A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata
O Livro de Miqueias
O livro de Miqueias, sexto dos profetas menores, reúne em sete capítulos as ameaças e as promessas de um profeta do campo, contemporâneo de Isaías: a profecia de Belém, o lamento do Senhor «Povo meu, que é o que eu te fiz», que a Igreja canta na Sexta-feira Santa, e os versículos tão procurados de Miqueias 6,8 e 7,8. Abaixo está o texto completo do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feito sobre a Vulgata, com o latim ao lado, versículo por versículo; o guia explica quem foi Miqueias, quando profetizou, do que fala o livro e como a Igreja o lê.
Ler Miqueias: 7 capítulos
Miqueias é o sexto dos doze profetas menores, entre Jonas e Naum. Contemporâneo de Isaías, deixou à Igreja dois textos que ela escuta todos os anos: a profecia de Belém, que os doutores de Jerusalém citaram aos Magos, e o lamento do Senhor ao seu povo, que o coro canta na Sexta-feira Santa durante a adoração da Cruz. Entre esses dois cumes, sete capítulos alternam ameaças e promessas, com um vigor social que lembra Amós. E dois versículos do livro, Miqueias 6,8 e 7,8, estão entre os mais procurados de todos os profetas. Aqui está o guia do livro.
Quem foi o profeta Miqueias?
O primeiro versículo apresenta o autor: «Palavra do Senhor, que foi dirigida a Miquéias de Morasti, nos dias de Joatan, de Acaz e de Ezequias, reis de Judá» (Mq 1,1). Morasti, que o hebraico chama Moréshet-Gat (daí a "herança de Get" de Mq 1,14), era uma aldeia da Sefelá, as colinas baixas do sudoeste de Judá, perto da fronteira dos filisteus. Miqueias era, portanto, um homem do campo, como Amós, testemunha dos abusos dos grandes proprietários contra os pequenos lavradores.
O nome é uma pergunta: Quem é como o Senhor? O profeta parece aludir a ele na oração final: «Ó Deus, quem é semelhante a ti» (Mq 7,18). Não se deve confundi-lo com Miqueias, filho de Jemla, que profetizou mais de um século antes diante do rei Acab (III Reis 22,8, 1 Reis nas Bíblias modernas), ainda que o primeiro oráculo do nosso livro comece com «Povos, ouvi todos vós» (Mq 1,2), quase as mesmas palavras com que o seu homônimo encerra a sua profecia: «Ouvi, povos todos» (III Reis 22,28).
A existência e a autoridade do profeta são confirmadas de modo notável pelo livro de Jeremias. Um século depois, quando Jeremias foi ameaçado de morte por ter anunciado a ruína do Templo, alguns anciãos o defenderam lembrando: «Miquéias de Morasti foi profeta nos dias de Ezequias, rei de Judá» e citando as suas palavras, «Sião será lavrado como um campo» (Jr 26,18). É um dos raros casos em que um profeta é citado pelo nome, com a sua data, por outro livro do Antigo Testamento. Do resto da sua vida e da sua morte a Escritura não diz nada; algumas lendas antigas o confundem com o filho de Jemla, e não merecem crédito.
Quem escreveu o livro de Miqueias?
O próprio Miqueias de Morasti, segundo o título do livro e segundo toda a tradição judaica e cristã. Os seus discursos foram reunidos num livro no fim do seu ministério. Alguns autores modernos atribuem os últimos capítulos a autores posteriores; a tradição vê neles a obra de um só profeta, e nada no texto obriga a abandonar essa leitura.
Quando Miqueias profetizou?
Sob «Joatan, de Acaz e de Ezequias, reis de Judá», isto é, na segunda metade do século VIII antes de Cristo, mais ou menos entre 740 e 700. Ele anuncia a ruína de Samaria: «Eu pois tornarei Samaria como um montão de pedras no campo» (Mq 1,6). Samaria caiu diante dos assírios em 722, de modo que ao menos uma parte dos oráculos é anterior a essa data. A lista das cidades da Sefelá no capítulo 1, Get, Laquis, Maresa, Odolão, corresponde ao caminho da invasão assíria de Senaquerib, em 701. A passagem de Jeremias o situa sob Ezequias e conta que a sua pregação levou o rei a buscar o Senhor: «Porventura não temeram êle ao Senhor, e fizeram as suas deprecações na presença do Senhor» (Jr 26,19).
