Novenas
Novena ao Santíssimo Sacramento: os 9 dias completos
A novena ao Santíssimo Sacramento na íntegra: a oração diária, os nove dias com suas meditações e orações próprias, o versículo e a coleta de São Tomás de Aquino, e quando se inicia a novena para Corpus Christi.
A novena ao Santíssimo Sacramento é a oração de nove dias dirigida a Nosso Senhor Jesus Cristo realmente presente sob as espécies do pão e do vinho — seu Corpo, seu Sangue, sua alma e sua divindade. Reza-se para reavivar a fé eucarística, preparar uma comunhão, alcançar uma graça particular ou reparar os ultrajes que o Salvador recebe no sacrário; e, porque não há aqui santo intermediário, é ao próprio Deus escondido na Hóstia que a súplica sobe. Tradicionalmente ela se faz nos nove dias que antecedem Corpus Christi, terminando no dia da solenidade — mas pode ser rezada em qualquer época do ano.
O texto completo da novena ao Santíssimo Sacramento
Esta é a novena tradicional em louvor do Santíssimo Sacramento, na forma em que a Igreja a reza para a Festa do Corpo de Deus. Durante nove dias consecutivos faz-se sempre o mesmo caminho, e no nono dia acrescenta-se o versículo e a coleta do Santíssimo Sacramento.
A oração de todos os dias
Em nome do Pai,
e do Filho,
e do Espírito Santo.
Amém.
Recolha-se um instante diante do Santíssimo Sacramento, presente ou representado, e reze depois a invocação diária, que se diz em cada um dos nove dias antes da meditação própria do dia.
Ó Jesus, realmente presente no Santíssimo Sacramento do altar, creio, adoro, espero e vos amo. Vós que vos fizestes pão para permanecer entre nós até o fim dos tempos, aumentai em mim a fé viva na vossa presença, a fome de vos receber e o desejo de vos adorar; e vos suplico que me concedais, se tal for a vossa vontade e se for bom para a minha alma, a graça que peço nesta novena.
Exprima aqui, com simplicidade e clareza, a intenção que confia a Nosso Senhor presente no Santíssimo Sacramento — a mesma durante os nove dias.
Louvado e adorado seja para sempre o Santíssimo Sacramento do altar. Assim seja.
Primeiro dia — A instituição da Eucaristia
Na tarde da Quinta-feira Santa, na Última Ceia, na véspera de sua Paixão, Nosso Senhor tomou o pão, deu graças, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo que aquilo era o seu Corpo entregue por eles, e que fizessem isto em memória sua. Assim instituiu a Eucaristia e, com o mesmo gesto, o sacerdócio que a perpetuaria. Foi o dom de seu amor levado ao extremo, na hora mesma em que ia morrer. Mas a Quinta-feira Santa, toda voltada para a Paixão que começava, não podia desdobrar a alegria que tal dom merece: o Corpus Christi a devolve ao Santíssimo Sacramento em plena luz.
Ó Jesus, vós nos amastes até o fim, e para permanecer conosco até a consumação dos séculos vos destes em alimento na tarde da Ceia: alcançai-nos receber este dom inefável com a fé, a reverência e a gratidão que merece, e nunca esquecer a que preço nos foi feito.
Pai nosso, que estais nos céus:
santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia
nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos
aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.
Reze três vezes a Ave-Maria.
Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Segundo dia — A presença real
A Eucaristia contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, o Sangue, a alma e a divindade de Nosso Senhor, sob as aparências do pão e do vinho. Não é um símbolo nem uma simples recordação: é o mesmo Jesus que está no Céu e que nasceu da Virgem. Pelas palavras da consagração, a substância do pão se muda toda em seu Corpo, e a do vinho em seu Sangue: a esta mudança a Igreja chama transubstanciação, e o Concílio de Trento fixou a sua doutrina contra toda heresia.
Ó Jesus escondido sob o véu das sagradas espécies, creio firmemente que ali estais, vivo e verdadeiro, meu Deus e meu Senhor: fortalecei a minha fé quando ela vacila, e dai-me ajoelhar diante da Hóstia como os Magos diante do presépio, sabendo que, ajoelhado diante do Santíssimo Sacramento, estou ajoelhado diante do próprio Deus.
