Orações
Oração de Nossa Senhora das Dores
A oração tradicional a Nossa Senhora das Dores, a Mater Dolorosa, com a meditação das Sete Dores de Maria — da profecia de Simeão à sepultura — e como rezá-las com fé católica.

A oração de nossa senhora das dores é a súplica que dirigimos à Mãe junto à Cruz, Aquela que a Igreja venera como Mater Dolorosa — a Senhora cujo Coração foi traspassado pela espada que o velho Simeão anunciou. Damos abaixo o texto tradicional completo da oração, a meditação das sete dores de Maria uma a uma, com a Escritura na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, e o modo de rezá-las. Venerar nossa senhora das dores não é cultivar tristeza: é aprender, ao lado da Mãe, a permanecer fiéis no sofrimento.
A oração tradicional a Nossa Senhora das Dores
Esta é a oração que a piedade católica nos transmitiu para invocar a Virgem sob este título. Reze-a devagar, contemplando a Mãe ao pé da Cruz:
Ó Maria, Mãe das Dores, pelo mar de amargura que inundou a vossa alma santíssima ao pé da Cruz de vosso Filho, alcançai-me a graça de chorar os meus pecados, que foram a causa de tantos sofrimentos.
Por aquela espada de dor que traspassou o vosso Coração Imaculado, dai-me a força de carregar a minha cruz sem murmuração, em união com Jesus crucificado.
Ó Mãe Dolorosa, vós que estivestes firme junto ao Filho moribundo, assisti-me na hora da minha morte, para que, tendo-vos por consoladora, eu possa entregar a minha alma a Deus em paz.
Santa Mãe, fazei que as chagas do Senhor sejam gravadas no meu coração. Amém.
A devoção tem raiz antiga: já no século XIII os Servitas de Maria difundiam a contemplação das dores da Virgem, e a Igreja fixou a festa de Nossa Senhora das Dores em 15 de setembro, no dia seguinte à Exaltação da Santa Cruz — porque a dor da Mãe é inseparável da Cruz do Filho.
Quem busca uma oração a Nossa Senhora das Dores mais breve, para repetir ao longo do dia, pode guardar esta jaculatória da tradição:
Santa Maria, Mãe das Dores, rogai por nós, que recorremos a vós.
A história de Nossa Senhora das Dores
A história de Nossa Senhora das Dores confunde-se com a meditação da Paixão. Os Padres da Igreja já viam, na espada anunciada por Simeão (Lucas 2, 35), a participação singular de Maria no sacrifício do Filho. No século XIII, sete mercadores florentinos retiraram-se para o monte Senário e fundaram a Ordem dos Servos de Maria (os Servitas), que tomou por carisma a contemplação das dores da Virgem e difundiu, por toda a cristandade, a devoção às Sete Dores e o Stabat Mater.
Da piedade desses séculos nasceram duas memórias litúrgicas: a da Sexta-feira da Paixão (a sexta antes do Domingo de Ramos), confirmada no século XVIII para a Igreja universal, e a de 15 de setembro. Em 1814, após o cativeiro a que Napoleão o submetera, o Papa Pio VII estendeu a festa de setembro a toda a Igreja, em ação de graças pela libertação — de modo que a Mãe Dolorosa ficou também ligada à fidelidade nas perseguições. É esta a devoção que recebemos: antiga, sóbria, toda voltada para a Cruz.
As Sete Dores de Maria, uma a uma
O coração desta devoção são as sete dores de Maria — sete momentos da Paixão de Cristo vividos no Coração da Mãe. A piedade tradicional medita cada uma com um Ave-Maria. Contemplemo-las com a Escritura na tradução de Figueiredo.
1. A profecia de Simeão
Ao apresentar o Menino no Templo, Maria ouve do ancião Simeão: "E será esta uma espada que traspassará a tua mesma alma, a fim de se descobrirem os pensamentos que muitos terão escondidos nos corações" (Lucas 2, 35). Desde a infância de Jesus, a sombra da Cruz já se projeta sobre o Coração da Mãe. A primeira dor é este saber que o Filho será "alvo, a que atire a contradição" (Lucas 2, 34).
