A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata
O livro do profeta Malaquias
Malaquias é o último dos doze profetas menores. Em quatro capítulos, censura os sacerdotes pelos sacrifícios indignos e o povo pelos casamentos desfeitos e pelos dízimos retidos, e depois anuncia a oblação pura oferecida entre as nações, o Senhor que vem ao seu templo, o sol da justiça e a volta de Elias. Aqui você encontra os capítulos na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado; o guia explica quem foi o profeta, quando escreveu, o resumo, Malaquias 3,10 e a leitura cristã do livro.
Ler Malaquias: 4 capítulos
Malaquias é o décimo segundo e último dos profetas menores, a última voz profética do Antigo Testamento antes do Precursor. O seu livro tem apenas quatro capítulos, e no entanto a Igreja o lê na festa da Purificação, o Concílio de Trento se apoia nele para ensinar o sacrifício da Missa, e o Evangelho reconhece nele o anúncio de São João Batista. Ele vem depois de Ageu e de Zacarias, que tinham incentivado a reconstrução do Templo: Malaquias fala a um povo que reencontrou o seu santuário, mas que logo se cansou de servir bem a Deus. Você pode ler cada capítulo, em português e em latim, na Bíblia do Iter Fidei.
Quem foi o profeta Malaquias?
Da sua vida a Escritura não diz nada: tudo o que sabemos dele está na sua pregação e na época que ela deixa entrever. O livro dá o seu nome no primeiro versículo: «Desgraça opressora da palavra do Senhor sôbre Israel, por ministério de Malaquias» (Ml 1,1). Figueiredo traduz assim o latim onus, o "peso" da palavra divina que o profeta deve carregar, quase sempre uma palavra de censura ou de ameaça.
O nome Malaquias significa meu mensageiro, ou meu anjo, talvez forma abreviada de "mensageiro do Senhor". A versão grega dos Setenta traduziu o primeiro versículo pela mão do seu anjo, e a mesma palavra volta no capítulo 3: «Eis-aí mando eu o meu anjo» (Ml 3,1). Uma antiga opinião judaica, referida por São Jerônimo no seu comentário, identificava Malaquias com Esdras, o sacerdote e escriba. É apenas uma conjectura, e a maior parte dos intérpretes tem Malaquias pelo nome próprio de um profeta distinto.
Quem procura "quem foi Malaquias na Bíblia" às vezes digita "Malquias" ou confunde o profeta com Melquias, nome de várias outras pessoas da Bíblia. O profeta Malaquias é o autor deste livro, que ninguém deve confundir com São Malaquias, arcebispo irlandês do século XII (veja mais abaixo).
Quem escreveu o livro de Malaquias?
A Igreja recebeu o livro como obra do profeta cujo nome ele traz, e, como fecha a coleção dos Doze, sempre o considerou o último dos profetas da antiga aliança. Alguns críticos modernos fizeram de Malaquias um título tirado do capítulo 3, ou atribuíram os últimos versículos a outra mão. Nada obriga a segui-los: o livro forma um todo coerente pelo estilo e pelo método.
Quando foi escrito o livro de Malaquias?
O livro não nomeia nenhum rei, mas os seus pormenores o situam depois da volta de Babilônia. O Templo está de pé e nele se oferecem sacrifícios, mas o culto se relaxou. O país é governado por um governador persa, a quem o profeta compara Deus: «oferece êstes animais ao teu governador, a ver se êle te agradará» (Ml 1,8). Os abusos que ele ataca, os casamentos com mulheres idólatras, os dízimos descuidados, os sacerdotes negligentes, são exatamente os que Neemias procurou reformar: «vi eu judeus que se casavam com mulheres de Azot, de Amon, e de Moab» (Ne 13,23).
Data-se, portanto, o livro em meados do século V antes de Cristo, por volta de 450 ou pouco depois, no tempo das missões de Neemias em Jerusalém, duas gerações depois de Ageu e Zacarias. Depois dele não haverá mais profeta em Israel até João Batista, e o primeiro livro dos Macabeus lembrará essa falta ao falar de uma tribulação como não se via «desde o tempo em que os profetas tinham desaparecido de Israel» (1 Mc 9,27).
Do que fala o livro de Malaquias? Resumo
Malaquias tem um modo todo seu de pregar. Deus afirma, o povo objeta, Deus responde. A primeira troca dá o tom: «Eu vos amei, diz o Senhor, e vós dissestes: Em que nos amaste tu?» (Ml 1,2). O mesmo esquema volta em todo o livro (1,6, 2,14, 2,17, 3,7, 3,13): fala-se de bom grado das "disputas" entre Deus e o seu povo.
