Salmos
Salmo 126 (Salmo 125 na Vulgata)
O Salmo 126, 'Quando o Senhor fizer voltar os cativos de Sião', é o cântico da alegria do regresso e da esperança em meio às lágrimas. Texto completo na Bíblia de Figueiredo e no latim da Vulgata, com a explicação da dupla numeração e o uso tradicional.

Quem procura o Salmo 126 encontra um dos cânticos mais amados do saltério: "Quando o Senhor fizer voltar os cativos de Sião, seremos como cheios de consolação". É o salmo da alegria do regresso e da esperança firme de quem chora hoje mas sabe que ceifará amanhã com regozijo. Reunimos aqui o texto completo na Bíblia de Figueiredo, o latim da Vulgata, a explicação da dupla numeração que confunde tantos leitores, e o lugar deste salmo na oração tradicional da Igreja.
Por que existem dois números: Salmo 126 e Salmo 125
A primeira coisa a entender é que o Salmo 126 e o Salmo 125 são, em muitos casos, o mesmo salmo. A diferença é apenas de numeração, e ela vem de longe.
O saltério hebraico (o texto massorético, seguido por muitas edições modernas) numera este cântico como Salmo 126. A tradução grega dos Setenta (a Septuaginta) e a Vulgata latina de São Jerônimo, que a Igreja latina usou por mais de mil e quinhentos anos, o numeram como Salmo 125.
A divergência nasce no início do saltério: o grego e o latim juntaram em um só os salmos hebraicos 9 e 10, e mais adiante o 114 e o 115. Por isso, na maior parte do saltério, a numeração latina fica uma unidade atrás da hebraica. O que o leitor moderno conhece como Salmo 126 é, para a tradição litúrgica latina, o Salmo 125, e é assim que a Bíblia de Figueiredo, traduzida da Vulgata, o traz: ao procurar "Salmo 126", você o encontra no versículo que começa "Quando o Senhor fizer voltar os cativos de Sião". Conferimos os primeiros versículos para confirmar o salmo certo — eis o texto completo.
Salmo 126 (125) — texto na Bíblia de Figueiredo
Cântico gradual.
Quando o Senhor fizer voltar os cativos de Sião: Seremos como cheios de consolação.
Então se encherá de gôzo a nossa bôca: E a nossa língua de alegria. Então dirão entre as nações: Grandes coisas fêz o Senhor a favor dêles.
Grandes coisas fêz o Senhor por nós: Seremos cheios de júbilo.
Faze, Senhor, voltar os nossos cativos, como uma torrente no Meio-dia.
Os que semeiam em lágrimas, com regozijo ceifarão.
Andando iam e choravam, semeando suas sementes. Mas vindo virão com regozijo, trazendo os seus feixes.
Salmo 125 — texto em latim (Vulgata)
Canticum graduum.
In convertendo Dominus captivitatem Sion, facti sumus sicut consolati.
Tunc repletum est gaudio os nostrum, et lingua nostra exsultatione. Tunc dicent inter gentes: Magnificavit Dominus facere cum eis.
Magnificavit Dominus facere nobiscum; facti sumus laetantes.
Converte, Domine, captivitatem nostram, sicut torrens in austro.
Qui seminant in lacrimis, in exsultatione metent.
Euntes ibant et flebant, mittentes semina sua. Venientes autem venient cum exsultatione, portantes manipulos suos.
O significado do Salmo 126
O significado do Salmo 126 se desdobra em dois movimentos que toda alma reconhece: a memória de uma alegria recebida e a súplica para que ela volte.
Os três primeiros versículos olham para trás. O povo lembra o dia em que o Senhor "fez voltar os cativos de Sião" — o regresso do exílio da Babilônia, libertação tão grande que pareceu um sonho. A boca se enche de riso, e até as nações reconhecem: "Grandes coisas fêz o Senhor a favor dêles." É a confissão da gratidão: o bem que temos não nasceu de nossas mãos, mas da misericórdia de Deus.