2. A fuga para o Egito
Mal nascido o Salvador, o ódio de Herodes o persegue. Um anjo adverte José em sonhos: "Levanta-te, e toma o menino, e sua mãe, e foge para o Egito... porque Herodes tem de buscar o menino para o matar" (Mateus 2, 13). Maria parte de noite por terra estranha para salvar o Filho. É a dor do exílio e do desterro — a dor de toda mãe que foge para proteger quem ama.
3. A perda do Menino Jesus no Templo
Perdido Jesus em Jerusalém, Maria o procura três dias "cheia de aflição" (Lucas 2, 48), até encontrá-lo no Templo "assentado no meio dos doutôres" (Lucas 2, 46). É a dor da ausência, da busca angustiada por Aquele que parece ter-se afastado — a mesma dor da alma que sente Deus distante e não cessa de procurá-lo.
4. O encontro de Maria com Jesus a caminho do Calvário
A tradição e a Via-Sacra guardam o momento em que a Mãe encontra o Filho carregando a Cruz, coberto de chagas. Os olhos se cruzam, e nenhuma palavra é dita: é a dor de ver sofrer quem amamos sem poder aliviá-lo. Maria não foge, não se esconde: acompanha.
5. A crucifixão e a agonia de Jesus
Junto à Cruz, "estavam em pé... sua mãe... e Maria Madalena" (João 19, 25), e dali Jesus a confia a São João: "Mulher, eis aí teu filho" (João 19, 26). Maria está em pé — stabat Mater —, firme enquanto o Filho expira. É a dor maior: ver morrer o próprio Deus feito carne, sangue do seu sangue, e nada poder fazer senão oferecer.
6. Jesus descido da Cruz e entregue nos braços da Mãe
Descido da Cruz, o corpo do Senhor é posto nos braços de Maria. A tradição contempla aqui a Pietà: a Mãe que recebe o Filho morto como um dia o recebera recém-nascido em Belém — agora frio, ferido, sem vida. É a dor do abraço que não recebe resposta.
7. A sepultura de Jesus
Por fim, "tomaram o corpo de Jesus, e o ligaram envolto em lençóis" (João 19, 40) e o depositaram "num sepulcro novo" (João 19, 41-42). Maria vê fechar-se a pedra sobre o Filho. É a dor da separação última, o silêncio do sábado santo — mas é também a dor que já guarda, escondida, a esperança da ressurreição.
Como rezar a devoção das Sete Dores
A devoção pode ser rezada de modos diversos, todos simples e fecundos:
- Meditando dor por dor. Percorra as sete dores acima, e em cada uma reze um Ave-Maria, pedindo a graça própria daquela espada — a compunção, a fidelidade, a perseverança.
- Rezando o Terço das Lágrimas. Este terço próprio honra as lágrimas e as dores de Maria, e é um dos modos mais difundidos de a confortar.
- Acompanhando a Via-Sacra. Quem percorre as estações da Paixão caminha ao lado da Mãe Dolorosa, sobretudo na quarta estação, em que ela encontra o Filho.
- No Stabat Mater. O antigo hino Stabat Mater dolorosa — "Estava a Mãe dolorosa" — canta exatamente esta devoção e é próprio da festa de 15 de setembro.
Una sempre estas dores às suas próprias provações. A força desta devoção não está em sentir tristeza, mas em aprender de Maria a permanecer de pé quando tudo desaba, fiel a Deus na dor como ela foi fiel ao pé da Cruz.