O amor de Deus e os sacrifícios indignos (capítulo 1)
O capítulo 1 começa pelo amor gratuito de Deus: «eu amei a Jacó, e aborreci a Esaú» (Ml 1,2-3), cuja terra de Edom ficou reduzida a deserto. Depois o Senhor se volta para os sacerdotes: «O filho honra a seu pai, e o servo reverencia a seu Senhor: Se eu pois sou vosso pai, onde está o temor que se me deve?» (Ml 1,6). Eles levam ao altar animais cegos, coxos ou doentes, e dizem: «A mesa do Senhor está desprezada» (Ml 1,7).
Deus preferiria que alguém fechasse as portas do Templo (Ml 1,10), e anuncia um sacrifício que tomará o lugar do deles: «Porque desde o nascente do sol até o poente, é o meu nome grande entre as gentes, e em todo o lugar se sacrifica, e se oferece ao meu nome uma oblação pura» (Ml 1,11). O capítulo termina com o título que Deus se dá: «eu sou o grande Rei, diz o Senhor dos exércitos» (Ml 1,14).
O pacto de Levi e a mulher da mocidade (capítulo 2)
O capítulo 2 ameaça os sacerdotes infiéis: «atirar-vos-ei à cara com o estêrco das vossas solenidades» (Ml 2,3). O esterco é o das vítimas imoladas nas festas, que a Lei mandava levar para fora do acampamento e queimar como coisa impura: os sacerdotes que desprezam o culto serão tratados como os restos dos seus sacrifícios. O profeta lembra depois o modelo de Levi: «A lei da verdade estêve na sua bôca, e a iniqüidade não se achou nos seus lábios» (Ml 2,6), e define numa frase o ofício do sacerdote: «os lábios dos sacerdotes serão os guardas da ciência, e da sua bôca é que os mais buscarão a inteligência da lei» (Ml 2,7).
Em seguida se dirige ao povo: «Porventura não é um mesmo o pai de todos nós? Acaso não foi um mesmo Deus o que nos criou?» (Ml 2,10). Judá «se casou com uma filha de um deus estranho» (Ml 2,11), e homens repudiaram a esposa, a ponto de cobrirem o altar «de lágrimas, de chôro, e de gemido» (Ml 2,13). Deus é testemunha «entre ti e a mulher da tua puberdade, a qual tu desprezaste: Sendo que esta era a tua companheira, e a mulher da tua aliança» (Ml 2,14). O aviso volta com insistência: «não desprezes a mulher que recebeste na tua mocidade» (Ml 2,15). O capítulo termina com a ironia do povo: «onde está logo êsse Deus de justiça?» (Ml 2,17).
O Senhor vem ao seu templo; o dízimo e o livro de memória (capítulo 3)
O capítulo 3 responde com a grande promessa: «Eis-aí mando eu o meu anjo, e êle preparará o caminho diante da minha face. E logo o Dominador que vós buscais, e o anjo do testamento, que vós desejais, virá ao seu templo» (Ml 3,1). Ele vem como um fogo: «êle será como o fogo que derrete os metais, e como a erva dos lavandeiros» (Ml 3,2). Purificará os filhos de Levi e «os refinará como o ouro, e como a prata» (Ml 3,3), e será testemunha contra os que defraudam o salário do trabalhador e oprimem as viúvas, os órfãos e os estrangeiros (Ml 3,5).
Deus lembra que não muda: «Porque eu sou o Senhor, e não me mudo» (Ml 3,6), e renova o apelo de Zacarias: «Tornai para mim, e eu me tornarei para vós» (Ml 3,7). O povo o defraudou «Nos dízimos, e nas primícias» (Ml 3,8); que leve todos os dízimos ao celeiro, e Deus abrirá «as cataratas do céu» (Ml 3,10).
Aos que dizem «Vão é o que serve a Deus» (Ml 3,14), o profeta responde com o livro de memória: «na sua presença foi escrito um livro de memória, a favor dos que temem o Senhor, e consideram no seu nome» (Ml 3,16). No dia em que Deus agir, eles serão o seu povo, e ele os tratará «como um pai trata a seu filho que o serve» (Ml 3,17); então se verá «que diferença há entre o justo, e o ímpio» (Ml 3,18).
