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Apocalipse de São João: resumo, significado e explicação
O Apocalipse é o último livro da Bíblia: a revelação que Jesus Cristo deu a São João, exilado em Patmos, sobre a luta e a vitória da sua Igreja. Os vinte e dois capítulos estão logo abaixo, na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado; o guia explica quem o escreveu, o que significa a palavra, o resumo de cada parte e a leitura católica, das sete igrejas e dos quatro cavaleiros até a besta e o número 666.
Ler Apocalipse: 22 capítulos
O livro que fecha a Bíblia abre com uma bem-aventurança: «Bem-aventurado aquêle que lê e ouve as palavras desta Profecia» (Ap 1,3), e termina com a última oração da Escritura: «Vem, Senhor Jesus» (Ap 22,20). É o único livro profético do Novo Testamento, escrito para consolar cristãos perseguidos e sacudir os tíbios, não para fornecer um calendário do fim do mundo. A Igreja o lê há dois mil anos como um livro de esperança: o Cordeiro imolado já venceu, e a sua Esposa, a Igreja, atravessa a história ao seu encontro.
O que significa Apocalipse?
A palavra grega apokálypsis, que a Vulgata conserva, não quer dizer catástrofe, mas revelação, o ato de tirar o véu. Figueiredo traduz assim a primeira palavra do livro: «Revelação de Jesus Cristo que Deus lhe concedeu para descobrir aos seus servos o que dentro em pouco deve acontecer» (1,1). Por isso algumas Bíblias o chamam “livro da Revelação”. O que ele revela antes de tudo é uma pessoa: Jesus Cristo, vencedor da morte, que governa a história.
Quem escreveu o Apocalipse?
A Igreja recebeu o Apocalipse como obra de São João Apóstolo, filho de Zebedeu, o discípulo que Jesus amava, autor do quarto Evangelho e de três cartas. O Concílio de Trento, na lista dos livros sagrados da sessão IV (1546), o põe sob o nome do apóstolo João.
O autor se nomeia: «Eu João, vosso irmão, que tenho parte na tribulação» e que esteve «em uma ilha, que se chama Patmos, por causa da palavra de Deus» (1,9). Fala sem outro título às sete Igrejas da Ásia, que São João governava a partir de Éfeso, e partilha com o Evangelho um vocabulário próprio: Cristo é «O VERBO DE DEUS» (19,13) e sobretudo o Cordeiro, como o tinha apontado o Batista (Jo 1,29).
São Justino, por volta de 150 (Diálogo com Trifão, 81), Santo Irineu, o Cânon de Muratori, Tertuliano, Orígenes e São Jerônimo o atribuem ao apóstolo João. No século III, São Dionísio de Alexandria, por causa do grego diferente do Evangelho, o atribuía a outro João, embora o tivesse por inspirado (em Eusébio, História Eclesiástica, VII, 25); o Ocidente nunca duvidou.
Quando e onde foi escrito o Apocalipse?
Por volta do ano 95, no fim do reinado de Domiciano, na ilha de Patmos, no mar Egeu. Santo Irineu, que escreve por volta de 180, diz que a visão foi vista quase no seu tempo, no fim do reinado daquele imperador (Contra as heresias, V, 30, 3). São Jerônimo põe o exílio de João no décimo quarto ano de Domiciano e a sua volta a Éfeso depois da morte do tirano (Dos homens ilustres, 9). O livro combina com esse tempo de perseguição: em Pérgamo, «Antipas serviu de minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós» (2,13). Uma minoria de comentadores prefere uma data sob Nero, antes de 70.
Do que fala o Apocalipse? Resumo dos 22 capítulos
O Apocalipse é uma única grande visão, recebida «um dia de domingo» (1,10), e ordenada em séries de sete: sete cartas, sete selos, sete trombetas, sete cálices. Desde São Vitorino de Pettau, autor do mais antigo comentário latino que chegou até nós (fim do século III), notou-se que essas séries retomam muitas vezes a mesma história, em vez de se sucederem no tempo. O assunto é um só: a vitória de Cristo sobre Satanás ao longo de toda a vida da Igreja, até o último dia.
