Orações
Vésperas: a oração da tarde da Igreja
As Vésperas são a Hora da tarde do Ofício Divino, a oração com que a Igreja dá graças pelo dia que termina. Veja sua estrutura tradicional, os salmos das Vésperas de domingo, o Magníficat e como rezá-las, com os textos em português e latim.

As Vésperas são a Hora da tarde do Ofício Divino — a oração pública com que a Igreja, ao cair do dia, levanta as mãos para Deus e Lhe dá graças por mais um dia recebido. O próprio nome vem do latim vesper, "a tarde", "a estrela da tarde": é a hora em que o sol declina, em que se acendem as lâmpadas, e em que a alma cristã, antes de descer ao repouso, faz um sacrifício vespertino de louvor. Há mais de mil e quinhentos anos os mosteiros, as catedrais e os fiéis cantam estas Vésperas, e o seu coração é o Magníficat, o cântico de Nossa Senhora. Neste artigo você encontra o que são as Vésperas, a sua estrutura tradicional, os salmos que a Igreja canta ao entardecer e o modo de rezá-las, tudo em português e em latim.
O que são as Vésperas
As Vésperas são uma das Horas canônicas, isto é, dos momentos fixos em que a Igreja distribui ao longo do dia a oração que é a Liturgia das Horas. Junto com as Laudes, rezadas ao romper da manhã, as Vésperas formam as duas Horas "maiores" do Ofício, os dois polos do dia consagrado: ao amanhecer a Igreja louva a luz que nasce, ao entardecer dá graças pela luz que se vai. Entre estas duas, e depois delas, distribuem-se as Horas menores e, por fim, as Completas, a oração da noite.
Rezam-se as Vésperas no fim da tarde, quando o trabalho do dia se acaba. São, por excelência, a oração da tarde da Igreja: hora de exame e de gratidão, em que se recolhe diante de Deus tudo o que o dia trouxe — os dons recebidos, as faltas cometidas, o cansaço e a esperança — e tudo se transforma em louvor. Por isso as Vésperas têm um caráter de oferenda: a Igreja recorda nelas o sacrifício vespertino do Antigo Testamento, e o incenso que subia ao entardecer, como diz o salmo: "Suba a minha oração, Senhor, como o incenso à tua presença; e seja o levantar das minhas mãos sacrifício da tarde."
A estrutura tradicional das Vésperas
No Breviário Romano, fixado por São Pio V em 1568 e usado até meados do século XX, as Vésperas seguem uma estrutura clara e sempre a mesma, que convém conhecer para rezá-las sem se perder:
- Versículo inicial. Abrem-se as Vésperas como toda Hora do Ofício, com Deus, in adjutórium meum inténde. Dómine, ad adjuvándum me festína — "Ó Deus, vinde em meu auxílio. Senhor, apressai-Vos em socorrer-me" — seguido do Glória ao Pai e do Aleluia (ou, no tempo da Quaresma, do Laus tibi, Dómine).
- Cinco salmos, cada um precedido e seguido da sua antífona própria, que muda conforme o dia e a festa. Os salmos são o corpo das Vésperas, a sua matéria mais longa.
- Capítulo (capitulum): um breve trecho da Sagrada Escritura, lido em pé.
- Hino próprio da Hora ou da festa.
- Versículo e resposta.
- O cântico do Magníficat, precedido da sua antífona — o ponto mais alto das Vésperas, durante o qual, na liturgia solene, se incensa o altar.
- Preces, oração (coleta) do dia e conclusão, com a antífona à Virgem ao final.
Esta é a forma que a Igreja consagrou pela tradição. Quem não pode rezar o Ofício inteiro guarda ao menos o essencial: alguns salmos, o Magníficat e a oração do dia.
Os salmos das Vésperas
O peso das Vésperas está nos seus salmos. Diferentemente das Laudes ou das Completas, que têm salmos quase fixos, as Vésperas mudam de salmos a cada dia da semana — de modo que, ao longo dos sete dias, percorre-se uma boa parte do Saltério. É a antiga sabedoria da Igreja, que não inventa orações novas para a tarde, mas põe na boca dos fiéis as mesmas palavras inspiradas que o próprio Cristo rezou.
Nas Vésperas de domingo, as mais solenes da semana, o Breviário tradicional canta cinco salmos seguidos, do Salmo 109 ao 113 (na numeração da Vulgata). O primeiro deles, o Salmo 109, Dixit Dóminus, é o grande salmo messiânico que anuncia o sacerdócio eterno de Cristo:
Disse o Senhor ao meu Senhor: Senta-te à minha mão direita: Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés.
De Sião fará sair o Senhor o cetro do teu poder: Reina tu no meio de teus inimigos.
Jurou o Senhor, e não se arrependerá: Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedec.
Em latim, como a Igreja o canta ao entardecer:
Dixit Dóminus Dómino meo: Sede a dextris meis.
Donec ponam inimícos tuos, scabéllum pedum tuórum.
Virgam virtútis tuæ emíttet Dóminus ex Sion: domináre in médio inimicórum tuórum.
Note-se a dupla numeração: o que o Breviário e a Bíblia de Figueiredo chamam Salmo 109 corresponde ao Salmo 110 nas Bíblias de numeração hebraica. Quem segue a Liturgia das Horas em sua forma latina encontrará sempre a numeração da Vulgata, que é a tradicional da Igreja latina. Cada salmo das Vésperas se fecha, como todos os salmos do Ofício, com o Glória ao Pai.
