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Moscovo: o enviado da Santa Sé pede o fim da guerra
O chefe da diplomacia da Santa Sé, Dom Gallagher, encontrou-se com Sergei Lavrov em Moscovo para instar a Rússia e a Ucrânia a fazerem a paz e a respeitarem o direito humanitário.
O secretário para as Relações com os Estados, Dom Paul Richard Gallagher, encontrou-se em Moscovo, a 25 de agosto de 2026, com o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov. O encontro, realizado na sede do ministério na presença do núncio apostólico Giovanni d'Aniello, durou mais de uma hora e teve por objeto a guerra na Ucrânia. O prelado recordou aí o apelo do papa Leão XIV a cessar as hostilidades e a encetar «verdadeiras negociações» com o apoio da comunidade internacional, e pediu aos dois beligerantes que respeitassem o direito internacional e humanitário para com os civis, as infraestruturas, os feridos e os prisioneiros. O seu anfitrião considerou o intercâmbio «muito útil» e saudou a abertura da Santa Sé ao diálogo com a Rússia.
O que a Igreja sempre ensinou acerca da paz
A paz não é a ausência provisória das armas nem o equilíbrio de duas forças que se temem: é a tranquilidade da ordem, o fruto da justiça e da caridade. Os príncipes trazem diante de Deus o dever grave de afastar o flagelo da guerra enquanto um meio honesto permanecer aberto, pois o quinto mandamento proíbe toda a efusão de sangue que a justiça não imponha. «Bem-aventurados os pacíficos: porque êles serão chamados filhos de Deus.» Quem insta dois exércitos a deporem as armas e a darem o que devem aos feridos e aos cativos nada inventa: executa uma lei mais antiga do que os Estados.
A medida
Que um enviado da Santa Sé peça, diante do poder que faz a guerra, o respeito pelos civis, pelos feridos e pelos prisioneiros, e recorde que um conflito não se resolve pelas armas, é falar a linguagem constante da Igreja: oferecer os seus bons ofícios sem abraçar nenhum dos campos. A viagem, a primeira de um chefe da diplomacia pontifícia à Rússia desde 2021, prolonga-se até 27 de agosto, com um encontro anunciado com o conselheiro diplomático do presidente russo, uma conversa com o clero católico e uma missa na catedral da Imaculada Conceição.
Na véspera à noite, o prelado avistara-se com o metropolita António de Volokolamsk; e foi indicado que o cardeal Matteo Zuppi deverá voltar a deslocar-se a Moscovo. Mas a diplomacia apenas abre uma porta: a paz verdadeira supõe a justiça restituída e o regresso dos corações a Deus, sem o que os tratados não passam de uma trégua. Tomamos nota do gesto e medimo-lo por esta bitola, sem lhe atribuir mais do que ele comporta.
Fontes. Catecismo do Concílio de Trento (1566), sobre o quinto mandamento; Santo Agostinho, A Cidade de Deus, XIX, 13, sobre a paz «tranquilidade da ordem»; Evangelho segundo São Mateus, V, 9, segundo a Vulgata; Pio XII, radiomensagem de 24 de agosto de 1939: «Nada se perde com a paz; tudo se pode perder com a guerra.»