O dia do Senhor, o sol da justiça e Elias (capítulo 4)
O capítulo 4, que a Bíblia hebraica conta como o fim do capítulo 3 (versículos 19-24), descreve o dia que vem «semelhante a uma fornalha acesa» (Ml 4,1), no qual os soberbos serão como a palha. «Mas para vós que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e estará a salvação nas suas asas» (Ml 4,2). O livro termina com duas recomendações. A primeira olha para trás: «Lembrai-vos da lei de Moisés meu servo» (Ml 4,4). A segunda olha para a frente: «Eis-aí vos enviarei eu o profeta Elias, antes que venha o dia grande, e horrível do Senhor. E êle converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais» (Ml 4,5-6).
Malaquias 3,10: o que o versículo do dízimo significa
É de longe o versículo mais procurado do livro: «Levai todos os vossos dízimos ao meu celeiro, e haja mantimento na minha casa, e depois disto fazei prova de mim, diz o Senhor: Se não vos abrir eu as cataratas do céu, e se não derramar eu a minha bênção sôbre vós em abundância» (Ml 3,10).
Para entendê-lo, leia-o no seu lugar. O dízimo da Lei de Moisés sustentava o Templo, os levitas que não tinham herança na terra, e também o estrangeiro, o órfão e a viúva. Retê-lo era tirar o pão da casa de Deus e dos pobres; por isso o profeta usa a palavra dura de 3,8: o povo "crava", isto é, defrauda o próprio Deus. A promessa que segue não é o preço de um negócio, como se a bênção se comprasse: é a resposta de Deus à fidelidade de um povo que volta para ele, no mesmo capítulo em que ele diz «Tornai para mim, e eu me tornarei para vós». Os versículos seguintes falam de colheitas protegidas e de vinhas fecundas (Ml 3,11), a bênção de um povo agricultor.
A Igreja não leu esse texto como uma regra de prosperidade. Ela conservou o dever que ele contém: os fiéis devem ajudar, segundo as suas posses, nas necessidades do culto, dos ministros e dos pobres. É o que pede o quinto dos mandamentos da Igreja, "pagar os dízimos e sustentar a Igreja segundo os costumes legítimos". O espírito com que se dá é o do Evangelho: com alegria, sem esperar retorno, como a viúva que deu tudo o que tinha.
Temas e leitura católica
A oblação pura: o sacrifício da Missa
Nenhum versículo de Malaquias foi citado pela Igreja com mais frequência do que 1,11. A Didaqué, um dos mais antigos escritos cristãos, já o aplica à Eucaristia do domingo (capítulo 14). Santo Irineu de Lião, no tratado Contra as heresias (livro IV, 17, 5), ensina que Cristo instituiu a oblação nova da nova aliança, que a Igreja recebeu dos Apóstolos e oferece a Deus no mundo inteiro, e que Malaquias a tinha predito.
O Concílio de Trento fez sua essa leitura: a Missa é a oblação pura que nenhuma indignidade ou malícia de quem a oferece pode manchar, e que o Senhor predisse por Malaquias que seria oferecida em todo lugar ao seu nome (sessão XXII, capítulo 1: haec quidem illa munda oblatio est). O único sacrifício da Cruz, tornado presente em todos os altares, é o cumprimento do oráculo; o nosso artigo sobre a Missa tridentina mostra a sua forma tradicional.
O mensageiro e o Senhor do Templo
Nosso Senhor aplicou Ml 3,1 a São João Batista: «Porque êste é de quem está escrito: Eis-aí envio eu o meu anjo ante a tua face, que preparará o teu caminho diante de ti» (Mt 11,10). São Marcos abre o seu Evangelho com a mesma citação, unida à de Isaías sobre a voz no deserto (Mc 1,2); e Zacarias, pai de João, saúda o filho dizendo: «irás ante a face do Senhor a preparar os seus caminhos» (Lc 1,76).
O «Dominador que vós buscais» e «o anjo do testamento» são uma só pessoa: é o próprio Senhor que vem ao seu templo. Ele entra nele quando o Menino Jesus é apresentado por Maria e José; por isso a Igreja lê Ml 3,1-4 em 2 de fevereiro, na Missa da Purificação de Nossa Senhora. Sobre o Precursor, veja o nosso artigo Quem foi João Batista.
O fogo que purifica
Santo Agostinho, na Cidade de Deus (livro XX, 25), lê os versículos 3,2-3 do juízo: o Senhor virá como o fogo do fundidor, e conclui que alguns sofrerão penas purificadoras. A passagem é assim um dos textos que a tradição aproxima da doutrina do Purgatório, que o segundo livro dos Macabeus ensina de modo ainda mais claro.
