A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata
As Lamentações de Jeremias
Cinco cantos fúnebres sobre Jerusalém destruída pela Babilônia, que a Igreja atribui ao profeta Jeremias e canta todos os anos no Ofício das Trevas da Semana Santa. Abaixo estão os cinco capítulos na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado; o guia explica quem escreveu o livro, a sua forma alfabética, o resumo dos capítulos, Lamentações 3,22-23, o sentido cristão e o seu lugar na liturgia.
Ler Lamentações: 5 capítulos
As Lamentações são um dos livros mais curtos do Antigo Testamento: cinco capítulos e cento e cinquenta e quatro versículos. São também um dos mais trabalhados. Quatro dos cinco cantos são acrósticos alfabéticos, e todos voltam à mesma cena: Jerusalém em ruínas, o Templo queimado, o profeta sentado entre os escombros. Na Bíblia católica o livro vem depois da profecia de Jeremias e antes do livro de Baruc. A Vulgata o intitula Threni, id est Lamentationes Jeremiae Prophetae: do grego thrénoi, “cantos de luto”, vem o nome de Trenos com que os livros litúrgicos o citam. Com esse título a Igreja o canta todos os anos nas três noites santas que precedem a Páscoa.
Quem escreveu o livro de Lamentações?
A Igreja recebeu as Lamentações como obra do profeta Jeremias, o profeta do pranto, que havia exclamado: «Quem dará água à minha cabeça, e uma fonte de lágrimas a meus olhos? e eu chorarei de dia e de noite os mortos da filha do meu povo» (Jr 9,1). A tradução grega da Setenta, e depois dela a Vulgata, põem no começo do livro um breve prefácio: depois que Israel foi levado ao cativeiro e Jerusalém ficou deserta, sedit Jeremias propheta flens, o profeta Jeremias sentou-se chorando e fez esta lamentação sobre a cidade. O prefácio fica fora da numeração dos versículos e do esquema alfabético, mas exprime a tradição mais antiga, confirmada pela paráfrase aramaica e pelo Talmude.
As razões dessa tradição
A Escritura já conhece Jeremias como autor de lamentos. Quando o rei Josias caiu em Meguido, o II Livro dos Paralipômenos (2 Crônicas nas Bíblias modernas) lembra que Jeremias compôs cantos fúnebres sobre ele, e que eles se acham escritos entre as lamentações (2 Cr 35,25).
Os cantos têm o acento de uma testemunha. A fome do cerco (Lm 4,10), as censuras aos falsos profetas (Lm 2,14), o olhar voltado em vão «para uma gente que nos não podia salvar» (Lm 4,17): tudo lembra o homem que pregara pelas ruas de Jerusalém para afastar o desastre que agora chora, e que combatera a aliança com o Egito.
Os Padres o unem a Jeremias. Santo Atanásio, na trigésima nona carta festal, conta num só livro Jeremias com Baruc, as Lamentações e a Carta; São Cirilo de Jerusalém faz o mesmo nas Catequeses. São Jerônimo, escrevendo a Paulino, lembra que Jeremias percorreu quatro vezes o alfabeto nas suas Lamentações.
Muitos autores modernos duvidam da autoria de Jeremias e atribuem os cantos a um ou mais poetas anônimos da mesma época. Pode-se mencioná-lo, mas nenhum argumento decisivo abalou a tradição.
Por que Jeremias escreveu as Lamentações?
Porque viu cumprir-se o que tinha anunciado durante quarenta anos: a cidade tomada, o Templo incendiado, o povo levado para o exílio. As Lamentações são o luto de um profeta que amava o povo que o rejeitou, e ao mesmo tempo uma oração de penitência posta nos lábios de todo Israel.
Quando foram escritas as Lamentações?
