tal como os ensina o Catecismo de São Pio X, lemos os versículos exatos na tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, e mostramos, para cada vício, a virtude oposta — porque a Tradição nunca nos deixa apenas diante do mal, mas sempre diante do remédio.
Por que se chamam "capitais"
O Catecismo de São Pio X define com clareza: chamam-se capitais estes vícios "porque são a fonte e a causa de muitos outros vícios e pecados". Não são necessariamente os pecados mais graves de todos — um pecado contra o Espírito Santo é mais grave —, mas são os mais perigosos por sua fecundidade: cada um gera uma linhagem inteira de outras quedas. Resistir-lhes, opondo a cada vício a virtude contrária, é o cerne do combate espiritual a que todo cristão é chamado.
A própria Escritura descreve esses males. O livro dos Provérbios enumera sete coisas que o Senhor detesta; não é a mesma lista, mas mostra como a Bíblia já ensinava a nomear e a contar os desvios do coração:
Seis são as coisas que o Senhor aborrece, e a sua alma detesta a sétima: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina malvadíssimos projetos, pés prontos para correr ao mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia discórdias entre seus irmãos. (Provérbios 6, 16-19)
E São Paulo, escrevendo aos Gálatas, enumera "as obras da carne" — a fornicação, a impureza, a luxúria, a idolatria, as iras, as invejas, as bebedices — e conclui sem rodeios: que os que tais coisas cometem, não possuirão o reino de Deus (Gálatas 5, 19-21). Eis o que está em jogo nos sete pecados capitais — e por que é preciso combatê-los pela confissão frequente, explicada passo a passo no guia sobre como se confessar.
A soberba — vence-se com a humildade
A soberba é o desejo desordenado da própria excelência. É querer-se acima do que se é, recusar a Deus e ao próximo o lugar que lhes é devido. A Tradição a aponta como a raiz de todos os pecados, porque foi por ela que o anjo caiu. A Escritura a sentencia:
A soberba precede a ruína: E o espírito eleva-se antes da queda. (Provérbios 16, 18)
A virtude oposta é a humildade. Não a humildade que rebaixa falsamente, mas a que conhece a verdade: tudo o que somos de bom, recebemos. O remédio está nas próprias palavras de Deus:
Deus resiste aos soberbos e dá a sua graça aos humildes. (Tiago 4, 6)
E o modelo é o próprio Cristo, que se humilhou a si mesmo, feito obediente até à morte, e morte de cruz (Filipenses 2, 8).
A avareza — vence-se com a liberalidade
A avareza é o apego desordenado às riquezas e aos bens da terra, tomados como fim e não como meio. O avarento acumula e teme perder; o dinheiro, que deveria servir, passa a reinar. São Paulo a chama, com palavra terrível:
Porque a raiz de todos os males é a avareza: A qual cobiçando alguns se desencaminharam da fé, e se enredaram em muitas dores. (I Timóteo 6, 10)
A virtude oposta é a liberalidade — a generosidade que dá, que socorre, que usa os bens para o bem. Onde o avarento fecha a mão, o liberal a abre; e descobre que dar é mais livre do que reter.
A luxúria — vence-se com a castidade
A luxúria é o apetite desordenado dos prazeres da carne, fora da ordem que Deus estabeleceu. É a desonestidade do corpo e do coração. Figueiredo a lista entre as obras da carne: a fornicação, a impureza, a desonestidade, a luxúria (Gálatas 5, 19).
A virtude oposta é a castidade, que não despreza o corpo, mas o santifica, guardando cada estado de vida — solteiro, casado, consagrado — na pureza que lhe convém; a consagração a Nossa Senhora é, na Tradição, um auxílio poderoso para conservá-la. O Senhor reservou aos puros uma promessa única: Bem-aventurados os limpos de coração: Porque êles verão a Deus (Mateus 5, 8).
A ira — vence-se com a paciência
A ira é o desejo desordenado de vingança, a paixão que arde e quer devolver o mal. Há uma indignação justa contra o pecado; mas a ira capital é aquela que rompe a caridade e busca ferir. São Tiago adverte:
Assim cada um de vós seja pronto para ouvir: Porém, tardo para falar e tardo para se irar. Porque a ira do homem não cumpre a justiça de Deus. (Tiago 1, 19-20)
A virtude oposta é a paciência — e, com ela, a mansidão. A bem-aventurança é dos que dominam o próprio ímpeto: Bem-aventurados os mansos: Porque êles possuirão a terra (Mateus 5, 4). O modelo, de novo, é Cristo: aprendei de mim que sou manso, e humilde de coração (Mateus 11, 29).
A gula — vence-se com a temperança
A gula é o apetite desordenado da comida e da bebida, o prazer da mesa convertido em senhor. O glutão faz do ventre o seu deus, e São Paulo descreve o fim de tais homens com palavra severa: Cujo Deus é o ventre... que gostam só do que é terreno (Filipenses 3, 19). O livro dos Provérbios une a embriaguez à ruína e à preguiça: passando o tempo em beber... êles se arruinarão (Provérbios 23, 21).
