Novenas
Novena do Abandono a Jesus: os 9 dias completos
A Novena do Abandono a Jesus completa, do padre Dolindo Ruotolo: os nove dias com as palavras de Nosso Senhor, a invocação « Jesus, eu abandono-me a Vós, cuidai Vós de tudo », como rezar e quando começar.
A Novena do Abandono é a oração de nove dias em que a alma oprimida deixa de discutir com Deus e Lhe entrega inteiramente aquilo que a esmaga, repetindo cada dia dez vezes: « Jesus, eu abandono-me a Vós, cuidai Vós de tudo! » Não se dirige à intercessão de um santo, mas ao próprio Nosso Senhor, e recolhe as palavras que Ele, segundo o testemunho do servo de Deus dom Dolindo Ruotolo (1882-1970), sacerdote de Nápoles, dirigia à alma perturbada. Não está ligada a festa alguma: começa-se no dia em que a necessidade se apresenta e reza-se nove dias seguidos, sem interrupção.
Uma nota sobre esta devoção
Sejamos francos com o leitor que preza a Tradição. Esta devoção é recente. Dom Dolindo Ruotolo nasceu em Nápoles a 6 de outubro de 1882, foi ordenado sacerdote a 24 de junho de 1905 e faleceu a 19 de novembro de 1970. Não está até hoje nem beatificado nem canonizado: traz o título de servo de Deus, e a causa foi aberta apenas em 1994. Portanto, nem a novena nem o seu autor gozam de qualquer aprovação equivalente à de uma devoção canonizada, e as palavras de Nosso Senhor aqui reproduzidas são uma revelação particular — não fazem parte do depósito da fé, e ninguém é obrigado a acolhê-las.
Dito isto, nada acrescentam à doutrina católica. A Novena do Abandono não é senão o abandono à divina Providência — aquilo que São Francisco de Sales ensinou no Tratado do Amor de Deus, que o padre Jean-Pierre de Caussade expôs no Abandono à Providência divina, e que Santa Teresinha do Menino Jesus chamou a sua « pequena via ». Quem preferir uma fonte estritamente clássica encontra a mesma doutrina, sem revelação particular alguma, nesses mestres e na novena a Santa Teresinha. E se o costume das novenas ainda lhe parece estranho, comece por nossa explicação sobre o que é uma novena.
Convém desfazer desde já um mal-entendido que o próprio texto corrige em cada linha: abandonar-se não é cruzar os braços. Não é fatalismo, nem quietismo, nem desprezo dos meios naturais. É cumprir o dever de estado, procurar o médico, pagar as contas, trabalhar — e deixar de se torturar com aquilo que não se governa. O que Nosso Senhor pede não é a inércia das mãos, mas o silêncio do raciocínio obsessivo.
O texto completo da Novena do Abandono
A novena reza-se em nove dias seguidos. Cada dia: faz-se o sinal da cruz, apresenta-se a intenção, lê-se devagar a meditação do dia — como se Jesus a dissesse a nós somente —, repete-se dez vezes a invocação do Abandono, e termina-se com a invocação a Nossa Senhora e as orações finais.
O sinal da cruz (todos os dias)
Em nome do Pai,
e do Filho,
e do Espírito Santo.
Amém.
Esta novena não está ligada a festa alguma: começai-a no dia em que a necessidade se apresentar, e rezai-a nove dias seguidos sem interrupção. Cada dia apresentai primeiro a Nosso Senhor a intenção pela qual orais, e lede depois devagar a meditação do dia, como se Jesus vo-la dissesse a vós somente.
A intenção
Exprimi aqui, com simplicidade, o fardo que quereis entregar a Nosso Senhor — o mesmo durante os nove dias. Nomeai-o sem rodeios, e deixai depois de o remoer.
Senhor Jesus, venho a Vós de mãos vazias e coração perturbado. Já não sei o que fazer, nem como isto acabará. Entrego-Vos este assunto inteiro, sem nada reter, e peço-Vos a única graça de fechar os olhos da minha alma e Vos deixar agir.
Primeiro dia — Porque vos perturbais?
Jesus diz à alma: « Porque vos confundis agitando-vos? Deixai-me o cuidado das vossas coisas e tudo se acalmará. Em verdade vos digo: todo o ato de verdadeiro abandono em mim, cego e completo, produz o efeito que desejais e resolve as situações mais espinhosas. »
Repete-se depois dez vezes, devagar e sem pressa, a invocação do Abandono.