Do que fala o livro de Miqueias? Resumo
O livro se compõe de três seções, cada uma aberta por um "Ouvi" (Mq 1,2, 3,1, 6,1), e em cada uma a ameaça é seguida de uma promessa.
O julgamento de Samaria e de Jerusalém (capítulos 1 e 2)
O Senhor sai da sua morada; diante dele os montes desaparecem «E os vales se rasgarão como a cêra, diante do fogo» (Mq 1,4). A causa é nomeada: «Qual é a maldade de Jacó? não é a Samaria? E quais os altos de Judá? não é Jerusalém?» (Mq 1,5). O profeta põe luto, «Andarei despojado, e todo nu» (Mq 1,8), e desfia, com uma série de jogos de palavras intraduzíveis, o nome das cidades que o inimigo vai atravessar.
O capítulo 2 denuncia a usurpação das terras: «Ai dos que pensais coisas inúteis e que maquinais o mal em vossos leitos» (Mq 2,1); «E cobiçaram as terras de seus próximos, e violentamente lhas tomaram e lhes roubaram as suas casas por fôrça» (Mq 2,2). Esses homens só querem profetas complacentes, que lhes falem de vinho e de embriaguez (Mq 2,11). Então a promessa irrompe: «Eu te congregarei, ó Jacó, todo inteiro: Eu reunirei as relíquias de Israel, eu o porei todo junto, como um rebanho no aprisco» (Mq 2,12), e o seu rei marchará à frente deles, «e êste rei será o Senhor que marchará à testa dêles» (Mq 2,13).
Os chefes, os falsos profetas e o monte do Senhor (capítulos 3 a 5)
O capítulo 3 acusa os príncipes que devoram o povo como carne numa panela (Mq 3,3) e os profetas que pregam a paz a quem lhes dá de comer (Mq 3,5). Miqueias lhes opõe a sua própria missão: «Mas pelo que toca a mim, eu estou cheio da fortaleza, da justiça, e da virtude do espírito do Senhor: Para anunciar a Jacó a sua maldade e a Israel o seu pecado» (Mq 3,8). A corrupção atinge todos: «Os seus príncipes davam as sentenças por presentes, e os seus sacerdotes ensinavam por interêsse, e os seus profetas adivinhavam por dinheiro» (Mq 3,11). A sentença cai: «será lavrada Sião como um campo, e Jerusalém será reduzida a um como montão de pedras» (Mq 3,12).
Logo em seguida, o capítulo 4 inverte a perspectiva: «No último dos dias o monte da casa do Senhor será preparado no alto dos montes» (Mq 4,1). As nações sobem até ele: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de Jacó: E êle nos ensinará os seus caminhos, e nós andaremos pelas suas veredas: Porque a lei sairá de Sião, e a palavra do Senhor de Jerusalém» (Mq 4,2), e «E êles converterão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças em enxadões» (Mq 4,3).
O mesmo oráculo se lê quase palavra por palavra em Isaías 2. Miqueias acrescenta um traço de paz camponesa: «E cada um estará assentado debaixo da sua parreira, e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os intimide» (Mq 4,4). Anuncia também o exílio e a libertação: «e virás até Babilônia: Lá é que tu serás livrada» (Mq 4,10), profecia surpreendente numa época em que o inimigo era a Assíria. O versículo 8 interpela a «tôrre do rebanho» (Mq 4,8), lugar perto de Belém onde Jacó tinha armado a sua tenda (Gn 35,21).
O capítulo 5 contém a grande profecia messiânica: «E tu BELÉM Efrata, tu és pequenina entre os milhares de Judá: Mas de ti é que me há de sair aquêle que há de reinar em Israel, e cuja geração é desde o princípio, desde os dias da eternidade» (Mq 5,2). O povo será abandonado «até o tempo em que parirá aquela que há de parir» (Mq 5,3), e esse Chefe «apascentará o seu rebanho na fortaleza do Senhor» (Mq 5,4): «E êle será a paz» (Mq 5,5). O resto de Jacó estará no meio dos povos «como um orvalho que vem do Senhor» (Mq 5,7).
