Bíblia
Quantos Livros Tem a Bíblia Católica? (73 vs 66)
A Bíblia católica tem 73 livros (46 no Antigo Testamento e 27 no Novo); a protestante, 66. A lista completa dos 73 livros em ordem, os 7 deuterocanônicos e por que a Reforma os retirou — pela própria Escritura.

A pergunta é simples e a resposta também: quantos livros tem a Bíblia católica? São 73 livros — 46 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. A Bíblia protestante, por sua vez, tem 66 livros: os mesmos 27 do Novo Testamento, mas apenas 39 no Antigo. A diferença, portanto, está toda no Antigo Testamento, e é de exatos sete livros.
Esses sete livros não são um detalhe. Eles são o coração de uma das maiores confusões entre cristãos. Por isso vale a pena entender, com calma e honestidade, o que são esses livros, por que estão na Bíblia católica e por que desapareceram das edições protestantes. Faremos isso com caridade para com nossos irmãos separados — eles amam o mesmo Senhor — e com firmeza na verdade, deixando a própria Escritura falar.
Os 73 livros: como a conta é feita
A Bíblia católica se divide assim:
- Antigo Testamento: 46 livros — desde o Gênesis até os profetas, passando pela Lei, os livros históricos, os sapienciais (como os Salmos e os Provérbios) e os proféticos.
- Novo Testamento: 27 livros — os quatro Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as cartas de São Paulo e dos outros Apóstolos, e o Apocalipse.
Some 46 e 27 e você tem 73. Nenhum cristão, católico ou protestante, discute o Novo Testamento: os 27 livros são idênticos em todas as Bíblias. A discordância recai inteiramente sobre o Antigo Testamento.
Quais são os 73 livros da Bíblia católica, em ordem
Eis a lista completa dos livros da Bíblia católica, na ordem em que aparecem nas Bíblias católicas publicadas no Brasil. Os sete deuterocanônicos estão marcados com um asterisco.
Antigo Testamento (46 livros)
- Pentateuco (5): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.
- Livros históricos (16): Josué, Juízes, Rute, 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis, 2 Reis, 1 Crônicas, 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias*, Judite*, Ester, 1 Macabeus*, 2 Macabeus*.
- Livros sapienciais (7): Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria*, Eclesiástico*.
- Livros proféticos (18): Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruc*, Ezequiel, Daniel, Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.
Novo Testamento (27 livros)
- Evangelhos (4): Mateus, Marcos, Lucas, João.
- Histórico (1): Atos dos Apóstolos.
- Cartas de São Paulo (14): Romanos, 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 Tessalonicenses, 2 Tessalonicenses, 1 Timóteo, 2 Timóteo, Tito, Filêmon, Hebreus.
- Cartas católicas (7): Tiago, 1 Pedro, 2 Pedro, 1 João, 2 João, 3 João, Judas.
- Profético (1): Apocalipse.
Quem abre uma Bíblia antiga, como a do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, traduzida da Vulgata latina, encontra os mesmos 73 livros com outros nomes e numa ordem um pouco diferente: 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis chamam-se ali I a IV Reis, as Crônicas chamam-se Paralipômenos, Neemias é o II Esdras, e os dois livros dos Macabeus fecham o Antigo Testamento, depois de Malaquias. Os livros são os mesmos; só os títulos seguem o uso latino. Para entender as diferenças entre as traduções, veja o nosso guia sobre qual a melhor Bíblia católica.
Os 7 livros deuterocanônicos
Os sete livros que estão na Bíblia católica e foram retirados da protestante são chamados de deuterocanônicos — palavra que significa "do segundo cânon", isto é, livros cuja inclusão definitiva foi reconhecida pela Igreja um pouco depois dos demais. São eles:
- Tobias
- Judite
- Sabedoria
- Eclesiástico (também chamado Sirácida ou Sirac)
- Baruc
- I Macabeus
- II Macabeus
A esses se somam algumas partes dos livros de Ester e de Daniel, igualmente ausentes das Bíblias protestantes. Os protestantes chamam esses textos de "apócrifos" — mas para a Igreja são plenamente inspirados, Palavra de Deus, lidos no culto desde os primeiros séculos. Os verdadeiros apócrifos, como o "evangelho de Tomé", não estão em nenhuma Bíblia, nem católica nem protestante.
Não são livros menores. A Sabedoria contém uma impressionante profecia da Paixão, ao descrever o justo perseguido pelos ímpios: "Êle assegura que tem a ciência de Deus, e se chama a si Filho de Deus" (Sb 2,13). Tobias nos dá a mais terna história de fidelidade do Antigo Testamento. E os Macabeus narram o martírio heroico dos que preferiram morrer a trair a Lei de Deus.
Quantos livros a mais tem a Bíblia católica?
A conta é direta: a Bíblia católica tem sete livros a mais que a protestante — 73 contra 66. Todos esses sete estão no Antigo Testamento, e são exatamente os deuterocanônicos listados acima: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, I Macabeus e II Macabeus.