Jesus, eu abandono-me a Vós, cuidai Vós de tudo! (dez vezes)
Segundo dia — O que significa abandonar-se
« Abandonar-se a mim não significa atormentar-se, perturbar-se e desesperar, para me dirigir depois uma oração agitada a fim de que eu vos siga, mudando assim a agitação em oração. Abandonar-se significa fechar placidamente os olhos da alma, desviar o pensamento da tribulação e entregar-se a mim para que eu só opere, dizendo-me: Cuidai Vós de tudo. »
Repete-se depois dez vezes, devagar e sem pressa, a invocação do Abandono.
Jesus, eu abandono-me a Vós, cuidai Vós de tudo! (dez vezes)
Terceiro dia — Não ditai ao médico o remédio
« Quantas coisas realizo quando a alma, nas suas necessidades espirituais e materiais, se volta para mim, me olha e me diz: Cuidai Vós de tudo — e depois fecha os olhos e repousa! Recebes poucas graças quando te esfalfas por as produzir tu mesmo; recebes muitas quando a tua oração é pleno abandono em mim. Na dor pedes que eu aja, mas que aja como tu queres: não te diriges a mim, queres que eu me adapte às tuas ideias. Não és um doente que pede ao médico o remédio, mas um doente que lho dita. Não faças assim, mas ora como vos ensinei no Pai-Nosso: Santificado seja o vosso Nome, isto é: sede glorificado nesta minha necessidade; Venha a nós o vosso Reino, isto é: tudo em mim e no mundo sirva ao vosso Reino; Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu, isto é: disponde desta necessidade como vos parecer melhor para a minha vida eterna e temporal. Se me disseres verdadeiramente: Seja feita a vossa vontade — o que é o mesmo que dizer: Cuidai Vós de tudo — eu intervenho com toda a minha onipotência e desato as situações mais fechadas. »
Repete-se depois dez vezes, devagar e sem pressa, a invocação do Abandono.
Jesus, eu abandono-me a Vós, cuidai Vós de tudo! (dez vezes)
Quarto dia — O mal cresce? Não te perturbes
« Vês que o mal cresce em vez de diminuir? Não te perturbes. Fecha os olhos e dize-me com fé: Seja feita a vossa vontade, cuidai Vós de tudo. Digo-te que eu cuidarei disso, e que intervirei como faz um médico, e obrarei até milagres quando for preciso. Vês que o doente piora? Não te aflijas, mas fecha os olhos e dize: Cuidai Vós de tudo. Digo-te que eu cuidarei disso, e que não há remédio mais poderoso do que a minha intervenção de amor. Pelo meu amor, prometo-to. »
Repete-se depois dez vezes, devagar e sem pressa, a invocação do Abandono.
Jesus, eu abandono-me a Vós, cuidai Vós de tudo! (dez vezes)
Quinto dia — Levado à outra margem
« E quando devo conduzir-te por um caminho diverso daquele que vês, eu te formo, levo-te nos meus braços e faço-te encontrar, como as criancinhas adormecidas nos braços maternos, na outra margem. O que te perturba e te faz um mal imenso é o teu raciocínio, o teu pensamento, a tua obsessão, e esse querer prover tu mesmo, a todo o custo, àquilo que te aflige. »
Repete-se depois dez vezes, devagar e sem pressa, a invocação do Abandono.
Jesus, eu abandono-me a Vós, cuidai Vós de tudo! (dez vezes)
Sexto dia — Confia só em mim
« Não dormes; queres julgar tudo, esquadrinhar tudo, pensar em tudo, e entregas-te assim às forças humanas, ou pior ainda, aos homens mesmos, confiando na sua intervenção. É isto que estorva as minhas palavras e os meus desígnios. Oh, quanto desejo de ti este abandono, para te poder cumular! e quanto sofro ao ver-te agitado! Satanás não busca outra coisa: agitar-te, para te subtrair à minha ação e lançar-te em presa das iniciativas humanas. Confia, pois, só em mim, repousa em mim, abandona-te a mim em tudo. »
Repete-se depois dez vezes, devagar e sem pressa, a invocação do Abandono.
