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Cabo Verde: um autocarro de estudantes despenha-se numa ravina da ilha do Fogo
Pelo menos duas dezenas de mortos, na maioria estudantes, após a queda de um autocarro numa ravina da ilha do Fogo, em Cabo Verde; a Igreja reza pelo repouso dos defuntos.

Na noite de sábado, na ilha do Fogo, em Cabo Verde, um autocarro que transportava alunos do ensino secundário saiu da estrada e caiu cerca de trinta metros até ao fundo de uma ravina, perto de Campanas de Cima. O veículo regressava de uma excursão a Chã das Caldeiras, na cratera do Pico do Fogo, por volta das vinte e uma horas locais. Transportava trinta e dois passageiros, na sua maioria crianças e adolescentes.
O balanço, ainda provisório, aponta para pelo menos duas dezenas de mortos, na sua maioria alunos de Curral Grande e de Ponta Verde. Varia consoante as contagens, de vinte e dois a pelo menos vinte e cinco, e continuava a subir enquanto os socorros avançavam num terreno de difícil acesso. Dezanove feridos foram levados ao hospital regional São Francisco de Assis, quatro deles em estado grave, tendo sido mobilizado todo o pessoal. O motorista, que todos os anos oferecia esta saída aos alunos que levava à escola, está entre as vítimas.
O município de São Filipe decretou dois dias de luto e a polícia abriu um inquérito às causas do acidente; o Chefe de Estado e o do Governo apresentaram as suas condolências. A Diocese de Santiago manifestou a sua «profunda tristeza e consternação», precisando que, entre os passageiros, «se encontravam acólitos, catequistas e membros de grupos corais». O município acrescentou que «neste momento de imensa dor, não há palavras que possam aliviar a angústia de quem perdeu um ente querido».
O que a Igreja sempre sustentou diante da morte
A morte entrou no mundo pelo pecado, mas Cristo venceu-a, e a Escritura chama bem-aventurados «os mortos que morrem no Senhor» (Apocalipse XIV, 13). As almas dos justos, diz o Livro da Sabedoria, «estão na mão de Deus» (Sabedoria III, 1). Diante de tal luto, a Igreja não se contenta em consolar: reza. Desde os tempos antigos tem por «santo e saudável pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados» (II Macabeus XII, 46). É este o sentido do santo sacrifício oferecido pelos defuntos, do ofício dos mortos, do De profundis. E a sua fé não se detém no túmulo: no décimo segundo artigo do Símbolo, confessa a ressurreição da carne, a restituição do corpo no último dia.
A medida
Um Estado decreta o luto, abre um inquérito, apresenta as suas condolências; isto é justo, e o homem não pode fazer menos. Mas a tradição oferece o que nenhuma autoridade civil dá: não o esquecimento delicado do tempo que passa, mas o sufrágio. Estas crianças serviam ao altar, ensinavam o catecismo, cantavam no coro; a Igreja não as entrega ao acaso nem ao nada, entrega-as a Deus e reza pelo repouso das suas almas. Diante do acidente, não procura um culpado no céu: a morte súbita de um justo não é uma injustiça de Deus, mas a entrada, por uma porta estreita, nas suas mãos. A única resposta cristã não é nem a revolta nem o silêncio: é a oração pelos mortos e a esperança da ressurreição.
Para o fiel, o dever é simples e antigo: rezar pelo repouso destas almas, mandar oferecer a missa à sua intenção, recitar o De profundis, e manter firme que a carne ressuscitará. O luto cristão não é um desespero; é uma espera.
Fontes. Sagrada Escritura segundo a Vulgata: Apocalipse XIV, 13; Livro da Sabedoria III, 1; segundo Livro dos Macabeus XII, 46. Catecismo do Concílio de Trento (1566), sobre o décimo segundo artigo do Símbolo (a ressurreição da carne) e sobre a oração pelos defuntos. Dom Guéranger, O Ano Litúrgico, na Comemoração de todos os fiéis defuntos.