Novenas
Novena da Santíssima Trindade: os nove dias completos
A novena tradicional à Santíssima Trindade: o Triságio e a oração de todos os dias, os nove dias completos com meditações e preces, o Credo, o Veni Creator e o Te Deum, quando começa e como rezá-la.
A Novena da Santíssima Trindade é a oração de nove dias dirigida ao próprio Deus — Pai, Filho e Espírito Santo — sem intermediário algum: não pedimos a intercessão de um santo, mas falamos diretamente com a fonte de toda a graça, e por isso a tradição a recomenda para as causas difíceis, para a firmeza da fé no mistério trinitário, para a consagração de si mesmo, pela paz e pela perseverança final. Honra sucessivamente as três divinas Pessoas segundo um uso antiquíssimo: três dias para o Pai, três dias para o Filho, três dias para o Espírito Santo. Reza-se tradicionalmente a partir do dia seguinte à Ascensão, de modo a terminar na véspera da festa da Santíssima Trindade — mas nada impede que se reze em qualquer época do ano, por uma causa premente ou por pura devoção.
Abaixo está o texto completo e integral, tal como a rezamos: a oração comum de todos os dias, os nove dias com suas meditações e preces, e o encerramento com o versículo, a coleta do Missal Romano e a ação de graças.
A oração de todos os dias
Reza-se esta parte no início de cada um dos nove dias, antes do próprio do dia.
Em nome do Pai,
e do Filho,
e do Espírito Santo.
Amém.
O sinal da cruz é já por si só a primeira profissão de fé no mistério trinitário. Recolhe-te um instante em silêncio e reza depois três vezes o antigo Triságio, aquele grito dos Serafins que o profeta Isaías ouviu diante do trono de Deus e que a Igreja canta ainda na Sexta-Feira Santa.
Deus santo! Deus santo e forte! Deus santo, forte e imortal, tende piedade de nós.
Santíssima e augustíssima Trindade, um só Deus em três Pessoas, creio que estais aqui presente; adoro-vos com os sentimentos da mais profunda humildade e presto-vos, de todo o coração, as homenagens devidas à vossa soberana Majestade.
Glória ao Pai, que me criou; glória ao Filho, que me remiu; glória ao Espírito Santo, que me santificou. Ó bem-aventurada Trindade, consagro-vos a minha alma, o meu corpo, os meus pensamentos e todas as minhas ações; fazei que vos ame e vos sirva fielmente até à morte.
Santíssima Trindade, um só Deus a quem nada é impossível, ponho a vossos pés a intenção que me aperta:
Exprimi aqui, com simplicidade e clareza, a intenção que confiais às três divinas Pessoas — a mesma durante os nove dias.
Pai todo-poderoso, socorrei-me; Filho Redentor, tende piedade de mim; Espírito consolador, fortalecei-me. Se o que peço há de reverter para a vossa glória e para a salvação da minha alma, dignai-vos concedê-lo; se não, fazei que eu queira o que vós quereis. Só em vós ponho a minha confiança, e não serei confundido.
Primeiro dia — Deus Pai, princípio sem princípio
«Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos.» O Pai não é gerado por ninguém: é o princípio sem princípio, a fonte eterna da divindade. Dele procede eternamente o Filho, que gera ao conhecer-se a si mesmo; e dele vem também toda a paternidade no céu e na terra. Não é mais Deus do que o Filho nem do que o Espírito Santo, pois as três Pessoas têm uma só e mesma natureza; mas é, na ordem eterna das relações divinas, aquele que dá sem nada receber. Adoremos aquele que nos tirou do nada e que, por pura bondade, nos chama seus filhos.