A virtude oposta é a temperança — a sobriedade que come para viver, jejua quando a Igreja manda (segundo os mandamentos da Igreja) e mantém o corpo sujeito ao espírito.
A inveja — vence-se com a caridade
A inveja é a tristeza pelo bem do próximo, sentido como diminuição do próprio. É o avesso da caridade: onde deveria haver alegria pelo bem alheio, há pesar. A Escritura mostra sua origem no início mesmo do mal:
Mas por inveja do diabo entrou no mundo a morte. (Sabedoria 2, 24)
A virtude oposta é a caridade, que se alegra com a alegria do irmão. São Paulo a descreve precisamente neste ponto:
A caridade é paciente, é benigna, a caridade não é invejosa, não obra temerária, nem precipitadamente, não se ensoberbece. (I Coríntios 13, 4)
A preguiça — vence-se com a diligência
A preguiça — em latim acedia — é a tristeza e a frouxidão diante do bem espiritual, a falta de fervor no serviço de Deus. Não é apenas a indolência do corpo, mas o desânimo da alma que recua diante do que custa. A Escritura manda olhar a formiga:
Vai ter, ó preguiçoso, com a formiga e considera os seus caminhos, e aprende dela a sabedoria. (Provérbios 6, 6)
A virtude oposta é a diligência e o fervor. São Paulo a resume numa só linha: No cuidado que deveis ter, não sejais preguiçosos: Sêde fervorosos de espírito: Servi o Senhor (Romanos 12, 11).
Os nomes dos 7 pecados capitais (em português e em latim)
Quem busca os nomes dos 7 pecados capitais encontra duas listas que se correspondem: a tradicional, em português, e a latina, fixada pela Tradição. Eis as duas, lado a lado:
- Soberba — superbia
- Avareza — avaritia
- Luxúria — luxuria
- Ira — ira
- Gula — gula
- Inveja — invidia
- Preguiça — acedia (também pigritia)
São sempre estes sete, nesta ordem, no Catecismo de São Pio X e nos catecismos tradicionais. Uma regra antiga de memória, em latim, reúne-os pelas iniciais — SALIGIA (Superbia, Avaritia, Luxuria, Invidia, Gula, Ira, Acedia) —, recurso usado pelos mestres para que ninguém esquecesse nenhum.
"10 pecados capitais": por que não são dez, mas sete
Há quem procure os "10 pecados capitais", confundindo-os com os Dez Mandamentos. São coisas distintas. Os mandamentos são dez leis dadas por Deus no Sinai; os pecados capitais são sete vícios-raiz definidos pela Tradição. Não existe uma lista de dez pecados capitais no ensino católico: o número é, e sempre foi, sete — porque sete são as fontes de onde derivam os demais. Quem ouviu falar em "dez" provavelmente cruzou as duas listas; a Igreja conta dez mandamentos e sete pecados capitais.
De onde vem a lista dos sete: Cassiano e São Gregório Magno
A expressão "sete pecados capitais" não aparece com essas palavras na Bíblia, mas a doutrina é antiquíssima. No início do século V, São João Cassiano transmitiu ao Ocidente, a partir dos Padres do Deserto, uma lista de oito pensamentos maus. No fim do século VI, o papa São Gregório Magno fixou-a nos sete que conhecemos, reduzindo e ordenando o elenco. A Idade Média — com São Tomás de Aquino — consolidou a doutrina, e o Catecismo de São Pio X a entregou ao povo cristão na forma simples que ainda usamos. Não é, portanto, uma invenção tardia: é o destilado de dezesseis séculos de combate ascético.
Qual é o pecado capital mais grave?
A Tradição responde sem hesitar: a soberba. São Gregório Magno chama-a a rainha dos vícios, raiz da qual brotam os demais, porque foi por soberba que o anjo caiu e por soberba que o homem quis ser como Deus. A avareza, diz São Paulo, é "a raiz de todos os males" (I Timóteo 6, 10) — palavra que a Tradição entende da cobiça desordenada que arrasta a tantos outros pecados. Convém lembrar, porém, que "capital" não é sinônimo de "mais grave em si": mede a fecundidade do vício, não só a sua malícia. Por isso a soberba, mãe de todos, encabeça sempre a lista.
Os sete pecados e as sete virtudes, num só olhar
O Catecismo de São Pio X ensina que os vícios capitais "se vencem com a prática das virtudes opostas". Eis o quadro que a Tradição nos confia:
- Soberba → humildade
- Avareza → liberalidade
- Luxúria → castidade
- Ira → paciência
- Gula → abstinência (temperança)
- Inveja → amor fraterno (caridade)
- Preguiça → diligência
Não se combate um vício olhando-o fixamente, mas enchendo a alma da virtude contrária. Onde entra a luz, recua a treva.