O livro foi escrito logo depois da tomada de Jerusalém por Nabucodonosor, rei da Babilônia, em 587 ou 586 antes de Cristo, conforme os cálculos. O relato se lê no último capítulo do IV Livro dos Reis (2 Reis 25) e no capítulo 52 de Jeremias: a cidade esfomeada por um cerco de dezoito meses, a brecha nas muralhas, o rei Sedecias cegado e deportado, o Templo e o palácio entregues às chamas. Os cantos parecem ser dos primeiros anos seguintes, escritos para o pequeno resto que ficou entre as ruínas e para os exilados, e feitos para ser cantados.
O que são Aleph, Beth, Ghimel no texto?
Os capítulos 1, 2 e 4 têm vinte e dois versículos cada um, e cada versículo começa, em hebraico, com a letra seguinte do alfabeto. Figueiredo, como a Vulgata, conserva o nome da letra no começo do versículo: Aleph, Beth, Ghimel, Daleth… O capítulo 3 tem sessenta e seis versículos, porque cada letra abre três seguidos. O capítulo 5 tem ainda vinte e dois versículos, mas sem acróstico, e a Vulgata lhe dá um título próprio, Oratio Jeremiae Prophetae, “Oração do profeta Jeremias”. A mesma forma se encontra no salmo 118 da Vulgata (119 no hebraico), onde cada letra governa oito versículos. O alfabeto dá ordem à dor: conduz o pranto da primeira à última letra, como para dizer que se chorou tudo, de aleph a thau.
Do que fala o livro de Lamentações? Resumo
O livro se compõe de cinco cantos, que vão da desolação nua à confissão e à oração.
A cidade que ficou viúva (capítulo 1)
O primeiro canto se abre com o versículo mais célebre do livro: «Como assim solitária está assentada uma cidade cheia de povo: Chegou a ser como viúva a Senhora das Gentes» (Lm 1,1). Nos versículos 1-11 o poeta descreve Sião: «Chorou sem cessar durante a noite, e as suas lágrimas correm pelas suas faces» (Lm 1,2), os amigos se tornaram inimigos, os pagãos entraram no santuário, e tudo isso «pela multidão das suas iniqüidades» (Lm 1,5). Nos versículos 12-22 fala a própria Jerusalém: «Ó vós todos os que passais pelo caminho, atendei, e vêde, se há dor semelhante à minha dor» (Lm 1,12). E reconhece que a sua ruína é justa: «Justo é o Senhor, porque eu rebelde aos seus preceitos o provoquei à ira» (Lm 1,18).
A ira do Senhor (capítulo 2)
O segundo canto olha para a causa do desastre: «Como cobriu o Senhor de escuridade no seu furor a filha de Sião» (Lm 2,1). «O Senhor se tornou como inimigo» (Lm 2,5); «O Senhor rejeitou o seu Altar, amaldiçoou o seu santo lugar» (Lm 2,7). O poeta procura uma comparação para tamanha ruína e não a encontra: «Porque grande é como o mar o teu desfalecimento: Quem te remediará?» (Lm 2,13). Os falsos profetas têm a culpa, porque não manifestavam a iniquidade do povo «para te excitarem à penitência» (Lm 2,14). E a cidade é convidada a rezar de noite: «Derrama o teu coração como água diante do acatamento do Senhor» (Lm 2,19).
O homem da dor e as misericórdias do Senhor (capítulo 3)
O terceiro canto é o coração do livro. Nele fala um homem só: «Homem sou eu que vejo a minha pobreza debaixo da vara da sua indignação» (Lm 3,1). Foi levado às trevas, emparedado, saciado de amargura: «Encheu-me de amargura, embriagou-me de absíntio» (Lm 3,15). Depois, no versículo 21, volta-se para a esperança: «Por eu recordar estas coisas no meu coração, por isso esperarei» (Lm 3,21). Segue a grande confissão da misericórdia, nos versículos 22-26, e o apelo a todo o povo: «Esquadrinhemos os nossos caminhos, e investiguemo-los, e voltemos ao Senhor» (Lm 3,40). Do fundo da cova ele invoca o nome de Deus e recebe resposta: «Disseste: Não temas» (Lm 3,57).
