A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata

Ester 7

Idioma

1 Intravit itaque rex et Aman, ut biberent cum regina.

1 Entrou pois o rei e Aman, para beber com a rainha.

2 Dixitque ei rex etiam secunda die, postquam vino incaluerat : Quæ est petitio tua, Esther, ut detur tibi ? et quid vis fieri ? etiam si dimidiam partem regni mei petieris, impetrabis.

2 E disse-lhe o rei também neste segundo dia, depois de se ter aquecido com o vinho: Que é o que tu me pedes, para que se te conceda? E que queres que se faça? Ainda que peças a metade do meu reino, a terás.

3 Ad quem illa respondit : Si inveni gratiam in oculis tuis o rex, et si tibi placet, dona mihi animam meam pro qua rogo, et populum meum pro quo obsecro.

3 Ester lhe respondeu: Ó rei, se eu achei graça aos teus olhos, e assim te apraz, concede-me a minha vida, pela qual te rogo, e a do meu povo, pelo qual intercedo.

4 Traditi enim sumus ego et populus meus, ut conteramur, jugulemur, et pereamus. Atque utinam in servos et famulas venderemur : esset tolerabile malum, et gemens tacerem : nunc autem hostis noster est, cujus crudelitas redundat in regem.

4 Porque nós fomos entregues eu e o meu povo, a sermos destroçados, degolados e perecer. E oxalá fôssemos ao menos vendidos por escravos e por escravas: Êste mal seria suportável, e lastimando me calaria: mas agora há um nosso inimigo, cuja crueldade redunda sôbre o mesmo rei.

5 Respondensque rex Assuerus, ait : Quis est iste, et cujus potentiæ, ut hæc audeat facere ?

5 E respondendo o rei Assuero disse: Quem é êsse, e qual é o seu poder, para que tenha a ousadia de fazer isso?

6 Dixitque Esther : Hostis et inimicus noster pessimus iste est Aman. Quod ille audiens, illico obstupuit, vultum regis ac reginæ ferre non sustinens.

6 E disse Ester: O nosso inimigo e perseguidor é êste malvado Aman. Êle ouvindo isto ficou logo aturdido, não podendo suportar nem o aspecto do rei nem da rainha.

7 Rex autem iratus surrexit, et de loco convivii intravit in hortum arboribus consitum. Aman quoque surrexit ut rogaret Esther reginam pro anima sua : intellexit enim a rege sibi paratum malum.

7 E o rei se levantou irado, e do lugar do convite entrou em um jardim plantado de árvores. Aman se levantou também, para rogar à rainha Ester pela própria vida, porque conheceu que o rei lhe havia disposto a ruína.

8 Qui cum reversus esset de horto nemoribus consito, et intrasset convivii locum, reperit Aman super lectulum corruisse in quo jacebat Esther, et ait : Etiam reginam vult opprimere, me præsente, in domo mea. Necdum verbum de ore regis exierat, et statim operuerunt faciem ejus.

8 Tendo Assuero voltado do jardim plantado de árvores, e tendo entrado no lugar do banquete achou que Aman se tinha lançado no leito, em que estava Ester, e disse: Até estando eu presente, quer na minha mesma casa fazer violência à rainha. Ainda não havia saído da bôca do rei esta palavra, quando logo lhe cobriram a cara.

9 Dixitque Harbona, unus de eunuchis, qui stabant in ministerio regis : En lignum quod paraverat Mardochæo, qui locutus est pro rege, stat in domo Aman, habens altitudinis quinquaginta cubitos. Cui dixit rex : Appendite eum in eo.

9 E disse Harbona, um dos eunucos, que era do serviço ordinário do rei: Sabei que em casa de Aman está levantado um madeiro, que tem cinqüenta côvados de altura, que tinha preparado para Mardoqueu, que falou em defesa do rei. E o rei lhe disse: Pendurai-o nêle.

10 Suspensus est itaque Aman in patibulo quod paraverat Mardochæo : et regis ira quievit.

10 Foi Aman pois pendurado no patíbulo que êle tinha preparado para Mardoqueu: E a ira do rei se aplacou.

Latim: Biblia Sacra Vulgata (1592). Português: A Sagrada Bíblia (Figueiredo) (1781-1784).

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