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O II Livro dos Macabeus
O II Livro dos Macabeus conta a história do Templo de Jerusalém sob Antíoco IV: o martírio do velho Eleazar e dos sete irmãos com a sua mãe, as vitórias de Judas Macabeu e o sacrifício oferecido pelos mortos, que a Igreja sempre leu como um testemunho do purgatório. Aqui você encontra os quinze capítulos na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado; o guia explica o autor, a data, o resumo, 2 Macabeus 12,46 e a doutrina do livro.
Ler II Macabeus: 15 capítulos
O II Livro dos Macabeus é o último livro do Antigo Testamento na Bíblia católica. Ele não continua o I Livro dos Macabeus: retoma uma parte dos mesmos anos, mais ou menos de 176 a 161 antes de Cristo, com muito mais pormenores e com o olhar sempre voltado para a obra de Deus na história. Nele se encontram o piedoso sumo sacerdote Onias, o velho doutor da lei Eleazar, a mãe dos sete filhos e Judas Macabeu, que manda a Jerusalém uma oferta «para serem oferecidas em sacrifício pelos pecados dos mortos». É sobre essa passagem, mais do que sobre qualquer outra, que se apoia a oração da Igreja pelos defuntos. Cada capítulo se lê aqui, Figueiredo com o latim ao lado, a começar pelo capítulo 1.
Quem escreveu o II Livro dos Macabeus?
O livro declara ele mesmo a sua fonte. No prefácio, o autor sagrado escreve: «o que Jasão de Cirene compreendeu em cinco livros, procuramos nós epitomar num só volume» (2 Mc 2,24). É, portanto, um resumidor inspirado, cujo nome não conhecemos, que trabalha sobre a história em cinco livros de um judeu de Cirene, no norte da África. Desse Jasão não sabemos mais nada.
O resumidor fala do seu trabalho com rara franqueza. Resumir, diz ele, «não é ligeiro trabalho que temos tomado, antes porém uma emprêsa cheia de vigílias, e de suor» (2 Mc 2,27), e termina o livro pedindo perdão se o relato «foi escrita com menos dignidade» (2 Mc 15,39). A inspiração divina não dispensou o escritor sagrado do esforço de pesquisar e de escrever, como São Lucas, que diz ter-se «diligentemente informado» de tudo desde o princípio (Lc 1,3); e a sua desculpa final diz respeito ao estilo, não à verdade do que narra.
As duas cartas postas no início do livro (capítulo 1 e começo do capítulo 2) foram enviadas pelos judeus de Jerusalém aos irmãos do Egito. A segunda traz, com o povo e o senado, o nome de Judas (2 Mc 1,10), mas o livro não se apresenta como obra dele.
Quando foi escrito?
As cartas iniciais trazem a data «Ano cento e oitenta e oito» (2 Mc 1,10) da era dos selêucidas, isto é, 124 antes de Cristo. O resumo não pode, portanto, ser anterior a esse ano, e provavelmente não está muito longe dele; a história de Jasão, que termina em 161, era ainda mais antiga. Muitos estudiosos modernos situam o resumo um pouco mais tarde, no século I antes de Cristo; a Igreja não definiu nada sobre esse ponto.
O livro foi escrito em grego, como observa São Jerônimo, que o distingue do primeiro, encontrado em hebraico. Foi composto para os judeus do Egito, para mantê-los unidos ao único Templo de Jerusalém e à Lei.
Do que fala o II Livro dos Macabeus? Resumo
As duas cartas e o prefácio (capítulos 1-2)
As duas cartas convidam os judeus do Egito a celebrar com os da Judeia, no dia vinte e cinco de Casleu, a festa da purificação do Templo (2 Mc 1,18). Lembram como o fogo sagrado, escondido pelos sacerdotes no tempo do cativeiro, foi reencontrado sob Neemias transformado numa «água crassa», que se acendeu ao sol sobre o sacrifício (2 Mc 1,20-22).
Contam depois como o profeta Jeremias escondeu o tabernáculo, a arca e o altar dos perfumes numa caverna do monte de onde Moisés viu a Terra prometida: «êste lugar ficará incógnito, até que Deus reuna a congregação do povo, e se lhe mostre propício» (2 Mc 2,7). É o trecho a que se refere quem pergunta o que 2 Macabeus diz sobre a arca da aliança. Segue o prefácio do resumidor (2 Mc 2,20-33).
