Notícias
Negociar a paz sob os mísseis: Moscovo recebe uma proposta, os ataques continuam
A 5 de setembro de 2026, emissários norte-americanos levam a Moscovo uma proposta de paz para a Ucrânia enquanto os ataques russos continuam a matar: a tradição julga a paz pela justiça e condena o homicídio do inocente.
Na manhã de 5 de setembro de 2026, dois emissários do presidente dos Estados Unidos, os senhores Witkoff e Kushner, aterraram em Moscovo, portadores de uma proposta de paz destinada a pôr fim à guerra na Ucrânia. Segundo o presidente norte-americano, esta proposta diz respeito a ambas as frentes e devia ser apresentada primeiro à Rússia e depois a Kiev no dia seguinte, 6 de setembro, visita confirmada pelo presidente Zelensky. Era aguardado um enviado presidencial russo, Kirill Dmitriev, para se reunir com a delegação norte-americana. Kiev propusera um cessar-fogo aéreo durante a visita e aguardava ainda a resposta de Moscovo.
Ao mesmo tempo, os ataques não cessaram. Na noite anterior à missão, o exército russo reivindicou ataques combinados de mísseis e drones contra três regiões ucranianas, e atingiu Mykolaiv e Odessa, centros logísticos e uma subestação elétrica. A defesa antiaérea ucraniana declarou ter neutralizado 128 dos 167 drones e chamarizes lançados, tendo sido atingidas 23 localidades; a Rússia afirmou, por seu lado, ter abatido 53 drones ucranianos.
Os balanços humanos divergem consoante o perímetro e a janela horária considerados: pelo menos quatro mortos na região de Dnipropetrovsk segundo uma contagem, pelo menos sete mortos e cinquenta e um feridos em vinte e quatro horas segundo outra, dos quais quatro mortos e cinco feridos em Kamianske segundo o governador regional. O vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros advertiu que Washington devia ter em conta «a realidade no terreno», que dizia ser desfavorável a Kiev.
O que a Igreja sempre ensinou sobre a paz e o sangue inocente
A paz não é o simples silêncio das armas. Santo Agostinho define-a como «a tranquilidade da ordem»: é fruto da justiça, não o arranjo que dita o mais forte. Buscar a paz é um dever dos príncipes; mas uma paz que não é senão a ratificação de uma conquista não tem de paz senão o nome.
Sobre o sangue derramado, o Catecismo do Concílio de Trento é claro. O quinto mandamento, «Não matarás», proíbe absolutamente o homicídio do inocente; apenas exceptua a morte executada pela autoridade legítima segundo a justiça, e a legítima defesa. Atingir deliberadamente aqueles que não pegam em armas é um homicídio, seja qual for a bandeira em nome da qual se contam os mortos.
Às vésperas do último grande conflito, o papa Pio XII lançava este aviso que ficou célebre: «Nada se perde com a paz; tudo se pode perder com a guerra.»
A medida
Que se procure deter esta guerra é um bem, e dizemo-lo sem rodeios: o dever de todo o governante é trabalhar pela paz. Mas duas coisas devem manter-se juntas, que o acontecimento separa.
Primeiro, a paz negociada enquanto caem os mísseis não é ainda senão uma esperança, não um facto. Anuncia-se uma proposta, aguarda-se uma resposta; nada está assinado, nada está decidido. Damos conta de uma diligência, não de um acordo. E quando um responsável exige que se tenha em conta «a realidade no terreno», há que recordar que a tradição não mede a paz pela vantagem militar do momento, mas pela justiça: uma paz que não é senão a sanção da força não é a tranquilidade da ordem.
Depois, o sangue. Os balanços são contestados, reivindicados por cada campo sobre o outro e não verificáveis de forma independente; mas nenhuma contagem muda a regra. O quinto mandamento não pesa os mortos consoante a capital que os reclama. Enquanto caírem não combatentes sob os drones e os mísseis, o homicídio do inocente continua a ser o que é: um pecado que clama vingança, e que nenhuma necessidade estratégica absolve.
Para o fiel, a conduta é simples. Rezar por uma paz verdadeira, a que assenta na justiça e não no medo; desconfiar das palavras de paz que os factos do mesmo dia desmentem; e nunca deixar que o hábito da guerra embote o horror perante o homicídio do inocente.
Fontes. Catecismo do Concílio de Trento (1566), explicação do quinto mandamento, «Não matarás». Santo Agostinho, A Cidade de Deus, livro XIX, sobre a paz como «tranquilidade da ordem». Pio XII, radiomensagem de 24 de agosto de 1939, às vésperas da guerra: «Nada se perde com a paz; tudo se pode perder com a guerra.»