O Terço das Dores de Nossa Senhora
O terço das dores de Nossa Senhora — também chamado Coroa das Sete Dores ou Rosário da Mãe Dolorosa, próprio dos Servitas — é distinto do terço comum. Em vez de cinco dezenas, compõe-se de sete grupos, um para cada dor, e cada grupo tem um Pai-Nosso e sete Ave-Marias, o que dá quarenta e nove Ave-Marias, às quais a tradição acrescenta três no fim, em honra das lágrimas de Maria.
Reza-se assim: depois do sinal da cruz e de um ato de contrição, anuncia-se a primeira dor (a profecia de Simeão), medita-se brevemente, reza-se um Pai-Nosso e sete Ave-Marias; passa-se à segunda dor (a fuga para o Egito), e assim por diante até a sétima (a sepultura de Jesus). Ao fim, três Ave-Marias pelas lágrimas da Senhora, e a invocação: "Rogai por nós, Virgem dolorosíssima — para que sejamos dignos das promessas de Cristo." Não confunda este terço próprio com o Terço das Lágrimas, que é uma devoção aparentada mas distinta.
Novena a Nossa Senhora das Dores
A novena a Nossa Senhora das Dores prepara o coração para a festa de 15 de setembro: reza-se nos nove dias anteriores, de 6 a 14 de setembro, embora possa ser feita em qualquer necessidade. Em cada dia, medita-se uma das dores (repetindo as duas últimas nos dois dias finais), reza-se um Pai-Nosso e sete Ave-Marias, e conclui-se com esta oração da novena:
Ó Mãe das Dores, Virgem fidelíssima, que ao pé da Cruz fostes associada à Paixão de vosso Filho, olhai para nós que recorremos ao vosso Coração traspassado. Pela espada de dor que o atravessou, alcançai-nos a graça que humildemente vos pedimos nesta novena [faça aqui o seu pedido], e sobretudo a graça de sermos fiéis a Deus na provação, como vós fostes. Amém.
Encerre cada dia com três Ave-Marias em honra das lágrimas de Maria e a jaculatória: "Santa Mãe, fazei que as chagas do Senhor sejam gravadas no meu coração."
A imagem de Nossa Senhora das Dores
A imagem de Nossa Senhora das Dores é uma das mais reconhecíveis da iconografia católica. A Senhora aparece em pé ou sentada, com o rosto marcado pela dor e, muitas vezes, lágrimas; veste o manto azul-escuro ou negro do luto. O sinal próprio do título é o coração traspassado — por uma espada, que recorda a profecia de Simeão, ou por sete espadas, uma para cada dor de Maria. Em muitas imagens ela ergue ou junta as mãos diante do peito; nas representações da Pietà, sustenta nos braços o corpo morto do Filho descido da Cruz.
Ao contemplar uma estampa ou estátua da Mãe Dolorosa — e ao procurar uma imagem ou png para um oratório doméstico —, lembre-se de que a imagem não é o objeto do culto: ela nos eleva à pessoa que representa. Veneramos a Virgem que a imagem nos põe diante dos olhos, e por ela adoramos somente a Deus.
Por que veneramos as dores da Mãe
Alguns irmãos protestantes objetam que esta devoção tira de Cristo a glória que só a Ele pertence. Respondamos com caridade e firmeza: nada na devoção às dores de Maria a separa do Filho — ao contrário, tudo nela nos remete à Cruz. Maria sofre por causa de Cristo e com Cristo; suas dores são reflexo das chagas d'Ele. Foi o próprio Jesus quem, do alto da Cruz, no-la deu por Mãe: "Eis aí tua mãe" (João 19, 27).
Recebê-la como Mãe e compadecer-nos das suas dores é obedecer a uma palavra do Senhor crucificado, não inventar um culto novo: a espada anunciada por Simeão (Lucas 2, 35) e a Mãe em pé junto à Cruz (João 19, 25) estão na própria palavra de Deus. Encontre outras orações católicas tradicionais e a Ladainha de Nossa Senhora para nutrir a sua devoção mariana.
Perguntas Frequentes
Quais são as Sete Dores de Maria?
