Orações
Oração de Nossa Senhora das Graças e a Medalha Milagrosa
A oração de Nossa Senhora das Graças — 'Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós' — em português e latim, a história das aparições da Rue du Bac a Santa Catarina Labouré em 1830, e como rezar diante da Medalha Milagrosa, um sacramental da Igreja.

A oração de Nossa Senhora das Graças é breve, e talvez seja por isso que tantos a têm gravada na memória sem saber de onde veio. São pouco mais de dez palavras, cunhadas não por um teólogo nem por um santo escritor, mas mostradas pela própria Mãe de Deus, em ouro, num oval de luz, a uma noviça de vinte e quatro anos, numa capela de Paris, em 1830. Quem reza a Medalha Milagrosa reza essa frase. Aqui você encontra o texto autêntico — em português e em latim —, a história das aparições da Rue du Bac, o que a medalha significa e como rezá-la bem.
A oração de Nossa Senhora das Graças
A jaculatória é uma só, e é esta:
Ó Maria concebida sem pecado,
rogai por nós que recorremos a vós.O Maria, sine labe concepta,
ora pro nobis qui ad te confugimus.
Foi exatamente esta a inscrição que apareceu, em letras de ouro, ao redor da Virgem na segunda aparição. Não é uma oração inventada por devotos: é a legenda que a própria Senhora pediu que fosse gravada na medalha. Por isso, a oração de Nossa Senhora das Graças e a Medalha Milagrosa são uma coisa só — o metal apenas leva, para onde quer que vá, a frase que se há de rezar.
Cada palavra carrega um dogma. "Concebida sem pecado" confessa a Imaculada Conceição — e isto vinte e quatro anos antes de o beato Pio IX a definir, em 1854. "Que recorremos a vós" reconhece Maria como Medianeira de todas as graças, aquela por cujas mãos o Senhor quis fazer passar os seus dons. É a mesma confiança que move quem faz a sua consagração a Nossa Senhora, entregando-se inteiramente às mãos da Mãe. Rezar esta frase é, em pouquíssimas sílabas, professar a fé inteira da Igreja sobre a Mãe de Deus.
Oração de Nossa Senhora das Graças para receber uma graça
Quem deseja pedir uma graça determinada — uma cura, uma conversão, uma causa difícil — pode rezar a jaculatória três vezes, com pausa, diante da Medalha Milagrosa, e acrescentar uma súplica como esta, na tradição da devoção:
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
Ó Virgem Imaculada, Mãe de Deus e nossa Mãe, vós que mostrastes a Santa Catarina os raios de graça que descem de vossas mãos sobre quem as pede, eu recorro a vós com inteira confiança. Alcançai-me, se for da vontade de Deus e para o bem da minha alma, a graça que humildemente vos peço (diga o pedido). Não para que se faça a minha vontade, mas a do vosso Filho; e, recebida ou não a graça que peço, fazei que eu nunca me afaste de vós nem da vossa proteção maternal. Amém.
Notar bem: pedimos sempre se for da vontade de Deus. A medalha não obriga o Céu nem é fórmula mágica; é confiança filial. Recordemos o que a própria Virgem ensinou a Catarina ao mostrar as pedras sem brilho: são as graças que ninguém se lembra de pedir. O pecado, aqui, não é pedir demais — é pedir de menos, ou pedir sem confiança.
A noite da Rue du Bac
No verão de 1830, uma jovem camponesa da Borgonha, Catarina Labouré, entrava como noviça nas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, na casa da Rue du Bac, em Paris. Na noite de 18 para 19 de julho, despertada por uma criança luminosa, foi levada à capela, onde viu a Santíssima Virgem sentada e com ela conversou longamente, ajoelhada, com as mãos pousadas nos joelhos da Senhora.
A aparição decisiva veio meses depois. Em 27 de novembro de 1830, sábado, véspera do primeiro domingo do Advento, Catarina viu a Virgem de pé sobre um globo, esmagando com o pé a cabeça de uma serpente. De seus dedos, cobertos de anéis, partiam raios de luz que desciam até a terra. Em torno dela, num oval, leu em letras de ouro: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós. Então o quadro pareceu girar, e Catarina viu o reverso: a letra M encimada por uma cruz, e abaixo dois corações — o de Jesus cingido de espinhos, o de Maria trespassado por uma espada. Uma voz lhe disse: "Manda cunhar uma medalha segundo este modelo. As pessoas que a trouxerem receberão grandes graças."
Catarina nada disse de si. Confiou tudo ao seu diretor, o padre Aladel, e por longos anos guardou silêncio sobre o seu papel — ninguém na comunidade soube que fora ela a vidente até depois de sua morte. O arcebispo de Paris autorizou a cunhagem, e as primeiras medalhas saíram em 1832, em plena epidemia de cólera. As curas e conversões se multiplicaram a tal ponto que o povo de Paris, sem catequese e sem decreto, lhe deu o nome que ficou: a Medalha Milagrosa.
