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O I Livro dos Paralipômenos (1 Crônicas)
O I Livro dos Paralipômenos, que as Bíblias modernas chamam 1 Crônicas, percorre a história sagrada de Adão até a morte do rei Davi: as genealogias, a Arca levada a Jerusalém, a promessa de Natã e a preparação do Templo. Aqui você encontra os vinte e nove capítulos na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado; o guia explica o nome do livro, quem o escreveu, o resumo das suas partes, a oração de Jabes e a leitura católica.
Ler I Paralipômenos: 29 capítulos
O I Livro dos Paralipômenos começa com três nomes, «Adão, Set, Enos» (1 Cr 1, 1), e termina com a morte de Davi, que «morreu numa ditosa velhice, cheio de dias, e de bens, e de glória» (1 Cr 29, 28). Nove capítulos de nomes e vinte capítulos de história mostram como Deus escolheu a casa de Davi e como Davi preparou a casa de Deus. A Vulgata o intitula Liber I Paralipomenon, e Figueiredo, que a segue, o chama I Paralipômenos; as Bíblias brasileiras de hoje dizem Primeiro Livro das Crônicas (1 Crônicas, abreviado 1 Cr). É o mesmo livro, com os mesmos 29 capítulos.
Por que o livro se chama Paralipômenos?
O título hebraico, Dibre hayyamim, quer dizer “as palavras dos dias”, isto é, os anais. Os tradutores gregos da Setenta o chamaram Paraleipomena, “as coisas deixadas de lado”, porque viam nele um complemento aos livros dos Reis; o nome passou para a Vulgata e para as Bíblias católicas antigas. O nome moderno de «Crônicas» também vem de São Jerônimo: no prólogo que pôs à frente dos livros dos Reis (o chamado Prologus galeatus), ele traduz o título hebraico por Verba dierum e acrescenta que se poderia chamá-lo, com mais propriedade, a crônica de toda a história divina.
São Jerônimo tinha este livro em altíssima conta. Na carta a São Paulino (carta 53), apresenta-o como um resumo de todo o Antigo Testamento, tão importante que quem pretendesse conhecer as Escrituras sem ele cairia no ridículo; e acrescenta que nele se resolvem inúmeras questões do Evangelho. Entre os judeus, os dois livros dos Paralipômenos formavam uma obra só: o II Livro dos Paralipômenos continua a história de Salomão até o edito de Ciro. Sobre os nomes diferentes que os livros têm em cada Bíblia, veja o nosso guia Qual a melhor Bíblia católica.
Quem escreveu o livro de 1 Crônicas?
O livro não diz o nome do seu autor, mas os antigos escritores católicos o atribuíram comumente a Esdras, o sacerdote e escriba que conduziu uma das voltas do exílio da Babilônia. O Talmude (tratado Baba Bathra, 15a) registra a mesma tradição: Esdras escreveu o seu livro e as genealogias das Crônicas até o seu próprio tempo.
O exame do texto vai na mesma direção. Os Paralipômenos e o livro de Esdras têm o mesmo estilo, o mesmo amor pelo Templo e pelos levitas, o mesmo cuidado com as genealogias; e os últimos versículos do II Paralipômenos reaparecem, quase palavra por palavra, no começo do livro de Esdras. Muitos autores modernos preferem falar de um «Cronista» anônimo, de época um pouco mais tardia.
O autor cita as suas fontes. Os feitos de Davi, escreve, «estão escritas no Livro de Samuel o Vidente, e no livro do profeta Natan, e no volume de Gad o Vidente» (1 Cr 29, 29). Onde a sua narrativa corre paralela ao II Livro dos Reis (2 Samuel nas Bíblias modernas), os dois textos concordam na substância e muitas vezes na letra. A Pontifícia Comissão Bíblica, em 23 de junho de 1905, recordou que os livros históricos da Escritura devem ser recebidos como história verdadeira, a menos que haja provas sólidas em contrário; e é assim que a Igreja sempre leu os Paralipômenos.
Quando foi escrito?
Depois da volta do cativeiro da Babilônia. A genealogia da casa de Davi desce além de Zorobabel, que conduziu a primeira volta: «De Fadaia nasceram Zorobabel e Semei» (1 Cr 3, 19). O capítulo 9 enumera os sacerdotes, os levitas e as famílias de Judá e de Benjamim que voltaram a morar em Jerusalém, depois de lembrar que os israelitas «foram transportados a Babilônia por causa dos seus delitos» (1 Cr 9, 1). O texto hebraico conta até as ofertas para o Templo em dáricos, moeda persa, que a Vulgata traduz por solidos e Figueiredo por «soldos» (29, 7).
