Atualidades
Um homem procura o padre numa igreja de Forbach, às vésperas da vinda de Leão XIV a Metz
Um homem de 35 anos foi detido numa igreja de Forbach depois de ter entrado aos gritos de « Allah Akbar » à procura do padre, às vésperas da vinda de Leão XIV a Metz.

Um homem de trinta e cinco anos, nascido em 1991 na antiga Jugoslávia, foi detido no interior de uma igreja de Forbach, no Mosela, depois de aí ter entrado gritando repetidamente « Allah Akbar » e procurando visivelmente o padre. O alerta fora dado pelos pais de alunas de catorze anos que o tinham ouvido proferir essa proclamação. O pároco não estava presente. O intruso trazia uma faca do tipo Opinel, que não empunhou, bem como uma pequena quantidade de resina de canábis; colocado sob detenção, foi indiciado por apologia do terrorismo, porte de arma e infração à legislação sobre estupefacientes.
Os factos ocorreram às vésperas da vinda de Leão XIV a Metz, última etapa da sua viagem em França, a cerca de quarenta e cinco minutos de estrada de Forbach. O suspeito era desconhecido dos serviços de informação territorial, não constava de qualquer ficha de sinalização e tinha apenas duas menções no seu registo, sem ligação ao terrorismo. A sua detenção foi prolongada para avaliar o seu meio religioso e o seu perfil psiquiátrico. O presidente da câmara de Forbach condenou um ato cobarde e odioso que poderia ter tido graves consequências, e saudou a coragem e a lucidez das adolescentes que deram o alerta.
Os relatos divergem em pontos que não são menores: o dia exato da detenção, o nome da igreja e, sobretudo, a leitura dos factos. Onde um retém a qualificação de apologia do terrorismo, outro relata que o pároco viu ali um homem com graves perturbações psicológicas que apenas queria falar-lhe. O prolongamento da detenção, precisamente para sondar o estado psiquiátrico, diz o bastante para que o móbil não esteja decidido. Também nós não o decidimos.
A casa de Deus e a vida do inocente
Uma igreja não é um local. É uma casa consagrada, arrancada aos usos profanos para ser apenas o lugar do sacrifício e da oração. O próprio Nosso Senhor expulsou do Templo os que dele faziam uso indigno: « A minha casa será chamada casa de oração: mas vós a tendes feito covil de ladrões. » O zelo da casa de Deus, canta o Salmista, devora o justo. Nela penetrar para ameaçar um padre é juntar ao perigo das pessoas a profanação do lugar.
O quinto mandamento defende o homicídio não apenas quando é consumado, mas no ódio e no perigo de que procede. O Catecismo do Concílio de Trento ensina que este preceito reprova não somente o homicídio, mas a cólera, o ódio e tudo o que põe em perigo a vida do próximo, pois « aquele que odeia seu irmão é homicida ». Que o pároco estivesse ausente e que a faca não fosse empunhada nada retira à gravidade da intenção; mede apenas a misericórdia do desfecho.
A medida
Duas coisas mantêm-se juntas sem se confundirem. A primeira é que a paz da casa de Deus foi violada, e que um padre foi ali procurado para lhe fazer violência: isto, a tradição nomeia-o sem rodeios, sacrilégio na ordem do lugar e ameaça na ordem das pessoas. A segunda é que nada pronunciamos sobre a alma nem sobre a responsabilidade deste homem, que a justiça dos homens examinará e que só Deus julga no íntimo; a possível confusão entre o fanatismo e a doença não nos cabe a nós desatar.
Resta o que merece ser louvado. Crianças ouviram, compreenderam, avisaram; pais transmitiram; o mal foi detido antes de se consumar. A vigilância que protege o inocente é uma virtude, e a Igreja sempre a teve por tal. O fiel não tirará daqui nem medo nem furor, mas esta lição antiga: a casa de Deus guarda-se, a vida do próximo defende-se, e nunca o ódio teve a última palavra.
Fontes. Evangelho segundo São Mateus, capítulo XXI, versículo 13 (Vulgata); Salmo LXVIII, 10; Catecismo do Concílio de Trento (1566), do quinto mandamento.