Ó Pai eterno, princípio de tudo o que é, adoro-vos com os anjos e os santos, e reconheço que nada sou senão por vós. Dai-me o espírito de adoração e um coração de criança, que se entregue todo inteiro em vossas mãos; que eu não procure outra coisa, nesta novena e em toda a minha vida, senão glorificar-vos a vós, e ao Filho que gerais, e ao Espírito que procede de vós e dele. Assim seja.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Segundo dia — A onipotência do Pai, Criador do céu e da terra
«Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra.» Nada resiste à sua vontade; tudo fez do nada e sustenta a cada instante o que fez. Mas esta potência infinita não é senão o instrumento do seu amor: nada nos acontece que o Pai não tenha querido ou permitido para o nosso bem. Lembremo-nos de que a criação é obra comum das três Pessoas — o Pai realiza-a pelo seu Verbo, no seu Espírito — e que chamar Criador ao Pai é nomeá-lo segundo a ordem em que ele é fonte, não separá-lo dos outros.
Ó Pai todo-poderoso, tendes na vossa mão os astros e os reinos, e contais também os cabelos da minha cabeça. Dai-me uma confiança inabalável na vossa Providência, sobretudo na provação, quando já não compreendo os vossos caminhos; que nunca duvide do vosso amor quando a vossa mão se faz pesada, e que saiba esperar a vossa hora. Assim seja.
Reza-se em seguida o Símbolo dos Apóstolos:
Creio em Deus,
Pai Todo-Poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho,
Nosso Senhor;
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria;
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu aos infernos;
ao terceiro dia ressuscitou dos mortos;
subiu aos céus;
está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso;
donde há de vir a julgar
os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo;
na Santa Igreja Católica;
na comunhão dos Santos;
na remissão dos pecados;
na ressurreição da carne;
na vida eterna.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Terceiro dia — A paternidade de Deus e a nossa adoção
«Vede que amor nos mostrou o Pai, que sejamos chamados filhos de Deus, e que o sejamos de fato.» O Filho é Filho por natureza, gerado do Pai antes de todos os séculos; nós o somos por graça, por uma verdadeira adoção que o batismo opera em nós. Assim a graça faz-nos entrar na vida mesma das três Pessoas: tornamo-nos co-herdeiros de Cristo, e o Pai olha-nos no seu Filho unigênito. Não há dignidade mais alta, nem perda mais terrível do que a do pecado mortal, que a arruína.
Ó Pai bondosíssimo, que me adotastes no vosso Filho e fizestes da minha alma o templo do vosso Espírito, concedei-me a graça de viver como digno filho de Deus e de nunca vos ofender mortalmente. Que prefira morrer a perder esta filiação, e que leve por toda a parte, nas minhas palavras e nas minhas obras, a semelhança daquele a quem chamais vosso Filho amado. Assim seja.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Quarto dia — Deus Filho, Verbo eterno, gerado e não criado
«No princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus.» O Filho é gerado do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Não é nem uma criatura mais alta do que as outras, como queria Ário, nem um nome que o Pai a certos momentos tomasse: é outra Pessoa, distinta do Pai, e todavia o mesmo Deus, tendo tudo o que o Pai tem, exceto o ser Pai. Ele é o esplendor da sua glória e a imagem perfeita da sua substância.
Ó Verbo eterno, Filho único do Pai, creio firmemente que sois Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado e não criado, igual em tudo àquele que vos gera. Fortalecei a minha fé neste mistério que a minha razão jamais esgotará; que ela não ceda nem ante os escárnios do mundo nem ante as minhas próprias trevas, e que eu professe até ao último alento a fé que a Igreja definiu em Niceia. Assim seja.
Reza-se em seguida o Símbolo de Niceia-Constantinopla:
Creio em um só Deus,
Pai Todo-Poderoso,
Criador do céu e da terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
E em um só Senhor Jesus Cristo,
Filho unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos.
Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro.
Gerado, não criado,
consubstancial ao Pai,
por quem todas as coisas foram feitas.
O qual, por nós, homens,
e para a nossa salvação,
desceu dos céus.
E encarnou pelo Espírito Santo,
na Virgem Maria,
e se fez homem.
Também por nós foi crucificado,
padeceu sob Pôncio Pilatos,
e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras.
