Atualidades
Funerais nacionais para Ratko Mladic, condenado pelo genocídio de Srebrenica
A Sérvia ofereceu funerais nacionais a Ratko Mladic, condenado pelo genocídio de Srebrenica, honra que medimos pelo quinto mandamento.

A Sérvia organizou, na segunda-feira 7 de setembro de 2026, em Belgrado, funerais nacionais para Ratko Mladic, antigo chefe militar dos sérvios da Bósnia condenado pela justiça internacional pelo seu papel no genocídio de Srebrenica, em 1995. O ofício fúnebre realizou-se na igreja de São Lucas de Kosutnjak, no sudoeste da cidade, onde uma multidão envolta em bandeiras sérvias, acompanhada de popes, veio em grande número aproximar-se do corpo. Dezenas de milhares de pessoas, muitas vindas da Republika Srpska e de todas as regiões sérvias, ali participaram, e o homem foi sepultado com honras militares, apesar dos avisos da União Europeia.
O patriarca Porfírio da Sérvia presidiu à cerimónia, concelebrada com numerosos metropolitas e bispos, enquanto o presidente Aleksandar Vucic renunciou a assistir. Diante do caixão, o patriarca apresentou o defunto como um cristão que, segundo o testemunho dos sacerdotes que o visitaram, teria nos seus últimos anos confessado as suas faltas com humildade, comungado o Corpo e o Sangue de Cristo, e se teria extinguido segurando a Cruz contra o peito.
Do lado de fora, ergueram-se vozes para denunciar uma «glorificação do genocídio» que «não é uma honra, é uma vergonha», enquanto o ajuntamento era apresentado como «uma reação à pressão ocidental». O facto é, pois, contestado no seu próprio sentido: uma larga parte da Igreja ortodoxa sérvia e da opinião honra Mladic como um cristão e o defensor do seu povo, quando a justiça internacional o julgou culpado do genocídio de Srebrenica.
O quinto mandamento e o sangue inocente
A Igreja nunca mediu a morte de um homem pelas bandeiras que a acompanham. O quinto mandamento, «Não matarás», proíbe antes de tudo o homicídio do inocente, e o Catecismo do Concílio de Trento ensina que não há crime mais enorme do que o homicídio voluntário, pelo qual se destrói noutrem a imagem de Deus. A Escritura o diz com uma voz que não se cala: do sangue de Abel, Deus declara a Caim «A voz do sangue de teu irmão clama desde a terra até a mim» (Génesis IV, 10). O homicídio do inocente é desses pecados que a tradição conta entre os que clamam vingança ao céu.
A honra e o crime
A esta medida, cumpre distinguir o que nenhuma honra de Estado pode confundir. Sobre a sorte da alma do defunto, nada pronunciamos: se se arrependeu e encontrou misericórdia, isso pertence só a Deus, e a Igreja sempre separou o pecador, que a contrição pode salvar, do pecado, que permanece um crime. Mas o ato público, esse, julga-se: render a um homem condenado pelo massacre de inocentes funerais nacionais e honras militares, e apresentar essa homenagem como um desafio, já não é chorar um morto, é fazer do sangue derramado uma bandeira. Ora, aprovar publicamente a efusão do sangue inocente, ou erigi-la em glória, é tornar-se cúmplice daquilo que o quinto mandamento reprova. Que esses ritos tenham sido os de uma Igreja separada de Roma não altera a medida: a lei divina, «Não matarás», obriga todos os homens.
O que o fiel deve reter
O fiel formado na tradição não se deixa arrastar pelo fervor de uma multidão nem endurecer pelo ódio. Pode rezar pelo repouso de todo o defunto e remeter o seu juízo a Deus; nunca confunde o luto de um homem com a glorificação dos seus atos. O sangue inocente não é um estandarte, e nenhuma causa, nenhuma nação, nenhuma pressão estrangeira resgata o homicídio do inocente. Ali onde o mundo conta as bandeiras, a Igreja escuta a voz que clama da terra.
Fontes. Catecismo do Concílio de Trento (1566), do quinto mandamento «Não matarás». Sagrada Escritura, Génesis IV, 10, segundo a Vulgata: «A voz do sangue de teu irmão clama desde a terra até a mim».