O ouro escurecido (capítulo 4)
O quarto canto volta ao cerco: «Como assim se escureceu o ouro, se mudou a sua côr tão bela» (Lm 4,1). «Os pequeninos pediram pão, e não havia quem lho partisse» (Lm 4,4); «Os que se nutriam entre púrpuras, abraçaram o estêrco» (Lm 4,5). A iniquidade do povo «se fêz maior que o pecado de Sodoma» (Lm 4,6), e o poeta nomeia a causa: «Pelos pecados dos seus profetas, e pelas iniqüidades dos seus sacerdotes» (Lm 4,13). Até o rei, o ungido do Senhor, foi preso (Lm 4,20). Mas o canto termina com uma promessa: «Chegou ao seu têrmo a tua maldade, ó filha de Sião, não te tornará mais a transportar» (Lm 4,22).
A oração de Jeremias (capítulo 5)
O último capítulo é uma oração de todo o povo: «Lembra-te, Senhor, do que nos tem acontecido: Considera, e olha para o nosso opróbrio» (Lm 5,1). Enumera as perdas: «A nossa herança passou a forasteiros: As nossas casas a estranhos» (Lm 5,2), os órfãos, as viúvas, a água comprada a dinheiro. Confessa: «Ai de nós, porque pecamos» (Lm 5,16), e se eleva até a fé: «Mas tu, Senhor, eternamente permanecerás, o teu trono subsistirá de geração em geração» (Lm 5,19). O seu último pedido passou para a oração da Igreja: «Converte-nos, Senhor, a ti, e nós nos converteremos: Renova os nossos dias, bem como no princípio» (Lm 5,21); em latim, Converte nos, Domine, ad te, et convertemur.
Lamentações 3,22-23: «Elas se renovam cada manhã»
É o trecho mais procurado do livro. Eis o texto de Figueiredo (Lm 3,21-26): «Por eu recordar estas coisas no meu coração, por isso esperarei. […] Misericórdias são do Senhor o não têrmos sido consumidos: Porque as suas comiserações nunca faltaram. […] Elas se renovam cada manhã, grande é a tua fidelidade. […] A minha porção é o Senhor, disse a minha alma: Portanto eu o esperarei a êle» (3,21-24). E logo depois: «Bom é o Senhor para os que nêle esperam, para a alma que o busca. […] Boa coisa é esperar em silêncio a salvação de Deus» (3,25-26).
Repare no lugar destas palavras: estão no meio do canto mais escuro do livro, ditas por um homem que perdeu tudo. A esperança não nasce de as coisas terem melhorado, mas da memória de quem Deus é. As misericórdias que «se renovam cada manhã» não apagam a dor; dão forças para atravessá-la. A Igreja escolheu justamente este trecho, Lm 3,22-30, para a primeira lição das Trevas do Sábado Santo, quando o Senhor jaz no sepulcro e tudo parece perdido.
Significado das Lamentações: temas e leitura católica
O pecado é a causa da ruína, e Deus é justo. O livro nunca acusa Deus de injustiça. Nomeia sem cessar a causa: «Jerusalém cometeu um grande pecado» (Lm 1,8). É uma escola de contrição, que ensina a alma a dizer: «Por que murmurou sempre o homem vivendo, o varão pelo castigo de seus pecados?» (Lm 3,39).
A dor não é a última palavra de Deus. «Porque o Senhor não nos rejeitará para sempre. […] Porque se êle nos rejeitou, êle também se compadecerá, segundo a multidão das suas misericórdias» (Lm 3,31-32).
O pranto de Jerusalém anuncia a Paixão. Os Padres e a liturgia leram este livro de Cristo, verdadeiro Templo destruído pelos pecados do povo: Nosso Senhor, com efeito, «falava do Templo de seu corpo» (Jo 2,21), e a Igreja cantou sobre a sua morte os lamentos que choravam as ruínas do Templo. O homem do capítulo 3, que «Oferecerá a face ao que o ferir, fartar-se-á de opróbrios» (Lm 3,30), é o Cristo da Paixão, o Servo de Isaías que diz: «Eu entreguei o meu corpo aos que me feriam, e as maçãs do meu rosto aos que me arrancavam os cabelos da barba» (Is 50,6).