E subiu aos céus,
está sentado à direita do Pai.
E de novo há de vir com glória
a julgar os vivos e os mortos,
e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho.
E com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado;
ele falou pelos Profetas.
Creio na Igreja una, santa, católica
e apostólica.
Confesso um só batismo
para a remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos
e a vida do mundo que há de vir.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Quinto dia — O Verbo feito carne
«E o Verbo fez-se carne, e habitou entre nós.» Pela Encarnação, o Filho de Deus abaixou-se até nós para nos elevar até Deus. Tomou uma verdadeira natureza humana, corpo e alma, sem nada perder da sua divindade: verdadeiro Deus e verdadeiro homem numa só Pessoa, a do Verbo. Não foi o Pai que se encarnou, nem o Espírito Santo: o Filho somente, permanecendo contudo inseparável dos outros dois, cujo amor e poder obraram este mistério no seio da Virgem Maria.
Ó Jesus, Verbo encarnado, aniquilastes-vos tomando a forma de servo: dai-me o espírito de humildade, que só ele torna a alma capaz de vos receber. Que deixe de me preferir a todos, que aceite o lugar obscuro em que me colocastes e que vos ame, ó meu Redentor, não só com os lábios, mas no silêncio obediente de toda a minha vida. Assim seja.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Sexto dia — O Filho Redentor
«Ninguém tem maior amor do que dar a vida por aqueles que ama.» Pela sua Paixão e pela sua Cruz, o Filho reparou a ofensa feita à majestade divina e reabriu-nos o Céu. Sofreu segundo a natureza humana que tomara — pois a divindade não pode sofrer nem morrer — mas foi verdadeiramente uma Pessoa divina que sofreu por nós, e daí vem o preço infinito do seu sangue. Adoremos o seu Coração aberto, fornalha ardente de caridade, onde se encontram a justiça do Pai e o amor do Espírito.
Ó Jesus Redentor, são os meus pecados que vos pregaram na Cruz. Dai-me uma verdadeira contrição, não apenas o temor do castigo, mas a dor de ter ofendido um Deus tão bom; e dai-me a graça de amar a Cruz, de levar a minha sem murmurar e de me unir ao vosso sacrifício, que só ele rende à santa Trindade uma glória digna dela. Assim seja.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Sétimo dia — Deus Espírito Santo, Amor do Pai e do Filho
«A caridade de Deus foi derramada nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.» O Espírito Santo procede do Pai e do Filho como de um só princípio: é o seu amor mútuo e eterno, subsistente em Pessoa. Não é gerado nem criado, mas procedente; é o Senhor que dá a vida, e com o Pai e o Filho recebe uma mesma adoração e uma mesma glória. Não é uma força impessoal nem um simples sopro: é Deus, a terceira Pessoa da augusta Trindade.
Ó Espírito Santo, amor eterno do Pai e do Filho, abrasai o meu coração tão frio e tão distraído. Desprendei-me de tudo o que não é Deus, queimai em mim o que deve ser queimado, e fazei que já nada ame fora de vós nem senão por vós. Vinde, Espírito criador, e renovai a face da minha alma. Assim seja.
Reza-se em seguida o hino Veni Creator Spiritus:
Vinde, Espírito Criador,
visitai as almas dos Vossos,
enchei da graça do alto
os corações que criastes.Vós que sois chamado Paráclito,
dom do Deus Altíssimo,
fonte viva, fogo, caridade,
unção espiritual.Vós, o dom septiforme,
o dedo da destra do Pai,
solene promessa do Pai,
que pondes nos lábios a palavra.Acendei a luz em nossos sentidos,
derramai o amor em nossos corações,
confirmai com Vossa força eterna
a fraqueza do nosso corpo.Afastai para longe o inimigo,
concedei-nos prontamente a paz;
assim, sob a Vossa direção,
evitaremos todo mal.Que por Vós conheçamos o Pai,
que conheçamos também o Filho,
e em Vós, Espírito de ambos,
creiamos em todo tempo.Glória a Deus Pai,
e ao Filho ressuscitado dos mortos,
e ao Paráclito,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Oitavo dia — O Espírito Santo santificador e os seus sete dons
«Não sabeis que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?» É ele quem nos santifica, quem ora em nós quando já não sabemos orar, quem derrama na alma em estado de graça os seus sete dons: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Onde ele habita, habita a Trindade inteira: porque as três Pessoas são inseparáveis, e a alma justa é o templo do Deus único em três Pessoas.