O Filho do homem e as sete igrejas (capítulos 1 a 3)
Em Patmos, João vê no meio de sete candeeiros de ouro «um semelhante ao Filho do homem» (1,13) e cai aos seus pés como morto. Dita sete cartas aos anjos, isto é, aos bispos, de sete Igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo e Tiatira no capítulo 2, Sardes, Filadélfia e Laodiceia no capítulo 3.
O trono, o Cordeiro e os sete selos (capítulos 4 a 7)
Uma porta se abre no céu (capítulo 4): Deus no seu trono, vinte e quatro anciãos coroados de ouro e quatro animais que cantam sem cessar: «Santo, Santo, Santo, o Senhor Deus onipotente, o que era, e o que é, e o que há de vir» (4,8). No capítulo 5 ninguém é digno de abrir o livro selado com sete selos, até que aparece «o Leão da Tribo de Judá» na forma de «um Cordeiro como morto, que estava em pé» (5,5-6).
A abertura dos selos, no capítulo 6, solta os quatro cavaleiros, faz ouvir o clamor dos mártires debaixo do altar e abala o mundo. Antes do sétimo selo, o capítulo 7 mostra os servos de Deus marcados na testa, cento e quarenta e quatro mil das tribos de Israel, e depois «uma grande multidão, que ninguém podia contar, de tôdas as nações e tribos, e povos e línguas» (7,9).
As sete trombetas (capítulos 8 a 11)
Quando o sétimo selo é aberto, «fêz-se um silêncio no Céu, quase por meia hora» (8,1); sete anjos tocam a trombeta e, como as pragas do Egito, os flagelos ferem a terra, o mar, os rios e os astros, sem que os sobreviventes façam penitência (capítulo 9). O capítulo 11 conta as duas testemunhas, mortas pela fera e depois ressuscitadas; à sétima trombeta, o céu proclama: «O Reino dêste Mundo passou a ser de nosso Senhor, e do seu Cristo, e êle reinará por séculos de séculos» (11,15).
A mulher, o dragão e as duas bestas (capítulos 12 a 14)
É o coração do livro. Uma mulher vestida do sol dá à luz um filho que há de reger as nações, enquanto um grande dragão vermelho espreita o menino (capítulo 12). São Miguel e os seus anjos expulsam do céu «aquela antiga serpente, que se chama o diabo e satanás» (12,9), que vai fazer guerra aos outros filhos da mulher. No capítulo 13, o dragão dá o seu poder a uma besta que sobe do mar, servida por uma segunda besta que sobe da terra. O capítulo 14 mostra o Cordeiro no monte Sião com os que «seguem o cordeiro, para onde quer que êle vá» (14,4).
Os sete cálices e a queda de Babilônia (capítulos 15 a 19)
Os vencedores da besta cantam «o cântico do servo de Deus Moisés, e o cântico do cordeiro» (15,3). Sete anjos derramam os cálices da ira de Deus (capítulo 16), e os reis são reunidos «num lugar, que em hebraico se chama Armagedon» (16,16). Os capítulos 17 e 18 mostram a grande prostituta, embriagada do sangue dos santos, e a sua ruína: «Caiu, caiu a grande Babilônia» (18,2). O céu responde com o Aleluia das bodas do Cordeiro, e Cristo aparece num cavalo branco, trazendo escrito na veste: «O Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores» (19,16).
Os mil anos e o juízo final (capítulo 20)
Um anjo prende o dragão «e o amarrou por mil anos» (20,2); as almas dos mártires reinam com Cristo: «Esta é a primeira ressurreição» (20,5). Solto por pouco tempo, Satanás reúne Gog e Magog, mas o fogo de Deus os devora. Vem então o grande trono branco: «foram julgados os mortos pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras» (20,12).
