Novenas
Novena da Santa Cruz: os 9 dias completos para rezar
A novena da Santa Cruz completa, dia por dia, com as meditações, as orações próprias e a coleta do Missal Romano da Exaltação da Santa Cruz. Comece em 6 de setembro e termine em 14 de setembro, dia da festa.
A novena da Santa Cruz é uma oração de nove dias dirigida a Cristo crucificado, honrando o madeiro em que Ele nos resgatou — o altar do sacrifício, o trono do Rei, a árvore da vida plantada no meio do mundo. É o refúgio dos que carregam cruzes pesadas: dos tentados, dos aflitos, dos doentes, dos que pedem uma santa morte, e de toda a Igreja militante. Começa-se tradicionalmente em 6 de setembro, para terminar em 14 de setembro, dia da festa da Exaltação da Santa Cruz — mas pode ser rezada em qualquer época, logo que uma cruz pese demais.
Não veneramos o madeiro por si mesmo: na Cruz adoramos Cristo, que nela foi cravado, e o preço com que fomos comprados. Por isso a Igreja, na Sexta-feira Santa, canta ao mesmo tempo Adoramos a tua Cruz, Senhor e celebramos a tua santa ressurreição: as duas coisas são uma só. Quem quiser entender antes o que é este exercício de nove dias encontrará o essencial em o que é uma novena e como rezá-la bem.
Novena da Santa Cruz completa
Cada um dos nove dias segue a mesma ordem: o sinal da Cruz, a invocação diária com a sua intenção, a meditação própria do dia, a oração própria do dia, e depois o Pai-Nosso, três Ave-Marias e o Glória ao Pai.
Oração diária (todos os nove dias)
Começa-se sempre pelo sinal da Cruz:
Em nome do Pai,
e do Filho,
e do Espírito Santo.
Amém.
Recolha-se um instante em silêncio e reze depois a invocação diária, que se diz em cada um dos nove dias antes da meditação própria do dia.
Ó santa Cruz de Cristo, árvore da vida e única esperança do mundo, prostramo-nos diante de ti. Por ti Nosso Senhor venceu o pecado e a morte e abriu-nos o Céu. Salve, ó Cruz, única esperança: fortalece a nossa fé, sustenta a nossa esperança, inflama o nosso amor, e alcança-nos do Salvador crucificado a graça que humildemente pedimos nesta novena.
Exprima aqui, com simplicidade e clareza, a intenção que confia à santa Cruz — a mesma durante os nove dias.
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo. Assim seja.
Primeiro dia — A árvore da vida
No princípio o homem perdeu a vida estendendo a mão para a árvore proibida do paraíso; por uma árvore veio a morte. Na sua misericórdia Deus quis que de uma árvore viesse também o remédio: o madeiro da Cruz, no qual o novo Adão estendeu os braços para reparar a desobediência do antigo. O que a soberba perdera no jardim do Éden, a obediência de Cristo reconquistou no Calvário, e a árvore do suplício tornou-se para nós a árvore da vida.
Ó Cruz do Salvador, verdadeira árvore da vida, sarai em nós as feridas do pecado original: alcançai-nos o espírito de obediência e de humildade com que Cristo reparou a nossa queda, para que um dia demos os frutos da vida eterna.
Pai nosso, que estais nos céus:
santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia
nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos
aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.
Três vezes:
Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Segundo dia — A invenção da Santa Cruz
Durante três séculos a Cruz permaneceu desprezada e escondida sob os escombros de Jerusalém. Santa Helena, mãe do imperador Constantino, empreendeu na sua velhice reencontrar o seu madeiro sagrado. A tradição refere que se descobriram três cruzes, e que o verdadeiro madeiro do Salvador se deu a conhecer devolvendo a saúde a uma moribunda. Ergueu-se então o madeiro sagrado diante do povo prostrado, e no Calvário dedicaram-se as basílicas de Constantino. O sinal que o imperador vira no céu — por este sinal vencerás — sua mãe reencontrava-o na terra de Jerusalém.
