A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata
O livro de Daniel
O livro de Daniel conta a fidelidade de um jovem judeu deportado para a corte da Babilônia: a fornalha ardente, o banquete de Baltasar, a cova dos leões, e depois as visões dos quatro reinos, do Filho do homem e das setenta semanas. Aqui você encontra os catorze capítulos da Bíblia católica na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado, versículo por versículo; o guia explica quem foi o profeta, quem escreveu o livro e quando, o resumo de cada parte e a leitura que a Igreja faz dele.
Ler Daniel: 14 capítulos
O livro de Daniel é como dois livros num só. A primeira metade conta a fé de Israel sob um império pagão: uma estátua de ouro que três jovens se recusam a adorar, um banquete interrompido por uma mão que escreve na parede, um profeta que reza três vezes por dia sob ameaça dos leões. A segunda metade relata visões que vão da Babilônia até o fim do mundo, e que o próprio Nosso Senhor citou. Na Bíblia católica, Daniel é o último dos quatro profetas maiores, depois de Isaías, Jeremias e Ezequiel, e vem antes de Oseias, que abre a série dos profetas menores. Tem catorze capítulos, e não doze, como nas Bíblias protestantes: a razão está mais abaixo.
Quem foi o profeta Daniel?
Daniel era um jovem de Judá, de família nobre, levado para a Babilônia por Nabucodonosor junto com outros rapazes «da linhagem dos reis e dos príncipes» (Dn 1,3), escolhidos para serem instruídos na língua e nas letras dos caldeus. O chefe dos eunucos lhes deu nomes babilônicos: «A Daniel, o de Baltasar, a Hananias, o de Sidrac, a Misael, o de Misac, e a Azarias, o de Abdénago» (Dn 1,7). O nome hebraico Daniel significa “Deus é meu juiz”, e a história de Susana, em que o jovem Daniel faz justiça contra dois juízes iníquos, parece comentá-lo.
Daniel serviu a vida inteira os reis da Babilônia e depois os dos medos e dos persas. Nabucodonosor o fez «governador de tôdas as províncias de Babilônia» (Dn 2,48); sob Dario ele se avantajava a todos os sátrapas, «Porque era nêle mais abundante o espírito de Deus» (Dn 6,3); e o livro observa que «Daniel, porém, viveu até o primeiro ano do rei Ciro» (Dn 1,21). O anjo o chama três vezes com um título belíssimo, vir desideriorum: «Daniel, varão de desejos» (Dn 10,11).
O profeta Ezequiel, seu contemporâneo, já o cita ao lado de Noé e de Jó como modelo de justiça: «Noé, Daniel e Jó: Êles livrarão as suas almas pela sua própria justiça» (Ez 14,14). Não se deve confundi-lo com outros Danieis da Bíblia, como um filho de Davi e um sacerdote do tempo de Esdras.
Quem escreveu o livro de Daniel?
A Igreja recebeu o livro como obra do profeta Daniel. A partir do capítulo 7 ele fala em primeira pessoa: «eu Daniel fiquei atemorizado destas coisas» (Dn 7,15); «eu Daniel pela lição dos livros entendi o número dos anos» (Dn 9,2).
O testemunho decisivo é o de Cristo: «Quando vós pois virdes que a abominação da desolação, que foi predita pelo profeta Daniel, está no lugar santo: (o que lê, entenda)» (Mt 24,15).
O primeiro a negar essa autoria foi o filósofo pagão Porfírio, no século III: no décimo segundo livro da sua obra contra os cristãos, sustentava que o livro tinha sido composto no tempo de Antíoco Epífanes e que as profecias tinham sido escritas depois dos fatos. São Jerônimo expõe essa tese no prólogo do seu Comentário a Daniel e a refuta. Muitos autores modernos a retomaram; a tradição da Igreja fica com o profeta.
Quando foi escrito o livro de Daniel?