Reze o Pai-Nosso, três Ave-Marias e o Glória ao Pai.
Terceiro dia — O sacrifício renovado
A Eucaristia não é só um sacramento a receber: é o sacrifício da lei nova. Em cada missa é o próprio sacrifício da Cruz que se renova sobre o altar de modo incruento; a vítima é a mesma, Nosso Senhor Jesus Cristo, e o sacerdote não é senão o seu ministro. O Calvário não se repete, mas se torna presente, e os seus frutos infinitos nos são aplicados. Por isso a Igreja quis que o Santíssimo Sacramento, que perpetua este sacrifício, tivesse uma festa à parte.
Ó Jesus, vítima sempre oferecida por nós nos nossos altares, ensinai-nos a assistir à santa missa com a fé e o recolhimento dos santos, a nos unir à vossa oblação e a depor nela as nossas penas, as nossas ações de graças e as nossas súplicas, para que o fruto do vosso sacrifício não fique estéril em nós.
Reze o Pai-Nosso, três Ave-Marias e o Glória ao Pai.
Quarto dia — O Pão da vida
Nosso Senhor prometeu que quem come a sua carne e bebe o seu sangue tem a vida eterna, e que o ressuscitará no último dia. O Pão dos anjos se fez pão dos homens: na santa comunhão ele se dá a nós em alimento, remédio das nossas fraquezas, penhor da vida que não tem fim. Comungar com frequência e dignamente, com o coração puro e a alma preparada, é deixar Nosso Senhor agir em nós e nos transformar pouco a pouco nele mesmo.
Ó Jesus, Pão vivo descido do Céu, dai-nos a fome de vos receber, a pureza que torna as nossas comunhões dignas e fervorosas, e a graça de nunca nos aproximarmos da vossa mesa por rotina ou por frieza; fazei de cada comunhão um passo mais perto de vós, até que vivamos da vossa vida.
Reze o Pai-Nosso, três Ave-Marias e o Glória ao Pai.
Quinto dia — A adoração do Rei escondido
O Santíssimo Sacramento é conservado no sacrário das nossas igrejas precisamente para ali ser adorado e levado aos enfermos. Ali, dia e noite, Nosso Senhor permanece, Rei escondido sob as espécies, esperando que se venha a ele. A adoração eucarística — estar de joelhos diante da Hóstia, exposta ou reservada — é o mesmo ato de fé que a procissão do Corpus Christi proclama em voz alta: reconhecer naquele pequeno pão Cristo Rei que reina, e render-lhe o culto de adoração devido a Deus só.
Ó Jesus, Rei escondido no sacrário, onde tantas vezes permaneceis só e abandonado, dai-nos o amor da adoração e o desejo de vos fazer companhia com frequência; que nunca passemos diante de uma igreja sem lembrar que ali estais, e fazei reinar a vossa paz nas nossas almas, nos nossos lares e no mundo inteiro.
Reze o Pai-Nosso, três Ave-Marias e o Glória ao Pai.
Sexto dia — São Tomás de Aquino e o Lauda Sion
Ao instituir a festa, o papa Urbano IV pediu a São Tomás de Aquino que compusesse a missa e o ofício do Santíssimo Sacramento. O Doutor Angélico deu à Igreja as peças mais densas de toda a liturgia eucarística: a sequência Lauda Sion, que encerra em suas estrofes toda a doutrina da transubstanciação; o hino Pange lingua, cujas duas últimas estrofes formam o Tantum ergo da bênção; o Sacris solemniis, de onde vem o Panis angelicus; e o Verbum supernum, de onde vem o O salutaris Hostia. Nele a mais alta teologia da Eucaristia se fez cantável, para que o povo levasse a fé na boca e no coração.
Ó Jesus, que inspirastes ao vosso servo Tomás cânticos tão belos para honrar o vosso Corpo e o vosso Sangue, dai-nos amar a doutrina da Igreja sobre a Eucaristia, guardá-la pura e inteira, e vos louvar, como ele, com um coração que crê o que a fé ensina, quando os sentidos não podem alcançá-lo.
Reze o Pai-Nosso, três Ave-Marias e o Glória ao Pai.
