A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata
O Livro de Ageu
O livro de Ageu, décimo dos profetas menores e primeiro dos que falaram depois do exílio da Babilônia, reúne em dois capítulos quatro discursos datados do ano 520 antes de Cristo: reconstruir a casa de Deus, e esperar o «Desejado de tôdas as gentes», que dará ao novo Templo uma glória maior que a do primeiro (o famoso Ageu 2,9 das Bíblias modernas). Abaixo está o texto completo do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feito sobre a Vulgata, com o latim ao lado, versículo por versículo; o guia explica quem foi Ageu, quando falou, do que trata o livro e como a Igreja o lê.
Ler Ageu: 2 capítulos
Ageu é o décimo dos doze profetas menores e o primeiro dos três que falaram depois do exílio da Babilônia, antes de Zacarias e Malaquias. O seu livro é um dos mais curtos da Escritura: dois capítulos, trinta e oito versículos na Vulgata. É também um dos mais precisos, porque cada um dos seus quatro oráculos traz a sua data com o dia exato, e todos cabem nos últimos meses do ano 520 antes de Cristo.
A tradução de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, conserva os nomes latinos: o governador é Zorobabel, filho de Salatiel, e o sumo sacerdote se chama «Jesus, sumo sacerdote, filho de Josedec», aquele que o livro de Esdras chama Josué. A mensagem cabe numa frase: deem a Deus o primeiro lugar, e a pobre casa que vocês estão construindo verá uma glória maior que a do Templo de Salomão, porque o Messias entrará nela.
Quem foi o profeta Ageu?
A Igreja recebeu este livro como obra do profeta cujo nome leva. O primeiro versículo o apresenta como o instrumento da palavra divina: «No segundo ano do reinado de Dario, no sexto mês, no primeiro dia do mês, foi dirigida a palavra do Senhor, por mão do profeta Ageu, a Zorobabel, filho de Salatiel, chefe de Judá, e a Jesus, sumo sacerdote, filho de Josedec» (Ag 1,1). A mesma fórmula volta no começo de cada oráculo, com a sua data, o que dá ao livro o aspecto de uma ata de pregação.
Os livros históricos confirmam o personagem e a sua obra. O livro de Esdras conta: «E profetaram o profeta Ageu, e Zacarias, filho de Ado, profetizando em nome do Deus de Israel aos judeus, que estavam em Judéia, e em Jerusalém» (Esd 5,1). E acrescenta mais adiante que os anciãos dos judeus «edificavam, e eram bem sucedidos conforme a profecia do profeta Ageu, e de Zacarias, filho de Ado» (Esd 6,14). O profeta viu, portanto, o fruto da sua palavra.
Da sua vida não sabemos quase nada. O nome, em hebraico Haggai, liga-se à palavra que designa a festa; muitas vezes foi entendido como "nascido num dia de festa", sem certeza. Uma tradição judaica o faz nascer na Babilônia e voltar com os primeiros exilados; o texto sagrado não o diz. O saltério da Vulgata, seguindo a versão grega, o nomeia com Zacarias no título de dois salmos: «Aleluia, da remigração de Ageu, e de Zacarias» no salmo 111 da Vulgata (Sl 111,1, 112 nas Bíblias modernas) e «Aleluia, de Ageu, e de Zacarias» no salmo 145 (Sl 145,1, 146 nas Bíblias modernas). Esses títulos, ausentes do hebraico, indicam sem dúvida o uso desses salmos no tempo da volta, mais do que um autor. Como morreu e onde foi sepultado, a Escritura não diz.
Quem escreveu o livro de Ageu?
O livro fala do profeta na terceira pessoa ("por mão do profeta Ageu"). Os críticos modernos reconhecem em geral que os oráculos remontam ao próprio Ageu e ao ano 520; muitos pensam que a moldura narrativa foi posta por um discípulo contemporâneo. Nada nessa opinião toca a autoridade do livro, que a Igreja tem por inspirado tal como está, e a tradição o atribui ao profeta.
Quando foi escrito o livro de Ageu?
Ageu falou «no segundo ano do reinado de Dario», isto é, de Dario I, rei dos persas, em 520 antes de Cristo. O próprio livro fornece o calendário:
- o primeiro dia do sexto mês, o primeiro oráculo (Ag 1,1);
- o vigésimo primeiro dia do sétimo mês, o segundo (Ag 2,2);
- o vigésimo quarto dia do nono mês, os dois últimos, pronunciados no mesmo dia (Ag 2,11 e Ag 2,21).