Daniel foi levado para a Babilônia depois do cerco de Jerusalém, «No ano terceiro do reinado de Joaquim, rei de Judá» (Dn 1,1), por volta de 605 antes de Cristo, e ainda recebia visões «No terceiro ano de Ciro, rei dos persas» (Dn 10,1), por volta de 536. Segundo a tradição, o livro foi escrito no século VI antes de Cristo, durante o exílio ou pouco depois; os defensores da data tardia o põem por volta de 165, na perseguição de Antíoco IV.
Em que língua foi escrito?
Em três. O começo e os capítulos 8-12 estão em hebraico; no capítulo 2, «os caldeus responderam ao rei em siríaco» (Dn 2,4), isto é, em aramaico, e o texto continua nessa língua até o fim do capítulo 7. A oração de Azarias e o cântico dos três jovens (Dn 3,24-90), assim como os capítulos 13 e 14, chegaram até nós em grego: São Jerônimo os traduziu da versão de Teodocião, que a Igreja lia havia muito tempo para este livro.
Os capítulos não seguem a ordem cronológica: as visões dos capítulos 7 e 8, datadas sob Baltasar, são anteriores ao banquete do capítulo 5.
Do que fala o livro de Daniel? Resumo
Na corte da Babilônia (capítulos 1-2)
No capítulo 1, Nabucodonosor manda educar jovens nobres de Judá para o seu serviço. «Ora Daniel assentou firmemente no seu coração, não se sujar com os comeres que viessem da mesa do rei» (Dn 1,8): pede para si e para os companheiros dez dias de legumes e água, e no fim «apareceram os seus rostos melhores, e mais gordos, do que os de todos os meninos que comiam da mesa do rei» (Dn 1,15). Daí vem o chamado “jejum de Daniel”, de que falamos nas perguntas abaixo.
No capítulo 2, Deus revela a Daniel o sonho do rei: uma grande estátua cuja «cabeça desta estátua era de um ouro finíssimo, porém o peito e os braços eram de prata; já o ventre e as coxas eram de cobre» (Dn 2,32), as pernas de ferro e os pés em parte de ferro e em parte de barro. Uma pedra se desprende do monte «sem intervirem mãos de homens» (Dn 2,34), derruba a estátua e «fêz-se um grande monte, que encheu tôda a terra» (Dn 2,35). Os metais são quatro reinos sucessivos; a pedra é um reino que Deus suscitará, «um reino que não será jamais dissipado» (Dn 2,44).
A fornalha ardente e a loucura do rei (capítulos 3-4)
No capítulo 3, os três companheiros se recusam a adorar a estátua de ouro do rei. A resposta deles é uma das mais belas profissões de fé do Antigo Testamento: «o nosso Deus, a quem nós adoramos, pode tirar-nos da fornalha de fogo ardente» (Dn 3,17); e se não quiser, «fica tu entendendo, ó rei, que nós não honramos os teus deuses» (Dn 3,18).
Lançados na fornalha, eles «passeavam pelo meio das chamas, louvando a Deus» (Dn 3,24). Azarias reza; «O anjo do Senhor, porém, desceu com Azarias e seus companheiros à fornalha» (Dn 3,49), e os três jovens entoam o cântico Benedicite. O rei vê então «quatro homens soltos, e passeando no meio do fogo», e «o aspecto do quarto é semelhante ao filho de Deus» (Dn 3,92).
No capítulo 4, Daniel explica ao rei o sonho da grande árvore abatida e lhe dá este conselho: «resgata os teus pecados com esmolas, e as tuas iniqüidades com obras de misericórdia para com os pobres» (Dn 4,24). Mas Nabucodonosor se envaidece: «Não é esta aquela grande Babilônia, que eu edifiquei» (Dn 4,27); é expulso do convívio dos homens e come feno como o boi, e «sete tempos passarão por cima de ti, até que reconheças que o Excelso tem um poder absoluto sôbre os reinos dos homens» (Dn 4,29). Volta a si e bendiz o Altíssimo (Dn 4,31).