Sétimo dia — Santa Juliana e a procissão
A origem da festa é de Liège. Santa Juliana de Mont-Cornillon (1193-1258) via na oração um disco lunar resplandecente, cortado por uma brecha escura: Nosso Senhor lhe deu a conhecer que a lua figurava a Igreja, e a brecha a falta de uma festa em honra do Santíssimo Sacramento. O bispo Roberto de Thourotte a instituiu em Liège em 1246, e Tiago Pantaleão, tornado papa Urbano IV, a estendeu à Igreja universal pela bula Transiturus em 1264. Desde então, no dia do Corpus Christi, a Igreja leva o Santíssimo Sacramento em procissão pelas ruas, sob o pálio, ao canto do Pange lingua: profissão de fé de toda uma cidade na presença real.
Ó Jesus, que quisestes que a vossa Igreja vos leve em triunfo pelas ruas para confessar diante do mundo o que adora em segredo, dai-nos a coragem de professar publicamente a nossa fé eucarística, sem respeito humano, e o zelo de fazer conhecer e amar o Santíssimo Sacramento ao nosso redor.
Reze o Pai-Nosso, três Ave-Marias e o Glória ao Pai.
Oitavo dia — O Viático e a hora da morte
Nosso Senhor, que prometeu a vida eterna a quem come este pão, quer ser a nossa força na última passagem. O Santíssimo Sacramento, levado aos moribundos, se torna Viático — o pão da viagem — alimento para o caminho que conduz do tempo à eternidade, penhor da ressurreição e da vida que não tem fim. Feliz a alma que recebe o seu Deus no limiar da eternidade, e que o próprio Cristo alimenta na hora em que todo auxílio humano se desvanece.
Ó Jesus, Pão da vida eterna, concedei-nos a graça de receber o santo Viático antes de morrer, em plena fé e plena paz; e na hora da nossa morte, vinde vós mesmo ao nosso encontro, para que, fortalecidos pelo vosso Corpo, passemos deste mundo a vós e vos vejamos face a face pela eternidade.
Reze o Pai-Nosso, três Ave-Marias e o Glória ao Pai.
Nono dia — Reparação e ação de graças
Este dom sem medida é demasiadas vezes desconhecido. Quantos passam diante do sacrário sem um olhar; quantos comungam sem fé, na indiferença, por vezes em estado de pecado; quantos ultrajes e sacrilégios recebe o Salvador ali onde só esperava amor. No termo desta novena a Igreja nos convida a reparar com a nossa adoração as friezas e as ofensas, e a dar graças por tão grande benefício: pois, depois de termos recebido tanto, resta-nos apenas amar e agradecer.
Ó Jesus presente no Santíssimo Sacramento, eu vos dou graças de todo o coração pelo dom inefável do vosso Corpo e do vosso Sangue, e vos ofereço em reparação dos ultrajes que vos são feitos o meu amor e a minha adoração; dignai-vos, se tal for a vossa vontade e para o bem da minha alma, conceder-me a graça que vos pedi nesta novena, e sede para sempre louvado, adorado e amado no Santíssimo Sacramento do altar.
Reze o Pai-Nosso, três Ave-Marias e o Glória ao Pai.
Oração final da novena
V. Do céu lhes destes o pão.
R. Que encerra em si toda a doçura.
Oremos.
Ó Deus, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa Paixão: concedei-nos, vos suplicamos, venerar de tal modo os sagrados mistérios do vosso Corpo e do vosso Sangue, que sintamos sem cessar em nós o fruto da vossa redenção. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.
Amém.
Esta é a coleta do Missal Romano para a festa do Santíssimo Sacramento, composta por São Tomás de Aquino — em latim: Deus, qui nobis sub sacramento mirabili passionis tuae memoriam reliquisti: tribue, quaesumus, ita nos corporis et sanguinis tui sacra mysteria venerari, ut redemptionis tuae fructum in nobis iugiter sentiamus. Qui vivis et regnas in saecula saeculorum.
Em nome do Pai,
e do Filho,
e do Espírito Santo.
Amém.
As formas em que esta novena é rezada
O texto acima é um só, mas o povo cristão o reza de muitas maneiras — e vale distinguir o que é a mesma novena com outro nome, o que é um costume acrescentado e o que é, na verdade, outra devoção.