São sete momentos da Paixão de Cristo vividos no Coração da Mãe: a profecia de Simeão, a fuga para o Egito, a perda do Menino Jesus no Templo, o encontro com Jesus a caminho do Calvário, a crucifixão, Jesus descido da Cruz nos braços de Maria, e a sepultura de Jesus. Cada uma é meditada com um Ave-Maria.
Quando se celebra a festa de Nossa Senhora das Dores?
A festa litúrgica de Nossa Senhora das Dores é celebrada em 15 de setembro, no dia seguinte à Exaltação da Santa Cruz — porque a dor da Mãe é inseparável da Cruz do Filho. Há também, na tradição, a comemoração da Sexta-feira da Paixão, antes do Domingo de Ramos.
Qual é a oração mais forte a Nossa Senhora das Dores?
A oração tradicional dada no início deste artigo, que pede pelo "mar de amargura" da alma de Maria a graça da contrição, da perseverança na cruz e da assistência na hora da morte. Sua força está na confiança filial e na união com a Paixão, não em fórmulas mágicas. O Terço das Lágrimas e o Stabat Mater são também próprios desta devoção.
O que é a Mater Dolorosa?
Mater Dolorosa é o título latino — "Mãe Dolorosa" — com que a Igreja venera a Virgem Maria em suas dores junto à Paixão e morte de Jesus, especialmente ao pé da Cruz. É o mesmo que dizer Nossa Senhora das Dores.
Como se reza o terço das dores de Nossa Senhora?
O terço das dores (Coroa dos Servitas) tem sete grupos, um por dor, cada um com um Pai-Nosso e sete Ave-Marias — quarenta e nove ao todo —, mais três Ave-Marias finais em honra das lágrimas de Maria. Anuncia-se cada dor, medita-se brevemente e reza-se o respectivo grupo, da profecia de Simeão à sepultura de Jesus.
Quando se faz a novena a Nossa Senhora das Dores?
A novena é tradicionalmente rezada de 6 a 14 de setembro, nos nove dias que antecedem a festa de 15 de setembro, mas pode ser feita em qualquer momento de necessidade. Cada dia medita-se uma das Sete Dores, com um Pai-Nosso, sete Ave-Marias e a oração da novena dada acima.
Por que a imagem de Nossa Senhora das Dores tem o coração com espadas?
A espada — ou as sete espadas — que traspassam o Coração de Maria recordam a profecia do velho Simeão: "uma espada traspassará a tua mesma alma" (Lucas 2, 35). Uma única espada simboliza essa profecia; sete espadas representam cada uma das Sete Dores. O manto escuro indica o luto da Mãe junto à Cruz.
Por que Maria sofreu tanto se Jesus já tinha salvado o mundo?
Porque o amor verdadeiro padece com quem ama. Maria uniu livremente as suas dores às do Filho, oferecendo-as com Ele. Suas dores nada acrescentam à obra de Cristo, que é suficiente, mas mostram como uma alma pode participar da Cruz pelo amor — modelo de todo cristão que sofre por Deus. A Via-Sacra e o Terço são caminhos naturais para acompanhar a Mãe Dolorosa.
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Fontes. Texto da oração a Nossa Senhora das Dores conforme a tradição católica (devoção dos Servos de Maria, fundados no século XIII no monte Senário); estrutura da Coroa das Sete Dores e da novena segundo o uso tradicional dos Servitas; extensão da festa de 15 de setembro a toda a Igreja pelo Papa Pio VII em 1814, após o cativeiro napoleônico; enumeração das Sete Dores segundo a piedade tradicional; passagens da Escritura — profecia de Simeão (Lucas 2, 34-35), fuga para o Egito (Mateus 2, 13-14), perda no Templo (Lucas 2, 46-48), Maria ao pé da Cruz (João 19, 25-27) e sepultura de Jesus (João 19, 40-42) — na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo; hino Stabat Mater atribuído a Jacopone da Todi.