O casamento: Malaquias 2,16
«Guardai pois o vosso espírito, e não desprezes a mulher que recebeste na tua mocidade» (Ml 2,15). A Vulgata, e com ela Figueiredo, traduz o versículo 2,16 de modo a relatar o pretexto de quem repudiava a esposa: «Quando tu lhe vieres a cobrar aversão, despede-a, diz o Senhor Deus de Israel: Mas a iniqüidade de quem tal fizer, lhe cobrirá o seu vestido» (Ml 2,16). As Bíblias traduzidas do hebraico leem antes: "Eu odeio o repúdio". Nos dois casos o profeta condena o repúdio da esposa, que a lei de Moisés ainda tolerava. Nosso Senhor irá além e devolverá ao matrimônio o que era no princípio: «Não separe logo o homem o que Deus ajuntou» (Mt 19,6).
O sol da justiça
A Igreja lê 4,2 de Cristo. Em 21 de dezembro, a grande antífona do Advento às Vésperas o saúda: O Oriens, splendor lucis aeternae, et sol justitiae, ó Oriente, esplendor da luz eterna e sol da justiça. A salvação «nas suas asas» é a que Cristo traz ao nascer sobre os que estão sentados nas trevas.
Elias antes do juízo
O anjo anuncia a Zacarias que o seu filho irá adiante do Senhor «no espírito e virtude de Elias: Para reunir os corações dos pais aos filhos» (Lc 1,17), e Nosso Senhor diz de João: «êle mesmo é o Elias, que há-de vir» (Mt 11,14). Depois da Transfiguração, porém, afirma: «Elias certamente há de vir, e restabelecerá tôdas as coisas» (Mt 17,11).
Os Padres tiraram daí um duplo cumprimento: João veio no espírito de Elias antes da primeira vinda, e o próprio Elias, arrebatado vivo ao céu (IV Livro dos Reis (2 Reis) 2,11), voltará antes da segunda. Santo Agostinho escreve que é crença familiar aos fiéis que, nos últimos tempos, os judeus crerão no verdadeiro Cristo pela pregação desse profeta (Cidade de Deus, XX, 29). O Eclesiástico já esperava o profeta destinado «Para reunir os corações dos pais a seus filhos» (Eclo 48,10).
Versículos mais conhecidos de Malaquias
- Malaquias 1,2-3: «eu amei a Jacó, e aborreci a Esaú». São Paulo o cita na epístola aos Romanos para mostrar a gratuidade da eleição divina (Rm 9,13).
- Malaquias 1,11: «em todo o lugar se sacrifica, e se oferece ao meu nome uma oblação pura».
- Malaquias 2,7: «os lábios dos sacerdotes serão os guardas da ciência».
- Malaquias 3,1: «logo o Dominador que vós buscais, e o anjo do testamento, que vós desejais, virá ao seu templo».
- Malaquias 3,6: «eu sou o Senhor, e não me mudo».
- Malaquias 3,10: «Levai todos os vossos dízimos ao meu celeiro, e haja mantimento na minha casa».
- Malaquias 3,16: «foi escrito um livro de memória, a favor dos que temem o Senhor».
- Malaquias 4,2: «nascerá o sol da justiça, e estará a salvação nas suas asas» (3,20 nas Bíblias que seguem o hebraico).
- Malaquias 4,6: «êle converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais» (3,24 nas Bíblias que seguem o hebraico).
Malaquias no cânon e na liturgia
Malaquias fecha o livro dos Doze no hebraico, nos Setenta e na Vulgata, e o Concílio de Trento (sessão IV, 1546) o nomeia por último entre os profetas menores no seu decreto sobre o cânon. Livro protocanônico, está presente nas Bíblias católicas, ortodoxas e protestantes. O hebraico o divide em três capítulos; os Setenta, a Vulgata e Figueiredo fazem dos seis últimos versículos um quarto capítulo, e as Bíblias evangélicas mais lidas no Brasil seguem também essa divisão.
Malaquias é o último livro do Antigo Testamento?
Nas Bíblias protestantes, sim, e isso dá a impressão de quatro séculos de silêncio antes de São Mateus. Na Bíblia católica, que tem 73 livros, o Antigo Testamento continua com o primeiro e o segundo livro dos Macabeus, que contam a história do século II antes de Cristo e pertencem aos livros deuterocanônicos que os Reformadores retiraram. O "silêncio de Deus entre Malaquias e Mateus" não é, portanto, um vazio na Escritura católica: é o tempo em que Deus fala pela fidelidade dos mártires e prepara a vinda do Messias.
Na Missa e no Ofício de 1962
- 2 de fevereiro, Purificação de Nossa Senhora. A epístola da Missa é Ml 3,1-4, e as capítulas das Laudes e da Sexta do Breviário são tiradas do mesmo trecho.