Heliodoro e o sumo sacerdote Onias (capítulo 3)
No tempo do piedoso pontífice Onias, a cidade santa gozava «de uma perfeita paz» (2 Mc 3,1). O rei Seleuco envia o seu ministro Heliodoro para se apoderar do tesouro do Templo. Aparece-lhe «um cavalo, sôbre que estava montado um homem terrível», e dois jovens resplandecentes o açoitam (2 Mc 3,25-26); ele só sobrevive pela oração de Onias: «Dá as graças ao sacerdote Onias: Porque o Senhor te deu a vida por seu respeito» (2 Mc 3,33). É a cena que Rafael pintou na Expulsão de Heliodoro do Templo, nas Salas do Vaticano.
Os helenizantes e o saque de Jerusalém (capítulos 4-5)
Quando sobe ao trono Antíoco, «que se chamava o Ilustre», Jasão, irmão de Onias, compra o sumo sacerdócio e começa a trabalhar «por que os seus naturais abraçassem os ritos dos gentios» (2 Mc 4,10); tem o atrevimento de fundar uma academia «debaixo da mesma fortaleza» (2 Mc 4,12). Menelau oferece mais, obtém o cargo e faz matar Onias (2 Mc 4,34). No capítulo 5 Antíoco toma a cidade e despoja o santuário, e o autor dá a chave de todo o livro: «Porém Deus não escolheu o povo por amor do templo: Mas escolheu o templo por amor do povo» (2 Mc 5,19). Judas Macabeu se retira para os montes, onde vive de ervas com os seus, «por não serem participantes do que manchava os outros» (2 Mc 5,27).
A perseguição e os mártires (capítulos 6-7)
O capítulo 6 descreve a perseguição: o Templo chamado «o templo de Júpiter Olímpico» (2 Mc 6,2), o sábado proibido, as mães lançadas das muralhas com os filhos pendurados ao peito. O autor pede aos leitores que não se escandalizem, mas compreendam que esses males «não foram para ruína, mas por castigo da nossa nação» (2 Mc 6,12), porque Deus «não aparta jamais a sua misericórdia de cima de nós» (2 Mc 6,16). Seguem os dois grandes martírios: o do velho Eleazar, de noventa anos (2 Mc 6,18-31), e o dos sete irmãos com a sua mãe (capítulo 7).
As vitórias de Judas e a purificação do Templo (capítulos 8-10)
Judas reúne os seus e vence Nicanor, dizendo dos inimigos: «êles […] só se fiam nas suas armas, e ao mesmo tempo na sua audácia: Porém nós confiamos no Senhor todo-poderoso» (2 Mc 8,18); depois da vitória reparte os despojos «com os enfermos, e com os órfãos, e com as viúvas» (2 Mc 8,28). O capítulo 9 conta a morte horrível de Antíoco, ferido «com uma chaga incurável, e invisível» (2 Mc 9,5), que reconhece tarde demais: «É justo que o homem seja sujeito a Deus» (2 Mc 9,12). No capítulo 10 Judas retoma o Templo, levanta um altar novo e celebra oito dias de festa, levando «varas cobertas de folhagem, e ramos verdes, e palmas» (2 Mc 10,6-7).
As guerras sob Antíoco Eupator e a oração pelos mortos (capítulos 11-13)
O regente Lísias marcha contra a Judeia; diante do exército judeu aparece «um homem a cavalo, que ia adiante dêles vestido de hábitos brancos com armas de ouro» (2 Mc 11,8), e Lísias, vencido, faz a paz. No capítulo 12 Judas combate Timóteo e Górgias; depois da batalha encontra sob as túnicas dos mortos objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia, que a Lei proibia, e manda oferecer em Jerusalém um sacrifício pelos seus pecados. O capítulo 13 narra a expedição do jovem rei Eupator e o fim de Menelau, condenado «a morrer abafado na cinza» (2 Mc 13,8).
Nicanor, Razias e a última vitória (capítulos 14-15)
Sob Demétrio, o apóstata Alcimo incita Nicanor contra Judas (2 Mc 14,3). O velho Razias, que «era chamado o pai dos judeus, pelo afeto que lhes tinha» (2 Mc 14,37), dá-se a morte para não cair nas mãos dos ímpios. Antes da batalha, Judas vê em sonho Onias e o profeta Jeremias que oram pelo povo, e recebe uma espada de ouro (2 Mc 15,12-16). Nicanor é morto, e o dia treze de Adar se torna festa (2 Mc 15,37).