Catarina Labouré morreu em 31 de dezembro de 1876, depois de quarenta anos servindo aos velhos no hospício de Enghien, escondida e tida por simples. Foi beatificada por Pio XI em 1933 e canonizada por Pio XII em 1947. Seu corpo repousa, incorrupto, na mesma capela da Rue du Bac. A sua é uma entre tantas histórias dos santos católicos cuja humildade escondeu, em vida, os maiores dons do Céu.
A medalha, lida à luz da Escritura
Nada na medalha foi inventado: cada traço é figura tirada das Escrituras. A Virgem que esmaga a serpente é a Mulher anunciada já no Gênesis, no primeiro alvorecer da promessa:
Eu porei inimizades entre ti, e a mulher; entre a tua posteridade e a sua dela. Ela te pisará a cabeça e tu procurarás mordê-la no calcanhar. — Gênesis 3, 15 (Figueiredo)
A coroa de doze estrelas que cerca o reverso é a da Mulher do Apocalipse — a mesma que a Virgem ostentou em outra aparição americana, a de Guadalupe, cuja oração de Nossa Senhora de Guadalupe confessa a mesma fé na Imaculada que esmaga a serpente:
Apareceu outrossim um grande sinal no Céu: Uma mulher vestida do Sol, que tinha a Lua debaixo de seus pés, e uma coroa de doze estrêlas sôbre a sua cabeça. — Apocalipse 12, 1 (Figueiredo)
E o título mesmo — "cheia de graça" — é a saudação do Anjo, da qual a devoção tira o nome de Nossa Senhora das Graças:
Deus te salve, cheia de graça: O Senhor é contigo: Benta és tu entre as mulheres. — São Lucas 1, 28 (Figueiredo)
Os raios que descem das mãos da Virgem são as graças que ela derrama sobre quem as pede; e — Catarina o notou — algumas pedras ficavam sem brilho. Quando perguntou, ouviu: são as graças que ninguém se lembra de pedir. A medalha é, antes de tudo, um convite a pedir.
A imagem de Nossa Senhora das Graças: o que cada lado mostra
Quem procura a imagem de Nossa Senhora das Graças — para rezar diante dela, para gravá-la na memória ou para reconhecer a medalha autêntica — deve saber que ela tem dois lados, e que nada neles é ornamento gratuito. Tudo foi mostrado por Nossa Senhora a Santa Catarina.
No anverso (a frente): a Virgem está de pé sobre o globo terrestre, que é o mundo, esmagando com o pé a cabeça da serpente. Suas mãos abertas, voltadas para baixo, deixam descer raios de luz — as graças. Ao redor, em letras de ouro, corre a inscrição: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
No reverso (o verso): a letra M entrelaçada com uma cruz, e abaixo dois corações — o de Jesus coroado de espinhos e o de Maria trespassado por uma espada. Cercando tudo, doze estrelas, as da Mulher do Apocalipse. É um catecismo inteiro em metal: a Encarnação, a Redenção, a compaixão da Mãe, a vitória sobre o pecado.
A verdadeira medalha não tem cor "de sorte" nem número, nem precisa ser de ouro: vale a de qualquer metal, contanto que reproduza fielmente este modelo e seja benzida. Uma imagem em papel ou tela serve para a oração doméstica, mas a medalha — pequena, para trazer junto ao corpo — é a forma que a própria Virgem pediu.
A Medalha Milagrosa é um sacramental
Convém dizer com firmeza o que a medalha não é. Não é amuleto, não é talismã, não age por si, não traz "sorte". É um sacramental — um objeto que a Igreja abençoa para que, pela oração da Igreja e pela fé de quem o usa, disponha a alma a receber a graça de Deus. A força não está no metal: está na fé que se exprime ao trazê-lo e na oração que ele leva sempre consigo. Trazê-la sem rezar, ou trazê-la como quem traz um pé de coelho, é desfigurar o dom. Trazê-la rezando, confiando em Maria, é entrar na corrente de graças que aquela noite de 1830 abriu sobre o mundo.
Como e quando rezar
A jaculatória é tão curta que pode acompanhar o dia inteiro. Sugerimos, à maneira tradicional:
- Ao tomar a medalha pela manhã e ao beijá-la à noite, rezando a frase uma vez, com pausa.
- Como jaculatória ao longo do dia — no caminho, na tentação, na aflição súbita: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós. Repeti-la é nela permanecer.
- Pelos que estão longe de Deus, sobretudo pelos moribundos e pelos que não creem: foi este o uso que mais cedo deu fama de milagrosa à medalha.
- Antes de pedir qualquer graça a Nossa Senhora: a frase abre o coração à confiança, lembrando que a quem recorre, ela escuta.
Para uma súplica mais demorada, faça a novena de Nossa Senhora das Graças, nove dias rezando a jaculatória diante da medalha. E para honrar a Virgem com todos os seus títulos, una a esta devoção a ladainha de Nossa Senhora ou as horas do Ofício de Nossa Senhora. Encontre estas e outras orações católicas reunidas em um só lugar.
Faça que a medalha seja primeiro benzida por um sacerdote — qualquer padre pode fazê-lo com a fórmula própria —, e use-a com simplicidade, sem barganha e sem superstição, como quem traz junto ao peito o nome de uma Mãe.
