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Um cardeal de 97 anos regressa a oferecer a missa no campo comunista onde foi prisioneiro
Aos 97 anos, um cardeal regressa ao campo albanês de Spaç onde celebrava a missa em latim, em segredo, durante dezoito anos de cativeiro pela fé.

Aos noventa e sete anos, um cardeal regressou no dia 31 de julho ao campo de trabalhos forçados de Spaç, na Albânia, onde, jovem sacerdote, celebrava a missa em segredo durante os seus dezoito anos de detenção. Ali ofereceu o santo Sacrifício por aqueles que sofreram e morreram naquelas minas. Preso na véspera de Natal de 1963 por ter celebrado uma missa pelo descanso da alma de um chefe de Estado assassinado, foi encarcerado dezoito anos e depois, marcado como « inimigo do povo », destinado aos esgotos até à queda do regime em 1990. Durante todo o seu cativeiro dizia a missa de memória, em latim, com risco da vida, confessava e levava a comunhão às escondidas. « Cada vez, arriscava a vida », recordou.
A Igreja sempre venerou os seus confessores, aquelas testemunhas que, sem derramar o sangue, carregaram os ferros pela fé. O Catecismo do Concílio de Trento ensina que o sacrifício da missa é um só e mesmo sacrifício que o da Cruz, oferecido sobre os nossos altares pelo ministério dos sacerdotes. E o Senhor havia advertido os seus: « E não temais aos que matam o corpo, e não podem matar a alma. » O Apóstolo repetia-o: nem a tribulação, nem a perseguição, nem a espada podem separar-nos da caridade de Cristo.
Eis o que um regime ateu não pôde apagar: não umas ideias, mas um altar. Ali onde se perseguia o sacerdote, o sacerdote oferecia ainda, de memória e em latim, o rito imemorial que nenhum cárcere abole. O que valia arriscar a forca para o celebrar em segredo vale também guardá-lo em plena luz. O sangue derramado naquelas montanhas foi, como o dos mártires, uma semente; e a fidelidade de um só sacerdote julga, melhor do que um longo discurso, toda prudência que hoje corta aquilo por que ontem se morria para preservar.
Fontes. Catecismo do Concílio de Trento (1566), do sacrifício da missa; Evangelho segundo são Mateus 10, 28; Epístola de são Paulo aos Romanos 8, 35-39.