Os Sacramentos
A Unção dos Enfermos (Extrema-Unção)
O sacramento da Unção dos Enfermos, chamado também Extrema-Unção: o que diz São Tiago na tradução de Figueiredo, a matéria e a forma, os efeitos sobre a alma e o corpo, e o lugar dos últimos sacramentos na hora da morte.

Quando a doença se torna grave e a morte se aproxima, a Santa Igreja não abandona os seus filhos. Ela tem, para esta hora, um sacramento próprio entre os sete sacramentos: a unção dos enfermos, que a tradição chamou por longos séculos de extrema unção, isto é, a última unção — o nome «Unção dos Enfermos» só se generalizou com a reforma do rito em 1972. Se você procura entender o que é o sacramento da unção dos enfermos, quando ele se recebe e que graça nos traz, este artigo expõe o que a Igreja sempre creu, fundada na palavra do apóstolo São Tiago e na doutrina constante dos Padres.
O sacramento na Escritura: o texto de São Tiago
A Unção dos Enfermos não é invenção dos homens. Foi instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo e nos é declarada, com clareza singular, na carta de São Tiago. Eis o texto na tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo:
"Está entre vós algum enfêrmo? chame os Presbíteros da igreja, e êstes façam oração sôbre êle, ungindo-o com óleo em nome do Senhor: E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o aliviará: E se estiver em alguns pecados, ser-lhe-ão perdoados." (Tiago 5, 14-15)
Está aqui, em poucas palavras, todo o sacramento. O apóstolo manda chamar os presbíteros — os sacerdotes da Igreja. Ordena que se unja o enfermo com óleo, e que se faça oração sobre ele em nome do Senhor. E promete um duplo efeito: o alívio do enfermo e o perdão dos pecados. O Concílio de Trento, na sua décima quarta sessão, declarou solenemente que estas palavras de São Tiago promulgam um verdadeiro sacramento, e anatematizou quem o negasse.
Por que se chama "extrema unção"
O nome extrema unção significa simplesmente "última unção". O cristão é ungido várias vezes ao longo da vida: no Batismo, na Confirmação (a Crisma), e o sacerdote, ainda, na Ordem. A unção dos enfermos é a derradeira — aquela que sela o caminho terreno e prepara a alma para comparecer diante de Deus. Não é, portanto, um sacramento "dos que já vão morrer sem remédio", como o uso popular às vezes supõe, mas o sacramento dos que estão gravemente enfermos, em perigo de morte por doença ou velhice.
Por isso é justo recebê-lo enquanto o enfermo ainda tem consciência, e não adiá-lo até o último suspiro. A Igreja deseja que seus filhos sejam ungidos com tempo, para que recebam o sacramento com fé e o seu fruto seja pleno.
A matéria e a forma
Todo sacramento se compõe de uma matéria — o sinal sensível — e de uma forma — as palavras que o determinam.
A matéria da Unção dos Enfermos é o óleo de oliva, bento pelo bispo na Missa Crismal da Quinta-feira Santa, chamado oleum infirmorum, o óleo dos enfermos. Com ele o sacerdote unge os sentidos do doente — os olhos, os ouvidos, as narinas, os lábios, as mãos e os pés — porque por estes sentidos entrou no homem o pecado, e por eles pede agora perdão.
A forma são as palavras que o sacerdote pronuncia a cada unção. No rito tradicional, ungindo os olhos, ele diz:
Per istam sanctam Unctiónem, et suam piíssimam misericórdiam, indúlgeat tibi Dóminus quidquid per visum deliquísti.
"Por esta santa Unção e por sua piíssima misericórdia, perdoe-te o Senhor tudo o que pecaste pela vista." (e assim para cada um dos sentidos: per audítum, pelo ouvido; per odorátum, pelo olfato; per gustum et locutiónem, pelo gosto e pela palavra; per tactum, pelo tato; per gressum, pelos passos)
A oração, como mandou São Tiago, é feita "em nome do Senhor", e implora a misericórdia divina sobre cada porta da alma. Assim é o rito do Rituale Romanum (edição típica de 1952, a que acompanha o Missal de 1962). O rito reformado em 1972 reduziu as unções à fronte e às mãos, com uma fórmula nova.
Os efeitos do sacramento
São Tiago promete que "a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o aliviará". A Igreja ensina que este sacramento produz efeitos preciosos:
Confere a graça santificante e a aumenta na alma, fortalecendo-a para o combate derradeiro.
Apaga os pecados que ainda restem, e mesmo os pecados graves de que o enfermo, já sem condição de se confessar, esteja arrependido — pois São Tiago diz: "se estiver em alguns pecados, ser-lhe-ão perdoados". Por isso a Unção é também sacramento de perdão para quem não pôde confessar-se.
Alivia a alma das angústias e tentações da hora extrema, dando-lhe confiança e paz contra o desespero e contra os assaltos do inimigo.