O Magníficat, coração das Vésperas
Depois dos salmos, do capítulo e do hino, chega o momento mais alto das Vésperas: o canto do Magníficat, o cântico que a Virgem Maria entoou em casa de Isabel (Lc 1, 46-55). A Igreja deu a este cântico do Evangelho o lugar de honra na sua oração da tarde, e o repete todos os dias do ano há quase dois mil anos. Por isso o Magníficat é, com toda razão, chamado o cântico das Vésperas.
Eis a sua letra, segundo a Bíblia do Padre Antônio Pereira de Figueiredo:
A minha alma glorifica o Senhor.
E o meu espírito se alegrou por extremo em Deus, meu Salvador.
Por ele ter posto os olhos na baixeza da sua escrava: porque eis aí de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
Porque me fez grandes coisas o que é Poderoso: e santo o seu nome.
E a sua misericórdia se estende de geração a geração sobre os que o temem.
E o seu início em latim, do qual o cântico recebe o nome:
Magníficat ánima mea Dóminum.
Et exsultávit spíritus meus in Deo salutári meo.
Enquanto se canta o Magníficat, na liturgia solene incensa-se o altar — sinal de que toda a oração da tarde sobe a Deus como incenso, na esteira do louvor de Maria. Quem quiser rezá-lo por inteiro, em português e em latim, e conhecer o sentido dos seus versos, encontra tudo no nosso artigo sobre o Magníficat.
Como rezar as Vésperas
Você não precisa ser sacerdote nem religioso para rezar as Vésperas. Embora o Ofício Divino seja a oração oficial do clero e das comunidades religiosas, a Igreja sempre desejou que os fiéis tomassem parte na sua oração das Horas. Há vários modos, conforme o tempo e a disposição de cada um:
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As Vésperas do Breviário Romano, na sua forma completa, com os cinco salmos, o capítulo, o hino, o Magníficat e a oração do dia. É a forma plena, que se encontra nos breviários e nos aplicativos de Ofício na forma tradicional.
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As Vésperas de Nossa Senhora, isto é, a Hora vespertina do Pequeno Ofício da Virgem — uma forma mais breve e fixa, sempre dedicada a Maria, que os fiéis rezam há séculos e que é uma porta de entrada excelente para quem começa.
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Uma forma simplificada, para quem tem pouco tempo: ao entardecer, recolha-se um momento, reze um ou dois salmos (por exemplo, o Salmo 109 ou um salmo de louvor), cante ou recite o Magníficat com a sua antífona, e termine com a oração do dia e o Glória ao Pai. O essencial das Vésperas é dar graças a Deus pelo dia que se acaba, pela boca de Maria.
O mais importante não é a perfeição das rubricas, mas a fidelidade: marcar a tarde com um momento de louvor, todos os dias, no mesmo espírito com que a Igreja inteira o faz. Quem reza as Vésperas une a sua voz à de toda a Igreja que ora ao mesmo tempo, em todos os fusos da terra, ao cair de cada tarde.
Perguntas Frequentes
O que são as Vésperas na Liturgia das Horas?
São a Hora da tarde do Ofício Divino, a oração da tarde com que a Igreja dá graças pelo dia que termina. O nome vem do latim vesper, "a tarde". Junto com as Laudes da manhã, são uma das duas Horas maiores do dia, e têm por coração o cântico do Magníficat.
Quais são os salmos das Vésperas?
Os salmos das Vésperas mudam a cada dia da semana. Nas Vésperas de domingo, no Breviário tradicional, cantam-se cinco salmos seguidos, do Salmo 109 (Dixit Dóminus) ao 113, na numeração da Vulgata. Ao longo da semana, percorre-se assim uma boa parte do Saltério.
Qual o cântico das Vésperas?
O cântico próprio das Vésperas é o Magníficat, o cântico da Virgem Maria na Visitação (Lc 1, 46-55). A Igreja o canta todas as tardes, depois dos salmos e do hino, como o ponto mais alto da Hora. Veja a letra do Magníficat completa em português e latim.
A que horas se rezam as Vésperas?
Rezam-se no fim da tarde, ao declinar do sol, quando o trabalho do dia se acaba e se acendem as lâmpadas. Daí o nome de "oração da tarde". Depois das Vésperas, ao deitar, a Igreja reza ainda as Completas, a oração da noite.
Um leigo pode rezar as Vésperas?
Sim. Embora o Ofício Divino seja a oração oficial do clero e dos religiosos, qualquer fiel pode e deve rezar as Vésperas, seja na forma do Breviário, seja no Pequeno Ofício de Nossa Senhora, seja numa forma simplificada: alguns salmos, o Magníficat e a oração do dia. O essencial é coroar a tarde com o louvor de Deus.
Fontes. Bíblia Sagrada, tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (Salmo 109; Lucas 1, 46-55). Breviarium Romanum (Vésperas; Saltério ferial). Dom Próspero Guéranger, O Ano Litúrgico e Explicação das Orações e Cerimônias.
Veja também liturgia das horas.
O app Iter Fidei traz as orações, a Liturgia das Horas e o calendário, em latim e português, com áudio. Baixe aqui.