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Leão XIV revoga os cortes salariais impostos aos cardeais
Leão XIV revogou por decreto os cortes de vencimento que Francisco impusera em 2021 aos cardeais e aos altos responsáveis da Cúria romana.

Por um decreto publicado pelo Vaticano a 14 de setembro de 2026, Leão XIV revogou as reduções de vencimento que Francisco impusera em 2021 aos cardeais e aos demais altos responsáveis que trabalham na Cúria romana. A medida de economia, decretada em março de 2021 para responder a um défice então projetado em 60 milhões de dólares, baixara em 10% o vencimento dos cardeais, cuja remuneração mensal ronda os 5000 euros; em 8% o dos outros altos responsáveis e funcionários da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano; e em 3% o dos clérigos e religiosos empregados pelo Vaticano.
Estes cortes tinham sido apresentados, em 2021, como necessários a um futuro economicamente sustentável; o novo decreto declara que podem doravante ser levantados, comprometendo-se as instituições da Santa Sé e da Cidade do Vaticano a assegurar de outro modo essa mesma sustentabilidade.
O que a Igreja sempre ensinou sobre o clérigo e o dinheiro
O homem de Deus não recebe a sua honra do seu vencimento. O primeiro dos Apóstolos, a quem estes prelados sucedem, dizia ao coxo da Porta Formosa: «Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho, isto te dou.» São Paulo, escrevendo a Timóteo, que estabelecera bispo, fixa a regra: «Tendo, pois, com que nos sustentarmos, e com que nos cobrirmos, contentemo-nos com isto», pois «a raiz de todos os males é a avareza». O Catecismo do Concílio de Trento, ao explicar o nono e o décimo mandamento, quer que o cristão esteja «contente com a sua condição, qualquer que ela seja, baixa ou elevada», e remete o pastor para o que a Escritura e os Padres dizem «sobre o elogio da pobreza e sobre o desprezo das riquezas».
A medida
Restabelecer um vencimento que se reduzira não é, em si, uma falta: o operário merece o seu salário, e ninguém está obrigado à indigência. Mas a tradição nunca mediu a dignidade de um clérigo pelo seu emolumento; mediu-a pelo que ele deixa ver da pobreza de Cristo. Um despojamento livremente consentido, ainda que modesto, é um bem; desfazê-lo continua a ser, quando muito, uma ocasião perdida. E o princípio permanece, quer se acrescente, quer se retire: quanto mais elevado é um homem na Igreja, mais a pobreza evangélica deveria resplandecer nele.
É o sentido do gesto de Pedro, que não tinha prata nem ouro, e da advertência de Paulo a um bispo. O contentamento com pouco, que o Catecismo prescreve a todo o cristão, obriga primeiro aqueles que sobem ao altar. Para o fiel, a lição é antiga: a honra de um sacerdote não se conta em euros, e não se julga a Igreja pela folha de vencimentos dos seus príncipes, mas pela fidelidade da sua doutrina.
Fontes. Atos dos Apóstolos, III, 6; Primeira Epístola a Timóteo, VI, 8-10 (Vulgata); Catecismo do Concílio de Trento (1566), explicação do nono e do décimo mandamento.