Atualidade
Dez anos depois do padre Hamel: um sacerdote ferido no altar, o sangue unido ao Sacrifício
Dez anos depois do assassínio do padre Hamel no altar, medimos o seu testemunho pelo martírio e pelo santo sacrifício da missa.

Há dez anos, no dia 26 de julho de 2016, um sacerdote de oitenta e cinco anos era morto na sua igreja da Normandia, enquanto celebrava a missa. Dois homens tinham-no assaltado ao pé do altar e cortado a garganta; o ataque foi reivindicado por homens que se reclamavam da jihad. « Vai-te, Satanás! » foram, segundo se diz, as suas últimas palavras. Neste fim de semana, a sua diocese e a sua cidade comemoram o drama.
A Escritura não conhece maior amor: « Ninguém tem maior amor do que êste, de dar um a própria vida por seus amigos. » E são João, arrebatado ao Céu, viu onde repousam os que assim caem: « Vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho que tinham dado dele. » Ferir um sacerdote no altar é ferir o Sacrifício que ele oferece; o sangue do ministro mistura-se com o Sangue que acabara de consagrar, e o seu lugar está marcado de antemão — debaixo do altar, junto dos testemunhos.
Não pronunciamos o juízo que só pertence à Igreja; nomeamos o facto: um homem morreu por causa da fé, nas mãos dos seus inimigos, sem devolver mal por mal. Os seus assassinos queriam fazer calar a missa; fizeram dele uma testemunha cujo sangue ainda fala. Contra o ódio da fé, a tradição não opõe a vingança mas a caridade do mártir — pois até o seu « Vai-te, Satanás! » é um exorcismo, não uma maldição. Dez anos depois, este campanário tornado lugar de oração repete uma verdade que o mundo esquece: pode-se matar o sacerdote, não se mata a missa.
Sources. Evangelho segundo são João, XV, 13; Apocalipse, VI, 9; Catecismo do Concílio de Trento (1566), do santo sacrifício da missa.