A Jerusalém celeste (capítulos 21 e 22)
«E vi um Céu novo, e uma terra nova» (21,1). A cidade santa desce do céu, «adornada como uma espôsa ataviada para o seu espôso» (21,2), e aquele que está sentado no trono diz: «Eis aí faço eu novas tôdas as coisas» (21,5). O capítulo 22 mostra o rio da água da vida e a árvore da vida: a Bíblia, aberta sobre a árvore do paraíso terrestre, se fecha sobre a da cidade celeste.
Apocalipse 21: o céu novo e a terra nova
É o capítulo mais procurado do livro, e com razão: é a meta de toda a história. Deus não destrói a sua obra, renova-a, e vem habitar com os homens (21,3). Logo vem o versículo que consola tantos enlutados: «E Deus lhes enxugará tôdas as lágrimas de seus olhos, e não haverá mais morte, nem haverá mais chôro, nem mais gritos, nem mais dor, porque as primeiras coisas são passadas» (21,4).
A cidade não tem templo, «Porque o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro é o seu Templo» (21,22), e nela só entram «aqueles que estão escritos no livro da vida do Cordeiro» (21,27). O versículo 8 lembra o outro lado: a parte dos incrédulos e dos homicidas «será no tanque ardente de fogo e de enxôfre que é a segunda morte» (21,8). O céu e o inferno não são metáforas: o livro chama à conversão enquanto há tempo.
As sete igrejas do Apocalipse
As sete cartas dos capítulos 2 e 3 se dirigem a Igrejas reais da Ásia Menor, vizinhas de Éfeso. Os «anjos» dessas Igrejas são entendidos comumente como os seus bispos. Sete é o número da plenitude: por isso a tradição vê nelas também a Igreja inteira, em todos os tempos, com as suas virtudes e as suas fraquezas.
- Éfeso trabalha e resiste, mas «deixaste a tua primeira caridade» (2,4).
- Esmirna, pobre e perseguida, recebe só louvor: «Sê fiel até à morte, e eu te darei a coroa da vida» (2,10).
- Pérgamo e Tiatira guardam a fé, mas toleram falsos mestres: a doutrina de Balaão, a «mulher que se diz profetisa».
- Sardes «tens a reputação de que vives e tu estás morto» (3,1).
- Filadélfia, de pouca força, guardou a palavra: «Eis aqui pus diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar» (3,8); «Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa» (3,11).
- Laodiceia é morna: «porque tu és môrno, e nem és frio, nem quente, começar-te-ei a vomitar da minha bôca» (3,16). E é a ela que se dirige o convite mais terno do livro: «Eis aí estou eu à porta, e bato: Se algum ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei eu em sua casa, e cearei com êle, e êle comigo» (3,20).
A palavra que volta em quase todas as cartas é “penitência”: Cristo repreende porque ama: «Eu aos que amo, repreendo e castigo. Arma-te pois de zêlo, e faze penitência» (3,19).
Os quatro cavaleiros do Apocalipse
Os quatro cavaleiros aparecem na abertura dos quatro primeiros selos (Ap 6,1-8), chamados cada um por um dos quatro animais: «Vem e vê».
- O cavalo branco. «o que estava montado sôbre êle tinha um arco, e lhe foi dada uma coroa, e saiu vitorioso para vencer» (6,2). Desde São Vitorino de Pettau, muitos viram nele Cristo, ou o Evangelho que parte à conquista do mundo: o mesmo cavalo branco volta no capítulo 19, montado por aquele que «se chamava o Fiel, e o Verdadeiro» (19,11).
- O cavalo vermelho. Ao seu cavaleiro foi dado «que tirasse a paz de cima da terra, e que se matassem uns aos outros» (6,4): é a guerra.
- O cavalo negro. O cavaleiro «tinha na sua mão uma balança», e uma voz anuncia o trigo e a cevada a preço de fome (6,5-6): é a fome.