Para entender essas datas, é preciso ler o livro de Esdras. Ciro tinha permitido aos judeus voltar em 538. Ao chegarem, levantaram o altar e lançaram os fundamentos do segundo Templo no meio de gritos de alegria; mas muitos dos sacerdotes, levitas e anciãos «que tinham visto o primeiro Templo», ao verem esses fundamentos, «choravam dando grandes vozes» (Esd 3,12).
Depois os inimigos de Judá obtiveram da corte persa a suspensão das obras: «Então foi interrompida a obra da casa do Senhor em Jerusalém, e não se trabalhou nela até o segundo ano do reinado de Dario, rei dos persas» (Esd 4,24). Foi nesse desânimo que Ageu recebeu a palavra do Senhor. Três semanas depois do seu primeiro discurso, a obra recomeçava; e Esdras conclui: «E completaram esta casa de Deus, no dia três do mês de Adar, que é o sexto ano do reinado do rei Dario» (Esd 6,15), por volta de 515.
Do que fala o livro de Ageu? Resumo
O livro reúne quatro discursos datados e o breve relato da resposta do povo. O estilo é simples, direto, sem imagens rebuscadas: o de um pregador que lembra um dever evidente. Na Vulgata e em Figueiredo, o capítulo 1 tem catorze versículos e o capítulo 2 vinte e quatro. As Bíblias feitas sobre o hebraico, católicas e protestantes, terminam o primeiro capítulo um versículo depois: o nosso 2,1 é o seu 1,15, e todos os versículos do capítulo 2 ficam com um número a menos (o nosso 2,10 é o seu 2,9).
Primeiro oráculo: construam a casa do Senhor (capítulo 1)
O povo dizia: «Ainda não é chegado o tempo de reedificar a casa do Senhor» (Ag 1,2). O profeta responde com uma pergunta que não envelheceu: «Não é assim que tendes vós tempo oportuno para habitardes em casas forradas de laçaria, e esta casa será deserta?» (Ag 1,4). E faz que olhem para a própria vida: «Aplicai os vossos corações a considerar os vossos caminhos» (Ag 1,5). «Vós semeastes muito, e recolhestes pouco: Comestes, e não ficastes fartos: Bebestes e não matastes a sêde: Cobristes-vos e não ficastes quentes: E o que ajuntou muitos ganhos, meteu-os num saco rôto» (Ag 1,6).
A seca não era um acaso. Deus dá a causa: «porque a minha casa está deserta, e vós vos apressais cada um em cuidar da sua casa» (Ag 1,9). A ordem é clara: «Subi ao monte, levai madeira, e edificai uma casa: E ela me será agradável, e eu serei nela glorificado, diz o Senhor» (Ag 1,8).
A resposta foi imediata. Zorobabel, o sumo sacerdote Jesus e todo o resto do povo «ouviram a voz do Senhor seu Deus, e as palavras do profeta Ageu» (Ag 1,12). O profeta, a quem o texto chama «um dos enviados do Senhor», dá-lhes então uma só palavra: «Eu sou convosco, diz o Senhor» (Ag 1,13). O Senhor despertou o espírito do chefe, do sacerdote e do povo, «E vieram, e se puseram ao trabalho na casa do Senhor dos exércitos, seu Deus» (Ag 1,14), no vigésimo quarto dia do sexto mês (Ag 2,1).
Segundo oráculo: a glória da última casa (capítulo 2,2-10)
Um mês depois, os muros que se levantavam pareciam bem pobres a quem se lembrava de Salomão. O profeta faz a pergunta que todos faziam: «Quem há dentre os que ficaram de vós, que visse esta casa na sua primeira glória? E em que estado a vêdes agora? Acaso não parece ela a vossos olhos, assim como uma coisa de nada, comparada com o que foi?» (Ag 2,4). Deus responde com um triplo encorajamento, ao chefe, ao sacerdote e ao povo: «Mas agora, ó Zorobabel, cobra fôrça, diz o Senhor: E cobra fôrça, ó Jesus, sumo sacerdote, filho de Josedec, e cobra fôrça todo o povo da terra» (Ag 2,5). Recorda a aliança da saída do Egito e acrescenta: «E o meu espírito estará no meio de vós, não temais» (Ag 2,6).