Os autores católicos situavam portanto o livro no fim do século V ou no começo do século IV antes de Cristo, no tempo de Esdras e de Neemias; muitos modernos propõem uma data um pouco mais baixa. O livro foi escrito para a pequena comunidade que voltara do exílio, sem rei e sem riquezas, para lembrar-lhe que continuava a ser o povo da promessa.
Do que fala o livro de 1 Crônicas? Resumo
O I Paralipômenos não é uma simples repetição dos livros de Samuel e dos Reis: é a mesma história contada do ponto de vista do Templo. Cala o pecado com Betsabé e a revolta de Absalão, e acrescenta muita coisa sobre a Arca, os levitas e os cantores que não se encontra em outro lugar. Divide-se em duas grandes partes: as genealogias (capítulos 1-9) e o reinado de Davi (capítulos 10-29).
As genealogias, de Adão à volta do exílio (capítulos 1-9)
O capítulo 1 vai de Adão a Noé e percorre depois as nações, Abraão e Esaú. O capítulo 2 começa os filhos de Israel por Judá e segue a sua descendência por Booz e Isai até Davi: «o sexto Asom, o sétimo Davi» (1 Cr 2, 15). O capítulo 3 dá os filhos de Davi e a série dos reis de Judá até depois do exílio. O capítulo 4 traz a oração de Jabes. O capítulo 6 traça a tribo de Levi, com os sumos sacerdotes e os cantores Heman e Asaf; os capítulos 7 e 8 passam em revista as outras tribos e a casa de Saul, e o capítulo 9 chega ao repovoamento de Jerusalém.
A morte de Saul e a unção de Davi (capítulos 10-12)
De Saul, o autor só conserva a morte no monte Gelboé e a sua causa: «Morreu pois Saul por causa das suas iniqüidades, porque tinha prevaricado o mandamento que o Senhor lhe tinha pôsto, e o não tinha observado: Mas até também consultara uma pitonisa» (1 Cr 10, 13). No capítulo 11, todo o Israel vai a Davi em Hebron e lhe diz: «Nós somos teus ossos, e tua carne»; Davi é ungido rei e toma «a fortaleza de Sião, que é a cidade de Davi» (11, 5). No capítulo 12, juntam-se a ele os valentes de todas as tribos, e Amasai, que «se revestiu de espírito», lhe diz: «A paz, a paz seja contigo, e a paz seja com os teus defensores: Porque o teu Deus te protege» (12, 18).
A Arca levada a Jerusalém (capítulos 13-16)
O primeiro cuidado de Davi é a Arca: «reconduzamos para nós a Arca do nosso Deus: Porque nós a não buscamos nos dias de Saul» (1 Cr 13, 3). Oza, que estende a mão para segurá-la, é ferido de morte, e a Arca fica três meses na casa de Obededom: «E o Senhor abençoou a sua casa, e tudo o que lhe pertencia» (13, 14). No capítulo 14, o rei de Tiro manda cedros e Davi vence os filisteus. No capítulo 15, Davi restabelece a ordem da Lei: «não é permitido que a Arca de Deus seja levada por alguém senão pelos levitas» (1 Cr 15, 2). No capítulo 16, a Arca é colocada na tenda, e Davi estabelece Asaf e os seus irmãos para louvarem o Senhor continuamente.
A promessa de Natã a Davi (capítulo 17)
Davi, que mora «numa casa de cedro» enquanto a Arca «está debaixo dumas peles», quer construir uma casa ao Senhor. Deus lhe responde pelo profeta Natã que será Ele, o Senhor, quem fundará a casa de Davi: «eu suscitarei depois um do teu sangue, que será de teus filhos: E estabelecerei o seu reino. Êsse me edificará casa, e firmarei o seu trono para sempre» (1 Cr 17, 11-12).
As guerras e o recenseamento (capítulos 18-21)
Os capítulos 18-20 resumem as vitórias de Davi sobre os filisteus, Moab, a Síria e Amon. No capítulo 21, Satanás leva Davi a contar Israel; a peste fere o povo, e o anjo exterminador se detém «perto da eira de Ornan jebuseu» (21, 15). Ali Davi levanta um altar, e o Senhor o atende, «mandando do Céu fogo sôbre o altar do holocausto» (1 Cr 21, 26). Naquele lugar será construído o Templo.