Jesus, eu abandono-me a Vós, cuidai Vós de tudo! (dez vezes)
Sétimo dia — Os milagres nascem da pobreza
« Obro milagres na proporção do teu pleno abandono em mim e de já não pensares em ti mesmo. Derramo sobre ti tesouros de graças quando te encontras numa pobreza total. Se tens os teus recursos, por pequenos que sejam, ou se os procuras, permaneces na ordem natural, e segues portanto o curso natural das coisas, que Satanás muitas vezes estorva. Nenhum homem de raciocínios, nenhum calculista fez jamais um milagre, nem sequer entre os santos: obra divinamente só quem se abandona a Deus. Quando vires que as coisas se complicam, dize, de olhos da alma fechados: Cuidai Vós de tudo. E desvia o olhar de ti mesmo, porque o teu espírito é agudo e muito te custa ver o mal e confiar todavia em mim. Faze assim em todas as tuas necessidades; fazei-o todos, e vereis grandes milagres, contínuos e silenciosos. Eu cuidarei disso, prometo-to. »
Repete-se depois dez vezes, devagar e sem pressa, a invocação do Abandono.
Jesus, eu abandono-me a Vós, cuidai Vós de tudo! (dez vezes)
Oitavo dia — Fecha os olhos, eu te conduzirei
« Fecha os olhos e deixa-te levar pela corrente da minha graça; fecha os olhos e deixa-me operar; fecha os olhos e não penses no momento presente, desviando o pensamento do futuro como de uma tentação. Repousa em mim, crendo na minha bondade, e juro-te pelo meu amor que, se me disseres com estas disposições: Cuidai Vós de tudo — eu cuidarei plenamente de tudo, consolar-te-ei, libertar-te-ei, conduzir-te-ei. »
Repete-se depois dez vezes, devagar e sem pressa, a invocação do Abandono.
Jesus, eu abandono-me a Vós, cuidai Vós de tudo! (dez vezes)
Nono dia — Mil orações não valem um ato de abandono
« Ora sempre nesta disposição de abandono, e dela tirarás uma grande paz e grandes frutos, mesmo quando te concedo a graça da imolação, da reparação e do amor que exige o sofrimento. Parece-te impossível? Fecha os olhos e dize com toda a tua alma: Jesus, cuidai Vós de tudo. Não temas: eu cuidarei disso, e tu bendirás o meu nome humilhando-te. Mil orações não valem um só ato de abandono: lembra-te bem disto. Não há novena mais eficaz do que esta. »
Repete-se depois dez vezes, devagar e sem pressa, a invocação do Abandono.
Jesus, eu abandono-me a Vós, cuidai Vós de tudo! (dez vezes)
Encerramento de cada dia
Dom Dolindo, sacerdote profundamente mariano, queria que todo o abandono fosse posto nas mãos de Nossa Senhora. Termina-se, pois, cada dia com esta invocação à santíssima Virgem.
Ó Maria, eu abandono-me a vós; cuidai vós de tudo. Mãe, sou vosso agora e para sempre; por vós e convosco quero pertencer todo a Jesus. Assim seja.
Pai nosso, que estais nos céus :
santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia
nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos
aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.
Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Em nome do Pai,
e do Filho,
e do Espírito Santo.
Amém.
As formas em que esta novena é procurada
A Novena do Abandono em PDF
Muitos procuram a novena do abandono em PDF para levá-la consigo ou distribuí-la na paróquia. Esta página traz o texto integral dos nove dias — meditações, invocação e orações finais — e pode ser impressa direto do navegador (Ctrl+P no computador, « Compartilhar → Imprimir » no celular), escolhendo « Salvar como PDF ». Nada aqui foi resumido: quem imprime esta página tem a novena inteira, sem depender de arquivos truncados ou misturados a outras devoções.
O « ato de abandono » e a novena
A novena ato de abandono e o « ato de abandono » não são duas coisas diferentes. O ato de abandono é a invocação única — « Jesus, eu abandono-me a Vós, cuidai Vós de tudo! » — que se pode dizer em qualquer momento do dia, como uma jaculatória. A novena é essa mesma invocação estendida a nove dias e amparada pelas nove meditações, que existem apenas para lhe dar profundidade e força. Quem tem pouco tempo pode reter só o ato; quem quer que ele penetre na alma faz os nove dias.