- 6 de janeiro, Epifania. O intróito, Ecce advenit dominator Dominus, faz eco ao Dominador anunciado em 3,1.
- Segundo domingo do Advento. O Evangelho (Mt 11,2-10) termina justamente com a citação de Malaquias que Jesus aplica ao Batista.
- 3 de julho, Santo Irineu. O intróito da Missa é Ml 2,6: Lex veritatis fuit in ore ejus.
- No Breviário, Malaquias chega às Matinas no sábado da V semana de novembro, no dia seguinte a Zacarias, quando o ano litúrgico termina e o Advento se aproxima: as três lições são tiradas do capítulo 1 (1,1-11), até a oblação pura. O calendário litúrgico dá a cada dia a festa e as suas leituras.
A "profecia de São Malaquias" sobre os papas não está no livro de Malaquias
Quem procura "profecia de Malaquias" encontra quase sempre um texto que nada tem a ver com este livro: a chamada profecia dos papas, uma série de breves divisas latinas atribuídas a São Malaquias, arcebispo de Armagh, na Irlanda, morto em Claraval em 1148 nos braços de São Bernardo, que escreveu a sua vida. São Malaquias é outro homem, que viveu quase dezesseis séculos depois do profeta. Quanto à lista dos papas, ela apareceu pela primeira vez em 1595, no Lignum vitae do beneditino Arnold Wion; São Bernardo não fala dela, e a crítica histórica a considera composta por volta dessa data. A Igreja nunca a reconheceu. A profecia do profeta Malaquias é a destes quatro capítulos: o Senhor que vem ao seu templo, a oblação pura, o sol da justiça.
Como ler o livro de Malaquias
Os quatro capítulos se leem em um quarto de hora: leia-os primeiro de uma vez. Releia depois Ageu e o último capítulo de Neemias para conhecer a comunidade a quem Malaquias fala. Volte ao capítulo 1 antes da santa Missa, pensando na oblação pura que vai ser oferecida; ao capítulo 3 na festa da Purificação e no Advento; ao capítulo 4 lendo o primeiro capítulo de São Lucas, onde o anjo retoma o seu último versículo.
Perguntas Frequentes
Quem foi Malaquias na Bíblia?
Um profeta do tempo de Neemias, no século V antes de Cristo, de quem a Escritura conserva apenas a pregação. O seu nome, que significa meu mensageiro, aparece no primeiro versículo. Uma antiga opinião judaica referida por São Jerônimo o identificava com Esdras, o escriba, mas é só uma conjectura. Não deve ser confundido com São Malaquias de Armagh, o bispo irlandês do século XII.
Do que fala o livro de Malaquias?
É uma profecia de quatro capítulos dirigida aos judeus que voltaram de Babilônia. Censura os sacerdotes pelos sacrifícios indignos e o povo pelos casamentos com idólatras, pelos repúdios e pelos dízimos retidos. Anuncia a oblação pura oferecida entre as nações, a vinda do Senhor ao seu templo precedida de um mensageiro, o dia do juízo e a volta de Elias.
O que significa Malaquias 3,10?
Deus pede ao povo que leve todos os dízimos ao celeiro do Templo e promete abrir «as cataratas do céu». O dízimo sustentava o culto, os levitas e os pobres: era uma dívida de religião, não um meio de comprar de Deus a prosperidade. A Igreja conserva o dever de ajudar nas necessidades do culto e dos pobres, segundo as posses de cada um.
Quantos capítulos tem o livro de Malaquias?
Quatro na Vulgata, nos Setenta e em Figueiredo. A Bíblia hebraica, e com ela algumas Bíblias modernas, conta três: os seus versículos 3,19-24 correspondem ao capítulo 4 da Vulgata.
Qual o último livro do Antigo Testamento?
Na Bíblia católica, o II livro dos Macabeus; Malaquias é o último dos profetas. Nas Bíblias protestantes, que não têm os deuterocanônicos, o Antigo Testamento termina com Malaquias. Na Bíblia hebraica, o último livro é o das Crônicas, os Paralipômenos da Vulgata.
Qual é o livro entre Ageu e Malaquias?
É o livro do profeta Zacarias, o décimo primeiro dos profetas menores. A ordem final dos Doze é Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.
O que significa o sol da justiça em Malaquias 4,2?
É o Messias, que se levanta como o sol sobre os que temem a Deus e traz «a salvação nas suas asas». A Igreja o aplica a Cristo, e a antífona do Advento de 21 de dezembro o chama sol justitiae, sol da justiça.
Leia o livro de Malaquias versículo por versículo, em português e em latim, também no aplicativo Bíblia Católica do Iter Fidei.
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