Novena do Santíssimo Sacramento em PDF e para imprimir
Muita gente procura a novena do Santíssimo Sacramento em PDF, um livrinho ou uma folha para imprimir, e a razão é boa: quem reza diante do sacrário não quer manusear o celular na igreja. Esta página foi feita para ser impressa diretamente do navegador — o texto é o mesmo dos nove dias, sem cortes. Não é preciso comprar um folheto para rezar bem: a novena não pertence a nenhuma editora, ela é da Igreja. É também a esta novena antiga que se referem os que procuram a forma de sempre: o essencial é que o texto impresso guarde a doutrina íntegra da presença real e termine com a coleta autêntica do Missal, e não com uma paráfrase.
Novena diante do Santíssimo Sacramento e novena de adoração
A novena diante do Santíssimo Sacramento não é um texto diferente: é esta mesma novena rezada na igreja, de joelhos, com o Senhor exposto na custódia ou reservado no sacrário. É a forma mais perfeita de rezá-la, porque a oração se dirige a Alguém que está ali, à distância de um olhar. Se a sua paróquia tem capela de adoração perpétua ou hora de exposição, procure fazer nela ao menos alguns dos nove dias; se não tem, basta uma visita ao Santíssimo antes ou depois da missa. Veja também o que a Igreja ensina sobre a adoração eucarística.
A novena das nove quintas-feiras
Alguns rezam a novena não em nove dias seguidos, mas em nove quintas-feiras consecutivas — costume nascido do fato de a Eucaristia ter sido instituída numa quinta-feira e de o Corpus Christi cair sempre numa quinta. É um uso legítimo e antigo, aparentado às primeiras sextas-feiras do Sagrado Coração: reza-se o mesmo texto, um dia por semana, de preferência com missa e comunhão. Dura mais de dois meses, e quem a começa deve estar decidido a terminá-la.
Intenções para a novena ao Santíssimo Sacramento
A invocação diária deixa um lugar para a sua intenção, e ela deve ser uma só durante os nove dias, formulada com simplicidade: um doente, uma conversão, um trabalho, uma decisão. Diante do Santíssimo, contudo, três intenções são especialmente próprias: pedir uma fé viva na presença real, pedir pelos sacerdotes, que consagram, e pedir pela graça do Viático na hora da morte — para si e para os seus. Peça também sem medo pelas coisas materiais: quem lhe dá o próprio Corpo não se ofende com um pedido pequeno. A novena não é um procedimento mágico nem um número de dias que obriga Deus, mas uma oração de confiança perseverante — como se explica em o que é uma novena e por que nove dias.
Novena com bênção do Santíssimo
Nas paróquias a novena é muitas vezes rezada e concluída com a bênção do Santíssimo Sacramento: exposição, canto do O salutaris Hostia, a novena, depois o Tantum ergo — "Tão sublime sacramento" —, o versículo Panem de caelo, a coleta e a bênção com a custódia. Note que o versículo e a coleta desta novena são exatamente os da bênção: não é coincidência, ambos vêm do ofício de São Tomás de Aquino. Rezada assim, a novena se encaixa sem emenda na liturgia da Igreja. Pela mesma razão, muitas novenas marianas — a do Perpétuo Socorro, entre outras — são rezadas com o Senhor exposto e concluídas com a bênção: a devoção aos santos termina onde deve, na adoração de Deus.
E a "novena de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento"?
Existem novenas a Nossa Senhora sob o título do Santíssimo Sacramento, e são coisa diferente desta: nelas pedimos à Santíssima Virgem que nos obtenha o amor à Eucaristia; aqui adoramos o próprio Deus presente na Hóstia. A distinção importa: é a mesma que separa a adoração — devida a Deus só — da veneração dos santos. Note, de resto, que as três Ave-Marias de cada dia já colocam esta novena sob o olhar daquela que deu ao Verbo a carne que adoramos na Hóstia.
Como rezar a novena: quando se inicia e como conduzir os nove dias
Três coisas bastam: nove dias, uma intenção, e a mesma ordem todos os dias. Concretamente:
- Escolha o lugar. Diante do Santíssimo, se puder; diante de um crucifixo, se não puder. Um instante de silêncio antes de começar vale mais do que pressa devota.
- Faça o sinal da cruz e reze a invocação diária, exprimindo a sua intenção — a mesma nos nove dias.