Os três últimos versículos olham para diante, e aqui está o coração do salmo. "Faze, Senhor, voltar os nossos cativos, como uma torrente no Meio-dia": como os leitos secos do deserto do sul, que num instante se enchem de água com as chuvas, assim peça a alma que Deus encha de novo a vida ressequida. E vem então a imagem que atravessou os séculos: "Os que semeiam em lágrimas, com regozijo ceifarão." O lavrador chora ao lançar à terra o grão de que precisava para comer, mas volta cantando, com os braços cheios de feixes.
Os Padres viram aqui toda a vida cristã. O cativeiro de Sião é o nosso desterro longe de Deus, e a verdadeira libertação é a redenção de Cristo, que nos faz voltar do exílio do pecado. As lágrimas da sementeira são as penitências e provações desta vida, como o clamor do Salmo 130 que sobe das profundezas; os feixes da colheita são a alegria que não acaba. Quem semeia em lágrimas — quem oferece a Deus o seu sofrimento — não semeia em vão.
Salmos 126:3 — "Grandes coisas fez o Senhor por nós"
Um dos versículos mais procurados é o Salmo 126:3 (Salmo 125:3 na Vulgata): "Grandes coisas fêz o Senhor por nós: Seremos cheios de júbilo" — em latim, Magnificavit Dominus facere nobiscum; facti sumus laetantes.
É o ápice da primeira parte do salmo, a confissão da gratidão. O povo não atribui a si mesmo a libertação: tudo é obra do Senhor. O verbo latino magnificavit é o mesmo da raiz do Magnificat de Nossa Senhora — "fez em mim grandes coisas o Poderoso" (Lucas 1, 49) —, e a tradição viu nessa correspondência um eco profético: o que o salmo canta do regresso de Sião, a Virgem o canta da Encarnação. Por isso o Salmo 126:3 se reza bem como ação de graças, depois de uma graça recebida, de uma cura, de uma conversão, de um perigo afastado.
Salmos 126:5 — "Os que semeiam em lágrimas, com regozijo ceifarão"
O Salmo 126:5 (Salmo 125:5 na Vulgata) é o versículo mais célebre de todo o cântico: "Os que semeiam em lágrimas, com regozijo ceifarão" — Qui seminant in lacrimis, in exsultatione metent.
Aqui o salmo passa da memória à esperança. A imagem é a do lavrador antigo, que em tempo de fome precisava lançar à terra parte do grão que serviria de alimento: semeava chorando, com o medo da escassez, mas confiava que a colheita devolveria muito mais. Os Padres leram nesse verso a lei de toda a vida espiritual: nada de grande nasce sem sacrifício, e a dor oferecida a Deus nunca é estéril. É um versículo para quem está no tempo da semeadura difícil — o trabalho sem fruto visível, a oração que parece não ser ouvida, a cruz carregada em silêncio. Reze-o como promessa: a lágrima de hoje é a semente da alegria de amanhã.
Salmos 126:6 — "Andando iam e choravam, semeando suas sementes"
O Salmo 126:6 (125:6 na Vulgata) completa e desenvolve a imagem do versículo anterior: "Andando iam e choravam, semeando suas sementes. Mas vindo virão com regozijo, trazendo os seus feixes" — Euntes ibant et flebant, mittentes semina sua. Venientes autem venient cum exsultatione, portantes manipulos suos.
O versículo descreve dois caminhos: a ida, marcada pelo choro e pela sementeira; e a volta, marcada pelo júbilo e pelos feixes. É o retrato de toda peregrinação cristã — saímos chorando, voltamos cantando. A tradição aplicou estes versos (Salmos 126:5 e 6, frequentemente procurados juntos) à passagem da morte à ressurreição: o cristão é semeado em lágrimas na sepultura para ressurgir em glória, como o grão de trigo do Evangelho que só dá fruto se morrer (João 12, 24).
Salmo 126 completo: texto e estudo
Quem procura o Salmo 126 completo encontra acima os seis versículos integrais, lado a lado em português (Bíblia de Figueiredo) e em latim (Vulgata). Para um estudo do Salmo 126, convém guardar a sua estrutura simples, que ajuda a rezá-lo e a meditá-lo:
- Versículos 1 a 3 — a memória da alegria. O regresso do exílio, recebido como dom de Deus, que faz rir a boca e admirar as nações. Chave: a gratidão.