Pode restituir a saúde do corpo, quando isto convém à salvação da alma. O sacramento não é mágica nem cura garantida; mas a tradição conhece muitos enfermos que, recebida a Unção, se restabeleceram. Deus dá a saúde quando ela é boa para a alma; e quando não, dá a graça maior de uma boa morte.
Os últimos sacramentos: não apenas a Unção
É importante não confundir a Unção dos Enfermos com o conjunto dos últimos sacramentos. Quando se diz que alguém "recebeu os últimos sacramentos", entende-se, na ordem tradicional, três coisas:
- A Confissão, pela qual o enfermo se reconcilia com Deus e é purificado dos seus pecados (veja como se confessar).
- O Viático — a Sagrada Comunhão dada ao moribundo. Viaticum significa "provisão para o caminho": é Jesus presente na Eucaristia que acompanha a alma em sua passagem para a eternidade. É o mesmo Senhor que recebemos pela primeira vez na primeira comunhão e que nos vem, por fim, na última hora.
- A Extrema-Unção, que fortalece a alma e completa a purificação.
Esta é a ordem do rito tradicional, que o Catecismo de São Pio X resume assim: "Deve-se receber a Extrema-Unção quando a doença é perigosa e o enfermo recebeu, se for possível, os sacramentos da Penitência e da Eucaristia". Primeiro a Confissão, que limpa a alma; depois o Viático, o pão dos que partem; e por fim a Unção, que a fortalece para o combate derradeiro. (O ritual reformado de 1972 coloca a Unção antes do Viático.) Quando um padre é chamado a um doente grave, é estes três sacramentos que ele leva. Por isso, na hora da enfermidade séria, chame o sacerdote sem demora, como ordenou o apóstolo: "chame os Presbíteros da igreja".
Como nos preparar
A melhor preparação para a morte é uma vida de oração e fidelidade. Quem reza todos os dias, frequenta os sacramentos e confia em Nossa Senhora não será surpreendido. Recomendamos recorrer às orações da Igreja: as orações da manhã e da noite, o Santo Terço, e a oração ao Anjo da Guarda. Aos enfermos consola o Salmo 90 e a Ladainha de Todos os Santos, na qual a Igreja inteira reza pelo agonizante.
É também santo costume rezar pelos que já partiram, oferecendo por eles a Novena das Almas e nossas orações pelo purgatório, pois a caridade não termina com a morte.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre unção dos enfermos e extrema-unção?
São o mesmo sacramento. "Extrema unção" é o nome tradicional, que significa "a última unção", porque é, de ordinário, a derradeira das unções sacramentais que o cristão recebe. "Unção dos enfermos" acentua que se destina aos gravemente doentes, e não apenas aos moribundos.
Quem pode receber a Unção dos Enfermos?
Todo fiel batizado, que tenha chegado ao uso da razão, e que se encontre em perigo de morte por doença grave, por ferimento ou por velhice avançada. Não se dá a quem está com saúde, ainda que enfrente um perigo de morte exterior — como o soldado antes da batalha ou o condenado antes da execução.
Onde está a Unção dos Enfermos na Bíblia?
No quinto capítulo da carta de São Tiago, versículos 14 e 15, que mandam chamar os presbíteros para ungir o enfermo com óleo, prometendo o alívio do corpo e o perdão dos pecados. O Concílio de Trento declarou que este texto promulga um verdadeiro sacramento instituído por Cristo.
Pode-se receber o sacramento mais de uma vez?
Sim, mas não na mesma situação de perigo. Embora se chame "extrema", pode ser recebida novamente se o enfermo, tendo convalescido, voltar a cair em perigo de morte — por uma nova doença, ou, numa doença longa, quando um novo perigo sobrevém depois de passado o primeiro.
O que são os últimos sacramentos?
São a Confissão, o Viático (a Sagrada Comunhão dada ao moribundo) e a Extrema-Unção, nesta ordem no rito tradicional. Juntos preparam a alma para a passagem à eternidade: a Confissão purifica, o Viático é Jesus que acompanha a alma no caminho e a Unção a fortalece para o combate derradeiro.
A Unção dos Enfermos cura o corpo?
Pode curar, quando Deus julga que a saúde do corpo é proveitosa para a salvação da alma. São Tiago diz que "o Senhor o aliviará". Mas o efeito principal é espiritual: a graça, o perdão dos pecados e a força contra as tentações da hora extrema.
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Fontes. Sagrada Escritura, Tiago 5, 13-16, na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo; Concílio de Trento, sessão XIV, doutrina e cânones sobre o sacramento da Extrema-Unção; Rituale Romanum (edição típica de 1952), título V, De sacramento Extremae Unctionis; Catecismo de São Pio X, quarta parte, cap. 7, «A Extrema-Unção».