O processo de Deus e a esperança final (capítulos 6 e 7)
O capítulo 6 é um processo: Deus toma os montes por testemunhas contra o seu povo (Mq 6,2). Mas o acusador fala como um pai ferido: «Povo meu, que é o que eu te fiz, ou em que te fui eu molesto? Responde-me» (Mq 6,3). Recorda a saída do Egito, Moisés, Aarão e Maria, a história de Balaão (Mq 6,4-5). O povo pergunta o que deve oferecer, «Que oferecerei eu ao Senhor, que seja digno dêle?» (Mq 6,6), milhares de carneiros, talvez o próprio primogênito (Mq 6,7); a resposta vem no versículo 8, explicado abaixo. Seguem as censuras contra «a balança injusta, e os pesos enganosos do saquitel» (Mq 6,11) e contra os costumes da casa de Acab (Mq 6,16).
O capítulo 7 começa com uma lamentação sobre a corrupção geral: «Faltou o santo da terra» (Mq 7,2). Não se pode confiar em ninguém, «Não creiais no amigo: E não confieis no governador» (Mq 7,5), e até a família se divide: «E os inimigos do homem são os seus mesmos domésticos» (Mq 7,6).
Mas o profeta se volta para Deus: «Eu porém olharei para o Senhor, e esperarei a Deus meu salvador; o meu Deus me ouvirá» (Mq 7,7), e Sião fala como o penitente que se levanta (versículo 8, explicado abaixo). O livro termina com uma oração pelo rebanho (Mq 7,14) e com um hino à misericórdia: «Êle sepultará as nossas iniqüidades, e lançará todos os nossos pecados no fundo do mar» (Mq 7,19); «Tu mostrarás a verdade da tua promessa a Jacó, farás misericórdia a Abraão» (Mq 7,20).
Miqueias 6,8: o que o Senhor pede de você
É talvez o versículo mais citado do livro, e um dos cumes do Antigo Testamento: «Eu te mostrarei, ó homem, o que te é bom, e o que o Senhor requer de ti: É, sem dúvida, que tu obres segundo a justiça, e que ames a misericórdia, e que andes solícito com o teu Deus» (Mq 6,8). O versículo resume a religião dos profetas: nem o rito sem a alma, nem a alma sem o rito, mas a justiça para com o próximo, o amor da misericórdia e a caminhada atenta diante de Deus. A Vulgata diz sollicitum ambulare cum Deo tuo, caminhar com cuidado, com vigilância, junto de Deus, e Figueiredo traduz fielmente "andes solícito"; as Bíblias modernas costumam traduzir "caminhar humildemente".
Miqueias não despreza os sacrifícios que a Lei mandava oferecer: condena o culto de quem pensa comprar Deus com carneiros enquanto oprime o pobre. Nosso Senhor dirá a mesma coisa aos fariseus que pagavam o dízimo da hortelã e tinham deixado as coisas mais importantes da Lei, «a justiça, e a misericórdia, e a fé» (Mt 23,23). Para o católico, o versículo é um bom exame de consciência antes da confissão: fui justo? amei a misericórdia, a que recebo e a que devo dar? andei diante de Deus, ou só diante dos homens?
Miqueias 7,8: «o Senhor é a minha luz»
É o versículo mais procurado de Miqueias: «Não te alegres, inimiga minha, a meu respeito, por eu ter caído: Eu me tornarei a levantar, depois de ter estado assentada nas trevas: o Senhor é a minha luz» (Mq 7,8). Quem fala é Sião, a cidade humilhada, diante da inimiga que se alegra com a sua queda. Em latim: consurgam cum sedero in tenebris: Dominus lux mea est.