- O cavalo amarelo. «E apareceu um cavalo amarelo: E o que estava montado sôbre êle tinha por nome Morte, e seguia-o o Inferno» (6,8). O latim diz equus pallidus, cor de cadáver; muitas Bíblias dizem “esverdeado” ou “pálido”. É a morte em todas as suas formas: pela espada, pela fome, pela mortandade e pelas feras.
Não são personagens a identificar nem um acontecimento único a esperar. Figuram os flagelos que Deus permite ao longo da história e que tem nas mãos, já que é o Cordeiro quem abre os selos. O quinto selo dá o sentido: debaixo do altar, os mártires recebem «umas vestiduras brancas» e esperam que se complete o número dos seus irmãos (6,11).
A mulher vestida do sol (Apocalipse 12)
«Apareceu outrossim um grande sinal no Céu: Uma mulher vestida do Sol, que tinha a Lua debaixo de seus pés, e uma coroa de doze estrêlas sôbre a sua cabeça» (Ap 12,1). Ela dá à luz um filho «que havia de reger tôdas as gentes com vara de ferro», e o dragão faz guerra a ela e «aos outros seus filhos, que guardam os mandamentos de Deus» (12,17).
Os Padres veem nela antes de tudo a Igreja, que gera Cristo nos seus membros. Mas o filho varão é Cristo, e a sua mãe segundo a carne é a Virgem Maria: a tradição a reconheceu nesta mulher, nova Eva levantada contra «a antiga serpente», como anunciava o Gênesis: «Eu porei inimizades entre ti, e a mulher; entre a tua posteridade e a sua dela. Ela te pisará a cabeça» (Gn 3,15). O versículo anterior mostra «a Arca do seu Testamento no seu Templo» (11,19), e a ladainha de Nossa Senhora invoca Maria como Foederis arca, Arca da Aliança.
São Pio X, na encíclica Ad diem illum (1904), escreve que ninguém ignora que essa mulher significa a Virgem Maria, e Pio XII, ao definir a Assunção (1950), lembra que os doutores escolásticos a viram aqui prefigurada. A Missa de 15 de agosto abre com o introito Signum magnum, tirado deste versículo, e a de Nossa Senhora de Lourdes, a 11 de fevereiro, lê na epístola 11,19 e 12,1. As duas leituras não se opõem: Maria é a mãe e a figura perfeita da Igreja.
O versículo 11 é muito procurado: «E êles o venceram pelo sangue do Cordeiro, e pela palavra do seu testemunho e não amaram as suas vidas até à morte» (12,11). A vitória não vem de uma fórmula, mas do sangue de Cristo e da fidelidade até o martírio. A batalha de São Miguel Arcanjo contra o dragão (12,7) inspira a oração a São Miguel que Leão XIII mandou rezar depois das Missas rezadas.
A besta, o seu sinal e o número 666 (Apocalipse 13)
As duas bestas. A primeira sobe do mar, «que tinha sete cabeças e dez cornos» (13,1); o dragão lhe dá a sua força, e ela faz guerra aos santos. Ela reúne as feras de Daniel: é o poder político levantado contra Deus, para os primeiros leitores o Império que exigia o culto de César. A segunda sobe da terra; tem «dois cornos semelhantes aos do cordeiro, e que falava como o dragão» (13,11), faz prodígios e impõe o culto da primeira. O livro a chama depois de «falso Profeta» (16,13; 19,20): a sedução religiosa e intelectual a serviço do poder.
O sinal. Ela faz todos terem «um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas» (13,16), sem o qual ninguém pode comprar nem vender. É a imitação do sinal de Deus posto na testa dos seus servos (7,3) e do nome do Cordeiro escrito na testa dos cento e quarenta e quatro mil (14,1). Não é um chip nem um documento: ninguém recebe o sinal da besta sem saber, porque ele consiste em adorá-la.