Vem então a grande promessa: «Ainda falta um pouco, e eu comoverei o céu, e a terra e o mar, e todo o universo» (Ag 2,7). «E moverei tôdas as gentes: E VIRÁ O DESEJADO de tôdas as gentes: E encherei de glória esta casa, diz o Senhor dos exércitos» (Ag 2,8). O ouro e a prata pertencem a Deus: «Minha é a prata, e meu é o ouro, diz o Senhor dos exércitos» (Ag 2,9); a glória do edifício não virá, portanto, da riqueza. E o oráculo termina assim: «A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos exércitos: E eu darei a paz neste lugar, diz o Senhor dos exércitos» (Ag 2,10).
Terceiro oráculo: a santidade não se transmite pelo contato (capítulo 2,11-20)
Dois meses depois, Ageu propõe aos sacerdotes duas questões da Lei (Ag 2,12). Se alguém leva carne santificada na orla da veste e toca pão, vinho ou azeite, esses alimentos ficam santificados? Os sacerdotes respondem: não. Se um homem impuro por ter tocado um cadáver toca essas mesmas coisas, elas ficam contaminadas? Sim (Ag 2,13-14). A aplicação vem em seguida: «Assim é que êste povo, e assim é que esta gente está diante da minha face, diz o Senhor, e assim o está também tôda a obra das mãos dêles: E tôdas as coisas que ali ofereceram serão contaminadas» (Ag 2,15).
As ofertas exteriores não santificavam um povo que deixava em ruínas a casa de Deus; a sua negligência, pelo contrário, contaminava tudo o que ele apresentava. O profeta lembra as colheitas reduzidas à metade: «Quando vínheis a um montão de trigo esperando tirar vinte alqueires, e se reduziam a dez» (Ag 2,17), a ferrugem e o granizo (Ag 2,18). Mas desde o dia em que se lançaram os alicerces, tudo muda: «Dêste dia em diante eu abençoarei tudo» (Ag 2,20).
Quarto oráculo: Zorobabel, o selo do Senhor (capítulo 2,21-24)
No mesmo dia, o Senhor fala só a Zorobabel. Abalará de novo o céu e a terra, «E farei cair o trono dos reinos» (Ag 2,23) e quebrará a força das nações. Mas ao herdeiro de Davi faz esta promessa, que fecha o livro: «eu te tomarei debaixo da minha proteção, ó Zorobabel, meu servo, filho de Salatiel, diz o Senhor: E eu te guardarei como um sêlo, porque te escolhi» (Ag 2,24).
Ageu 2,9: «A glória desta última casa será maior do que a da primeira»
É de longe o versículo mais procurado do livro, quase sempre com o número 2,9, que é o das Bíblias feitas sobre o hebraico. Em Figueiredo e na Vulgata ele é o versículo 2,10: «A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos exércitos: E eu darei a paz neste lugar, diz o Senhor dos exércitos» (Ag 2,10). Em latim: Magna erit gloria domus istius novissimae plus quam primae. Do mesmo modo, quem procura "Ageu 2,8" ("Minha é a prata, e meu é o ouro") o encontra aqui em 2,9, e "Ageu 2,19" ("desde este dia vos abençoarei") em 2,20.
Por que a glória da segunda casa devia superar a da primeira? O Templo de Zorobabel não tinha nem a Arca da aliança nem a nuvem que tinha enchido o de Salomão no dia da sua dedicação, quando «a glória do Senhor tinha enchido a casa do Senhor» (III Reis 8,11, 1 Reis nas Bíblias modernas). A sua glória foi outra: o Menino Jesus foi apresentado nele, quando os pais o trouxeram «ao templo» (Lc 2,27); Cristo ensinou nele e o chamou casa de seu Pai. Malaquias precisa a promessa: «E logo o Dominador que vós buscais, e o anjo do testamento, que vós desejais, virá ao seu templo» (Ml 3,1).
A segunda metade do versículo não é menor: «E eu darei a paz neste lugar». Os comentadores ouviram aí o canto dos anjos de Belém, «e paz na terra aos homens de boa vontade» (Lc 2,14), e a paz que Cristo deixa aos seus discípulos. O versículo não é, portanto, uma promessa de prosperidade material para quem constrói templos ou dá ofertas: é o anúncio da vinda do próprio Deus à sua casa.
Temas e leitura católica
Deus em primeiro lugar. Todo o primeiro capítulo comenta de antemão a palavra de Nosso Senhor: «Buscai pois primeiramente o reino de Deus, e a sua justiça: E tôdas estas coisas se vos acrescentarão» (Mt 6,33). Os judeus cuidavam de tudo, menos do único necessário. Ageu lhes mostra que a pobreza deles não é a desculpa da negligência, mas a sua consequência. A lição vale para a alma cristã, que sempre deixa para depois o que deve a Deus: a oração, a Missa do domingo, a esmola, o cuidado da casa de Deus.
