Atualidades
Leão XIV em Metz: um «Apelo» inter-religioso assinado em nome da Igreja
Em Metz, responsáveis cristãos, judeus e muçulmanos assinaram perante Leão XIV um «Apelo» pela paz; medimo-lo pela doutrina perene sobre a única verdadeira religião.

A 28 de setembro de 2026, último dia da sua viagem a França, Leão XIV presidiu a um encontro inter-religioso no Centro de Congressos Robert-Schuman de Metz. Responsáveis cristãos, judeus e muçulmanos de França assinaram aí um texto comum, o «Apelo de Metz», pela paz. O manifesto foi assinado em nome da Igreja católica pelo cardeal Jean-Marc Aveline, presidente da Conferência dos Bispos de França, ao lado de Christian Krieger pela Federação Protestante de França, do grão-rabino Haïm Korsia e de Chems-Eddine Hafiz, reitor da Grande Mesquita de Paris.
O Apelo adverte que a humanidade conhece «um novo ponto de rutura» devido à multiplicação das guerras, e declara: «Opomo-nos muito particularmente ao veneno do totalitarismo de que esta terra da Lorena tanto sofreu.» Afirma que «o nome de Deus, tal como nenhuma verdade religiosa ou tradição espiritual, jamais pode ser invocado para justificar a violência e o ódio», e compromete os signatários a um diálogo assíduo, à formação dos jovens no conhecimento mútuo das tradições e à ação comum. Abrindo o seu discurso com o elogio de Robert Schuman, o papa fundou as suas palavras na encíclica «Fratelli tutti» do seu predecessor e na sua própria encíclica «Magnifica humanitas», apresentando as religiões como guardiãs da vida.
A fé conhece uma só religião revelada e aprovada por Deus, aquela que Cristo confiou à sua Igreja, fora da qual ninguém se salva. O primeiro mandamento proíbe honrar outros deuses e ter por culto verdadeiro o que o não é; desde a vinda de Cristo, o culto que recusa o Filho recusa também o Pai. Contra a ideia de que as religiões se encontrariam num fundo comum e se equivaleriam mais ou menos, Pio XI falou sem rodeios: reunir crentes numa mesma profissão em torno de um sentimento religioso partilhado é resvalar para o indiferentismo e desertar da religião divinamente revelada. O Syllabus já reprovara que se pudesse encontrar a salvação em qualquer religião.
Que o nome de Deus nunca sirva para acobertar a violência, a tradição ensina-o sem reserva, e a paz civil entre os homens é um bem que a Igreja sempre quis. Mas um texto assinado conjuntamente por um cardeal, um rabino e um reitor de mesquita, que os institui guardiães de um mesmo «nome de Deus» e da vida, coloca no mesmo plano a verdadeira fé e os cultos que rejeitam Cristo. Aí está o indiferentismo que o Magistério perene condena. As religiões não formam uma federação de verdades equivalentes. A única paz que perdura não é a aliança das crenças, mas o regresso de todos ao único aprisco e a realeza social de Nosso Senhor, a quem pertence o reinado sobre as nações.
Fontes. Pio XI, encíclica Mortalium animos (1928); Catecismo do Concílio de Trento (1566), do primeiro mandamento; Pio IX, Syllabus (1864), prop. 15-18; Pio XI, Quas primas (1925).