Ó Espírito santificador, concedei-me os vossos sete dons: a sabedoria, para saborear as coisas de Deus; o entendimento, para penetrar as vossas verdades; o conselho, para escolher o bem; a fortaleza, para resistir na provação; a ciência, para julgar de tudo segundo a eternidade; a piedade, para vos servir como filho; e o temor de Deus, para nada recear senão o pecado. Fazei da minha alma o vosso templo, e nunca a abandoneis. Assim seja.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Nono dia — Glória à Santíssima Trindade
«Ide, pois, e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.» Nosso Senhor não diz: nos nomes, mas em nome — um só nome para as três Pessoas, porque há um só Deus. Nesse nome fomos batizados, nesse nome vivemos, nesse nome morreremos. No termo desta novena unamos a nossa voz à de toda a Igreja, dos anjos e dos santos, para glorificar a augusta Trindade, nosso princípio e nosso fim, que esperamos contemplar a descoberto por toda a eternidade.
Ó bem-aventurada Trindade, um só Deus em três Pessoas, dou-vos graças por estes nove dias e por toda a minha vida. Concedei-me a perseverança final, a graça de morrer na vossa amizade e de contemplar eternamente no Céu a glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo, com os anjos e os santos. E se vos aprouver, e se for bom para a minha alma, dignai-vos conceder-me a graça que vos pedi durante esta novena. Assim seja.
Reza-se em seguida o Te Deum, o grande hino de ação de graças da Igreja:
A Vós louvamos, ó Deus:
a Vós, Senhor, reconhecemos.
A Vós, Pai eterno,
toda a terra venera.
A Vós todos os Anjos,
os Céus e todas as potestades,
os Querubins e os Serafins
proclamam com voz incessante:
Santo, Santo, Santo,
é o Senhor, Deus dos exércitos.
Os céus e a terra estão cheios
da majestade da Vossa glória.
A Vós louva o glorioso coro dos Apóstolos,
o louvável número dos Profetas,
o exército alvinitente dos Mártires.
Por todo o orbe da terra,
a Santa Igreja Vos confessa:
Pai de imensa majestade;
adorável,
verdadeiro e único Filho;
e o Espírito Santo Paráclito.
Vós sois o Rei da glória, ó Cristo.
Vós sois o Filho eterno do Pai.
Para libertar o homem,
não desdenhastes o seio da Virgem.
Tendo vencido o aguilhão da morte,
abristes aos crentes o reino dos céus.
Estais sentado à direita de Deus,
na glória do Pai.
Cremos que haveis de vir como juiz.
Suplicamo-Vos, pois, socorrei os Vossos servos,
que remistes com o Vosso Sangue precioso.
Fazei que sejam contados entre os Vossos santos
na glória eterna.
Salvai o Vosso povo, Senhor,
e abençoai a Vossa herança.
Governai-os e exaltai-os
até a eternidade.
Todos os dias Vos bendizemos,
e louvamos o Vosso nome para sempre,
pelos séculos dos séculos.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia,
guardar-nos de todo pecado.
Tende piedade de nós, Senhor,
tende piedade de nós.
Desça sobre nós a Vossa misericórdia, Senhor,
segundo a esperança que em Vós depositamos.
Em Vós, Senhor, esperei:
não serei confundido para sempre.
Glória ao Pai, e ao Filho,
e ao Espírito Santo.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos dos séculos.