Ó Cruz gloriosa, reencontrada pela fé de santa Helena e venerada por todo um povo, avivai em nós o amor e o respeito pelo madeiro sagrado que levou o nosso resgate: que nunca nos envergonhemos da Cruz de Nosso Senhor, mas a levemos bem alto no meio do mundo.
Pai nosso, que estais nos céus:
santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia
nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos
aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.
Três vezes:
Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Terceiro dia — O trono do Rei
Na Cruz Nosso Senhor não foi somente uma vítima: reinou. Pôncio Pilatos mandou cravar sobre a sua cabeça o título — Jesus Nazareno, rei dos judeus — e aquela inscrição, escrita em três línguas, proclamou apesar dele a realeza do Crucificado. A Igreja canta que Deus reinou do alto do madeiro. A Cruz é o trono de onde Cristo atrai tudo a si, o ceptro com que governa as almas, o estandarte sob o qual reúne o seu povo. O que o mundo tinha por um patíbulo, a fé contempla como um trono de glória.
Ó Cristo, Rei coroado de espinhos e entronizado na Cruz, reinai sobre os nossos corações e sobre as nossas famílias: que não sirvamos outro senhor, mas nos alistemos com alegria sob o estandarte da vossa Cruz, até que nos recebais no vosso reino.
Pai nosso, que estais nos céus:
santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia
nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos
aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.
Três vezes:
Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Quarto dia — A exaltação do madeiro sagrado
No século VII os persas haviam levado de Jerusalém o madeiro sagrado como despojo. O imperador Heráclio venceu-os e trouxe a relíquia em triunfo. Mas quando, carregado de púrpura e ouro, quis transpor a porta do Calvário, uma força invisível o deteve; e o patriarca recordou-lhe que o Salvador levara aquele madeiro despojado e humilhado. Então o imperador depôs os seus ornamentos reais e, descalço e em simples túnica, levou ele mesmo a Cruz até ao cume. É esta solene exaltação que a Igreja celebra a 14 de setembro.
Ó Cruz exaltada por toda a Igreja, ensinai-nos que ninguém se aproxima de ti senão despojando-se de toda a soberba: dai-nos a humildade do imperador que depôs a púrpura, para que, pequenos e pobres de coração, mereçamos um dia ver-te resplandecer no céu.
Pai nosso, que estais nos céus:
santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia
nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos
aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.
Três vezes:
Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Quinto dia — Adoramos a tua Cruz
A Igreja não presta ao madeiro um culto devido só a Deus; mas na Cruz adora Cristo, que nela foi cravado, e venera o preço do nosso resgate. Adoramos a tua Cruz, Senhor, canta na Sexta-feira Santa, e celebramos a tua santa ressurreição: eis que por este madeiro veio a alegria ao mundo inteiro. Cada gota do sangue derramado sobre aquele madeiro pagou as nossas dívidas; cada fibra dele está impregnada do amor que, tendo amado os seus, os amou até ao fim.
Nós vos adoramos, ó Cristo crucificado, e bendizemos a vossa santa Cruz, pela qual remistes o mundo: gravai nos nossos corações a memória da vossa Paixão, para que nunca tenhamos em pouco o preço com que fomos resgatados.
Pai nosso, que estais nos céus:
santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia
nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos
aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.
Três vezes:
Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Sexto dia — Loucura para o mundo, sabedoria de Deus
São Paulo escreveu-o aos coríntios: a doutrina da Cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que se salvam é o poder de Deus. O mundo não compreende que a fraqueza de um condenado seja força, nem que a aparente derrota do Calvário seja vitória. Aos olhos dos sábios do século, crer num Deus crucificado permanece um escândalo. Mas o Apóstolo não quer gloriar-se senão na Cruz de Nosso Senhor, pela qual o mundo está crucificado para ele e ele para o mundo.