2 Macabeus 12,46: a oração pelos mortos e o purgatório
A passagem mais célebre do livro, e uma das mais importantes de todo o Antigo Testamento para a doutrina católica, está no fim do capítulo 12. Eis os fatos. No dia seguinte à batalha, Judas vai com os seus recolher os corpos dos que tinham caído, para sepultá-los. «Ora êles acharam debaixo das túnicas dos mortos na batalha algumas das oferendas consagradas aos ídolos, que havia em Jamnia […] Todos pois reconheceram que esta fôra a causa da sua morte» (2 Mc 12,40). Os sobreviventes bendizem o justo juízo de Deus e se põem em oração, e «conjuraram o Senhor que se esquecesse do pecado, que fôra cometido» (2 Mc 12,42).
Judas vai mais longe: «E tendo ajuntado uma coleta, mandou doze mil dracmas de prata a Jerusalém para serem oferecidas em sacrifício pelos pecados dos mortos, sentindo bem e religiosamente da ressurreição» (2 Mc 12,43). O autor sagrado explica o gesto: «Porque se êle não esperasse que os que tinham sido mortos, haviam um dia de ressuscitar, teria por uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos» (2 Mc 12,44), «E porque êle considerava que os que haviam falecido na piedade tinham uma grandíssima misericórdia reservada» (2 Mc 12,45).
E conclui com a frase que a Igreja nunca deixou de repetir: «É logo um santo, e saudável pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados» (2 Mc 12,46). A Vulgata diz: Sancta ergo et salubris est cogitatio pro defunctis exorare, ut a peccatis solvantur.
Uma nota sobre a numeração: Figueiredo, como a Vulgata, tem quarenta e seis versículos neste capítulo, e quem procura "2 Macabeus 12,44-46" ou "12,43-46" encontra aqui esses números; em algumas edições traduzidas do grego a numeração dos últimos versículos pode variar um pouco. As Bíblias modernas vertem a última frase de modo diferente, como uma ação de Judas, que manda oferecer o sacrifício de expiação pelos mortos para que fossem absolvidos do pecado. A passagem é a mesma.
O que o texto supõe
Aqueles soldados tinham morrido combatendo pela Lei, «na piedade», e no entanto com uma culpa na consciência. Não estavam perdidos a ponto de a oração nada poder por eles, porque Judas ora e manda orar; nem estavam tão puros que não precisassem dela, porque ele pede que o seu pecado seja apagado. O texto supõe, portanto, que depois da morte alguns pecados ainda podem ser perdoados, e que os vivos podem ajudar nisso com as orações e com o sacrifício. A oração não aproveita aos condenados, e os bem-aventurados não precisam dela: é necessário um terceiro estado, o das almas salvas mas ainda por purificar. É o que a Igreja chama purgatório.
Uma prática já recebida
Judas não inventa essa oração: age como homem piedoso que segue a fé do seu povo, e ninguém à sua volta se espanta. O livro atesta assim que no século II antes de Cristo os judeus fiéis oravam e ofereciam pelos seus mortos. A Igreja recebeu esse uso: Tertuliano já fala das ofertas pelos defuntos no dia aniversário da sua morte, e Santa Mônica, ao morrer, pediu aos filhos uma só coisa, que se lembrassem dela no altar do Senhor, como conta Santo Agostinho nas Confissões (IX, 11).
Os Padres e os concílios
Santo Agostinho, no tratado Sobre o cuidado devido aos mortos, lembra que nos livros dos Macabeus se lê que foi oferecido um sacrifício pelos mortos, e acrescenta que, ainda que o Antigo Testamento nada dissesse, bastaria a autoridade de toda a Igreja, que pratica claramente esse costume. O Novo Testamento ilumina a mesma verdade quando São Paulo fala daquele que «será salvo: Se bem desta maneira como por intervenção do fogo» (1 Cor 3,15), e quando Nosso Senhor fala de um pecado que não será perdoado «nem neste mundo, nem no outro» (Mt 12,32), o que dá a entender que outros o serão no mundo que vem.
O Concílio de Florença (1439) e depois o Concílio de Trento, no decreto sobre o purgatório (sessão XXV, 1563), ensinaram, segundo as Escrituras e a antiga tradição dos Padres, que o purgatório existe e que as almas ali detidas são ajudadas pelos sufrágios dos fiéis, e sobretudo pelo sacrifício do altar.
Rezar pelos nossos mortos hoje
O gesto de Judas é o de todo católico que manda celebrar uma Missa por um defunto, reza o De profundis, aplica uma indulgência às almas do purgatório ou visita o cemitério em novembro. A doutrina está explicada no artigo O que é o purgatório; as orações, do Requiem aeternam ao salmo 130 (129 na Vulgata), De profundis, estão reunidas na oração pelos mortos. Para o mês de novembro há a novena das almas, e sobre o dia 2 de novembro veja Finados.