Amém.
Encerramento da novena
Acrescentam-se, em ação de graças, um Pai-Nosso e três Ave-Marias, em honra das três divinas Pessoas.
Pai nosso, que estais nos céus:
santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia
nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos
aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.
Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
V. Bendigamos o Pai e o Filho com o Espírito Santo.
R. Louvemo-lo e exaltemo-lo pelos séculos.
Oremos.
Deus onipotente e eterno, que concedestes aos vossos servos, na confissão da verdadeira fé, reconhecer a glória da eterna Trindade e adorar a Unidade no poder da Majestade: concedei-nos, vos suplicamos, que a firmeza desta mesma fé nos defenda sempre de toda a adversidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Bendita seja a santa Trindade e a indivisível Unidade: demos-lhe graças, porque usou de misericórdia conosco.
Em nome do Pai,
e do Filho,
e do Espírito Santo.
Amém.
As variantes da novena: PDF, novena difícil, roteiro e intenções
Quem procura esta novena encontra na internet uma dezena de nomes diferentes para a mesma coisa — e alguns para coisas bem distintas. Convém separá-los.
Novena em louvor à Santíssima Trindade, em honra da Santíssima Trindade, à Santíssima Trindade augustíssima, novena da SS. Trindade: são todos o mesmo texto, o desta página. «Augustíssima» vem da própria oração de todos os dias — «Santíssima e augustíssima Trindade, um só Deus em três Pessoas» —, e «em louvor» ou «em honra» é a fórmula antiga dos livros de piedade. A novena trinitária tradicional é uma só.
A novena difícil à Santíssima Trindade não é outro texto: é este mesmo. Chama-se «difícil» porque a tradição a reserva às causas humanamente sem saída — a doença que não cede, o emprego que não vem, o filho que se afastou, a paz que parece impossível. O nome é popular, não litúrgico, e nasce da convicção antiga de que, quando já não se sabe a que santo recorrer, resta ir diretamente àquele «a quem nada é impossível» — que é exatamente o que a oração de cada dia diz: «Santíssima Trindade, um só Deus a quem nada é impossível, ponho a vossos pés a intenção que me aperta.» Nenhuma novena, porém, é uma fórmula que force a mão de Deus.
A novena da Santíssima Trindade em PDF ou para imprimir: o texto acima é a novena inteira, sem cortes. Basta imprimir esta página, ou usá-la do celular — o único material de que se precisa são estas folhas e a mesma intenção mantida durante nove dias.
O roteiro da novena é sempre o mesmo: sinal da cruz → Triságio três vezes → ato de adoração → a intenção → oração comum → meditação do dia → prece do dia → Glória ao Pai. Em quatro dias acrescenta-se um texto próprio: o Credo dos Apóstolos no segundo, o Símbolo de Niceia no quarto, o Veni Creator no sétimo, o Te Deum no nono. Nada mais.
Para uma intenção determinada — pela paz, pela saúde, por um desempregado, por uma alma que se perdeu — não se muda o texto: muda-se apenas o que se diz no momento da intenção, e mantém-se a mesma nos nove dias. A novena que troca de intenção a meio já não é uma novena, é uma lista de desejos. Se ainda não fez nenhuma, vale ler antes o que é uma novena.
Quando começa a novena da Santíssima Trindade
Tradicionalmente, começa-se no dia seguinte à Ascensão — isto é, nove dias antes do primeiro domingo depois de Pentecostes — de modo que termine na véspera da festa da Santíssima Trindade. Como a Páscoa é móvel, a data muda todos os anos: não há «dia fixo» a decorar, basta contar.
Esse período coincide em parte com a Novena do Espírito Santo, rezada entre a Ascensão e Pentecostes: são duas novenas distintas, e há quem faça uma e depois a outra — a primeira prepara Pentecostes, a segunda a festa da Trindade, que vem no domingo seguinte.