O versículo não é um grito de orgulho. O seguinte mostra de onde vem a confiança: «Eu trarei sôbre mim a ira do Senhor, porque tenho pecado contra êle» (Mq 7,9), até que ele mesmo julgue a causa e tire o penitente para a luz. É a oração de quem reconhece a culpa, aceita a correção e espera o perdão: a esperança cristã, não o otimismo. Os versículos 7 a 9 formam assim uma pequena oração completa para os dias de queda: olhar para o Senhor, esperar, reconhecer o pecado, levantar-se na sua luz.
Temas e leitura católica
Belém e o Messias eterno. Quando Herodes perguntou onde devia nascer o Cristo, os príncipes dos sacerdotes responderam: «Em Belém de Judá: Porque assim está escrito pelo profeta» (Mt 2,5), e citaram Miqueias. O povo de Jerusalém também o sabia: «Não diz a Escritura: Que o Cristo há de vir da geração de Davi, e da vilota de Belém, onde assistia Davi?» (Jo 7,42). Os Padres sublinharam o duplo aspecto do versículo: um nascimento no tempo, em Belém, e uma origem «desde os dias da eternidade», que anuncia a geração eterna do Verbo. Veja a história dos Reis Magos, a quem esta profecia mostrou o caminho.
Aquela que há de dar à luz. O versículo 3 do capítulo 5 se une à profecia do Emanuel: «Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho» (Is 7,14). Miqueias e Isaías, contemporâneos, falam da mesma Mãe. A tradição católica reconhece nela a Virgem Maria, que dá à luz em Belém Aquele cuja origem é eterna.
Os Impropérios. Na Sexta-feira Santa, durante a adoração da Cruz, a Igreja põe na boca de Cristo crucificado o lamento de Miqueias: Popule meus, quid feci tibi? aut in quo contristavi te? Responde mihi, "Povo meu, que te fiz eu? Em que te contristei? Responde-me". Os Impropérios desenvolvem depois a lembrança do capítulo 6: eu te tirei do Egito, e tu preparaste uma cruz ao teu Salvador. É uma das páginas mais comoventes da liturgia romana; veja o nosso artigo sobre a Sexta-feira Santa.
A divisão das famílias. Nosso Senhor retoma Miqueias 7,6 ao anunciar que o Evangelho dividirá as casas: «E os inimigos do homem serão os seus mesmos domésticos» (Mt 10,36). A fidelidade a Cristo vem antes dos laços de sangue.
O juramento a Abraão. O final de Miqueias ressoa nos cânticos do Evangelho: o Magnificat canta a misericórdia prometida «a Abraão, e à sua posteridade para sempre» (Lc 1,55), e o Benedictus recorda «o juramento, que êle fêz a nosso pai Abraão» (Lc 1,73). Veja o nosso artigo sobre o Magnificat.
Versículos mais conhecidos de Miqueias
- Miqueias 4,2: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de Jacó».
- Miqueias 4,3: «E êles converterão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças em enxadões».
- Miqueias 5,2: «E tu BELÉM Efrata, tu és pequenina entre os milhares de Judá».
- Miqueias 6,3: «Povo meu, que é o que eu te fiz, ou em que te fui eu molesto? Responde-me».
- Miqueias 6,8: «que tu obres segundo a justiça, e que ames a misericórdia, e que andes solícito com o teu Deus».
- Miqueias 7,7: «Eu porém olharei para o Senhor, e esperarei a Deus meu salvador».
- Miqueias 7,8: «Eu me tornarei a levantar, depois de ter estado assentada nas trevas: o Senhor é a minha luz».
- Miqueias 7,19: «lançará todos os nossos pecados no fundo do mar».
Miqueias no cânon e na liturgia
Miqueias é um livro protocanônico, recebido pelos judeus e por todos os cristãos; está em todas as Bíblias. No hebraico e na Vulgata ocupa o sexto lugar entre os profetas menores; o Concílio de Trento, na sessão IV (1546), o nomeia entre eles. Uma observação de numeração: o versículo de Belém é 5,2 na Vulgata e em Figueiredo, como na maioria das Bíblias protestantes; nas Bíblias católicas modernas feitas sobre o hebraico ele é 5,1, e o nosso 5,1 é contado como 4,14.