O número 666. «Aqui há sabedoria. Quem tem inteligência, calcule o número da Bêsta. Porque é número de homem: E o número dela é seiscentos e sessenta e seis» (13,18). Em grego como em hebraico as letras servem de algarismos, e um nome dá um número. Santo Irineu já conhecia manuscritos que traziam 616, e os rejeitava; examinava nomes como Lateinos e Teitan, e depois aconselhava a não afirmar nada e esperar o cumprimento da profecia (Contra as heresias, V, 30).
Muitos modernos notam que “Nero César” em letras hebraicas dá 666, e 616 na forma latina: o primeiro grande perseguidor figuraria todos os outros. Outros leem o seis, que nunca chega ao sete da plenitude, três vezes repetido: o homem que se faz deus. A Igreja não fixou nenhuma identificação, e todos os que puseram debaixo dessa cifra um nome do seu tempo se enganaram.
Significado do Apocalipse: temas e leitura católica
Um livro de símbolos. Os números, as cores e os animais são sinais, quase todos tirados do Antigo Testamento: as feras e o «tempo, dois tempos e a metade dum tempo» (12,14) vêm de Daniel, que já falava de «um tempo, e dois tempos, e metade de um tempo» (Dn 7,25); os quatro animais vêm de Ezequiel; as duas oliveiras, de Zacarias; as pragas, do Êxodo. Sete diz a plenitude, doze o povo de Deus, mil uma duração imensa; três anos e meio, a metade de sete, um tempo de prova breve e contado.
Os mil anos e o arrebatamento. Alguns antigos, entre eles São Justino e Santo Irineu, esperavam um reino terreno de mil anos. Santo Agostinho ensina na Cidade de Deus (XX, 7-9) que os mil anos são todo o tempo da Igreja, entre a primeira vinda de Cristo e a última perseguição: nele Satanás está amarrado e os santos já reinam com Cristo. A Igreja seguiu Agostinho; em 1944 o Santo Ofício declarou que o milenarismo, mesmo mitigado, não pode ser ensinado com segurança. A Igreja também não conhece um “arrebatamento” secreto dos fiéis antes do fim: Cristo volta uma só vez, visível a todos, «e todo o ôlho o verá» (1,7), para julgar os vivos e os mortos. O que acontece com cada alma até lá está explicado em o que acontece após a morte.
Nenhuma data. «Mas daquele dia, nem daquela hora, ninguém sabe, nem os anjos dos Céus, senão só o Padre» (Mt 24,36). Procurar no Apocalipse o ano do fim é lê-lo contra ele mesmo.
A liturgia do céu. O que João vê no céu é um culto: um altar, o incenso, os cânticos e o Cordeiro imolado no meio do trono. A Igreja reconhece ali a sua Missa: o canto dos quatro animais ecoa o dos serafins de Isaías, «Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos exércitos» (Is 6,3), que a Missa repete no Sanctus; o Agnus Dei adora o Cordeiro; e a oração Supplices te rogamus do Cânon pede que a oferta seja levada pelo santo Anjo ao altar do céu, como o anjo que põe as orações dos santos «sôbre o altar de ouro, que estava ante o Trono de Deus» (Ap 8,3).
Versículos mais conhecidos do Apocalipse
- Apocalipse 2,10: «Sê fiel até à morte, e eu te darei a coroa da vida» (2,10).
- Apocalipse 5,12: «Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber a virtude, e a divindade, e a sabedoria» (5,12), o introito da festa de Cristo Rei.
- Apocalipse 14,13: «Bem-aventurados os mortos, que morrem no Senhor. De hoje em diante diz o Espírito, que descansem dos seus trabalhos: Porque as obras dêles os seguem» (14,13), a epístola da Missa pelos defuntos.
- Apocalipse 22,13: «Eu sou o Alfa e o Ômega; o primeiro, e o último, o princípio e o fim» (22,13).