Mas convém dizê-lo com clareza: esta novena pode ser rezada em qualquer época do ano. Não é uma devoção amarrada ao calendário como a Novena de Natal. Se a causa é urgente, começa-se hoje.
Há quem pergunte se existe um dia da semana próprio — a terça, por exemplo. Não existe: nenhum livro tradicional atribui a esta novena um dia da semana, e as novenas de terça que se encontram por aí são hábitos de paróquias ou de grupos, não uma regra. O único dia que a liturgia liga à Trindade é o domingo, e há por isso quem prefira contar os nove dias de modo a terminar num domingo — costume piedoso, nunca obrigação.
Nove dias, um por dia, sem falhar. Se um se perde por descuido, a prática tradicional é retomar no dia seguinte e prolongar a novena por mais um dia, em vez de recomeçar tudo — o que Deus pede é a perseverança, não a aritmética.
A festa da Santíssima Trindade e o mistério que ela celebra
Adorar um só Deus em três Pessoas é o primeiro e o maior mistério da nossa fé. A Igreja o confessa no símbolo de Santo Atanásio: veneramos um só Deus na Trindade, e a Trindade na unidade, sem confundir as Pessoas nem separar a substância. Não há três deuses, mas um só Deus; e este Deus único não é uma só Pessoa que tome à vez três nomes, porque o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo, e o Espírito Santo não é o Pai. Três Pessoas realmente distintas, uma só e mesma natureza divina, eterna, onipotente, infinita. Toda a heresia trinitária dos primeiros séculos — Ário, que fazia do Filho uma criatura; Sabélio, que fazia das três Pessoas três máscaras — foi uma tentativa de aliviar a razão do peso deste mistério, e a Igreja recusou-as todas, preferindo a fé obscura à falsa clareza. Quem quiser aprofundá-lo, tratamos dele à parte em a Santíssima Trindade: um só Deus em três Pessoas.
A festa própria tem uma história instrutiva. Durante séculos, houve quem a achasse supérflua: Alexandre II lembrava que toda missa, todo ofício, todo sinal da cruz já honra a Trindade, e que dedicar-lhe um dia seria como dedicar um dia ao ar que se respira. A objeção era séria. Mas o costume enraizou-se — sobretudo entre os beneditinos e no norte da Europa —, e o papa João XXII estendeu a festa à Igreja universal em 1334, fixando-a no primeiro domingo depois de Pentecostes. Nos livros de 1962 é festa de primeira classe, com Credo, prefácio próprio e um ofício inteiramente consagrado ao mistério. O lugar é bem escolhido: o ano litúrgico acaba de percorrer toda a obra de Deus — a Encarnação, a Paixão, a Ressurreição, a Ascensão, a vinda do Espírito — e, chegado ao fim dessa narrativa, para e adora aquele que a fez.
É essa a lógica que a novena reproduz em pequeno, e ela termina onde tudo termina: no Glória ao Pai, doxologia que, dita cem vezes por dia sem se pensar nela, resume por si só a novena inteira.
Perguntas Frequentes
Quando começa a novena da Santíssima Trindade?
Tradicionalmente, no dia seguinte à Ascensão, para terminar na véspera da festa da Santíssima Trindade — o primeiro domingo depois de Pentecostes. Não há data fixa a decorar, porque tudo depende da Páscoa: conte quarenta dias a partir do Domingo de Páscoa para chegar à Ascensão (sempre uma quinta-feira) e comece no dia seguinte, sexta-feira; a novena encerra-se no sábado anterior à festa da Trindade. Fora desse período, pode ser começada em qualquer dia do ano.
O que é a «novena difícil à Santíssima Trindade»?
É esta mesma novena. O apelido «difícil» é popular, não litúrgico, e designa o uso a que a tradição a destina: as causas humanamente sem solução. O texto não muda; muda apenas a intenção que se lhe confia.
A novena da Santíssima Trindade é a mesma do Divino Pai Eterno de Trindade, em Goiás?