O rito de 1962 faz ouvir Miqueias nos grandes momentos do ano. Na Epifania, o Evangelho (Mt 2,1-12) traz a profecia de Belém. Na Sexta-feira Santa, os Impropérios retomam Miqueias 6,3. No sábado das Têmporas de setembro, na forma longa da Missa, uma das leituras é Miqueias 7,14.16.18-20: «Apascenta com a tua vara o teu povo, o rebanho da tua herança» (Mq 7,14). Na festa de Cristo Rei, o terceiro responsório das Matinas canta Tu Bethlehem Ephrata, a profecia do capítulo 5; veja o nosso artigo sobre Cristo Rei. No Breviário romano, Miqueias é lido nas Matinas de novembro com os outros profetas menores: no ciclo das leituras, começa no V domingo de novembro. O calendário litúrgico indica esses dias ao longo do ano.
Como ler o livro de Miqueias
Leia-o seção por seção, seguindo os três "Ouvi": cada vez, deixe a ameaça chegar até o fim antes de acolher a promessa, porque esse é o próprio movimento do livro. No Natal e na Epifania, releia o capítulo 5 com Mateus 2. Na Semana Santa, leia o capítulo 6 como o lamento do Crucificado. Guarde o capítulo 7 para o tempo da confissão: ele ensina a carregar a ira do Senhor, «porque tenho pecado contra êle», na certeza do perdão. Todos os livros da Escritura estão reunidos na página da Bíblia.
Perguntas Frequentes
Quem foi Miqueias na Bíblia?
Miqueias de Morasti foi um profeta de Judá, natural de uma aldeia da Sefelá, no sudoeste do país. Profetizou sob os reis Joatão, Acaz e Ezequias, na segunda metade do século VIII antes de Cristo, no tempo de Isaías. Jeremias 26,18 o cita pelo nome, o que confirma a sua existência e a sua autoridade.
O que significa o nome Miqueias?
Miqueias quer dizer "Quem é como o Senhor?". O profeta parece fazer alusão ao próprio nome no fim do livro: «Ó Deus, quem é semelhante a ti» (Mq 7,18).
Quem escreveu o livro de Miqueias e quando?
O próprio profeta Miqueias, na segunda metade do século VIII antes de Cristo, mais ou menos entre 740 e 700. Ele anuncia a ruína de Samaria, ocorrida em 722, e fala sob Ezequias. Os seus discursos foram reunidos num livro no fim do seu ministério.
Como morreu o profeta Miqueias?
A Escritura não diz. Algumas narrativas antigas lhe atribuem um martírio, mas confundem-no com Miqueias, filho de Jemla, que viveu mais de um século antes. O mais honesto é dizer que não sabemos.
O que Miqueias diz sobre Belém?
Anuncia que de Belém Efrata, pequenina entre os milhares de Judá, sairá «aquêle que há de reinar em Israel, e cuja geração é desde o princípio, desde os dias da eternidade» (Mq 5,2). Os sacerdotes de Jerusalém citaram esse versículo aos Magos para indicar o lugar do nascimento do Cristo (Mt 2,6). A Igreja vê nele ao mesmo tempo o nascimento temporal de Jesus e a sua origem eterna.
Qual é a mensagem principal do livro de Miqueias?
Deus julga a injustiça dos grandes e o culto sem conversão, mas guarda um resto que reunirá como um pastor. Promete um Rei nascido em Belém, que será a paz, e a vinda das nações ao seu monte. O livro se resume em Miqueias 6,8: praticar a justiça, amar a misericórdia e andar solícito diante de Deus.
De onde vem «Povo meu, que é o que eu te fiz»?
De Miqueias 6,3, onde Deus faz um processo ao seu povo ingrato lembrando os benefícios do Êxodo. Na Sexta-feira Santa, a liturgia romana retoma essas palavras nos Impropérios, cantados durante a adoração da Cruz, pondo-as na boca de Cristo.
Leia Miqueias versículo por versículo, em português e em latim, também no aplicativo Bíblia católica da Iter Fidei.
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