A novena curta e a novena dia a dia
Não existe uma « versão curta » autêntica com outro texto: a forma curta é simplesmente o dia lido devagar e as dez invocações — três a cinco minutos. A forma « dia a dia », mais fecunda, acrescenta o encerramento mariano e as orações finais reproduzidas acima, e leva cerca de dez minutos. Nas duas o essencial é o mesmo: as dez repetições, ditas sem pressa, sem voltar a remoer o problema entre uma e outra.
O abandono à vontade de Deus e à divina Providência
Procura-se também esta oração como novena do abandono à vontade de Deus ou novena de abandono à divina Providência — e os dois nomes são exatos. O terceiro dia diz-o com todas as letras: dizer « Seja feita a vossa vontade » é o mesmo que dizer « Cuidai Vós de tudo ». Abandonar-se não é resignar-se a um destino cego; é aderir a uma vontade que é a de um Pai, e que quer o nosso bem eterno mais do que nós o queremos. É por isso que a novena não pede um resultado determinado: pede que Deus disponha « como vos parecer melhor para a minha vida eterna e temporal ».
Por uma intenção determinada
A novena serve para qualquer angústia concreta: uma doença, uma situação familiar embrulhada, uma dívida, um filho afastado da fé, um emprego perdido, uma decisão que não se sabe tomar. Quem reza por um nó que já não consegue desatar encontrará também amparo na novena de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, cuja graça própria é a mesma.
Como rezar a Novena do Abandono
Quando começar. Em qualquer dia. Esta novena não está ligada a festa alguma nem a data alguma do calendário: começa-se logo que a necessidade se apresenta, e reza-se nove dias seguidos, sem interrupção. Se um dia se esquece, o costume mais seguro é recomeçar do primeiro — não por escrúpulo, mas porque a novena é uma escola de fidelidade, e nove dias de constância já são, em si mesmos, parte do que Nosso Senhor pede.
A hora. De manhã, de preferência, antes que os cuidados do dia tomem conta do pensamento. Diante de uma imagem, ou simplesmente sentado, em silêncio.
A intenção. Uma só, nomeada sem rodeios no primeiro dia e mantida até o nono. Nomeá-la é importante: o abandono não é vaguidade. E, uma vez nomeada, não se volta a remoê-la — esse é justamente o ponto.
As dez repetições. Devagar. Não são uma fórmula a despachar; são dez vezes que se solta a corda. Se durante a repetição o pensamento voltar ao problema — e voltará —, não se irrite: recomece a invocação com calma, tantas vezes quantas for preciso.
O que acompanha. A novena não substitui os sacramentos, e nada a torna mais fecunda do que uma boa confissão no começo dos nove dias, e a Santa Missa. O abandono é uma disposição da alma em estado de graça; sem isso, é apenas um desejo. Quem conhece o combate espiritual reconhece na « agitação » de que fala a novena o que os mestres antigos chamavam de inquietude — arma preferida do inimigo, precisamente porque não parece um pecado.
Quem foi dom Dolindo Ruotolo
Dom Dolindo Ruotolo nasceu em Nápoles a 6 de outubro de 1882, numa família pobre e dura, e foi ordenado sacerdote a 24 de junho de 1905, aos vinte e dois anos. Escolheu para si um lema que explica toda a sua vida: « Deus é tudo, eu sou nada. » Não pediu nada e não recebeu nada — nem paróquia, nem honra, nem tranquilidade.
A sua vida foi uma sucessão de humilhações. Suspeito de erros que não cometera, foi denunciado, investigado e suspenso das funções sacerdotais, ficando anos sem poder celebrar a Santa Missa — a maior dor que se pode infligir a um sacerdote. Aceitou tudo sem uma queixa e sem acusar quem o acusava. Foi reabilitado, e voltou a ser suspeito. Escreveu uma vasta exposição da Sagrada Escritura, censurada e depois liberada. Viveu pobre em Nápoles, atendendo confissões durante horas e comendo o que lhe davam.
O Padre Pio de Pietrelcina, a quem os napolitanos acorriam, dizia-lhes: « Porque vindes aqui, tendo dom Dolindo em Nápoles? Ide a ele, é um santo! » — palavra que explica por que tantos ainda procuram esta novena sob o nome de novena do abandono do Padre Pio: não é dele, mas ele apontava para o seu autor. Quem quiser recorrer também ao estigmatizado do Gargano encontrará aqui a novena a São Padre Pio.