Ó Cruz, sabedoria escondida de Deus, livrai-nos da sabedoria enganadora do século: concedei-nos não nos envergonharmos nem do Evangelho nem do Crucificado, e gloriar-nos com são Paulo somente na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Pai nosso, que estais nos céus:
santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia
nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos
aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.
Três vezes:
Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Sétimo dia — O sinal da Cruz, nossa armadura
Desde os primeiros séculos os cristãos se signaram com a Cruz: na fronte, na boca, no peito, ao levantar e ao deitar, diante de todo o perigo e de toda a oração. Pelo sinal da Cruz livrai-nos dos nossos inimigos, Senhor nosso Deus. Não é um gesto mágico, mas a confissão da Santíssima Trindade sob cujo sinal fomos batizados, e a invocação da vitória já alcançada por Cristo. O demônio, diz a tradição, teme este sinal que lhe recorda a sua derrota.
Ó Cruz vitoriosa, sê o nosso escudo no combate: que o sinal traçado sobre as nossas frontes ponha em fuga o inimigo das nossas almas, fortaleça a nossa fé na tentação e nos guarde fiéis até ao último suspiro.
Pai nosso, que estais nos céus:
santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia
nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos
aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.
Três vezes:
Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Oitavo dia — Tomar a cruz cada dia
Nosso Senhor o disse: se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. A Cruz não é apenas objeto de veneração: é uma lei de vida. Cada contradição suportada com paciência, cada dor oferecida, cada dever cumprido na fadiga torna-se lasca da verdadeira Cruz. Os santos não buscaram o sofrimento por si mesmo, mas amaram a Cristo até abraçar tudo o que os configurava com Ele.
Ó Cristo, que nos chamais a seguir-vos levando a nossa cruz, dai-nos aceitar sem murmurar as provações de cada dia: que as nossas penas, unidas à vossa Paixão, se tornem um tesouro para o Céu, e que nenhum peso nos separe jamais do vosso amor.
Pai nosso, que estais nos céus:
santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia
nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos
aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.
Três vezes:
Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Nono dia — A Cruz, única esperança
Ao termo desta novena a Igreja põe nos nossos lábios a saudação da Sexta-feira Santa: Salve, ó Cruz, única esperança. Será o último sinal posto diante dos nossos olhos na hora da morte, a árvore a que se agarrará a nossa esperança quando tudo o mais nos faltar. Resplandecerá enfim no céu, diz o Evangelho, como o sinal do Filho do homem que voltará na glória. Para essa Cruz levantamos os olhos, como os hebreus para a serpente de bronze, e dela aguardamos a nossa cura.
Ó santa Cruz, única esperança, nestes dias em que te honrámos depomos a teus pés a intenção desta novena: alcança-nos do Salvador crucificado a graça que pedimos, se for boa para a nossa alma, a força de levar as nossas cruzes até ao fim, e enfim uma santa morte à sombra dos teus braços estendidos.
Pai nosso, que estais nos céus:
santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia
nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos
aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.
Três vezes:
Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Oração final da novena de Santa Cruz
Ao fim de cada dia — e sobretudo no nono — conclui-se com o versículo da adoração da Cruz e com a coleta da festa, tirada do Missal Romano (In Exaltatione sanctae Crucis, 14 de setembro):
V. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
R. Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
Oremos.
Ó Deus, que neste dia nos alegrais com a solenidade anual da Exaltação da santa Cruz, concedei-nos, vos suplicamos, que, tendo conhecido na terra o seu mistério, mereçamos alcançar no céu os prêmios da sua redenção. Pelo mesmo Jesus Cristo, vosso Filho, nosso Senhor, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, Deus, pelos séculos dos séculos.
Amém.