Convém precisar uma coisa que costuma confundir. Além dos sete livros inteiros, a Bíblia católica conserva também trechos mais longos de Ester e de Daniel (entre eles o cântico dos três jovens na fornalha e as histórias de Susana e de Bel e o dragão), que as edições protestantes também omitem. Por isso, em número de versículos, a diferença é maior do que sugere a simples contagem de "sete livros". Mas, em livros completos, a resposta é uma só: sete a mais, todos no Antigo Testamento. O Novo Testamento, com seus 27 livros, é rigorosamente igual nas duas Bíblias.
Por que a Bíblia católica tem esses livros: a Septuaginta
Para entender a diferença entre a Bíblia católica e protestante, é preciso voltar a antes de Cristo.
Cerca de dois séculos antes do nascimento de Jesus, os judeus de Alexandria, que já não falavam hebraico, traduziram suas Escrituras para o grego. Essa tradução ficou conhecida como Septuaginta (dos "setenta" tradutores). E a Septuaginta, tal como os cristãos a receberam, incluía os sete livros deuterocanônicos.
Esse ponto é decisivo: a Septuaginta era a Bíblia dos Apóstolos. Quando os autores do Novo Testamento citam o Antigo, citam na maior parte das vezes a versão grega — a Septuaginta, com os deuterocanônicos dentro. A Igreja nascente, grega de língua, recebeu naturalmente esses livros como Escritura.
Depois da destruição do Templo, no ano 70, o judaísmo rabínico passou a reconhecer apenas os livros conservados em hebraico, deixando de fora os que só circulavam em grego. A tradição liga esse processo aos mestres reunidos em Jâmnia, por volta do ano 90, embora os historiadores discutam se houve ali uma decisão formal. Os protestantes, no século XVI, adotaram esse cânon judaico tardio em vez do cânon que a Igreja de Cristo usava desde o princípio.
Hipona, Cartago e Trento: a Igreja confirma o cânon
Não foi nenhum papa medieval que "inventou" os 73 livros. A Igreja apenas reconheceu e proclamou o que já recebia.
No fim do século IV, sob o impulso de Santo Agostinho, os concílios de Hipona (393) e de Cartago (397 e 419) listaram solenemente os livros sagrados, e a lista incluía os sete deuterocanônicos. Um sínodo romano de 382, sob o papa São Dâmaso, é tradicionalmente associado à mesma lista. Foi esse cânon que a cristandade leu, sem contestação, por mais de onze séculos.
Quando a Reforma Protestante, no século XVI, retirou os sete livros, a Igreja respondeu no Concílio de Trento (1546), definindo de modo infalível e definitivo a lista dos 73 livros. Trento não acrescentou nada: confirmou o que Hipona e Cartago já haviam reconhecido mil e cem anos antes.
Quantos livros tem a Bíblia católica e a evangélica? (comparação lado a lado)
Muitos chegam aqui querendo simplesmente comparar as duas contagens, lado a lado. Eis o resumo:
| Antigo Testamento | Novo Testamento | Total | |
|---|---|---|---|
| Bíblia católica | 46 livros | 27 livros | 73 livros |
| Bíblia evangélica/protestante | 39 livros | 27 livros | 66 livros |
Note-se que "evangélica" e "protestante" designam, aqui, a mesma Bíblia: as Igrejas evangélicas no Brasil seguem o cânon protestante de 66 livros, herdado da Reforma do século XVI. Não há uma "Bíblia evangélica" diferente da protestante quanto ao número de livros — a diferença entre as várias denominações está nas notas e traduções, não na lista.
A única diferença real entre a Bíblia católica e a evangélica, portanto, são os sete livros do Antigo Testamento que a católica conserva e a evangélica não. Tudo o mais — os quatro Evangelhos, os Atos, as cartas, o Apocalipse — é idêntico. Quem segura uma Bíblia evangélica e uma católica abertas no Novo Testamento lê exatamente as mesmas páginas.
Então quem mexeu na Bíblia?
Aqui está o ponto que precisa ser dito com firmeza e clareza: não foi a Igreja católica que acrescentou livros — foram os reformadores que os removeram.
Por que removeram? Há razões históricas, mas uma delas é particularmente reveladora. Um dos livros retirados ensina algo que contrariava frontalmente a nova doutrina protestante. Em II Macabeus, lemos sobre a oração e o sacrifício pelos mortos: "É logo um santo, e saudável pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados" (2 Mac 12,46).
Esse versículo é um dos fundamentos bíblicos da doutrina do purgatório e da oração pelos falecidos, que a Igreja vive na novena das almas do purgatório e no Dia de Finados — práticas que a Reforma rejeitava. Removido o livro, removia-se também o incômodo. Mas a Palavra de Deus não se corta por conveniência. A Escritura completa sustenta, e não contradiz, a fé que a Igreja sempre creu.
Esta é, no fundo, a mesma raiz de quase todas as divergências entre católicos e evangélicos: a questão da autoridade, que remete à pergunta sobre quem fundou a Igreja católica. Se foi a Igreja que, guiada pelo Espírito Santo, reconheceu e reuniu os livros sagrados — e foi —, então recusar essa mesma Igreja para ficar com um índice menor é serrar o galho sobre o qual se está sentado.