Não. As buscas confundem-nas por causa do nome da cidade: Trindade, em Goiás, é um município, e as novenas «de Trindade» — a do Divino Pai Eterno, a de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, as da matriz — são as rezadas ali, com festa em julho e romaria; tratamo-las na novena ao Divino Pai Eterno e na novena do Perpétuo Socorro. Horários, datas e transmissões mudam a cada ano e são coisa das paróquias locais; não os reproduzimos aqui. A novena desta página não está ligada a lugar algum: dirige-se às três Pessoas divinas, e reza-se em qualquer parte do mundo.
Existe uma novena a Santa Elisabete da Trindade?
Sim, mas é outra coisa. Santa Isabel da Trindade (ou Elisabete da Trindade, 1880-1906) foi uma carmelita do Carmelo de Dijon, cuja doutrina é justamente a da inabitação das três Pessoas na alma; «da Trindade» é o seu nome de religião, não o objeto da novena. Ela é posterior aos nossos livros — beatificada a 25 de novembro de 1984, canonizada a 16 de outubro de 2016, não figura no calendário de 1962 —, e a novena que leva o seu nome é uma composição recente dirigida a ela como intercessora. A desta página dirige-se ao próprio Deus uno e trino, sem intermediário.
Quais são as jaculatórias da novena da Santíssima Trindade?
O texto tradicional não tem uma lista de dez jaculatórias — a sua parte fixa é o Triságio («Deus santo! Deus santo e forte! Deus santo, forte e imortal, tende piedade de nós»), repetido três vezes por dia, e o Glória ao Pai. As séries de dez que circulam pertencem, em geral, a folhetos modernos. Se quiser jaculatórias trinitárias, estas duas bastam, e são o que a Igreja sempre usou.
Posso rezar esta novena por uma intenção material — emprego, saúde, paz na família?
Pode, e a Igreja sempre o fez. A única condição está inscrita na própria oração: «Se o que peço há de reverter para a vossa glória e para a salvação da minha alma, dignai-vos concedê-lo; se não, fazei que eu queira o que vós quereis.» Peça a graça concreta e aceite antecipadamente a resposta: pedir é filial, exigir não é.
Pode-se ganhar indulgência com esta novena?
O Triságio e o Glória ao Pai figuram entre as orações que a Raccolta enriqueceu de indulgências, nas condições ordinárias. As concessões foram revistas várias vezes; explicamos as regras gerais em as indulgências. Rezar pela intenção do Santo Padre, em estado de graça, é sempre uma boa disposição.
E a «novena das almas benditas da Santíssima Trindade», ou a «da cura e da libertação»?
São composições modernas, de folheto, e não o texto tradicional. A novena das almas benditas — dita também «das três Pessoas da Santíssima Trindade» — junta a oração à Trindade e o sufrágio pelos fiéis defuntos. Rezar pelas almas do purgatório é obra de misericórdia, mas é outra novena: tratamo-la na novena das almas. A novena da cura e da libertação é de linguagem recente e não consta dos livros de piedade antigos; sobre esse pedido, veja a oração de cura. Também não são o texto desta página as novenas atribuídas a Santa Faustina (canonizada a 30 de abril de 2000) ou a Frei Galvão, canonizado a 11 de maio de 2007 — bem depois de 1962 — e cujas «pílulas» trazem uma invocação mariana, não trinitária: veja a novena a Frei Galvão.
Reze esta novena dia após dia, com lembretes e o áudio de cada dia, no aplicativo Iter Fidei. Baixe aqui.
Fontes. Sagrada Escritura, trad. Pe. António Pereira de Figueiredo; Missal Romano (Dominica sanctissimae Trinitatis: intróito, versículo e coleta); Símbolo de Santo Atanásio (Quicumque); Símbolo dos Apóstolos e Símbolo de Niceia-Constantinopla; hinos Veni Creator Spiritus e Te Deum; Triságio da Sexta-Feira Santa; Raccolta (orações indulgenciadas); Catecismo do Concílio de Trento.