Temas e leitura católica
A ressurreição da carne
Nenhum livro do Antigo Testamento fala mais claramente da ressurreição. O segundo dos irmãos diz ao rei: «Tu, ó malvadíssimo, na verdade nos fazes perder a vida presente: Mas o rei do mundo nos ressuscitará na ressurreição da vida eterna» (2 Mc 7,9). O terceiro estende as mãos dizendo: «Do céu recebi êstes membros, mas agora eu os desprezo pela defensa das leis de Deus, porque espero que êle mos tornará a dar algum dia» (2 Mc 7,11). O quarto diz ao rei: «quanto a ti, a tua ressurreição não será para a vida» (2 Mc 7,14). A epístola aos Hebreus parece pensar neles quando louva os que «foram torturados, não querendo resgatar a sua vida, por alcançarem melhor ressurreição» (Hb 11,35).
A mãe dos sete irmãos e a criação do nada
A mãe, «sobremaneira admirável, e digna da memória dos bons homens» (2 Mc 7,20), vê morrer os sete filhos num só dia e os exorta um a um «na língua de seus pais», «unindo um ânimo varonil à ternura de mulher» (2 Mc 7,21). As suas palavras ao mais novo são a afirmação mais clara, em todo o Antigo Testamento, da criação a partir do nada: «Peço-te, meu filho, que olhes para o céu e para a terra, e para tôdas as coisas que há nêles: Que te capacites bem, que Deus as criou do nada a elas, e a todos os homens» (2 Mc 7,28). Os pregadores muitas vezes a aproximaram de Nossa Senhora das Dores ao pé da Cruz.
A intercessão dos santos
Na visão de Judas, Onias, morto havia tempo, «estendendo as mãos orava por todo o povo dos judeus» (2 Mc 15,12), e Jeremias é apresentado como «o amador de seus irmãos, e do povo de Israel, êste é Jeremias, profeta de Deus, que ora muito pelo povo, e por tôda a santa cidade» (2 Mc 15,14). Os teólogos católicos leem aí a oração dos justos falecidos pelos que ainda estão na terra: no capítulo 12 os vivos oram pelos mortos, no capítulo 15 os santos oram pelos vivos.
O martírio
Os Padres honraram os sete irmãos como mártires antes de Cristo. São Cipriano os propõe como exemplo na sua exortação ao martírio; São Gregório Nazianzeno e São João Crisóstomo fizeram o seu panegírico. O velho Eleazar recusa até fingir que come carne proibida, para que os jovens não pensem «que Eleazar em idade de noventa anos passara para a vida dos pagãos» (2 Mc 6,24).
O caso de Razias
O livro relata a morte de Razias sem fazer dela uma regra. Santo Agostinho observa que a Escritura narra esse gesto sem propô-lo como exemplo, porque a lei de Deus proíbe ao homem dar-se a morte.
Versículos mais conhecidos do II Livro dos Macabeus
- 2 Macabeus 12,46: o «santo, e saudável pensamento orar pelos mortos», a ler no seu contexto, a partir do versículo 38.
- 2 Macabeus 6,26: as palavras de Eleazar, «dado que eu me livrasse presentemente dos suplícios dos homens, não poderia todavia fugir à mão do Todo-Poderoso, nem na vida, nem depois da morte» (2 Mc 6,26).
- 2 Macabeus 7,23: a mãe aos filhos: «o Criador do mundo […] êle também vos tornará a dar o espírito e a vida por sua misericórdia» (2 Mc 7,23).
- 2 Macabeus 15,16: «Toma esta santa espada como um presente que Deus te faz, com a qual tu deitarás por terra os inimigos do meu povo de Israel» (2 Mc 15,16).
O II Livro dos Macabeus no cânon e na liturgia
O livro pertence aos deuterocanônicos, recebidos pela Igreja com a Bíblia grega dos Setenta, mas ausentes do cânon hebraico fixado mais tarde pela Sinagoga. Os concílios de Hipona (393) e de Cartago (397), o Concílio de Florença (1442) e o Concílio de Trento (sessão IV, 1546) nomeiam os dois livros dos Macabeus entre os livros santos. A Bíblia católica tem 73 livros; veja Quantos livros tem a Bíblia católica.
Por que os protestantes não aceitam o II Livro dos Macabeus?
Os Reformadores voltaram ao cânon hebraico mais curto, e Lutero pôs esses livros num apêndice, como úteis para ler mas não iguais à Escritura. Para o II livro havia também uma razão de doutrina: o capítulo 12 testemunha a oração e o sacrifício pelos mortos, isto é, aquilo que a Reforma rejeitava junto com a doutrina do purgatório e das Missas pelos defuntos. A Igreja nunca retirou este livro da Bíblia; o Concílio de Trento fulminou com anátema quem não o receber como sagrado e canônico.