Perguntas Frequentes
Qual o dia de Nossa Senhora das Graças?
A festa de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, ou das Graças, celebra-se em 27 de novembro, aniversário da aparição de 1830 a Santa Catarina Labouré na Rue du Bac. É a véspera tradicional do primeiro domingo do Advento.
Quando é o dia de Nossa Senhora das Graças?
No dia 27 de novembro, data fixa todos os anos. A escolha não é arbitrária: foi nessa data, em 1830, que a Virgem mostrou a Santa Catarina o modelo da medalha e a inscrição que se havia de gravar nela.
Quem foi Nossa Senhora das Graças?
"Nossa Senhora das Graças" é o título da Santíssima Virgem tal como apareceu na Rue du Bac, em Paris, em 1830: de pé sobre o globo, esmagando a serpente, com raios de graça descendo de suas mãos. O nome vem da saudação do Anjo, "cheia de graça" (São Lucas 1, 28, Figueiredo), e da própria oração gravada na medalha.
Quem é Nossa Senhora das Graças e a Medalha Milagrosa?
São uma coisa só. O título designa a Virgem aparecida em 1830; a Medalha Milagrosa é o sacramental cunhado segundo o modelo que ela mostrou. A medalha é chamada "das graças" por causa da própria jaculatória que traz gravada — "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós."
Como rezar o terço de Nossa Senhora das Graças?
A devoção própria desta aparição é a jaculatória — "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós" (O Maria, sine labe concepta, ora pro nobis qui ad te confugimus) — rezada diante da Medalha Milagrosa. Para uma súplica mais demorada, faça a novena de Nossa Senhora das Graças, nove dias repetindo a frase. Também se pode unir a ela a ladainha de Nossa Senhora e o terço comum.
Qual é a oração de Nossa Senhora das Graças?
É a jaculatória: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós" — em latim, O Maria, sine labe concepta, ora pro nobis qui ad te confugimus. Foi a inscrição mostrada por Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré em 1830 e gravada na Medalha Milagrosa.
Quando começa a novena de Nossa Senhora das Graças?
Como toda novena prepara uma festa, a de Nossa Senhora das Graças costuma começar nove dias antes de 27 de novembro, ou seja, em torno de 18 ou 19 de novembro, de modo que o nono dia caia na véspera ou no próprio dia da festa. Não há, porém, data rígida: pode-se rezar a novena de Nossa Senhora das Graças em qualquer época do ano, em nove dias seguidos, repetindo a jaculatória diante da Medalha Milagrosa.
Qual é a história de Nossa Senhora das Graças?
A devoção nasceu em Paris, em 1830, na capela das Filhas da Caridade da Rue du Bac. A Santíssima Virgem apareceu três vezes à noviça Santa Catarina Labouré e, na aparição de 27 de novembro, mostrou-lhe o modelo de uma medalha com a inscrição "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós", pedindo que fosse cunhada. As primeiras medalhas saíram em 1832, em plena epidemia de cólera; as graças foram tantas que o povo de Paris a chamou de Medalha Milagrosa. É anterior em vinte e quatro anos à definição do dogma da Imaculada Conceição (1854).
Qual a diferença entre a novena e o novenário de Nossa Senhora das Graças?
Na prática, são a mesma coisa: nove dias de oração. "Novena" designa o conjunto dos nove dias; "novenário" é como muitas paróquias e devotos no Brasil chamam essa mesma prática, sobretudo quando rezada em comum, dia após dia, preparando a festa de 27 de novembro. Faça a novena de Nossa Senhora das Graças repetindo a jaculatória diante da Medalha Milagrosa em nove dias seguidos.
A medalha de Nossa Senhora das Graças precisa ser de ouro ou de algum metal especial?
Não. A medalha vale por reproduzir fielmente o modelo mostrado em 1830 e por ser benzida — não pelo material. Pode ser de ouro, prata, latão ou estanho; a graça não vem do metal, mas da fé e da oração de quem a traz. Desconfie de quem vende a medalha como "amuleto da sorte" ou ligada a cores e números: isso desfigura o sacramental.
A Medalha Milagrosa dá sorte ou protege como um amuleto?
Não. A medalha é um sacramental, não um amuleto. Não age por poder próprio nem garante "sorte". Ela dispõe a alma a receber a graça pela oração da Igreja e pela fé de quem a usa. Sem fé e sem oração, é apenas metal; com fé, é um convite constante a recorrer a Maria.
Preciso mandar benzer a medalha?
Sim, é o costume e a recomendação tradicional: como sacramental, a medalha recebe uma bênção própria da Igreja, dada por um sacerdote. A bênção não é magia — é a oração da Igreja que acompanha quem a traz. Depois de benzida, basta usá-la com fé e rezar a jaculatória.
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Fontes. Bíblia Sagrada, tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo (Gênesis 3,15; São Lucas 1,28; Apocalipse 12,1); relatos tradicionais das aparições da Rue du Bac e da vida de Santa Catarina Labouré, segundo a devoção católica da Medalha Milagrosa; texto latino da jaculatória e bênção da medalha conforme o Ritual Romano.