O banquete de Baltasar e a cova dos leões (capítulos 5-6)
No capítulo 5, o rei Baltasar bebe nos vasos sagrados levados do Templo de Jerusalém, e «apareceram uns dedos, como de mão de homem, que escrevia» na parede da sala (Dn 5,5): «MANE, TECEL, FARES» (Dn 5,25). Daniel dá o sentido: Deus contou os dias do teu reinado; «Tu fôste pesado na balança, e achou-se que tinhas menos do pêso» (Dn 5,27); o teu reino foi dado aos medos e aos persas. «Naquela mesma noite foi morto Baltasar, rei dos caldeus» (Dn 5,30).
O capítulo 6 traz o episódio mais conhecido. Sátrapas invejosos obtêm de Dario um edito: durante trinta dias, quem pedir algo a qualquer deus ou homem que não seja o rei será lançado aos leões (Dn 6,7). Daniel volta para casa e, «abrindo as janelas da sua câmara que ficavam para Jerusalém, cada dia em três diferentes horas se punha de joelhos, e adorava o seu Deus» (Dn 6,10). Lançado na cova, vê a entrada ser fechada com uma pedra que o rei sela com o seu anel (Dn 6,17); de madrugada responde ao rei angustiado: «O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou as bôcas aos leões» (Dn 6,22).
As visões: os quatro animais, o carneiro e o bode, as setenta semanas (capítulos 7-9)
No capítulo 7, «quatro grandes animais diferentes uns dos outros, subiam do mar» (Dn 7,3); o quarto tem dez chifres, e entre eles nasce «outro pequenino côrno» com «uma bôca, que falava com insolência» (Dn 7,8). É a “besta” de Daniel que muitos procuram. Depois «o antigo dos dias se assentou» no trono (Dn 7,9), e eis que vem «um como o Filho do homem, que vinha com as nuvens do céu» (Dn 7,13), que recebe um poder eterno, «que lhe não será tirado» (Dn 7,14).
No capítulo 8, um carneiro é abatido por um bode, e o anjo Gabriel, que aparece aqui pela primeira vez com o seu nome (Dn 8,16), explica: «O carneiro, que tu viste que tinha cornos, é o rei dos medos e dos persas» (Dn 8,20), e o bode, o rei dos gregos. No capítulo 9, meditando os setenta anos de exílio anunciados por Jeremias, Daniel reza «em jejuns, saco e cinza» (Dn 9,3) e faz a grande confissão: «Nós pecamos, nós cometemos a iniqüidade» (Dn 9,5). Gabriel lhe traz a profecia das setenta semanas, que comentamos abaixo; a nossa página sobre a oração de Daniel estuda essa súplica.
A última visão (capítulos 10-12)
Depois de três semanas de jejum, Daniel vê junto ao Tigre «um homem vestido de roupas de linho» (Dn 10,5), que lhe fala da luta dos anjos e de «Miguel, um dos primeiros príncipes» (Dn 10,13). O capítulo 11 anuncia as guerras dos reis do Sul e do Norte, até um perseguidor que fará «cessar o sacrifício perpétuo» e porá no templo «a abominação para desolação» (Dn 11,31). O capítulo 12 chega ao fim dos tempos: «Naquele tempo porém se levantará o grande príncipe Miguel, que é o protetor dos filhos do teu povo» (Dn 12,1), e «tôda esta multidão dos que dormem no pó da terra, acordará: Uns para a vida eterna, e outros para um opróbrio» (Dn 12,2).
Susana, Bel e o dragão (capítulos 13-14)
No capítulo 13, dois anciãos, juízes do povo, cobiçam Susana, «formosíssima e temente a Deus» (Dn 13,2). Repelidos, acusam-na de adultério. Ela tinha respondido: «melhor me é a mim cair entre as vossas mãos sem cometer o mal, do que pecar na presença do Senhor» (Dn 13,23). Enquanto a levam à morte, o Senhor suscita «o santo espírito de um moço ainda menino, cujo nome era Daniel» (Dn 13,45), que interroga os dois velhos separadamente: um diz que os viu «Debaixo de um lentisco» (Dn 13,54), o outro «Debaixo de um carvalho» (Dn 13,58), e a mentira se desfaz.