- Leia a meditação do dia sem correr, e reze a oração própria daquele dia.
- Conclua com o Pai-Nosso, três Ave-Marias e o Glória ao Pai.
- No nono dia, acrescente o versículo e a coleta do Santíssimo Sacramento.
- Se possível, comungue ao menos uma vez durante a novena — de preferência no dia da festa —, tendo antes feito uma boa confissão.
Quando se inicia a novena do Santíssimo Sacramento
A novena termina no dia do Corpus Christi, que cai sempre na quinta-feira depois do domingo da Santíssima Trindade — sessenta dias depois da Páscoa. Contando a festa como nono dia, começa-se oito dias antes, numa quarta-feira:
| Ano | Corpus Christi | Início da novena |
|---|---|---|
| 2026 | quinta-feira, 4 de junho | quarta-feira, 27 de maio |
| 2027 | quinta-feira, 27 de maio | quarta-feira, 19 de maio |
| 2028 | quinta-feira, 15 de junho | quarta-feira, 7 de junho |
Quem preferir terminar na véspera, para chegar à solenidade já preparado, comece um dia antes. E quem não reza para a festa pode iniciá-la em qualquer dia do ano: a Quinta-feira Santa, uma primeira comunhão na família ou a doença de alguém querido são motivos suficientes. Sobre o dia da festa e seus costumes, veja a festa de Corpus Christi e sua procissão.
O Santíssimo Sacramento e a origem desta novena
O Santíssimo Sacramento do altar é o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. É o maior dos sacramentos, pois contém não a graça apenas, mas o próprio Autor da graça — e por isso, entre os sete, só a Eucaristia é adorada. Contra os inovadores do século XVI, o Concílio de Trento acrescentou o que a novena supõe a cada dia: Cristo está inteiro sob cada espécie e sob cada partícula. É essa fé — e não um sentimento — que a novena quer avivar. Quem quiser aprofundá-la encontrará em a doutrina católica sobre a Eucaristia o essencial, e em os milagres eucarísticos aprovados pela Igreja os sinais que Deus quis dar aos que hesitavam.
Santa Juliana de Mont-Cornillon e a bula Transiturus
A festa não nasceu de uma decisão administrativa, mas de uma alma. Juliana, nascida perto de Liège em 1193, órfã aos cinco anos, foi criada pelas religiosas agostinianas do leprosário de Mont-Cornillon, onde tomou o hábito e mais tarde foi priora. Durante anos calou-se sobre a visão que a perseguia, tomando-a por ilusão; depois Nosso Senhor lhe fez entender que queria uma festa em honra do Santíssimo Sacramento, para reanimar a fé e reparar as injúrias contra a presença real. Contradita, expulsa duas vezes do seu mosteiro por calúnia, morreu em 1258 em Fosses, tendo pedido que se lhe pusesse diante dos olhos o Santíssimo Sacramento, e sem ter visto a festa universal. Mas o bispo Roberto de Thourotte já a havia instituído em Liège em 1246; e em 1264 o arcediago a quem ela confiara o segredo, tornado Urbano IV, estendeu-a à Igreja inteira pela bula Transiturus de hoc mundo. Quem reza esta novena reza, portanto, a devoção que uma religiosa obteve de Deus com trinta anos de silêncio e de opróbrio.
São Tomás de Aquino, autor do ofício
Para dar à festa a sua voz, Urbano IV recorreu ao maior teólogo da cristandade. São Tomás de Aquino (c. 1225-1274), nascido no castelo de Rocca Secca e oblato de Monte Cassino aos cinco anos, entrou aos dezenove entre os Frades Pregadores; a família o sequestrou e o manteve preso dois anos para o demover, sem sucesso. Aluno de Santo Alberto Magno em Colônia, foi por sua reserva apelidado "o boi mudo da Sicília", ao que o mestre respondeu: "Chamamos ao Frei Tomás o boi mudo; mas eu vos digo que o seu mugido se fará ouvir até os confins da terra." Deixou vinte volumes, entre eles a Suma Teológica, uma das três obras postas sobre a mesa da assembleia no Concílio de Trento, ao lado da Bíblia e dos decretos pontifícios. Dizia ter aprendido mais aos pés do crucifixo do que nos livros, e Frei Reginaldo, seu socius, atestava que a sua ciência devia-se muito menos ao gênio que a orações feitas em lágrimas. Foi esse homem que compôs a missa e o ofício de Corpus Christi — o Lauda Sion, o Pange lingua, o Verbum supernum, o Sacris solemniis e a coleta Deus, qui nobis. Morreu a 7 de março de 1274, na abadia de Fossanova, tendo submetido tudo quanto escrevera ao juízo da Igreja; foi canonizado em 1323, declarado Doutor da Igreja por São Pio V e, em 1880, patrono de todas as universidades, colégios e escolas por Leão XIII. Rezar esta novena é rezar com as palavras dele.
