Atualidade
O prefeito do Culto Divino zomba dos fiéis da missa tradicional — a tradição volta contra ele o argumento da « unidade »
O prefeito do Culto Divino zomba dos fiéis apegados à missa tradicional e afasta qualquer retrocesso; medido pelo Catecismo de Trento, o argumento da « unidade » volta-se contra ele.

O cardeal Arthur Roche, prefeito do Dicastério para o Culto Divino, declarou que o papa Leão XIV não pretende levantar as restrições que pesam sobre a missa tradicional: nem revogar Traditionis custodes, nem restabelecer Summorum pontificum. Interrogado sobre os fiéis que reclamam um acesso mais amplo ao antigo rito, zombou da sua queixa: « Mas depois vão-se embora e dizem que ainda estão a ser perseguidos. Perseguidos em quê? Por que a banda continua a tocar uma melodia discordante com a vida da Igreja? » Justifica esta recusa em nome da Eucaristia, « sacramento da unidade » que, se divide, revelaria que « algo vai gravemente mal ».
O que a Igreja ensina
O Catecismo do Concílio de Trento chama precisamente a Eucaristia « o Sacramento da Paz e da Caridade ». Ensina que este sacramento « nos une nele, para não fazer mais de nós todos senão um só corpo », e daí tira uma consequência moral sem rodeios: são « indignos do nome de Cristãos aqueles que mantêm inimizades uns contra os outros ». A unidade eucarística faz-se pela caridade e pela paz — « queremos antes de tudo conservar a Paz e a Caridade » —, não pelo desprezo. E o rito de que se trata não é uma « melodia discordante »: é o Sacrifício que a Igreja recebeu e celebrou ao longo dos séculos.
A medida
Medido por essa regra, o argumento volta-se contra si mesmo. Invoca-se a unidade para restringir; mas a tradição ensina que a unidade nasce da caridade, e chama discórdia — « os ódios, as dissensões e as discórdias » — precisamente ao que o desdém público pelos fiéis produz. Zombar como de uma « banda » discordante daqueles que se apegam ao rito imemorial da Igreja romana é confundir a unidade da fé com a uniformidade de uma reforma, e imputar o nome de discórdia a quem apenas pediu para rezar como os seus pais. Nada pronunciamos sobre a pessoa nem sobre o cargo do cardeal; constatamos apenas que o ato — a recusa unida à zombaria — mal se coaduna com o que o Sacramento da Paz exige de caridade.
O que isto significa para os fiéis
A conduta a manter é simples e antiga: guardar a fé e o culto tais como a Igreja sempre os transmitiu, sem amargura e sem cisma. O apego à missa tradicional não é uma rebelião; é a fidelidade ao Sacrifício recebido. Responde-se ao desprezo com a caridade que esse mesmo sacramento ordena, conservando « a Paz e a Caridade » e rezando pelos pastores. Nenhuma conclusão sedevacantista, nenhuma « resistência » teatral: apenas a perseverança.
Sources. Catecismo do Concílio de Trento (1566), Da Eucaristia — a Eucaristia « Sacramento da Paz e da Caridade », que « nos une nele, para não fazer mais de nós todos senão um só corpo »; e Do sacramento da Eucaristia (continuação) — da comunhão e do Sacrifício da Missa.