O versículo 20 do capítulo 4, dito ao pé da letra do rei de Judá, soa em Figueiredo assim: «O espírito da nossa bôca, o Cristo Nosso Senhor foi prêso por nossos pecados» (Lm 4,20); a Vulgata lê Christus Dominus, e a tradição leu ali o Cristo preso pelos nossos pecados. Jesus mesmo, ao aproximar-se da cidade, «chorou Jesus sôbre ela» (Lc 19,41).
Nossa Senhora das Dores. A piedade cristã pôs há séculos o «Ó vós todos os que passais pelo caminho» nos lábios da Mãe de pé junto à Cruz, cuja alma foi traspassada pela espada. A própria liturgia o faz na festa das Sete Dores, como se verá abaixo; veja a oração de Nossa Senhora das Dores.
Versículos mais conhecidos de Lamentações
- Lamentações 1,1: «Como assim solitária está assentada uma cidade cheia de povo». A primeira palavra hebraica, Ekhá, “como!”, dá nome ao livro na Bíblia hebraica.
- Lamentações 1,12: «Ó vós todos os que passais pelo caminho, atendei, e vêde, se há dor semelhante à minha dor». Em latim O vos omnes qui transitis per viam, musicado por muitos compositores para a Semana Santa.
- Lamentações 3,22-23: «Misericórdias são do Senhor o não têrmos sido consumidos […] Elas se renovam cada manhã, grande é a tua fidelidade».
- Lamentações 3,25: «Bom é o Senhor para os que nêle esperam, para a alma que o busca».
- Lamentações 3,41: «Levantemos ao Senhor os nossos corações com as mãos para os céus», em que muitos ouviram um eco do Sursum corda da Missa.
- Lamentações 3,55: «Invoquei, Senhor, o teu nome desde o profundo do lago», que faz eco ao De profundis.
- Lamentações 5,21: «Converte-nos, Senhor, a ti, e nós nos converteremos».
As Lamentações no cânon e na liturgia
As Lamentações são um livro protocanônico, recebido pelos judeus e pelos cristãos. A Setenta e a Vulgata as põem entre os profetas, logo depois de Jeremias; a Bíblia hebraica mais tardia as coloca entre os “Escritos”, como um dos cinco rolos, e os judeus as leem no jejum de 9 de Av, que chora a destruição do Templo. O chamado Muro das Lamentações, em Jerusalém, não tem relação direta com o livro: é um resto do muro de sustentação da esplanada do Templo de Herodes, onde os judeus vão chorar a mesma destruição. O Concílio de Trento (sessão IV, 1546) não nomeia as Lamentações à parte: estão compreendidas sob o nome de Jeremias, como nas listas antigas.
As Trevas da Semana Santa
O grande lugar do livro na oração da Igreja é o Ofício das Trevas, isto é, as Matinas e Laudes do Tríduo sacro. No Breviário romano de 1962, as três lições do primeiro noturno são tiradas cada dia das Lamentações e cantadas com as suas letras hebraicas:
- na Quinta-feira Santa começam com Incipit Lamentatio Jeremiae Prophetae e percorrem o capítulo 1, versículos 1-14, até o «jugo das minhas maldades» (Lm 1,14);
- na Sexta-feira Santa tomam Lm 2,8-15 (o versículo 8 abre a primeira lição) e depois Lm 3,1-9;
- no Sábado Santo tomam Lm 3,22-30 e Lm 4,1-6, e terminam com Incipit Oratio Jeremiae Prophetae, Lm 5,1-11 (o versículo 11 encerra a última lição).
Cada lição termina com o mesmo grito, que não está no livro mas pertence à Igreja: Jerusalem, Jerusalem, convertere ad Dominum Deum tuum, Jerusalém, Jerusalém, converte-te ao Senhor teu Deus. O O vos omnes volta como versículo de um responsório da Sexta-feira Santa e, no Sábado Santo, no quinto responsório das Matinas e na última antífona das Laudes. A página sobre o Tríduo Pascal descreve esses ritos, e o Breviário dá o Ofício inteiro.