A Bíblia que os santos leram
Vale guardar isto: a Bíblia de 73 livros é a Bíblia de Santo Agostinho, de São Jerônimo, de São Tomás de Aquino, de São Francisco de Assis, de Santa Teresa d'Ávila. É a Bíblia lida em todas as missas por quinze séculos antes da Reforma. É a Bíblia que São Jerônimo, tradutor da Vulgata, verteu para o latim, e que o Padre Antônio Pereira de Figueiredo traduziu da Vulgata para o português, conservando os livros que a Igreja sempre teve por inspirados. Você pode lê-la livro por livro no nosso aplicativo da Bíblia católica.
Ler a Bíblia completa não é "acrescentar" coisas: é receber inteira a herança que a própria Escritura nos transmite, do mesmo modo que a receberam os Apóstolos e os Padres. Quem quer a Bíblia dos primeiros cristãos quer a Bíblia de 73 livros — a mesma que contém os quatro Evangelhos e sustenta a fé professada desde o início.
Perguntas Frequentes
Quantos livros tem a Bíblia católica?
A Bíblia católica tem 73 livros: 46 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. É o cânon confirmado pelos concílios de Hipona (393) e Cartago (397) e definido solenemente no Concílio de Trento (1546).
Por que a Bíblia protestante tem só 66 livros?
Porque, no século XVI, a Reforma Protestante adotou o cânon judaico mais curto, fixado por volta do ano 90 d.C., retirando os sete livros deuterocanônicos do Antigo Testamento. O Novo Testamento, com seus 27 livros, permaneceu idêntico.
Quais são os 7 livros deuterocanônicos?
São Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico (Sirácida), Baruc, I Macabeus e II Macabeus — além de partes de Ester e de Daniel. Os protestantes os chamam de "apócrifos"; a Igreja os tem por inspirados desde o princípio.
A Igreja católica acrescentou livros à Bíblia?
Não. A Igreja recebeu esses livros desde o tempo dos Apóstolos, pela Septuaginta, a Bíblia grega que eles usavam. Foram os reformadores que os removeram no século XVI. Trento apenas confirmou o cânon que Hipona e Cartago já haviam reconhecido onze séculos antes.
O que é a Septuaginta e por que ela importa?
A Septuaginta é a tradução grega do Antigo Testamento feita cerca de dois séculos antes de Cristo. Ela continha os sete deuterocanônicos e era a Bíblia citada pelos Apóstolos no Novo Testamento. A Igreja primitiva recebeu dela o cânon de 73 livros.
Por que II Macabeus foi retirado pelos protestantes?
Em boa parte porque ensina a oração pelos mortos: "É logo um santo, e saudável pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados" (2 Mac 12,46) — fundamento bíblico do purgatório, doutrina que a Reforma rejeitava.
Quantos livros a mais tem a Bíblia católica?
Sete livros a mais: 73 contra 66. Todos estão no Antigo Testamento e são os deuterocanônicos — Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, I e II Macabeus —, além de trechos de Ester e de Daniel. O Novo Testamento é igual nas duas.
Quantos livros tem a Bíblia católica e a evangélica?
A Bíblia católica tem 73 livros (46 do AT + 27 do NT) e a evangélica/protestante tem 66 (39 do AT + 27 do NT). A diferença são os sete livros deuterocanônicos do Antigo Testamento. "Evangélica" e "protestante" seguem o mesmo cânon de 66 livros.
A Bíblia católica tem 72 ou 73 livros?
Tem 73. A dúvida vem de listas antigas, como a do Concílio de Trento, que nomeiam Jeremias e Baruc juntos, porque Baruc era secretário de Jeremias: contado como um só, o total dá 72. Mas o conteúdo é o mesmo, e as Bíblias católicas atuais contam Baruc à parte: 73 livros.
Quem escreveu os 7 livros a mais da Bíblia católica?
O Eclesiástico tem autor conhecido, "Jesus, filho de Sirac, natural de Jerusalém" (Eclo 50,29); Baruc é atribuído ao secretário do profeta Jeremias; o II Macabeus resume, como diz o próprio texto, "o que Jasão de Cirene compreendeu em cinco livros" (2 Mac 2,24). Os autores de Tobias, Judite, Sabedoria e I Macabeus não são conhecidos pelo nome, como acontece com muitos livros do Antigo Testamento. O autor principal, para a Igreja, é sempre o Espírito Santo, que os inspirou.
Quantos livros tem a Bíblia Sagrada católica?
A Bíblia Sagrada católica tem 73 livros: 46 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento — o cânon definido pelos concílios de Hipona (393) e Cartago (397) e confirmado pelo Concílio de Trento (1546).
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Fontes. Bíblia Sagrada, tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, a partir da Vulgata Latina: II Macabeus 2,24 e 12,46; Sabedoria 2,13; Eclesiástico 50,29; livros de Tobias, Judite e Baruc. Cânon dos concílios de Hipona (393) e de Cartago (397 e 419), definido pelo Concílio de Trento (sessão IV, 1546).