No Missal e no Breviário de 1962
- 2 de novembro, Comemoração de todos os fiéis defuntos. A epístola da segunda das três Missas é 2 Mc 12,43-46 (a primeira lê 1 Cor 15,51-57, a terceira Ap 14,13).
- Sábado das Têmporas da Quaresma. Uma das lições da Missa é a oração dos sacerdotes no tempo de Neemias, 2 Mc 1,23-27: «Recebe êste sacrifício por todo o teu povo de Israel, e guarda a tua herança, e santifica-a» (2 Mc 1,26).
- 1º de agosto, os santos Macabeus. O calendário de 1962 faz comemoração dos santos Macabeus (antiga festa simples, reduzida a comemoração pelas rubricas de 1960); a sua Missa, que se pode dizer nesse dia de féria, tem a epístola de Hebreus 11,33-39.
- Outubro. No Matutino do Breviário Romano, o II livro se lê nas últimas semanas de outubro, depois do primeiro, desde as cartas iniciais até a visão de Onias e de Jeremias; o responsório que abre os domingos do mês é tirado da primeira carta: Adaperiat Dominus cor vestrum in lege sua et in praeceptis suis, et faciat pacem, «Êle abra o vosso coração para a sua lei, e para os seus preceitos, e êle vos dê a paz» (2 Mc 1,4). No quinto domingo, o segundo noturno lê São Gregório Nazianzeno sobre os Macabeus. Você pode acompanhar essas leituras no Breviário do Iter Fidei.
Como ler o II Livro dos Macabeus
Leia primeiro o I livro, para a crônica sóbria dos acontecimentos, e depois este, para o seu sentido interior: os capítulos 4-7 do II livro correspondem ao capítulo 1 do I. Não pule as reflexões do resumidor sobre o sentido das provações (capítulo 6): elas são a chave do livro. Volte aos capítulos 7 e 12 em novembro, o mês dos mortos, e tenha o latim ao lado do português no versículo 12,46, que a Igreja cita há séculos na sua língua.
Perguntas Frequentes
Quem escreveu o II Livro dos Macabeus?
O livro se apresenta como o resumo, num só volume, de uma história em cinco livros escrita por Jasão de Cirene (2 Mc 2,24). O resumidor inspirado não diz o seu nome e continua desconhecido. O livro não é obra de Judas Macabeu, embora a segunda carta posta no começo traga o seu nome.
Quando foi escrito o II Livro dos Macabeus?
As cartas iniciais são datadas do ano 188 da era dos selêucidas, 124 antes de Cristo, e o resumo não pode ser anterior. A história de Jasão de Cirene, que para em 161, é mais antiga. Muitos estudiosos modernos põem o resumo no século I antes de Cristo; a Igreja não definiu nada.
O que diz 2 Macabeus 12,46?
«É logo um santo, e saudável pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados.» Judas Macabeu tinha mandado a Jerusalém doze mil dracmas para que se oferecesse um sacrifício pelos soldados mortos com uma culpa na consciência. A oração não aproveita aos condenados e os bem-aventurados não precisam dela: a passagem supõe, portanto, um estado em que os mortos ainda podem ser purificados. A Igreja, com Santo Agostinho e o Concílio de Trento, lê aí um testemunho do purgatório.
Por que rezar pelos mortos?
Porque as almas que morrem na graça de Deus, mas não inteiramente purificadas, devem sê-lo antes de entrar no céu, e os vivos podem ajudá-las com as orações, as esmolas, as indulgências e sobretudo com o santo sacrifício da Missa. Foi o que fez Judas Macabeu, e a Escritura conclui que é santo e salutar orar pelos mortos (2 Mc 12,46).
Quem são os sete irmãos Macabeus e a sua mãe?
São sete jovens judeus que, com a sua mãe, foram torturados e mortos sob Antíoco Epífanes por se recusarem a comer carne de porco, proibida pela Lei (2 Mc 7). As suas palavras estão entre as mais fortes do Antigo Testamento sobre a ressurreição. A Igreja os honra como mártires em 1º de agosto. A Escritura não diz os seus nomes.
Quantos capítulos tem o II Livro dos Macabeus?
Quinze, na Vulgata como em Figueiredo. O relato propriamente dito começa com Heliodoro, no capítulo 3, depois das cartas e do prefácio. O I Livro dos Macabeus, para comparação, tem dezesseis.
Leia o II Livro dos Macabeus versículo por versículo, Figueiredo com o latim ao lado, também no aplicativo Bíblia Católica do Iter Fidei.
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Acesso antecipado