No capítulo 14, Daniel se recusa a adorar o ídolo Bel: «eu não adoro os ídolos, que são feitos por mãos dos homens, mas sim o Deus vivo, que criou o céu e a terra» (Dn 14,4). Desmascara os sacerdotes que comiam as ofertas, mata o dragão e passa seis dias numa cova com sete leões (Dn 14,31). Um anjo leva até lá, da Judeia, o profeta Habacuc com o almoço dos ceifeiros, e Daniel exclama: «Ó Deus, tu te lembraste de mim, e não desamparaste os que te amam» (Dn 14,37). Se esse Habacuc é o autor da profecia de Habacuque, discute-se.
Temas e leitura católica
Deus reina sobre os reinos dos homens
A lição dada a Nabucodonosor é o refrão do livro: o Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer. O próprio Dario o confessa: «o seu reino não será dissipado, e o seu poder passará até à eternidade» (Dn 6,26).
Cristo e o seu reino
São Jerônimo, no seu comentário, vê nos quatro metais da estátua a Babilônia, os medos e persas, o império de Alexandre e Roma; e na pedra arrancada «sem intervir mão de homem» (Dn 2,45) o Cristo, nascido da Virgem sem obra de varão, cujo reino, a Igreja, enche toda a terra. O Filho do homem que vem sobre as nuvens é o título que Nosso Senhor reivindica diante de Caifás: «vereis daqui a pouco o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vir sôbre as nuvens do Céu» (Mt 26,64).
As setenta semanas de Daniel
A maior parte dos Padres e dos comentadores católicos leu a profecia das setenta semanas como o anúncio calculado da vinda e da morte do Messias: setenta semanas de anos, isto é, quatrocentos e noventa anos, contados a partir de uma ordem de reconstruir Jerusalém, «Desde a ordem para Jerusalém ser segunda vez edificada, até o Cristo Capitão» (Dn 9,25).
O texto da Vulgata, que Figueiredo traduz fielmente, é de uma clareza impressionante: «E depois de sessenta e duas semanas, será morto o Cristo» (Dn 9,26). Os cálculos de detalhe variam segundo o ponto de partida escolhido, e é prudente não apresentá-los como certos; mas a Igreja sempre viu nesta página uma profecia de Cristo e do fim dos sacrifícios da antiga Lei: «No meio da semana faltará a hóstia e o sacrifício» (Dn 9,27).
O Anticristo e o fim dos tempos
O pequeno chifre do capítulo 7 e o perseguidor do capítulo 11 designam primeiro Antíoco Epífanes, que profanou o Templo no século II antes de Cristo; mas os Padres, na esteira de São Jerônimo, veem neles também a figura do Anticristo dos últimos tempos. As mesmas imagens voltam no Apocalipse. O capítulo 12 é, enfim, a profecia mais clara do Antigo Testamento sobre a ressurreição dos corpos e o juízo, que separa os que acordam para a vida eterna dos que acordam para o opróbrio.
Os arcanjos Gabriel e Miguel
Daniel é o primeiro dos profetas que chama os anjos pelo nome. Gabriel, que lhe explica as visões, será enviado a Nazaré: «foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade de Galiléia, chamada Nazaré» (Lc 1,26). Miguel, «o protetor dos filhos do teu povo», tornou-se para a Igreja o protetor do povo de Deus. Veja as nossas páginas sobre São Gabriel Arcanjo e São Miguel Arcanjo.
Figuras de Cristo e da Igreja
O quarto personagem na fornalha, «semelhante ao filho de Deus», mostra Deus ao lado dos seus servos no fogo da provação. Daniel na cova fechada por uma pedra selada, encontrado vivo de manhã, prefigura o sepulcro de Cristo, que os guardas trabalharam por deixar seguro, «selando a campa, e pondo-lhe guardas» (Mt 27,66). E Santo Hipólito de Roma, autor do mais antigo comentário cristão a um livro da Escritura que chegou até nós, vê em Susana caluniada e salva uma figura da Igreja.