Um culto que agrade a Deus. As duas perguntas feitas aos sacerdotes ensinam que os ritos não santificam um coração que recusa a Deus o que lhe deve. O contato com a coisa santa não basta; é preciso a conversão. Malaquias retomará a mesma lição algumas décadas mais tarde.
Cristo, o Desejado de todas as nações. Os Padres leram no segundo oráculo uma profecia do Messias. A Vulgata diz et veniet desideratus cunctis gentibus, e Figueiredo traduz fielmente: «E VIRÁ O DESEJADO de tôdas as gentes». A promessa se une à de Jacó moribundo, que anunciava aquele «que deve ser enviado. E êste será a expectação das gentes» (Gn 49,10). O hebraico pode também ser entendido das "coisas preciosas" das nações, que seriam trazidas ao Templo, e muitas Bíblias modernas traduzem assim; a Vulgata de São Jerônimo e toda a tradição latina reconheceram nele o Cristo, e a Igreja fez sua essa leitura na sua oração. Veja o nosso artigo sobre a Encarnação.
O abalo do céu e da terra. Santo Agostinho, em A Cidade de Deus (XVIII, 45), observa que o povo carnal esperava do Templo reconstruído uma glória terrena, e mostra que a profecia de Ageu falava do Novo Testamento: o abalo de todas as nações e a vinda do Desejado se cumprem na Encarnação e na pregação do Evangelho, e a casa mais gloriosa é a Igreja, construída com pedras vivas. A Epístola aos Hebreus retoma o oráculo para o fim dos tempos: «Ainda uma vez: E eu moverei, não só a terra, mas também o Céu» (Hb 12,26).
Zorobabel, figura de Cristo. Zorobabel é filho de Salatiel e neto do rei Jeconias, levado ao cativeiro. Deus tinha dito desse rei: «ainda que Jeconias, filho de Joaquim, rei de Judá, fôsse um anel na minha mão direita, eu o arrancaria dela» (Jr 22,24). Ao neto, promete pelo contrário: «eu te guardarei como um sêlo». O anel arrancado é devolvido à mão de Deus; a promessa feita a Davi não é retirada. Zorobabel nunca usou a coroa: a promessa olha mais longe, para aquele que descende dele. As duas genealogias do Senhor passam, de fato, por Zorobabel, a de São Mateus, «Salatiel gerou a Zorobabel» (Mt 1,12), como a de São Lucas (Lc 3,27).
Ao lado do príncipe está o sumo sacerdote, que traz o próprio nome de Jesus, forma grega de Josué. Zacarias, alguns meses depois, o verá purificado e ouvirá a promessa: «FAREI VIR O ORIENTE MEU SERVO» (Zc 3,8). O príncipe e o sacerdote que constroem juntos a casa de Deus anunciam Cristo, que é ao mesmo tempo Rei e Sacerdote.
Versículos mais conhecidos de Ageu
- Ageu 1,4: «Não é assim que tendes vós tempo oportuno para habitardes em casas forradas de laçaria, e esta casa será deserta?»
- Ageu 1,5: «Aplicai os vossos corações a considerar os vossos caminhos». O refrão do livro, que volta no versículo 7: um apelo ao exame de consciência.
- Ageu 1,6: «E o que ajuntou muitos ganhos, meteu-os num saco rôto».
- Ageu 1,13: «Eu sou convosco, diz o Senhor».
- Ageu 2,8: «E VIRÁ O DESEJADO de tôdas as gentes: E encherei de glória esta casa». É o versículo 2,7 das Bíblias modernas.
- Ageu 2,10: «A glória desta última casa será maior do que a da primeira». É o versículo 2,9 das Bíblias modernas.
- Ageu 2,24: «E eu te guardarei como um sêlo, porque te escolhi». É o versículo 2,23 das Bíblias modernas.
Ageu no cânon e na liturgia
Ageu pertence ao Antigo Testamento, entre os doze profetas menores, depois de Sofonias e antes de Zacarias. É um livro protocanônico, recebido pelos judeus, pelos católicos e pelos protestantes: está, portanto, em todas as Bíblias. O Concílio de Trento, no decreto sobre as Escrituras canônicas (sessão IV, 1546), o nomeia entre os doze profetas menores, com a forma latina Aggaeus. São Jerônimo, que traduziu os profetas do hebraico para a Vulgata, deixou um comentário sobre o livro.