Davi prepara o Templo e o seu culto (capítulos 22-29)
Davi junta pedras, cedro, ouro e bronze, e confia a construção a Salomão, porque Deus lhe disse: «Tu tens derramado muito sangue, e tens dado muitas batalhas», ao passo que o filho «será chamado Pacífico» (1 Cr 22, 8-9). O capítulo 23 organiza os levitas, que devem estar presentes «pela manhã a cantar os louvores do Senhor: E do mesmo modo à tarde» (23, 30); o capítulo 24 divide os sacerdotes em vinte e quatro turmas tiradas à sorte; o capítulo 25 estabelece os mestres do canto sagrado, que eram «duzentos e oitenta e oito»; os capítulos 26 e 27 enumeram porteiros, tesoureiros e oficiais do reino.
Numa assembleia solene, Davi entrega a Salomão o modelo do Templo: «Tôdas estas coisas, disse o rei, me foram dadas escritas pela mão de Deus» (1 Cr 28, 19). No capítulo 29, o povo oferece com alegria, Davi bendiz a Deus, Salomão é ungido «segunda vez», e Davi morre depois de quarenta anos de reinado.
A oração de Jabes (1 Crônicas 4, 10)
É o versículo mais procurado do livro, e está escondido no meio de uma lista de nomes da tribo de Judá. «Mas Jabes foi mais ilustre do que seus irmãos, e sua mãe lhe pôs o nome de Jabes, dizendo: Porque eu o pari com dores» (1 Cr 4, 9). O nome lembra, em hebraico, a palavra “dor”. Vem então a oração: «Ora Jabes invocou o Deus de Israel, dizendo: Se tu me encheres das tuas bênçãos, e dilatares os meus limites, e a tua mão fôr comigo, e não permitires que eu seja oprimido pela malícia. E Deus lhe concedeu o que êle lhe tinha pedido» (1 Cr 4, 10).
A frase começa com um “se” e fica em suspenso, sem dizer o que Jabes faria em troca; muitos intérpretes veem nela a forma de um voto. O latim, Si benedicens benedixeris mihi, conserva a repetição hebraica, que Figueiredo traduz por «encheres das tuas bênçãos». Jabes pede quatro coisas: a bênção de Deus, terras mais largas para a sua família, a mão de Deus sobre ele, e não ser vencido pelo mal.
O que esta oração ensina? Que é bom pedir a Deus também os bens temporais, como Nosso Senhor nos manda pedir o pão de cada dia no Pai-Nosso; e que o último pedido, não ser oprimido pela malícia, é o mais importante, porque é o mesmo do “livrai-nos do mal”. Não é uma fórmula que obriga Deus a enriquecer quem a repete: a Escritura conta que Deus atendeu Jabes, não promete o mesmo resultado a quem a recitar um certo número de vezes. Rezada com humildade e entregue à vontade de Deus, é uma bela oração de pedido; o nosso artigo sobre a oração de Jabes a comenta mais longamente.
Temas e leitura católica
Cristo, filho de Davi
O oráculo de Natã, tal como os Paralipômenos o transmitem, vai ainda mais longe que o do II Livro dos Reis: «Mas eu o estabelecerei na minha casa, e no meu reino para sempre; e o seu trono será perpètuamente firmíssimo» (1 Cr 17, 14).
A Epístola aos Hebreus aplica a Cristo a palavra do versículo anterior: «Eu serei seu Pai e êle me será meu Filho» (Hb 1, 5); e o anjo anuncia à Virgem que a seu Filho «o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi» e que o «seu reino não terá fim» (Lc 1, 32-33). Santo Agostinho dedica um capítulo da Cidade de Deus (XVII, 8) a mostrar que estas promessas não se cumpriram em Salomão, mas plenamente em Cristo. Para a figura do rei, veja Quem foi o rei Davi.
As genealogias e o Evangelho
Os primeiros capítulos preparam as genealogias de Nosso Senhor. São Mateus segue a mesma linha por Judá, Farés, Booz e Isai (Mt 1); São Lucas sobe, como os Paralipômenos, até Adão, «que foi criado por Deus» (Lc 3, 38). É nesse sentido que São Jerônimo dizia que o livro resolve questões do Evangelho.
O sacerdócio e o canto sagrado
Davi não constrói nada, mas ordena tudo: estes capítulos ensinam que o culto público deve ser regrado, servido por um sacerdócio consagrado e ornado pela música sacra. As turmas sacerdotais instituídas por Davi ainda serviam no tempo do Evangelho: Zacarias, pai de São João Batista, era «da turma de Abias» (Lc 1, 5), a oitava tirada à sorte: «a sétima a Acos, a oitava a Abia» (1 Cr 24, 10). Os filhos de Asaf, de Heman e de Iditun, escolhidos «para tocarem cítaras, e saltérios, e tímbales» (25, 1), e os levitas que louvavam o Senhor de manhã e à tarde estão na origem da tradição que a Igreja continua na salmodia do Ofício, nas Laudes e nas Vésperas; a nossa página sobre a Liturgia das Horas a explica.