Versículos mais conhecidos de Daniel
- Daniel 1,12: «Peço-te que nos experimentes a nós teus servos dez dias, e que se nos dê só legumes a comer, e água a beber» (Dn 1,12).
- Daniel 3,39: «permite que sejamos por ti recebidos neste coração contrito, e neste espírito humilhado» (Dn 3,39), palavra da oração de Azarias que o sacerdote repete no ofertório da Missa: In spiritu humilitatis et in animo contrito suscipiamur a te, Domine.
- Daniel 3,57: «Obras do Senhor, bendizei tôdas ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos» (Dn 3,57), o começo do Benedicite.
- Daniel 7,13: «um como o Filho do homem, que vinha com as nuvens do céu».
- Daniel 9,18: «não fazemos estas deprecações fundados em alguns merecimentos da nossa justiça, mas sim na multidão das tuas misericórdias» (Dn 9,18).
- Daniel 12,3: «os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça, êsses luzirão como as estrêlas por tôda a eternidade» (Dn 12,3).
Daniel no cânon e na liturgia
Na Bíblia católica Daniel é o quarto dos profetas maiores; a Bíblia hebraica o coloca entre os “Escritos”, e não entre os Profetas.
A oração de Azarias e o cântico dos três jovens (Dn 3,24-90), a história de Susana (cap. 13) e a de Bel e do dragão (cap. 14) são deuterocanônicos. São Jerônimo não os encontrava no hebraico do seu tempo e o assinala, mas os traduziu, e a Igreja os lia desde os primeiros séculos na sua liturgia. O Concílio de Trento, na sessão IV (8 de abril de 1546), definiu que os livros santos devem ser recebidos inteiros, com todas as suas partes, como se leem na Igreja e na antiga Vulgata.
As Bíblias protestantes só conservam o texto hebraico e aramaico, em doze capítulos; por isso o capítulo 3 da Vulgata tem cem versículos. Além disso, essas Bíblias passam o fim do capítulo 3 (3,98-100 aqui) para o começo do capítulo 4, cujos versículos ficam deslocados de três: o conselho de Daniel, 4,24 aqui, é 4,27 nelas. A Bíblia católica tem 73 livros, e estas passagens fazem parte dela.
Na liturgia de 1962, Daniel está muito presente:
- o Benedicite (Dn 3,57-88 e 56) é o cântico das Laudes do domingo e das festas, com a antífona Tres pueri jussu regis in fornacem missi sunt; nos domingos de penitência, as Laudes cantam em seu lugar Dn 3,52-57; e o sacerdote o recita na ação de graças depois da Missa;
- o gradual da festa da Santíssima Trindade, Benedictus es, Domine, qui intueris abyssos, é tirado de Dn 3,55-56;
- nos quatro sábados das Têmporas, a quinta leitura da Missa é Dn 3,47-51, o anjo na fornalha, seguida do hino Benedictus es, Domine, Deus patrum nostrorum;
- a oração de Daniel (Dn 9,15-19) é a leitura da segunda-feira da segunda semana da Quaresma, e a história de Susana a do sábado da terceira semana;
- Daniel na cova dos leões (Dn 14,27-42) se lê na terça-feira da semana da Paixão, e a oração de Azarias (Dn 3) na quinta-feira da mesma semana, cujo intróito Omnia quae fecisti nobis, Domine (Dn 3,31) é também o do XX domingo depois de Pentecostes;
- o ofertório do VII domingo depois de Pentecostes, Sicut in holocaustis arietum, vem de Dn 3,40, e o do XVII, Oravi Deum meum ego Daniel, de Dn 9,17-19;
- na festa de Cristo Rei, o gradual canta Dn 7,14; na de São Gabriel (24 de março), a leitura é Dn 9,21-26; nessa festa e na dos Santos Anjos da Guarda (2 de outubro), a comunhão é Dn 3,58, «Anjos do Senhor, bendizei ao Senhor»;
- no último domingo depois de Pentecostes, o Evangelho (Mt 24,15-35) começa pela «abominação da desolação» predita pelo profeta Daniel;
- no Breviário, Daniel é lido nas Matinas da terceira semana de novembro, entre Ezequiel e os profetas menores; no domingo em que começa, as lições do segundo noturno são de Santo Atanásio, que propõe às virgens o jejum de Daniel e dos três jovens como modelo.