Oração para pedir o vencimento dos vícios
A liturgia tradicional reza, no início da Missa, uma oração breve que pede a Deus o que sozinhos não podemos: a alma purificada. Reze-a, junto às orações católicas e ao exame de consciência de cada noite, no combate diário contra os vícios. Eis o Aufer a nobis, em latim e português:
Aufer a nobis, quǽsumus, Dómine, iniquitátes nostras: ut ad Sancta sanctórum puris mereámur méntibus introíre. Per Christum Dóminum nostrum. Amen.
Tirai de nós, Senhor, nós Vos pedimos, as nossas iniquidades, para que mereçamos entrar de coração puro no Santo dos Santos. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.
E o salmista nos dá, em todo tempo, a súplica que cabe diante dos sete pecados:
Cria em mim, ó Deus, um coração puro: e renova nas minhas entranhas um espírito reto. (Salmo 50 da Vulgata, 12)
Para o exame antes da confissão, o aplicativo Iter Fidei para a confissão traz as perguntas sobre os sete vícios capitais, cada uma marcada conforme a gravidade habitual da matéria, e um caderno privado do que há a confessar.
Perguntas Frequentes
Quais são os 7 pecados capitais?
Os sete pecados capitais são a soberba, a avareza, a luxúria, a ira, a gula, a inveja e a preguiça. Estão enumerados no Catecismo de São Pio X como a fonte e a causa de muitos outros vícios e pecados.
Por que se chamam pecados "capitais"?
Chamam-se capitais — de caput, "cabeça" — porque são a fonte e a causa de muitos outros vícios e pecados. Não são sempre os mais graves, mas os mais fecundos em gerar outras quedas.
Pecado capital é o mesmo que pecado mortal?
Não. "Mortal" diz respeito à gravidade de um pecado que mata a vida da graça na alma; "capital" diz respeito à fecundidade de um vício como raiz de outros. Um pecado capital pode ser mortal ou venial, conforme a matéria, o pleno conhecimento e o pleno consentimento.
Como se vencem os sete pecados capitais?
Segundo o Catecismo de São Pio X, vencem-se com a prática das virtudes opostas: a soberba com a humildade, a avareza com a liberalidade, a luxúria com a castidade, a ira com a paciência, a gula com a abstinência (temperança), a inveja com o amor fraterno (caridade) e a preguiça com a diligência e o fervor no serviço de Deus.
Onde a Bíblia fala dos pecados capitais?
A Escritura não usa a expressão "sete pecados capitais", mas descreve cada um deles. Provérbios 6, 16-19 enumera sete coisas que o Senhor detesta; Gálatas 5, 19-21 lista as "obras da carne". A enumeração ordenada dos sete vícios foi formulada pela Tradição, de São João Cassiano e São Gregório Magno em diante.
Os pecados capitais são 7 ou 10?
São sete: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. Quem fala em "dez" costuma confundi-los com os Dez Mandamentos, que são outra coisa. A Igreja conta dez mandamentos e sete pecados capitais; não há, no ensino católico, uma lista de dez pecados capitais.
Quais são os nomes dos 7 pecados capitais em latim?
São superbia (soberba), avaritia (avareza), luxuria (luxúria), ira (ira), gula (gula), invidia (inveja) e acedia (preguiça). A regra mnemônica latina SALIGIA reúne as iniciais para ajudar a memorizá-los.
Qual é o pecado capital mais grave?
A Tradição aponta a soberba como o mais grave e a raiz de todos: São Gregório Magno a chama "rainha dos vícios". São Paulo, por sua vez, diz que a avareza é "a raiz de todos os males" (I Timóteo 6, 10). "Capital", porém, mede a fecundidade do vício em gerar outros, não apenas a sua gravidade.
Quem definiu os sete pecados capitais?
A doutrina remonta aos Padres do Deserto. São João Cassiano (início do séc. V) transmitiu uma lista de oito pensamentos maus, e o papa São Gregório Magno (séc. VI) fixou-a nos sete que usamos hoje. São Tomás de Aquino e, mais tarde, o Catecismo de São Pio X consolidaram o ensino.
O aplicativo Iter Fidei traz a Bíblia de Figueiredo, as orações e as novenas, em latim e português, com áudio. Participe do acesso antecipado aqui.
Fontes. Catecismo de São Pio X (Compêndio da Doutrina Cristã), capítulo sobre os pecados ou vícios capitais e as virtudes opostas; Sagrada Escritura na tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo (Provérbios 6, 16-19; 16, 18; 23, 21; Gálatas 5, 19-23; I Timóteo 6, 10; Tiago 1, 19-20; 4, 6; Filipenses 2, 8; 3, 19; Mateus 5, 4.8; 11, 29; Sabedoria 2, 24; I Coríntios 13, 4; Romanos 12, 11; Salmo 50, 12); oração Aufer a nobis do Missal Romano tradicional.