A eira de Ornan
Davi se oferece pelo seu povo: «Eu sou o que pequei: Eu o que fiz o mal: Mas êste rebanho que mereceu êle?» (1 Cr 21, 17). O seu sacrifício detém a espada do anjo, e naquele lugar será construído o Templo, onde durante séculos os sacrifícios anunciarão o único sacrifício do Calvário. Davi recusa até o terreno oferecido de presente: não quer «oferecer ao Senhor holocaustos que não me custem nada» (21, 24).
Satanás e o recenseamento
O II Livro dos Reis diz que o furor do Senhor se acendeu contra Israel «e excitou o Senhor contra êles a Davi» (2 Sm 24, 1); os Paralipômenos precisam: «Levantou-se pois Satanás contra Israel: E incitou a Davi a fazer resenha de Israel» (1 Cr 21, 1). O segundo texto explica o primeiro: Deus permite a tentação, Satanás a provoca. O próprio texto do II Reis o diz à sua maneira, «permitindo que dissesse».
A generosidade para com Deus
Os dois últimos capítulos são uma meditação sobre o dom. «E o povo se alegrou, ao fazer estas oferendas voluntárias: Porque as ofereciam de todo o seu coração ao Senhor» (29, 9), e Davi confessa que tudo vem de Deus: «Teu é tudo: E o que recebemos da tua mão, nós isso mesmo te oferecemos» (1 Cr 29, 14). É o próprio espírito do ofertório da Missa.
Versículos mais conhecidos de 1 Crônicas
- A oração de Jabes (1 Cr 4, 10): «Se tu me encheres das tuas bênçãos, e dilatares os meus limites, e a tua mão fôr comigo». Ver a seção acima.
- O cântico de Davi diante da Arca (1 Cr 16, 8-36): retoma salmos conhecidos. Na numeração da Vulgata, os versículos 8-22 são o começo do salmo 104 (105 nas Bíblias modernas), os versículos 23-33 correspondem ao salmo 95 (96), e a conclusão retoma o salmo 105 (106). Ali se lê: «Buscai o Senhor, e a sua fortaleza: Buscai sempre a sua face» (16, 11); «Não toqueis os meus ungidos: E não façais mal aos meus profetas» (16, 22); e «Dai glória ao Senhor, porque é bom: Porque a sua misericórdia é eterna» (16, 34), uma oração inteira de ação de graças numa linha.
- O conselho de Davi a Salomão (1 Cr 28, 9): «serve-o com um coração perfeito, e uma plena vontade: Porque o Senhor sonda todos os corações […] Se tu o buscares, achá-lo-ás».
- Coragem para a obra de Deus (1 Cr 28, 20): «Obra varonilmente, e anima-te, e mete mãos à obra: Não temas nada, e não te desanimes: Porque o Senhor meu Deus será contigo, e não te largará, nem te desamparará».
- A bênção de Davi (1 Cr 29, 11): «Tua é, Senhor, a grandeza, o poder, a glória, e o vencimento: e a ti é devido o louvor: Porque tudo o que há no céu, e na terra, é teu». A doxologia “pois teu é o reino, o poder e a glória”, que alguns manuscritos gregos e o uso protestante acrescentam ao Pai-Nosso, ecoa estas palavras; não pertence ao texto da Vulgata nem ao rito romano.
- Tudo vem de Deus (1 Cr 29, 14): «Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, para te podermos oferecer tôdas estas coisas?»
- A simplicidade do coração (1 Cr 29, 17): «Eu sei, Deus meu, que sondas os corações, e que amas a simplicidade».
O I Paralipômenos no cânon e na liturgia
O I Paralipômenos é um livro histórico do Antigo Testamento, protocanônico: recebem-no judeus, católicos, ortodoxos e protestantes. Corre paralelo ao fim do I Livro dos Reis (1 Samuel) e ao II (2 Samuel), e chega ao começo do III (1 Reis). O Concílio de Trento (sessão IV, 1546) nomina os dois livros dos Paralipômenos (Paralipomenon duo) entre os livros canônicos e declara autêntica a Vulgata de São Jerônimo. Na Bíblia hebraica, as Crônicas fecham o cânon; na Vulgata e em Figueiredo, vêm depois dos quatro livros dos Reis e antes de Esdras. A Bíblia católica tem 73 livros, e os nomes antigos de alguns deles confundem quem compara edições: veja Quantos livros tem a Bíblia católica.