Em latim, tal como se canta no Missal de 1962:
Deus, qui nos hodierna die Exaltationis sanctae Crucis annua solemnitate laetificas: praesta, quaesumus; ut, cuius mysterium in terra cognovimus, eius redemptionis praemia in caelo mereamur. Per eumdem Dominum nostrum Iesum Christum Filium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.
Amém.
Encerra-se como se começou:
Em nome do Pai,
e do Filho,
e do Espírito Santo.
Amém.
As variantes desta novena
Quem procura "novena da Santa Cruz" encontra títulos muito diferentes. Nem tudo o que traz a palavra cruz é a mesma devoção.
Novena da Exaltação da Santa Cruz. É exatamente esta, reproduzida acima: a preparação para a festa de 14 de setembro, e a forma mais antiga e mais litúrgica. As suas antífonas vêm do hino Vexilla Regis e da liturgia da Sexta-feira Santa, e a sua oração final é a coleta do Missal.
Novena da Cruz Sagrada, novena da Santa Cruz bendita. São nomes populares que designam, quase sempre, esta mesma devoção com outra roupagem. Também circulam versões modernas, pregadas em rádio e televisão — a mais conhecida no Brasil é a do padre Reginaldo Manzotti. Não há mal nelas; simplesmente não são o texto tradicional, e mudam de ano para ano.
Novena da Santa Cruz de 3 de maio. Durante séculos o calendário romano teve duas festas da Cruz: a Invenção — o achamento do madeiro por santa Helena — em 3 de maio, e a Exaltação em 14 de setembro. Convém ser exato aqui. O Código das Rubricas, promulgado por João XXIII em 25 de julho de 1960 e em vigor desde 1.º de janeiro de 1961, suprimiu a festa de 3 de maio: o Missal de 1962 já não a traz, e resta só 14 de setembro, que reúne as duas memórias. Onde o antigo costume permanece vivo, nada impede rezar esta mesma novena de 24 de abril a 3 de maio — o segundo dia medita justamente a Invenção.
Novena de Nossa Senhora da Santa Cruz. Aqui a devoção é mariana: Nossa Senhora sob um título local ligado a uma igreja ou a um padroado da Santa Cruz, e a novena dirige-se a ela, não ao madeiro. Se é a ela que você recorre, procure a novena do título ou da paróquia em questão.
Novena das mãos ensanguentadas de Jesus. Devoção moderna e distinta, centrada nas chagas das mãos cravadas no madeiro; tem texto próprio, que damos em a novena das mãos ensanguentadas de Jesus.
Novena da Santa Cruz de Jesus, da Santa Cruz de Jesus Cristo. O mesmo nome dito de outro modo: é esta novena. Não a confunda com a oração da Santa Cruz de Jesus Cristo, oração avulsa de proteção, rezada num só fôlego e não em nove dias.
Novena da Cruz de Caravaca. É outra devoção, ligada a uma relíquia venerada em Caravaca de la Cruz, na Espanha. O nome, porém, foi capturado por textos supersticiosos que prometem emprego, dinheiro e milagres automáticos mediante fórmulas fixas. A Cruz não é amuleto e nenhuma novena obriga Deus.
Novena de santa Teresa Benedita da Cruz, de são Paulo da Cruz, de são João da Cruz. Santos cujo nome religioso inclui "da Cruz". As suas novenas dirigem-se a eles, não ao madeiro: se é a eles que você recorre, procure a novena do santo.
Novena da Santa Cruz em PDF, para imprimir. Esta página foi feita para ser o seu PDF: o texto está completo, na ordem, sem cortes, e imprime-se direto do navegador, sem formulário nem download.
Novena da Santa Cruz de tal paróquia. Muitas igrejas dedicadas à Santa Cruz — em Araraquara, em Santa Cruz do Sul, em Cruz Alta, entre tantas — celebram a sua novena patronal com horários próprios e transmissão ao vivo. Esses horários mudam todo ano e só a paróquia os conhece: consulte-a diretamente. O que damos aqui é o texto, para rezar em qualquer lugar.