No Breviário romano, os profetas menores são lidos nas Matinas de novembro, no fim do ano litúrgico, pouco antes do Advento, quando a Igreja recomeça a cantar a vinda do Desejado das nações; no ciclo das leituras, Ageu é lido na quinta-feira depois do V domingo de novembro. Num domingo de outubro, as Matinas leem também a passagem de A Cidade de Deus (XVIII, 45) em que Santo Agostinho comenta a glória da última casa.
No IV domingo do Advento, a segunda antífona das Laudes retoma o profeta: Ecce veniet desideratus cunctis gentibus: et replebitur gloria domus Domini, "Eis que virá o Desejado de todas as nações, e a casa do Senhor se encherá de glória". E a grande antífona do 22 de dezembro, cantada nas Vésperas antes do Magnificat, dá a Cristo o título que vem de Ageu: O Rex gentium, et desideratus earum, "Ó Rei das nações, e seu Desejado". O hino que o nosso artigo Ó vem, ó vem, Emanuel apresenta nasceu dessas antífonas. Você pode acompanhar o Ofício de cada dia no Breviário.
Como ler o livro de Ageu
O livro se lê em quinze minutos. Comece pela história, nos capítulos 3 a 6 do livro de Esdras, que contam a volta, os fundamentos e a parada das obras. Leia depois os dois capítulos de Ageu de uma vez só, anotando as quatro datas. Continue com Zacarias, que pregou aos mesmos construtores no mesmo ano, e termine com Malaquias, que fala ao povo do Templo já acabado. Mantenha a Vulgata aberta ao lado do português no versículo 2,8: a palavra desideratus leva toda a esperança do Advento.
Perguntas Frequentes
Quem foi Ageu na Bíblia?
Ageu é um profeta judeu da volta do exílio, que pregou em Jerusalém em 520 antes de Cristo, no segundo ano do rei persa Dario I. O livro de Esdras o nomeia com Zacarias como inspirador da reconstrução do Templo (Esd 5,1 e 6,14). Quase nada mais se sabe da sua vida, nem como morreu.
Do que fala o livro de Ageu?
Da reconstrução do Templo de Jerusalém depois do exílio da Babilônia. Em quatro discursos datados de 520 antes de Cristo, o profeta censura os judeus por terem construído as suas casas deixando a de Deus em ruínas, anima-os quando o novo Templo lhes parece miserável e promete que o Desejado de todas as nações virá enchê-lo de glória. A tradição católica lê nele uma profecia de Cristo e da sua Igreja.
Quem escreveu o livro de Ageu e quando?
A tradição o atribui ao profeta Ageu; os oráculos são do ano 520 antes de Cristo, entre o primeiro dia do sexto mês e o vigésimo quarto dia do nono mês, e foram postos por escrito na hora ou pouco depois, talvez por um discípulo. O Templo cuja construção reclamavam foi terminado no sexto ano de Dario, por volta de 515.
O que significa Ageu 2,9?
O versículo que as Bíblias modernas numeram 2,9 é, em Figueiredo e na Vulgata, o 2,10: «A glória desta última casa será maior do que a da primeira». O segundo Templo, mais pobre que o de Salomão, seria mais glorioso porque nele entraria o próprio Filho de Deus, apresentado e ensinando nos seus átrios. E «eu darei a paz neste lugar» anuncia a paz trazida por Cristo.
O que o livro de Ageu nos ensina?
A dar a Deus o primeiro lugar. As más colheitas vinham de que a casa de Deus ficava deserta enquanto cada um se apressava em cuidar da sua (Ag 1,9). Quando o povo obedece, Deus promete a sua presença, «Eu sou convosco», a sua bênção e, para o novo Templo, uma glória maior que a de Salomão.
Quem são Zorobabel e Jesus, filho de Josedec?
Zorobabel, filho de Salatiel e descendente do rei Davi, era o governador de Judá sob os persas. Jesus, filho de Josedec, chamado Josué no livro de Esdras, era o sumo sacerdote. Ageu se dirige aos dois nos seus primeiros oráculos, e a tradição vê nesse príncipe e nesse sacerdote uma figura de Cristo, Rei e Sacerdote.
Quantos capítulos tem o livro de Ageu?
Dois. Na Vulgata e em Figueiredo, o primeiro capítulo tem catorze versículos e o segundo vinte e quatro, ao todo trinta e oito. As Bíblias feitas sobre o hebraico contam quinze e vinte e três: os números do capítulo 2 ficam com um versículo a menos.
Leia Ageu versículo por versículo, em português e em latim, também no aplicativo Bíblia católica da Iter Fidei.
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