- Versículos 4 a 6 — a súplica e a promessa. O pedido de que a libertação se renove ("como uma torrente no Meio-dia") e a certeza de que a sementeira em lágrimas dará colheita de júbilo. Chave: a esperança.
Esse é o movimento que percorre todo o cântico: do que Deus já fez ao que pedimos que faça de novo, sempre na confiança de quem sabe que o Senhor não abandona os seus. Para a explicação do Salmo 126 versículo por versículo, veja as seções acima sobre os versos 3, 5 e 6, e a seção do significado.
Salmo 126 como oração
Como oração, o Salmo 126 é um dos mais consoladores nas horas de provação. Quando carregamos uma cruz pesada, quando trabalhamos sem ver fruto, quando choramos uma perda, este salmo coloca em nossa boca ao mesmo tempo a confiança e a súplica, ao lado de outros salmos de cura que consolam o coração ferido.
Reze-o como confissão de gratidão: faça memória das "grandes coisas" que o Senhor já fez por você, e deixe que a alegria de outrora reacenda a esperança de hoje. E reze-o como pedido: "Faze, Senhor, voltar os nossos cativos" — peça que Ele liberte aquilo que em você ainda está em exílio, o coração endurecido, o hábito que prende, a tristeza que não passa. Termine sempre com o versículo da promessa, repetindo-o com fé: "Os que semeiam em lágrimas, com regozijo ceifarão." Reze-o devagar, deixando cada imagem agir na alma; muitos o associam ao terço ou às orações da noite, confiando ao Senhor as sementeiras do dia.
O uso tradicional do Salmo 126 na Igreja
O Salmo 126 (125) pertence ao grupo dos Cânticos Graduais (em latim, Cantica graduum), os quinze salmos do 119 ao 133 da Vulgata. A tradição os chama "graduais" porque eram cantados pelos peregrinos que subiam a Jerusalém para as grandes festas e pelos levitas nos degraus do Templo. São os salmos da subida: do exílio à pátria.
Na oração tradicional da Igreja, o Divino Ofício rezava os cânticos graduais ao longo da semana, e o Salmo 125 voltava com frequência nas Vésperas e nos sufrágios. Por falar de libertação, regresso e esperança na ressurreição, a liturgia o aplicou de modo especial à memória dos fiéis defuntos e ao tempo pascal, em que a Igreja canta a passagem das lágrimas à glória.
É, no fim, o salmo da Páscoa de cada alma: o cativeiro vencido, a sementeira chorada que se faz colheita de júbilo. Quem o reza junta a sua voz à dos peregrinos que sobem a Sião, os mesmos que no Salmo 121 levantam os olhos para os montes, certos de que "vindo virão com regozijo, trazendo os seus feixes".
Salmo 126 cantado: letra, cifra e música
Muitos procuram a letra do Salmo 126, a cifra ou uma música para cantá-lo. Na tradição da Igreja, a "letra" do salmo é simplesmente o seu texto sagrado — os seis versículos que você lê acima, sem acréscimos. Foi assim, com essas próprias palavras, que o salmo atravessou os séculos.
A melodia mais antiga e mais própria deste cântico não é uma "cifra" de violão, mas o canto gregoriano. Como Cântico Gradual, o In convertendo (Salmo 125) foi sempre cantado em latim sobre um dos oito tons salmódicos, em alternância entre os dois coros, com a antífona própria de cada festa. É esse o canto que a liturgia tradicional pôs na boca dos peregrinos e dos monges. Quem quer "cantar o Salmo 126" no espírito da Igreja encontra aqui a sua música verdadeira: a salmodia gregoriana, simples e orante, em que a melodia serve a Palavra e não o contrário.
As versões contemporâneas em estilo popular, com cifra de violão, são adaptações livres do texto e variam de autor para autor; quando se canta o salmo, vale guardar a fidelidade às palavras inspiradas. No aplicativo Iter Fidei, o salmo vem com o texto integral em latim e português e o áudio para acompanhar a oração.