O Apocalipse no cânon e na liturgia
O Apocalipse é o vigésimo sétimo e último livro do Novo Testamento, nas Bíblias católicas como nas protestantes. Discutido por algum tempo no Oriente, foi recebido no Ocidente desde a origem, do Cânon de Muratori (por volta de 170) a Trento (1546). Lutero, em 1522, não via nele nada de apostólico nem de profético e o relegou ao fim do seu Novo Testamento; as Bíblias protestantes, porém, o conservaram.
O Missal Romano de 1962 lhe toma a epístola de Todos os Santos (7,2-12), a de São Miguel a 29 de setembro (1,1-5) com o ofertório Stetit Angelus (8,3-4), a dos Santos Inocentes (14,1-5), a da Dedicação de uma igreja (21,2-5) e a da Missa cotidiana pelos defuntos, lida também na terceira Missa de Finados (14,13).
O introito de Cristo Rei, no último domingo de outubro, é Dignus est Agnus (5,12; 1,6); o da Assunção é Signum magnum (12,1), o do Preciosíssimo Sangue, a 1 de julho, Redemisti nos (5,9-10). No Breviário, o Apocalipse é lido nas Matinas do tempo pascal a partir do III domingo depois da Páscoa, antes das epístolas católicas, e as Matinas de Todos os Santos e da Dedicação também o leem. Esses dias estão no nosso calendário litúrgico, e o Ofício pode ser rezado no Breviário.
Como ler o Apocalipse
Leia primeiro tudo seguido, depois capítulo por capítulo. Tenha abertos o livro de Daniel e Ezequiel, de onde vem quase cada imagem. Deixe de lado as datas; pergunte-se o que cada uma das sete cartas diz à sua alma. Termine sempre com a oração do último capítulo: «Vem, Senhor Jesus». Toda a Bíblia de Figueiredo se lê neste leitor, livro por livro.
Perguntas Frequentes
Quem escreveu o Apocalipse?
A tradição o atribui a São João Apóstolo, o autor do quarto Evangelho, que diz tê-lo recebido na ilha de Patmos (Ap 1,9), por volta de 95, sob Domiciano. É o mesmo João das três cartas, não outro.
Quem são os 24 anciãos e os quatro animais?
Os vinte e quatro anciãos coroados de ouro em volta do trono (Ap 4,4) são entendidos por São Vitorino de Pettau como os doze patriarcas e os doze Apóstolos: todo o povo de Deus das duas alianças. Nos quatro animais, de aspecto de leão, novilho, homem e águia, São Jerônimo viu os quatro evangelistas: o homem para Mateus, o leão para Marcos, o novilho para Lucas, a águia para João.
Quem são as duas testemunhas do Apocalipse?
São os dois profetas do capítulo 11, vestidos de saco, que profetizam mil duzentos e sessenta dias, são mortos pela fera e ressuscitam depois de três dias e meio. Muitos Padres, como Santo Hipólito e Tertuliano, os identificaram com Enoque e Elias, levados por Deus sem morrer; outros pensam em Moisés e Elias. A Igreja não definiu a questão.
Quem são os 144 mil do Apocalipse?
São os servos de Deus marcados na testa, doze mil de cada tribo de Israel (Ap 7,4-8). É um número simbólico, doze vezes doze vezes mil: o povo de Deus na sua plenitude. Logo depois João vê «uma grande multidão, que ninguém podia contar» (Ap 7,9); os 144 mil não são um grupo fechado de eleitos.
O Apocalipse fala do fim do mundo? Quando vai acontecer?
O Apocalipse anuncia a volta de Cristo, a ressurreição dos mortos, o juízo final e um céu novo e uma terra nova, mas não dá nenhuma data: só o Pai conhece aquele dia. A Igreja, com Santo Agostinho, rejeita o milenarismo, o arrebatamento secreto e todo cálculo dos tempos. O livro é antes de tudo um chamado à fidelidade e à penitência.
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