Nos dez últimos anos da sua vida ficou quase inteiramente paralítico. Foi nessa cama, e não numa escrivaninha, que o ato de abandono acabou de se escrever: não é uma teoria, mas o fruto de uma existência inteira passada a fechar os olhos da alma para que Deus tudo conduzisse. Morreu a 19 de novembro de 1970, com fama de santidade em toda Nápoles. A sua causa de beatificação foi aberta em 1994; até hoje é servo de Deus, e não pode receber culto público — o que não impede ninguém de lhe pedir a intercessão em particular, nem de rezar por sua glorificação.
Uma última observação, e é a mais importante: esta novena não se dirige a dom Dolindo, mas a Nosso Senhor Jesus Cristo. Dom Dolindo é apenas o instrumento pelo qual as palavras chegaram até nós — e ele mesmo quis que o abandono fosse posto nas mãos de Nossa Senhora, razão do encerramento mariano de cada dia, que prepara naturalmente a consagração a Nossa Senhora.
Perguntas Frequentes
O que é a Novena do Abandono a Jesus?
É uma oração de nove dias em que a alma entrega a Nosso Senhor uma preocupação determinada e repete cada dia, dez vezes: « Jesus, eu abandono-me a Vós, cuidai Vós de tudo! » Cada dia traz uma meditação com as palavras que Jesus, segundo o testemunho de dom Dolindo Ruotolo, dirigia à alma perturbada. Não pede um santo por intercessor: fala diretamente a Cristo.
Quem escreveu a Novena do Abandono?
Dom Dolindo Ruotolo (1882-1970), sacerdote de Nápoles, servo de Deus. Ele apresentava as nove meditações não como composição sua, mas como palavras que recebia de Nosso Senhor. A novena tornou-se conhecida sobretudo depois da sua morte.
A Novena do Abandono é do Padre Pio?
Não. A confusão é comum e tem uma origem honrosa: o Padre Pio dizia aos napolitanos que o procuravam para irem antes a dom Dolindo, « que é um santo ». Daí a novena circular às vezes como « novena do abandono do Padre Pio ». O texto é de dom Dolindo.
Quando começar a Novena do Abandono?
Em qualquer dia do ano. Ela não está ligada a festa alguma: começa-se no dia em que a necessidade aparece, e rezam-se nove dias seguidos, sem interrupção.
Existe a Novena do Abandono em PDF?
O texto integral está nesta página e pode ser impresso ou salvo como PDF pelo próprio navegador. Desconfie de arquivos que circulam truncados ou misturados a outras devoções: o essencial é ter os nove dias completos e a invocação repetida dez vezes por dia.
Abandonar-se a Jesus significa não fazer mais nada?
Não. O próprio texto o diz: abandonar-se não é atormentar-se nem cruzar os braços, mas « fechar placidamente os olhos da alma » e deixar de querer prover a todo o custo àquilo que nos aflige. Continua-se a trabalhar, a tratar-se, a cumprir o dever de estado. O que se abandona é a obsessão, não a responsabilidade.
A Igreja aprova esta novena? Dom Dolindo é santo?
Dom Dolindo é servo de Deus: nem beatificado nem canonizado, e sem culto público. As meditações são revelação particular, à qual ninguém é obrigado. A doutrina que exprimem, porém — o abandono à divina Providência — é a de São Francisco de Sales, do padre de Caussade e de Santa Teresinha, e nisso é perfeitamente segura.
Qual a diferença entre o ato de abandono e a novena?
O ato de abandono é a invocação única, que se pode dizer a qualquer hora do dia, como uma jaculatória. A novena é essa mesma invocação estendida a nove dias e sustentada pelas nove meditações. O ato é o coração; a novena é a escola que o ensina ao coração.
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Fontes. Escritos e testemunhos do servo de Deus dom Dolindo Ruotolo (1882-1970) ; Sagrada Escritura, tradução do padre António Pereira de Figueiredo (Mt 6, 9-13 ; Lc 1, 28.42) ; São Francisco de Sales, Tratado do Amor de Deus ; padre Jean-Pierre de Caussade, O Abandono à Providência divina ; Missal Romano de 1962 ; Catecismo de São Pio X.