Como rezar a novena da Santa Cruz
Quando começar. A data tradicional é 6 de setembro, de modo que o nono dia caia em 14 de setembro, festa da Exaltação da Santa Cruz. Onde se guarda o antigo costume de 3 de maio, comece em 24 de abril. Fora dessas datas, comece quando quiser: a Cruz não tem estação.
Nove dias seguidos. O número nove vem dos nove dias em que os Apóstolos e a Santíssima Virgem perseveraram na oração entre a Ascensão e Pentecostes: uma perseverança, não uma contagem mágica. Reze de preferência à mesma hora, no mesmo lugar, diante de um crucifixo.
Se você esquecer um dia, não recomece do zero por escrúpulo: retome no dia seguinte e complete os nove. Deus não é um contador. Mas retome mesmo — a novena vale pela perseverança que custa.
Uma só intenção. Formule-a no primeiro dia, com clareza, e repita-a igual nos nove. Pedir muitas coisas de uma vez é, quase sempre, sinal de que ainda não sabemos o que queremos.
O que pedir. Tudo o que é bom: a saúde, o trabalho, a paz de uma família, a conversão de alguém que amamos. Mas peça como a própria novena pede — se for bom para a nossa alma. A Cruz não promete que a dor passe; promete que ela salve.
Com o que acompanhar. Uma via-sacra, a meditação da Paixão de Nosso Senhor, a confissão e a comunhão no dia da festa. A Santa Missa é o mesmo sacrifício da Cruz, renovado sem derramamento de sangue: nada honra a Cruz como assisti-la.
Em família ou sozinho. Em família, um lê a meditação e todos rezam juntos as orações. Com crianças, basta o sinal da Cruz, a oração diária e o Pai-Nosso.
A festa da Exaltação da Santa Cruz, 14 de setembro
O que celebramos a 14 de setembro tem nome, data e história. Butler resume-o assim: a Igreja do Ocidente venera neste dia as grandes relíquias da Cruz de Cristo em Jerusalém, depois que o imperador Heráclio as recuperou das mãos dos persas, que as haviam levado em 614, quinze anos antes. Estamos no ano 629.
O quarto dia da novena já retoma o relato; guardemos dele o pormenor decisivo. Heráclio quis levar aos ombros o precioso fardo com toda a pompa imperial, e parou de repente à entrada dos Lugares Santos, sem conseguir avançar. O patriarca Zacarias observou-lhe que aquele esplendor pouco combinava com o humilde aspecto de Cristo carregando a sua Cruz pelas mesmas ruas. O imperador deixou a púrpura e a coroa, seguiu descalço e recolocou a Cruz onde estivera. O estojo de prata foi achado com os selos intactos, e muitos doentes foram curados. Os escritores antigos falam sempre desta porção da Cruz no plural: os pedaços do madeiro da verdadeira Cruz.
A festa é ainda mais antiga do que Heráclio. No Oriente, a Exaltação da Santa e Vivificante Cruz é uma das maiores do ano, e comemora sobretudo o achamento e a dedicação das igrejas de Constantino no Santo Sepulcro e no Calvário. A peregrina Etéria, no século IV, atesta que essas dedicações foram fixadas para o mesmo dia em que a Cruz fora achada; e Duchesne mostra tratar-se de festa de origem palestinense, celebrada já em 335 pelos bispos reunidos no Concílio de Tiro, com a Cruz "exaltada" diante do povo. Tudo indica que 14 de setembro foi, mesmo em Roma, a data original da comemoração do achamento; a Exaltação de Heráclio tomou-lhe o lugar, e o Achamento passou para 3 de maio, segundo um uso galicano. A mais antiga menção ocidental sob este nome está na notícia do papa são Sérgio I (falecido em 701) no Liber pontificalis.