A liturgia tradicional reza toda semana a bênção de Davi. No saltério do Breviário romano reformado por São Pio X e em uso em 1962, o cântico do Antigo Testamento das Laudes de segunda-feira, no primeiro esquema, é o Canticum David (29, 10-13), com a antífona Laudamus nomen tuum inclitum, Deus noster: Benedictus es, Domine, Deus Israël patris nostri, ab aeterno in aeternum. O texto de Figueiredo está no capítulo 29: «Bendito és tu, ó Senhor Deus de Israel nosso pai, de eternidade em eternidade». Você pode rezá-lo com o Ofício do dia no nosso Breviário.
No Missal, o intróito da Epifania, Ecce advenit dominator Dominus: et regnum in manu ejus et potestas et imperium, une uma palavra de Malaquias a um eco do versículo 29, 12, onde Davi diz a Deus: «na tua mão está a fortaleza e o mando de tôdas as coisas»; o Missal indica as duas fontes. O ofertório da Missa da Dedicação de uma igreja, Domine Deus, in simplicitate cordis mei laetus obtuli universa, é tirado dos versículos 17 e 18 do mesmo capítulo: «eu também te ofereci alegre tôdas estas coisas na simplicidade do meu coração».
Como ler o I Paralipômenos
Siga a linha de Adão a Davi nos capítulos 1-3, e depois passe mais depressa até o capítulo 10, parando em Jabes e nos cantores. Mantenha aberto o II Livro dos Reis (2 Samuel) ao lado dos capítulos 11-21, para ver o que o autor acrescenta e o que deixa de lado. Reze o capítulo 16 junto com os salmos 95 e 104 da Vulgata, e leia os capítulos 28 e 29 como uma meditação sobre a generosidade para com Deus. Passe depois ao II Paralipômenos: os dois livros formam uma obra só.
Perguntas Frequentes
O que significa Paralipômenos?
A palavra vem do grego da Setenta e quer dizer “as coisas deixadas de lado”: os tradutores viam no livro um complemento aos livros dos Reis. O título hebraico quer dizer “as palavras dos dias”, isto é, os anais, e São Jerônimo propunha chamá-lo a crônica de toda a história sagrada. Daí o nome moderno: I Paralipômenos e 1 Crônicas são o mesmo livro.
Quem escreveu o livro de 1 Crônicas?
O livro não diz o nome do autor, mas a tradição judaica e cristã o atribui a Esdras, o sacerdote e escriba da volta do exílio. O Talmude o afirma expressamente, e o estilo e o espírito do livro são muito próximos dos de Esdras. Muitos autores modernos falam de um «Cronista» anônimo.
Quantos capítulos tem 1 Crônicas?
Vinte e nove, com 940 versículos na Vulgata e em Figueiredo. Os capítulos 1-9 são genealogias, os capítulos 10-29 contam o reinado de Davi. Cada capítulo se abre pela grade no alto desta página.
O que é a oração de Jabes?
É a breve oração de 1 Crônicas 4, 10: Jabes, cujo nome lembrava a dor da mãe, pediu a Deus que o abençoasse, alargasse os seus limites, pusesse sobre ele a sua mão e não o deixasse ser oprimido pelo mal, «E Deus lhe concedeu o que êle lhe tinha pedido». Ensina a confiança na oração de pedido, desde que entregue à vontade de Deus.
O que significa 1 Crônicas 29, 11?
É o começo da bênção de Davi diante de todo o povo, no fim da sua vida: tudo o que há no céu e na terra pertence a Deus, e a Ele são devidos a grandeza, o poder e a glória. Os versículos 10-13 são o cântico que o Breviário de 1962 canta nas Laudes de segunda-feira.
O que significa 1 Crônicas 28, 20?
É a exortação de Davi a Salomão no momento de lhe confiar a construção do Templo: «Obra varonilmente, e anima-te […] Não temas nada», porque o Senhor estará com ele até que a obra esteja acabada.
Por que Davi não construiu o Templo?
Porque Deus não o quis: «Tu não edificarás casa ao meu nome: Porque és um homem guerreiro, e tens derramado sangue» (1 Cr 28, 3). A construção ficou reservada ao seu filho Salomão, o homem da paz. Davi, porém, preparou todos os materiais, o modelo e a ordem do culto.
O I Paralipômenos também se lê versículo por versículo, em português e em latim, no aplicativo Bíblia católica do Iter Fidei.
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