Perguntas Frequentes
O Salmo 126 e o Salmo 125 são o mesmo?
Na maioria dos casos, sim. A numeração hebraica o chama Salmo 126; a Vulgata latina e a Septuaginta o chamam Salmo 125. A Bíblia de Figueiredo, traduzida da Vulgata, o traz sob o número 125. O texto é o mesmo: "Quando o Senhor fizer voltar os cativos de Sião".
Por que há duas numerações dos salmos?
Porque a Septuaginta e a Vulgata uniram em um só alguns salmos que o hebraico mantém separados (os hebraicos 9 e 10, e o 114 e o 115). Por isso, na maior parte do saltério, a numeração latina fica uma unidade atrás da hebraica.
Qual é o significado do Salmo 126?
É o cântico da libertação e da esperança. Recorda a alegria do regresso do exílio como obra de Deus e pede que essa libertação se renove. Seu versículo central, "Os que semeiam em lágrimas, com regozijo ceifarão", ensina que o sofrimento oferecido a Deus prepara uma colheita de alegria.
Quando rezar o Salmo 126?
É especialmente indicado nas horas de prova, de luto ou de trabalho sem fruto aparente, e como ação de graças pelas libertações já recebidas. Na tradição da Igreja, é um dos Cânticos Graduais, rezado no Divino Ofício e associado à oração pelos defuntos e ao tempo pascal.
O que significa "os que semeiam em lágrimas, com regozijo ceifarão"?
É a imagem do lavrador que chora ao lançar à terra o grão de que precisava, mas volta cantando com os braços cheios de feixes. Significa que as penitências e sofrimentos desta vida, oferecidos a Deus, dão como fruto a alegria que não acaba.
Quem escreveu o Salmo 126?
O título não nomeia um autor: traz apenas a indicação Cântico gradual. Trata-se de um dos quinze salmos das subidas, cantados pelos peregrinos rumo a Jerusalém. Muitos deles são atribuídos pela tradição ao rei Davi, embora vários permaneçam anônimos; em todos, é o Espírito Santo o verdadeiro autor da oração inspirada.
O que diz o Salmo 126:3?
O Salmo 126:3 (125:3 na Vulgata) diz: "Grandes coisas fêz o Senhor por nós: Seremos cheios de júbilo." É a confissão de gratidão do salmo: o povo reconhece que a libertação não veio das suas mãos, mas da misericórdia de Deus. O verbo latino magnificavit é o mesmo da raiz do Magnificat de Nossa Senhora.
Qual é a explicação do Salmo 126:5?
O Salmo 126:5 ensina que "Os que semeiam em lágrimas, com regozijo ceifarão". É a imagem do lavrador que semeia chorando, com medo da escassez, mas volta cantando na colheita. Significa que o sofrimento e a penitência oferecidos a Deus não são estéreis: preparam uma alegria que não acaba.
Qual é a letra do Salmo 126?
A "letra" do Salmo 126 é o próprio texto sagrado, os seis versículos que começam em "Quando o Senhor fizer voltar os cativos de Sião". Para cantá-lo no espírito da Igreja, a melodia própria é o canto gregoriano do In convertendo, sobre os tons salmódicos, e não as adaptações populares com cifra de violão, que variam de autor para autor.
O Salmo 126 é o mesmo na NVI e na Bíblia de Figueiredo?
O conteúdo é o mesmo cântico, com pequenas diferenças de tradução e de numeração de versículos. As versões em numeração hebraica (como a NVI) o trazem como Salmo 126; a Bíblia de Figueiredo, traduzida da Vulgata, o traz como Salmo 125. Neste artigo apresentamos o texto da Figueiredo e o latim da Vulgata, que é a referência da tradição litúrgica latina.
O aplicativo Iter Fidei traz a Bíblia de Figueiredo, os salmos, as orações e novenas, em latim e português, com áudio. Baixe aqui.
Fontes. Bíblia Sagrada, tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo (Salmo 125); Vulgata Clementina, Psalmus 125 (Canticum graduum).