Outros usos no Missal e no Breviário de 1962
Na festa das Sete Dores de Nossa Senhora (15 de setembro), as lições do primeiro noturno são tiradas das Lamentações, e o capítulo das Laudes é Lm 2,13, «Porque grande é como o mar o teu desfalecimento» (Lm 2,13). O intróito de São Jerônimo Emiliani (20 de julho), pai dos órfãos, é tirado de Lm 2,11, as crianças que desfaleciam nas praças. E o Aleluia da Missa de São Filipe Néri (26 de maio) canta Lm 1,13, De excelso misit ignem in ossibus meis, «Êle enviou lá do alto um fogo sôbre meus ossos» (Lm 1,13): a Igreja lê ali o fogo de amor que ardia no peito do santo; veja São Filipe Néri.
Como ler as Lamentações
Leia primeiro o último capítulo de Jeremias, para os fatos do cerco. Depois leia os cinco capítulos devagar, um por dia, em voz alta se puder: são cantos, e a repetição faz parte da sua força. Guarde o capítulo 3 para o dia em que mais precisar dele, e reze os versículos 22-26 como um ato de esperança. Na Semana Santa, leia as lições das Trevas com o latim ao lado, e depois o salmo 136 da Vulgata (137 no hebraico), sobre os rios de Babilônia. Por fim, releia o livro com o Evangelho da Paixão aberto ao lado: você entenderá por que a Igreja quis ouvir esses lamentos junto ao sepulcro de Cristo.
Perguntas Frequentes
Quem escreveu o livro de Lamentações?
A Igreja o recebeu como obra do profeta Jeremias, e a Vulgata o intitula Lamentationes Jeremiae Prophetae. O prefácio da Setenta e da Vulgata conta que Jeremias se sentou chorando sobre Jerusalém destruída, e os Padres contavam o livro junto com a sua profecia. Muitos modernos pensam em autores anônimos, mas a tradição se apoia nos testemunhos mais antigos.
Do que fala o livro de Lamentações?
São cinco cantos de luto sobre Jerusalém, depois que os babilônios destruíram a cidade e o Templo, em 587 antes de Cristo. Descrevem o cerco, a fome e o exílio, confessam que os pecados do povo são a sua causa e se voltam para a esperança na misericórdia de Deus. A Igreja lê neles também a Paixão de Cristo.
O que o livro de Lamentações nos ensina?
Ensina a chorar diante de Deus sem acusá-lo, a reconhecer os próprios pecados como causa das ruínas e a esperar contra toda esperança: «Elas se renovam cada manhã, grande é a tua fidelidade» (Lm 3,23). É uma escola de contrição e de confiança.
Quantos capítulos tem o livro de Lamentações?
Cinco capítulos e cento e cinquenta e quatro versículos. Os capítulos 1, 2, 4 e 5 têm vinte e dois versículos, tantos quantas as letras do alfabeto hebraico; o capítulo 3 tem sessenta e seis. Os quatro primeiros capítulos são acrósticos alfabéticos.
Por que no texto aparecem as palavras Aleph, Beth, Ghimel?
Porque no original hebraico cada versículo dos quatro primeiros cantos começa com uma letra do alfabeto, em ordem. A tradução não pode conservar o acróstico; a Vulgata e Figueiredo mantêm então o nome da letra no começo do versículo, e a Igreja o canta nas Trevas como parte do texto.
O que é o “O vos omnes”?
É o começo latino de Lamentações 1,12: «Ó vós todos os que passais pelo caminho, atendei, e vêde, se há dor semelhante à minha dor». A Igreja o aplica a Cristo na Paixão e à Virgem das Dores, e o canta no Ofício da Semana Santa.
O Muro das Lamentações está na Bíblia?
Não com esse nome. É um resto do muro que sustentava a esplanada do Templo reconstruído por Herodes, destruído pelos romanos no ano 70; chama-se assim porque os judeus vão ali chorar a ruína do Templo, como o livro de Lamentações chorou a do primeiro Templo.
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