Sob a lente de 1962, portanto, esta não é devoção nova nem piedade privada: é liturgia, com missa e ofício próprios, e a novena que a prepara apenas estende por nove dias o que a Igreja canta na festa. É a mesma Cruz que veneramos na Sexta-feira Santa e a mesma que triunfa na Ressurreição: a festa de setembro é a Páscoa vista do lado do madeiro.
Perguntas Frequentes
Como rezar a novena de Santa Cruz?
Em nove dias seguidos, sempre na mesma ordem: sinal da Cruz, invocação diária (dizendo a sua intenção), a meditação do dia, a oração própria do dia, e depois o Pai-Nosso, três Ave-Marias e o Glória ao Pai. No fim de cada dia, o versículo Nós vos adoramos, ó Cristo e a coleta da Exaltação. Todo o texto está completo nesta página, na ordem exata.
Como fazer a novena da Santa Cruz do começo ao fim?
Escolha uma única intenção antes de começar e repita-a igual nos nove dias. Se quer terminar na festa, inicie em 6 de setembro; reze de preferência à mesma hora, diante de um crucifixo. Se puder, confesse-se durante a novena e receba a comunhão em 14 de setembro. E aceite de antemão que Deus responda à sua maneira e à sua hora.
Quando começa a novena da Exaltação da Santa Cruz?
Em 6 de setembro, para terminar em 14 de setembro, dia da festa. A Invenção da Santa Cruz, de 3 de maio, foi suprimida pelo Código das Rubricas de 1960 e não consta do Missal de 1962; onde o costume se manteve, comece em 24 de abril.
Qual é a oração final da novena de Santa Cruz?
O versículo Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos — porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo, seguido da coleta do Missal Romano da Exaltação da Santa Cruz: Ó Deus, que neste dia nos alegrais com a solenidade anual da Exaltação da santa Cruz… Ambas estão reproduzidas integralmente acima, em português e em latim.
Adorar a Cruz não é idolatria?
Não. A Igreja não presta ao madeiro o culto devido só a Deus. Na Cruz adoramos Cristo, que nela foi cravado, e veneramos o instrumento do nosso resgate — assim como se beija a fotografia de quem se ama sem adorar o papel. A mesma distinção vale para as imagens e para os santos, como explicamos em por que os católicos "adoram" Maria.
A novena da Cruz de Caravaca é a mesma coisa?
Não. É outra devoção, ligada a uma relíquia espanhola, e o seu nome foi largamente ocupado por textos supersticiosos que prometem resultados automáticos. Nenhuma oração católica funciona assim.
A novena do padre Reginaldo Manzotti é diferente desta?
Sim. As novenas pregadas em rádio e televisão são composições modernas, que mudam a cada ano e acompanham uma transmissão. Não há nada de errado em rezá-las. Mas a desta página é a tradicional, com a coleta do Missal e as antífonas da liturgia da Cruz: é a mesma todos os anos e não depende de horário nenhum.
Existe indulgência ligada à devoção à santa Cruz?
Sim: à adoração da Cruz e ao sinal da Cruz a Igreja anexou indulgências, recolhidas na Raccolta, e no dia da festa a veneração pública do crucifixo é ricamente indulgenciada. As condições ordinárias — confissão, comunhão, oração pelas intenções do Sumo Pontífice, desapego a todo pecado — nunca se dispensam: explicamos tudo em o que são as indulgências.
Reze a novena da Santa Cruz dia após dia, com lembretes e áudio, no aplicativo Iter Fidei. Baixe aqui.
Fontes. Sagrada Escritura (tradução do padre Antônio Pereira de Figueiredo); Missal Romano de 1962, In Exaltatione sanctae Crucis (14 de setembro); João XXIII, motu proprio Rubricarum instructum (25 de julho de 1960) e Código das Rubricas; liturgia da Sexta-feira Santa e hino Vexilla Regis de Venâncio Fortunato; Martirológio Romano; Butler, Vidas dos Santos, 14 de setembro; Liber pontificalis; Raccolta.