O calendário litúrgico indica esses dias, e o Breviário traz as leituras e o cântico.
Como ler o livro de Daniel
Leia de uma vez os seis primeiros capítulos: são narrativas e mostram quem é Daniel. Tome depois as visões dos capítulos 7-12 uma por dia, com o I Livro dos Macabeus à mão, que conta a perseguição de Antíoco Epífanes, pano de fundo dos capítulos 8 e 11. Não tente decifrar cada número: o próprio Daniel ouviu que «estas palavras estão fechadas e seladas até o tempo predefinido» (Dn 12,9). Reze o Benedicite em voz alta, como a Igreja faz no domingo de manhã, e releia Susana e Daniel entre os leões como lições de confiança. O livro inteiro, com o latim ao lado, está também no aplicativo Bíblia Católica.
Perguntas Frequentes
Quem escreveu o livro de Daniel?
A tradição o atribui ao profeta Daniel, jovem judeu de família nobre deportado para a Babilônia, que fala em primeira pessoa a partir do capítulo 7. Nosso Senhor cita “o profeta Daniel” em São Mateus, e São Jerônimo defendeu essa autoria contra o pagão Porfírio. Muitos autores modernos o atribuem a um escritor anônimo do século II antes de Cristo, opinião que a Igreja não fez sua.
Quantos capítulos tem o livro de Daniel?
Catorze na Vulgata, em Figueiredo e nas Bíblias católicas. As Bíblias protestantes contam doze, porque omitem as partes conservadas em grego (Dn 3,24-90 e os capítulos 13-14).
O que o livro de Daniel nos ensina?
Que é possível servir fielmente num mundo que não conhece a Deus sem renunciar à fé, à oração e à pureza; que Deus está com os seus no fogo e entre os leões; que os impérios passam e o reino de Deus permanece; e que haverá ressurreição e juízo.
O que é o jejum de Daniel?
A Escritura descreve dois: os dez dias de legumes e água do capítulo 1, e as três semanas do capítulo 10, em que Daniel não comeu «pão algum agradável ao gôsto e nem carne nem vinho» (Dn 10,3). Para um católico, é um exemplo de penitência unida à oração, como o jejum da Quaresma, não um regime nem uma garantia de graças em prazo certo.
O que significa «Mane, Tecel, Fares»?
São as palavras escritas por uma mão misteriosa na parede da sala do banquete do rei Baltasar. Daniel as interpreta assim: Deus contou os dias do teu reinado e lhe pôs termo; foste pesado na balança e achado em falta; o teu reino foi dividido e dado aos medos e aos persas.
Por que Daniel foi lançado na cova dos leões?
Porque continuou a rezar ao seu Deus três vezes por dia, com as janelas abertas para Jerusalém, apesar do edito de Dario que, durante trinta dias, proibia pedir qualquer coisa a outro que não fosse o rei. Deus enviou o seu anjo para fechar a boca dos leões. O capítulo 14 conta uma segunda cova, sob Ciro, em que Daniel ficou seis dias.
Quem é Susana na Bíblia?
A esposa virtuosa de Joaquim, na Babilônia, falsamente acusada de adultério por dois anciãos que ela tinha repelido, e salva pelo jovem Daniel, que os interrogou separadamente. A sua história é o capítulo 13 do livro na Bíblia católica.
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