Perguntas Frequentes
Quando se inicia a novena do Santíssimo Sacramento?
Oito dias antes do Corpus Christi, numa quarta-feira, de modo que o nono dia caia na própria festa. Em 2026 o Corpus Christi é a 4 de junho, e a novena começa a 27 de maio. Fora desse tempo, ela pode ser iniciada em qualquer dia do ano.
Qual é a diferença entre a novena ao Santíssimo Sacramento e a novena a um santo?
A diferença é de natureza, não de forma. A um santo pedimos que interceda por nós junto de Deus; aqui dirigimo-nos ao próprio Deus, realmente presente. Por isso esta novena é ao mesmo tempo súplica e adoração — culto que se deve a Deus só, e que seria idolatria render a qualquer criatura.
Preciso estar diante do Santíssimo para rezar esta novena?
Não. A novena diante do Santíssimo é a forma mais perfeita, mas o texto é o mesmo rezado em casa, diante de um crucifixo ou de uma imagem. O que não se pode dispensar é a fé: rezar sabendo a quem se fala.
É preciso comungar todos os nove dias?
Não é preciso, e nunca se deve comungar por contagem. Comungue sempre que puder fazê-lo dignamente — em estado de graça, com o jejum eucarístico devido —, e ao menos uma vez durante a novena. Uma única comunhão fervorosa vale mais que nove feitas por rotina.
Existe indulgência ligada a esta novena?
A novena em si é uma prática livre. Mas os atos que a compõem são indulgenciados pela Igreja: a visita ao Santíssimo Sacramento, a adoração e a assistência à bênção com o Tantum ergo — como se detalha em as indulgências e como ganhá-las. Rezada diante do sacrário, esta novena é de fato um tesouro de indulgências.
Posso rezar a novena por um doente ou por um moribundo?
Sim, e é uma das intenções mais próprias que se pode ter. O oitavo dia é inteiramente dedicado ao Viático, o pão da última viagem. Se o doente está grave, peça-se para ele a graça de receber os últimos sacramentos — a confissão, a Unção dos Enfermos e o Viático — antes que seja tarde.
Qual é a oração final da novena, e por que em latim?
É a coleta Deus, qui nobis sub sacramento mirabili, do Missal Romano, composta por São Tomás de Aquino para a missa do Corpus Christi. Damos o latim porque é o texto oficial e a forma em que ela é cantada na bênção do Santíssimo; rezá-la em português é igualmente válido, e a tradução acima é fiel.
Onde encontro a novena do Santíssimo Sacramento em PDF?
Esta página traz o texto na íntegra e pode ser impressa diretamente do navegador. Desconfie das versões abreviadas que suprimem a doutrina da presença real ou substituem a coleta do Missal por uma paráfrase.
Reze a novena ao Santíssimo Sacramento com lembretes dia a dia e o texto em áudio no aplicativo Iter Fidei. Baixe aqui.
Fontes. — Sagrada Escritura (Bíblia do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo) ; Missal Romano, missa e ofício do Santíssimo Sacramento compostos por São Tomás de Aquino ; Urbano IV, bula Transiturus de hoc mundo (1264) ; Concílio de Trento, sessão XIII, decreto sobre o Santíssimo Sacramento da Eucaristia ; São Tomás de Aquino, Suma Teológica III, qq. 73-83 ; Alban Butler, Vidas dos Santos (São Tomás de Aquino, 7 de março ; Santa Juliana de Mont-Cornillon, 5 de abril) ; Martirológio Romano ; Catecismo do Concílio de Trento, parte II ; Raccolta.